historiaParóquia, palavra originária do grego ”paroikia“, que significa vizinhança, é, de acordo com a definição do Código do Direito Canónico, uma divisão territorial eclesiástica, com igreja e uma comunidade a ela adstrita e cuja jurisdição espiritual foi confiada a um sacerdote, um pároco, sob a dependência do bispo diocesano.

A primitiva história da paróquia de Salvador de Ramalde perde-se na noite dos tempos; por falta de documentos torna-se impossível a recomposição do seu passado. Mas há alguns dados interessantes.

É uma povoação muito antiga. Já existia antes dos gascões, povos do sul de França, que em 1009 acamparam nesta freguesia, num local que deles tomou o nome de “Francos“, que ainda hoje conserva, onde tiveram com os mouros uma rija peleja, sendo estes completamente derrotados.

Era do Padroado Real, e D. Sancho, em 1196, doou-o a sua filha D. Mafalda, quando esta princesa cuidava em converter o mosteiro de Bouças, já existente em 944, e o de Arouca, que estavam povoados de freiras beneditinas, à Ordem de Cister, imitando as suas irmãs D. Teresa e D. Sancha que já tinham convertido respectivamente os mosteiros de Lorvão e de Celas à Ordem Cisterciense, introduzida em Portugal em 1122.

Por morte da rainha D. Mafalda, em 1290, passou o Padroado de Ramalde para a coroa, até que, aí por 1420, D. João I o doou, com todas as propriedades e direitos reais ao Convento de Santa Clara, desta cidade, que havia fundado em 1416, a pedido de seu sobrinho D. Fernando da Guerra, então Bispo do Porto, e para onde transferiu as religiosas do Convento de Santa Clara do Torrão (Entre-os Rios) e, declarando-se protector desta nova casa de religiosas, concedeu-lhes também o título de “Real”.

Desde esta época o pároco de Ramalde era apresentado pela Prelada do Real Convento de Santa Clara, que tinha o título de Dona Abadessa.

Devolvidos alguns anos, as religiosas, delimitando com marcos de pedra esta freguesia das circunvizinhas, mandaram gravar-lhes as letras – S. C. – (Santa Clara), que ainda hoje conservam.

Das “Inquirições que foram tiradas no tempo de D. Afonso III dos direitos e foros que lhe pagavam certos julgados”, consta que a freguesia de Ramalde, em 1230, então denominada Ramhualdi e Ramhaldi, se compunha de cinco lugares: o de Francos, o do Seixo, o de Requezendi, o de Ramhualdi Jusão, o de Remhualdi Suzão (hoje Ramalde de Baixo e Ramalde do Meio), que presentemente ainda existem.

Desde 1230 até 1835, pertenceu ao velho julgado municipal de Bouças e, desde aí até 1895 ao novo Concelho de Bouças, incorporando-se neste ano no desta cidade do Porto, por ficar dentro da Estrada da Circunvalação.

Ramalde tinha 162 almas em 1527; 298 em 1623; 630 em 1706; 887 em 1732; 2.927 em1864; 3.877 em 1878; 6.311 em 1890. Nos últimos anos tem tomado grande incremento, como o certificam o crescimento da população e dos fogos, a transformação no que toca a infra-estruturas e capacidades logísticas.

A título de curiosidade resta dizer que a invasão dos franceses ficou aqui tristemente assinalada. Em 29 de Março de 1809, dia em que o exército francês, comandado pelo marechal Soult, entrou nesta cidade, travou-se um encarniçado combate nesta freguesia, sendo mortos pelos franceses cento e quarenta paroquianos, como consta do respectivo livro de óbitos. Nesse mesmo dia os franceses queimaram a antiga e solarenga “Casa de Ramalde“, denominada ,depois, pelo povo, de “Quinta Queimada”, pelo facto de se conservar por muito tempo desmantelada. Hoje, felizmente, mantém o título original.