Plano de Pastoral 2017/2018

PLANO DIOCESANO DE PASTORAL 2017/2018 – “MOVIDOS PELO AMOR DE DEUS”

Viver da caridade, viver a caridade e viver em caridade são os principais objectivos propostos neste plano Diocesano.

Movidos pelo amor de Deus, propomo-nos viver da caridade verdadeira, daquele amor que brota do mistério trinitário, como sua fonte, e que dimana, para todos nós, nas múltiplas experiências do encontro com Cristo, na escuta e anúncio da Palavra, na oração e celebração dos sacramentos, no testemunho feliz do amor recebido e oferecido. Enraizados na caridade, queremos cultivar uma sólida espiritualidade cristã que dê consistência e sentido cristão ao compromisso social, para que este apareça, como fruto do amor de Cristo e do encontro transformador com Ele. Trata-se de um amor, que jamais podemos calar (cf. EG, 264). Numa palavra, queremos uma Igreja que vive da caridade: anuncia-a, celebra-a e testemunha-a. A comunidade cristã, no seu conjunto, é o sujeito da caridade e esta não é delegável a um grupo de boa vontade, a uma instituição social ou a especialistas na matéria. Assim, a primeira preocupação de cada comunidade deverá ser a de sensibilizar, educar e formar todos os seus membros para a vivência e o testemunho da caridade.

Movidos pelo amor de Deus, propomo-nos viver a caridade, na prática concreta do mandamento novo do amor, «como Ele nos amou», portanto, por participação e imitação do amor de Cristo, quer ao nível mais pessoal das nossas relações humanas e sociais, quer ao nível mais institucional da caridade organizada pelas nossas comunidades cristãs. Para viver a caridade, e com ela animar e fortalecer as nossas relações e instituições, urge então formar cristãos contemplativos na ação, verdadeiros evangelizadores com espírito, que anunciem a Boa Nova, não apenas com palavras, mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus. É assim que, por capilaridade, e em rede, se pode fomentar o crescimento de autênticas comunidades samaritanas, que irradiem a caridade, sobretudo em favor dos que mais precisam (cf. EG, 199).

Movidos pelo amor de Deus, queremos viver em caridade, fomentando nas nossas comunidades a comunhão visível na partilha de bens materiais e espirituais, a unidade de alma e coração na justa diversidade de dons e Diocese do Porto | Plano Pastoral 2017/18 p41 ministérios, a capacidade de perdão e a necessária abertura à reconciliação, o diálogo paciente e permanente entre todos, a cultura do encontro e da proximidade, a estima recíproca entre pessoas e grupos, a procura humilde dos caminhos de renovação pastoral. Reiteramos o desafio de criar e / ou revitalizar os espaços e os órgãos de comunhão, como os conselhos paroquiais ou interparoquiais, os conselhos vicariais, para que a prática efetiva da corresponsabilidade apareça, desde já, como exercício de aprendizagem da verdadeira sinodalidade, isto é, como capacidade das comunidades para fazerem caminho em conjunto, sob o impulso do Espírito Santo.

Cabe-nos a todos, em comunhão, o esforço de assumir, programar e operacionalizar o lema, objetivos e desafios deste Plano, concretizando-o, com audácia e realismo, nos modos, espaços e tempos, que consideremos mais apropriados à nossa realidade pastoral. Deixamos aqui apenas algumas propostas de ação, que não pretendem cercear ou limitar, mas inspirar e motivar a criatividade pastoral, em ordem a aprofundar a dimensão social da evangelização:
1) Organizar, de modo atual e eficaz, integral e integrado, a Caridade na Igreja (a nível diocesano, vicarial, interparoquial e paroquial).
2) Valorizar os carismas individuais e comunitários, que o Espírito suscita para o serviço da caridade, nas paróquias, nas famílias religiosas, nas comunidades eclesiais, nos movimentos apostólicos e grupos cristãos.
3) Sob a orientação do Secretariado da Pastoral Sociocaritativa, refletir, promover e coordenar, a nível diocesano, o serviço da Caridade.
4) Criar um organismo diocesano de apoio às IPSS da Igreja.
5) Articular as atividades das instituições e grupos de ação social. 6) Suscitar e fazer crescer, nas paróquias, a dimensão social, como exigência da vida da própria comunidade, revitalizando ou criando os grupos, para uma resposta adequada. 7)
Conhecer e divulgar a Doutrina Social da Igreja e as suas implicações na leitura e na transformação da realidade social, nomeadamente através da formação destinada a agentes da pastoral sociocaritativa e do mundo laboral, e aos jovens, nos seus encontros de reflexão e nas suas experiências de compromisso eclesial ou de voluntariado social, tendo presente que “a caridade é a via mestra da doutrina social da Igreja” (excertos do documento de apresentação do Plano – 07/07/2017)