Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

No início de um novo ano, a Igreja celebra a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, a festa mariana mais antiga que se conhece no Ocidente.

Neste dia 1 de Janeiro, comemora-se também o 51º Dia Mundial da Paz. Na sua mensagem para este dia, que tem como tema os “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”, o Papa Francisco recorda os que mais sofrem com a ausência de paz, “os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados”, e apela a todos que, “com espírito de misericórdia, abracem aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental”. ( Ler MENSAGEM COMPLETA)

A Liturgia da Palavra desta solenidade centra-se evidentemente em Maria, Mãe de Deus e que se tornou também nossa Mãe.
Ao aceitar incondicionalmente ser a mãe de Jesus, o que fez com que Deus viesse ao mundo e habitasse no meio de nós, Maria desempenhou um papel singular na História da Salvação.
Desde a Anunciação do anjo até ao momento em que, aos pés da cruz, assistiu ao último sofrimento de seu Filho, Maria viveu todos os acontecimentos com uma fé sólida e sem perder a confiança em Deus, sendo, por isso, um exemplo de humildade e de disponibilidade à vontade de Deus.
Maria continua a desempenhar a sua função maternal no céu. “De facto, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo (Lumen Gentium 62).
Com a profunda convicção de que Maria, nossa Mãe, tem amor maternal e solicitude por todos os seus filhos, vamos dirigir-lhe, hoje e sempre, as nossas orações, pedindo-lhe que nos faça disponíveis para aceitar, sem quaisquer objecções, os planos que Deus tem para cada um de nós.

Mãe de Deus, Senhora da alegria, Mãe igual ao dia, Maria. A primeira página do ano é toda tua, Mulher do sol, das estrelas e da lua, Rainha da Paz, Aurora de Luz, Estrela matutina, Mãe de Jesus e também minha, Senhora de Janeiro, do Dia primeiro e do Ano inteiro.
Menina de Deus bendita! Sossegada e livre e firme, levas os teus filhos pela mão, salvo-conduto para a esperança, Mulher de todas as esperas. O tempo em que vamos é semelhante ao de Herodes, tu sabe-lo bem, atravessado por tanta tirania e prepotência, batido por tantas vagas de poder e ambição.
Faz-nos sentir, Mãe, o calor da tua mão no nosso rosto frio, insensível, enrugado. Acaricia-nos. Senta-nos em casa ao redor do amor, do coração. Somos tão modernos e tão cheios de coisas, estes teus filhos de hoje! Tão cheios de coisas e tão vazios de nós mesmos e de humanidade e divindade! Temos tudo. Mas falta-nos, se calhar, o essencial: a tua simplicidade e alegria.
Abençoa, Mãe, os nossos dias breves. Ensina-nos a vivê-los todos como tu viveste os teus, sempre sob o olhar de Deus e a olhar por Deus. É verdade. A grande verdade da tua vida, o teu segredo de ouro. Tu soubeste sempre que Deus velava por ti, enchendo-te de graça. Mas tu soubeste sempre olhar por Deus, porque tu soubeste que Deus também é pequenino. Acariciada por Deus, viveste acariciando Deus. Por isso, todas as gerações te proclamam «Bem-aventurada»!
(António Couto, Bispo)

SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS