Todos os Santos e “Halloween”: tão próximos, tão diferentes

Há mais de 2500 anos que os celtas celebram, a 31 de outubro, o seu novo ano, o fim das colheitas, a mudança de estação e a chegada do inverno.
Esta cerimónia festiva, em honra da divindade Samhain (deus da morte), permitiria comunicar com o espírito dos mortos. Nesse dia, abriam-se as portas entre o mundo dos vivos e dos mortos. De acordo com a tradição, nessa noite os fantasmas dos mortos visitavam os vivos. Para acalmar os espíritos, a população depositava ofertas diante das portas das casas.
A festa foi conservada no calendário irlandês após a cristianização do país como um elemento de folclore. Mais tarde implanta-se nos EUA com os emigrantes irlandeses do final do século XIX, onde conhece, ainda hoje, um imenso sucesso. O Halloween volta a atravessar o Atlântico, em sentido contrário, em direção à Europa, essencialmente por razões comerciais.

A verdadeira luz
Para além das crenças primordiais das origens, o “Halloween” é um pretexto para fazer a festa e esquecer as longas noites outonais, muitas vezes chuvosas e tristes.
Por seu lado, a solenidade de Todos os Santos é uma festa mais “interior”. A Igreja liberta do medo da morte ao insistir, no primeiro dia de novembro, na esperança da ressurreição e na alegria daqueles que colocaram as Bem-aventuranças no centro da sua vida.
O centro de Todos os Santos é Cristo, vencedor da morte (cf. João 1, 9; Mateus 5, 14; Salmo 139, v. 12).

Esperança e medo
Enquanto o “Halloween” é uma festa do medo, com as crianças (e adultos) a divertirem-se a causar medo aos outros e a elas próprias, a evocação católica é uma festa de comunhão, comunhão com os santos, a 1 de novembro, e com os “fiéis defuntos”, no dia seguinte.
Comunhão de todos por e com um Deus de amor. Estar em comunhão de pensamento, pela oração, é estar em ligação, em relação, em simpatia com os outros. Ao contrário, cultivar o medo é afastar-se dos outros, isolar-se deles, recolher-se nos seus próprios medos.
O “Halloween” é uma festa do negativo: o medo, o susto, a morte anónima, a angústia. A solenidade de Todos os Santos é uma festa do positivo: a proximidade com os mortos da família, a memória dos outros. Os santos foram pessoas que, desejosas de seguir o Evangelho, amaram os outros, devotaram-se em corpo e alma pela humanidade sofredora. São modelos de vida.
Por isso é preciso dar um novo fascínio à solenidade de Todos os Santos, festejar com mais alegria e dignidade este grande dia. E explicar aos nossos filhos que o “Halloween” não é mais do que um divertimento.

Viver Todos os Santos em família
Algumas sugestões: rezar com os santos padroeiros ou com um santo particularmente querido à família; a visita aos cemitérios, que muitas vezes se realiza a 1 de novembro, é uma oportunidade para falar da esperança cristã e da fé na ressurreição; ler a história ou ver um vídeo sobre a vida de um santo e comentar; fazer um desenho e/ou escrever uma pequena carta sobre determinado santo e enviar a uma pessoa próxima que tenha o mesmo nome; na missa de Todos os Santos é proclamado o Evangelho das Bem-aventuranças – voltar a contá-lo às crianças.

Conferência Episcopal Francesa
Trad. / edição: SNPC
Publicado em 01.11.2017