Um coração alegre

Esperamos com demasiada frequência que a alegria venha a nós, quando a verdade é que a alegria é algo por cuja criação devemos assumir a responsabilidade, não só em nosso favor, mas também em favor dos outros.

A beleza da alegria é que, tal como um vitral através do qual a luz se decompõe numa miríade de cores, esta nos permite ver como a vida é boa, mesmo quando parece não o ser.

A alegria não é um acontecimento; é a atitude que uma pessoa saudável adota em cada situação da vida: trabalho, família, vida social, e até em momentos de tensão pessoal.
Fala de esperança e de abertura, de possibilidades fascinantes e da convicção profunda de que aquilo que nos é dado na vida é-nos dado para nosso próprio bem.

A pessoa espiritualmente madura confia na presença de um Deus de amor que fará com que este momento, seja ele de que tipo for, amadureça na alma. É através da lente da alegria que devemos aprender a olhar para tudo na vida. Tudo isso é bom, mas nem sempre o reconhecemos, quando acontece.

Para sermos pessoas verdadeiramente santas, devemos deixar de pensar na alegria como um acidente da natureza e começar a fazer dela uma prioridade. «Lembra-te sempre que a alegria não é acidental na tua busca espiritual. É vital», ensinava “rebbe” Nachman de Breslov.

E os antigos recordam-nos: «Não há santos tristes.» Nunca confundas santidade com rigidez, morbidez ou mau humor. Estes provêm da preocupação com o ego, não de uma qualquer perceção da presença de Deus.

Joan Chittister
In “Os tempos do coração”, ed. Paulinas
Publicado em 11.09.2017

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