Neste Domingo interrompem-se as leituras próprias do Tempo Comum, devido ao facto da Igreja celebrar no dia 14 de Setembro a Festa da Exaltação da Cruz, uma festa que remonta ao século IV.
Esta celebração parece contraditória. Que sentido tem exaltarmos um instrumento que é sinal de sofrimento e de morte? Para os cristãos tem todo o sentido, pois a Cruz não é apenas representativa de sofrimento e de morte, mas é essencialmente o instrumento e sinal da nossa salvação.
Na Cruz está resumida toda a teologia sobre Deus e sobre o mistério da salvação. De facto, ela representa o grande Amor de Deus pelos homens, amor manifestado pela entrega do seu único Filho, Jesus Cristo. Ele, que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus e tornou-se semelhante aos homens, aniquilando-se a si próprio e entregando-se como servo-sofredor, sendo, por isso, exaltado por Deus. (Filip 2,6-11)
A linguagem da Cruz é loucura para os que se perdem mas, para os cristãos, é força de Deus (1Cor 1, 19), com a qual Ele nos ensina o caminho que nos dá a esperança da salvação e a de sermos participantes da Sua glória.
“Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,17), por isso, quando contemplamos a Cruz devemos ver sempre nela um instrumento de salvação e nunca de condenação. Para os cristãos, a Cruz não deve significar um instrumento de morte, de castigo, de sofrimento, mas sim o maior símbolo da esperança de alcançarmos uma vida nova, o nosso mais seguro sinal de salvação e de glória.
Que esta Festa da Exaltação da Cruz nos faça reflectir sobre o amor de Deus e desperte em nós o compromisso de ter uma vida cristã orientada pela fidelidade e entrega a Deus.