II DOM TCNo II Domingo do Tempo Comum, a Liturgia da Palavra convida-nos a reflectir sobre algumas das formas como Deus revela o Seu amor.

A primeira Leitura situa-se no tempo em que o povo regressa a Jerusalém, depois de ter passado cerca 50 anos no exílio da Babilónia. O Templo tinha sido destruído e a cidade estava completamente em ruinas, o que motivou no povo o sentimento de que Deus o tinha abandonado.
No meio do desânimo e sofrimento do povo surge a voz do profeta que, usando a imagem do amor esponsal (Deus é o esposo que ama a sua esposa, o seu povo), anuncia que Jerusalém não mais será chamada de “abandonada”, nem será devastada; ela tornar-se-á uma terra favorita do Senhor e será por Ele “desposada”.
Esta mensagem de esperança do profeta aplica-se também a todos nós que, muitas vezes, por andarmos tristes, desanimados e com a fé abalada, esquecemos que Deus nos ama, está connosco e nunca nos abandona.

Na segunda Leitura, um extrato da primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios, o apóstolo fala-nos dos dons que recebemos de Deus, dons esses que não são escolhidos por nós, mas distribuídos de acordo com a vontade de Deus e a missão que Ele pretende confiar a cada um.
Paulo reconhece que “há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos”.
Deus dá a cada um de nós dons específicos para que, animados pela força do Espírito Santo, os coloquemos ao serviço das comunidades em que trabalhamos e vivemos, dando exemplo ao mundo de que todos os interesses particulares devem subordinar-se ao bem comum.

No Evangelho, João fala-nos das bodas de Caná, onde Jesus, a pedido da sua Mãe, faz o seu primeiro sinal miraculoso, iniciando assim o seu ministério público, a sua missão de dar a conhecer o amor de Deus.
O episódio das bodas de Caná é um episódio exclusivo do evangelista João e pertence à secção introdutória do seu evangelho onde se pretende apresentar a identidade e a missão de Jesus. Além disto, este episódio é designado de sinal, ou seja, a mudança da água em vinho no contexto de um casamento não é um simples milagre mas um sinal, uma acção simbólica que nos convida a ir além das aparências.
O relato do evangelista João está cheio de simbolismos, destacando-se a referência ao vinho melhor, os bens trazidos por Cristo, a nova e eterna Aliança com Deus que será por Ele estabelecida.
Este episódio das bodas de Caná anuncia, portanto, a missão de Jesus trazer à relação entre Deus e os homens o vinho da alegria, do amor e da festa, o que se realizará em plenitude no momento da sua crucificação e morte.
Destaca-se, também, a acção de Maria que, atenta às necessidades, as transmite ao Filho e, assumindo o papel de mediadora, ordena aos serventes: “fazei o que Ele vos disser”.
Hoje, Maria também nos diz para colaborar com o seu Filho e sermos bons serventes, ou seja, escutar a palavra de Jesus e colocá-la em prática.

II DOMINGO DO TEMPO COMUM