No III Domingo do Advento, tradicionalmente chamado de “Domingo da Alegria”, a Liturgia da Palavra, que nos Domingos anteriores nos convidou a vigiar e preparar a vinda do Senhor, convida-nos, hoje, a manifestar a nossa alegria, pelo facto de estar cada vez mais próxima a celebração da vinda de Jesus, o verdadeiro Messias, que é a presença libertadora e salvadora de Deus no meio dos homens.
A propósito da alegria, o Papa Francisco diz-nos na sua Exortação Apostólica: “A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.”
I Leitura – Is 35,1-6.10
A primeira leitura refere-se a uma época em que maioria do Povo de Israel tinha sido deportado para a Babilónia, onde permaneceu em cativeiro durante algumas décadas.
A desilusão, o desânimo e o desespero instalaram-se no meio do Povo, porque achavam que Deus o tinha abandonado e não vinha em seu auxílio para o libertar desta difícil situação.
O profeta diz ao Povo para não desanimar, não baixar os braços, e manter viva a esperança de que deixará o cativeiro e retornará para a sua terra, Jerusalém, pois a acção libertadora de Deus acontecerá – «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-nos».
O caminho de libertação e de regresso é o deserto (tal como o caminho que, outrora, o Povo percorreu desde o Egipto até à terra prometida), o qual será transformado num jardim e permitirá que alcancem a sua terra, onde reencontrarão a alegria e a felicidade.
Num tempo em que há muitas pessoas que vivem desertos existenciais, os cristãos devem manter a sua esperança na acção libertadora e salvadora de Deus e lutarem activamente para transformar esses desertos em jardins, onde floresça a esperança de um mundo verdadeiramente melhor e onde predomine o amor, a paz e a justiça.
II Leitura – Tg 5,7-10
As perícopes que constituem esta leitura são antecedidas por uma crítica a todos aqueles que oprimem os pobres e não pagam o salário a quem trabalha.
Na sequência, o autor dirige-se aos irmãos pobres, que vivem numa situação de injustiça, convidando-os a esperar com paciência a vinda do Senhor (a exemplo do agricultor que espera pacientemente que a semente lançada à terra dê os frutos) e a viver de forma correcta, não se queixando uns dos outros e nem resolvendo os seus problemas com violência, mas aguardando tranquilamente a intervenção do verdadeiro Juiz, que os libertará e salvará.
O convite a uma atitude de paciência que o autor noz faz não significa passividade ou resignação face às injustiças. Os cristãos têm confiança e esperança na vinda do Senhor e devem esperá-la com paciência, porém, não devem cruzar os braços, mas intervir e lutar pacificamente para ajudar os irmãos a libertarem-se de todas as formas de injustiça.
Evangelho – Mt 11,2-11
O texto fala-nos da pergunta de João Baptista acerca de Jesus e do testemunho que Jesus deu sobre a figura de João Baptista.
João Baptista, que pregava uma mensagem de arrependimento e de penitência para prepara a vinda do Messias, recebeu notícias de que a mensagem e a prática de Jesus não correspondiam ao anúncio da figura do Messias, porquanto Ele não era um juiz que penalizava os pecadores, como tinha sido anunciado, mas alguém que se aproximava deles, acolhia-os e perdoava os seus pecados. Por isso, João Baptista tem necessidade de enviar dois discípulos para Lhe perguntar: «És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?»
Em resposta, Jesus fala da sua pessoa e da sua missão indicando os milagres realizados e que são uma clara alusão à descrição messiânica apresentada na primeira leitura.
De facto, pelos seus gestos e actos Jesus assume-se como verdadeiro Messias, Aquele que foi enviado por Deus com a missão de libertar os homens e oferecer-lhes o Reino de Deus.
Em seguida, Jesus dá o seu testemunho sobre João Baptista, dizendo: ele não é um pregador oportunista, não é alguém que vive no luxo; ele é um profeta e mais do que um profeta, pois ele foi o primeiro a quem Deus atribuiu a missão de ser o percursor, o que veio anunciar a chegada do Messias.
Pela sua missão, Jesus comprova a presença libertadora e salvadora de Deus no meio dos homens. E para que essa presença se eternize no mundo, os seguidores de Jesus Cristo, os cristãos, são chamados a continuar a anunciar o Reino de Deus e a contribuir com gestos e acções para que esse reino se torne uma realidade em tudo e todos.