Na Audiência Geral de ontem, o Papa Francisco fez um resumo da sua viagem apostólica aos países bálticos, Lituânia, Letónia e Estónia.
O Papa começou por dizer que a sua missão era anunciar novamente àqueles povos a alegria do Evangelho e a revolução da ternura, da misericórdia, porque a liberdade não basta para dar sentido e plenitude à vida sem o amor, amor que sempre vem de Deus. O Evangelho, que no tempo da provação dá força e anima a luta pela libertação, no tempo da liberdade é luz para o quotidiano caminho das pessoas, das famílias, da sociedade e é sal que dá sabor à vida ordinária e a preserva da corrupção da mediocridade e dos egoísmos.
No que respeita à situação religiosa naqueles países, o Papa referiu: na Lituânia, os católicos são a maioria, enquanto na Letónia e na Estónia prevalecem os luteranos e os ortodoxos, mas muitos se afastaram da vida religiosa. Portanto, o desafio é aquele de reforçar a comunhão entre todos os cristãos, já desenvolvido durante o duro período da perseguição. De fato, a dimensão ecuménica era intrínseca a esta viagem, e encontrou expressão no momento de oração na Catedral de Riga e no encontro com os jovens em Tallinn.
Durante a sua permanência naqueles países o Papa teve a oportunidade de, nas suas intervenções junto das autoridades, mencionar a contribuição de valores humanos e sociais que dão os respectivos países à comunidade das nações, particularmente à Europa.
Os jovens e idosos tiveram um encontro específico com o Papa. Com o jovens, em Vilnius, o Papa referiu que foi evidente o mote da visita à Lituânia: “Jesus Cristo nossa esperança”. Os testemunhos manifestaram a beleza da oração e do canto, onde a alma se abre a Deus; a alegria de servir aos outros, saindo dos recintos do ‘eu’ para estar a caminho, capazes de levantar-se após as quedas.
Com os idosos, na Letónia, o Papa destacou a estreita ligação entre paciência e esperança. Aqueles que passaram por duras provas são raízes de um povo, a proteger com a graça de Deus, para que os novos brotos possam florescer e dar fruto. O desafio para quem envelhece é não se endurecer por dentro, mas permanecer aberto e terno de mente e coração; e isso é possível com a “linfa” do Espírito Santo, na oração e na escuta da Palavra.
Na Lituânia, o Papa também se encontrou com sacerdotes, consagrados e seminaristas, a quem lembrou o testemunho de tantos padres, religiosos e religiosas que, apesar das dificuldades, sempre se mantiveram firmes na fé, e exortou-os a não esquecer, a proteger a memória dos mártires, para seguir seu exemplo.
Em Vilnius, o Papa prestou homenagem às vítimas do genocídio hebraico na Lituânia, onde perderam a vida dezenas de milhares e hebreus, e visitou o Museu das Ocupações e Lutas pela Liberdade, onde esteve em oração nas salas em que passaram os detidos, torturados e mortos pelos opositores do regime.
A propósito destes acontecimentos, o Papa exclamou: “É comovente ver até que ponto pode chegar a crueldade humana. Pensemos nisto”
Nas três celebrações eucarísticas – em Kaunas, Lituânia, em Aglona, Letónia, e em Tallinn, Estónia – o santo povo fiel de Deus em caminho naquelas terras renovou o seu “sim” a Cristo nossa esperança; renovaram-no com Maria, que sempre se mostra Mãe dos seus filhos, especialmente dos mais sofredores; renovou-os como povo escolhido, sacerdotal e santo, em cujos corações Deus desperta a graça do Baptismo.
No final da Audiência, o Papa pediu para rezar pelos nossos irmãos e irmãs da Lituânia, da Letónia e da Estónia.