XXI Domingo do Tempo Comum

A Liturgia da Palavra do XXI Domingo do Tempo Comum convida-nos a responder às mesmas questões que Jesus formulou aos seus discípulos – “Quem dizem as pessoas que é o Filho do homem?” e “E vós, quem dizeis que Eu sou?” – e a meditar sobre o verdadeiro sentido da nossa fé e da nossa missão na Igreja.

Na primeira leitura (Is 22,19-23), retirada do Livro de Isaías, o profeta anuncia como Deus destituiu do seu cargo um administrador infiel e coloca outro em seu lugar, a quem confia as chaves do palácio, ou seja, a responsabilidade de governar o povo com justiça e realizar fielmente a vontade de Deus.
O motivo da destituição (não está neste texto, mas em versículos anteriores) foi o facto de o administrador se ter aproveitado do serviço da autoridade para conseguir benefícios próprios, esquecendo as suas tarefas e obrigações em relação aos outros.
O texto diz-nos que Deus interfere na história para alterar uma situação de injustiça gerada por abuso de poder. Também nós, os cristãos, se vivermos conforme os ensinamentos do Evangelho, podemos contribuir decididamente para alterar as situações de injustiça que, cada vez mais, predominam no mundo actual.

Na segunda leitura (Rom 11,33-36), um excerto da carta de S. Paulo aos Romanos, o apóstolo exprime a sua admiração pela grandeza da acção de Deus, manifestada no plano de salvação que nos oferece em seu Filho, e exalta a riqueza, a sabedoria e ciência Divina.
Este pequeno texto, um verdadeiro hino à glória de Deus, deve fazer-nos reconhecer a nossa pequenez diante de Deus e a nossa incapacidade de entender os seus desígnios, pelo que devemos acolher de forma humilde e agradecida todos os dons que Ele nos concedeu, particularmente o da Salvação.

O Evangelho (Mt 16,13-20) apresenta-nos duas das passagens centrais da vida de Jesus com os seus discípulos, sendo uma de carácter cristológico, centrada na identidade de Jesus, e outra eclesiológica, centrada na Igreja construída em redor de Pedro.
Jesus começa por questionar os discípulos sobre o que dizem os seus conterrâneos a respeito d’Ele. Na verdade, eles equiparam Jesus a João Baptista, Elias, Jeremias, ou a algum dos profetas, não considerando que Ele seja uma revelação divina.
Em seguida, Jesus quer saber quem é Ele para os seus discípulos e o qual o lugar que ocupa nas suas vidas: «E vós, quem dizeis que Eu sou?».
Pedro, que já por várias vezes tinha sido o porta-voz do grupo, tomou a iniciativa e respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Esta resposta sobre a identidade de Jesus é uma verdadeira profissão de fé, que compromete Pedro e todos os discípulos. E Jesus felicita a profissão de fé de Pedro, no entanto, diz-lhe que a sua fé não é obra humana, mas da revelação do Pai.
Depois, Pedro é objecto de uma promessa formal de Jesus: tu és Pedro (Pedro é a tradução grega do termo hebraico “rocha”); sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (…) dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Pedro recebe de Jesus as chaves do Reino dos Céus, o que, como se depreende da primeira leitura, é uma nomeação de administrador do Reino, e o poder de “desligar e ligar”, que, conforme a tradição judaica, significava o poder de interpretar a lei e a autoridade para dizer o que era (ou não) permitido fazer. Desta forma, Pedro, bem como os seus sucessores, é conferida a autoridade para transmitir os ensinamentos de Jesus e ver o que está de acordo ou não com o Evangelho.

Hoje, Jesus também quer saber o que pensamos e coloca-nos as mesmas questões. Somos, por isso, convidados a reflectir profundamente sobre a pessoa de Jesus Cristo e desafiados a responder às questões que, em muitos de nós, se encontram mergulhadas no nosso íntimo: Quem é Jesus para mim? Qual a minha relação com Ele? Qual o lugar que Ele ocupa na minha vida?
Da nossa resposta a estas perguntas depende a existência de uma Igreja como verdadeiro Corpo de Cristo, onde cada um dos seus membros está comprometido a acolher e aderir plenamente à pessoa e mensagem de Jesus Cristo.

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM