XXVII Domingo do Tempo Comum

A Liturgia da Palavra do XXVII Domingo do Tempo Comum fala-nos, em linguagem simbólica, da “vinha do Senhor”, uma vinha onde todos somos chamados a trabalhar e a produzir bons frutos.

A primeira leitura (Is 5,1-7), retirada do Livro de Isaías, apresenta-nos o cântico da vinha, no qual o profeta, em nome de Deus, relata a história de uma vinha plantada com amor e todo o cuidado e da qual o proprietário esperava bons frutos.
Essa vinha, que deveria dar boas uvas, mas produziu apenas agraços, representa a casa de Israel e os homens de Judá são a plantação escolhida pelo Senhor e da qual Ele esperava frutos de justiça e obras de bondade, mas, na verdade, o que ela produziu foi injustiças e infidelidades.
Com este cântico o profeta pretende, de forma alegórica, lembrar a fidelidade e o amor de Deus pelo povo que escolheu, libertou, conduziu e sempre acompanhou, e denunciar a ingratidão e a infidelidade do povo de Israel à Aliança que Deus estabeleceu com ele.
Que esta leitura nos faça tomar consciência do grande amor de Deus que a todos quer salvar e nos leve a responder à sua oferta de salvação com a produção dos frutos que Ele espera de nós.

Na segunda leitura (Filip 4,6-9), um excerto da carta de S. Paulo à comunidade de Filipos, o apóstolo pede aos cristãos do seu tempo que não se inquietem com coisa alguma, que apresentem pedidos a Deus, com orações, súplicas e acções de graças, pois, dessa maneira, conseguirão a paz de Deus, uma paz que guardará os seus corações e pensamentos em Jesus Cristo.
Paulo descreve as virtudes que devem estar sempre presentes numa comunidade que quer ser fiel ao Senhor: a verdade, a nobreza, a justiça, a pureza, a amabilidade e a boa reputação.
No final, Paulo, que é um seguidor incondicional de Jesus, convida os Filipenses a praticarem o que aprenderam, receberam e ouviram dele, para que vivam realmente o compromisso resultante da sua opção de seguir Jesus Cristo.
As advertências de S. Paulo são para os cristãos de todos os tempos e, por isso, devem ser acolhidas por todos aqueles que, pelo baptismo, foram enxertados na videira que é Jesus Cristo e se comprometeram a segui-Lo e a dar testemunho d´Ele em toda a parte.

No Evangelho (Mt 21,33-43), Jesus retoma o conteúdo da primeira leitura, adequando-o às circunstâncias do tempo e lugar em que a acção decorre.
a passagem evangélica narra-nos a segunda das três parábolas que Jesus, depois de entrar triunfalmente em Jerusalém e de sentir a oposição movida pelos seus adversários, conta para demonstrar que o Povo de Israel recusa aceitá-lo como o messias e salvador.
Esta parábola apresenta-nos diversas personagens: o proprietário, os vinhateiros, os servos enviados e os outros vinhateiros. Cada elemento da parábola tem um significado: a vinha é o Povo de Deus, o proprietário é Deus, os vinhateiros são os chefes religiosos do povo, fiéis seguidores da Lei, os servos enviados são os profetas, o herdeiro da vinha é o próprio Filho, Jesus Cristo, e os outros vinhateiros são todos aqueles que passarão a constituir o novo Povo de Deus, a Igreja de Cristo, a quem a vinha será entregue para que dê bons frutos.
Na conclusão da parábola Jesus cita uma perícope do salmo 118:”A pedra que os construtores rejeitaram (ou seja, Ele próprio) tornou-se a pedra angular; isto foi obra do Senhor e é um prodígio aos nossos olhos”, para dizer que Ele é a pedra rejeitada que sustentará o novo Povo de Deus, cuja missão é a de produzir bons frutos. Refere-se ainda ao Reino de Deus para anunciar que será retirado aos que rejeitaram e mataram o herdeiro enviado pelo dono da vinha, o seu filho Jesus Cristo, e entregue a esse novo Povo de Deus, que será formado por todos aqueles que reconheçam Jesus como Salvador e aceitem o compromisso de trabalhar na vinha.
Este Evangelho propõe-nos uma reflexão sobre o nosso trabalho na vinha do Senhor e suscita as seguintes questões:
Será que, como membro da Igreja de Cristo, do novo Povo de Deus, estou verdadeiramente comprometido e empenhado em trabalhar na vinha do Senhor?
Será que, em todos os momentos, procuro produzir bons e abundantes frutos?

XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM