{"id":28293,"date":"2024-01-25T10:20:09","date_gmt":"2024-01-25T10:20:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=28293"},"modified":"2024-01-25T10:20:09","modified_gmt":"2024-01-25T10:20:09","slug":"bencaos-para-a-gloria-de-deus-e-a-santificacao-dos-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/bencaos-para-a-gloria-de-deus-e-a-santificacao-dos-homens\/","title":{"rendered":"B\u00ean\u00e7\u00e3os: para a gl\u00f3ria de Deus e a santifica\u00e7\u00e3o dos homens"},"content":{"rendered":"<p>As b\u00ean\u00e7\u00e3os s\u00e3o parte integrante dos chamados \u00absacramentais\u00bb. Estes chamam-se assim porque, no termo de um processo hist\u00f3rico, se veio a concluir que, apesar das analogias que ostentam com os sete \u00absacramentos\u00bb, s\u00f3 podem dizer-se \u00absacramentos\u00bb no diminutivo\u2026 \u00abSacramentalia\u00bb, isto \u00e9, sacramentinhos! Mas nem por isso se desconsiderem! Segundo o\u00a0<em>Catecismo da Igreja cat\u00f3lica<\/em>, a grande finalidade dos sacramentais \u00e9 a\u00a0<strong>santifica\u00e7\u00e3o<\/strong>: minist\u00e9rios, estados de vida, circunst\u00e2ncias variadas da vida crist\u00e3, o uso de coisas \u00fateis ao homem\u2026 As b\u00ean\u00e7\u00e3os t\u00eam assim uma finalidade geral comum a todas as a\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas: a santifica\u00e7\u00e3o do homem e a gl\u00f3ria de Deus. Elas s\u00e3o memorial da B\u00ean\u00e7\u00e3o divina da Cria\u00e7\u00e3o e da Reden\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, epiclese da nova Cria\u00e7\u00e3o e do Reino (n\u00ba 1688).<\/p>\n<p>Em que consiste esta \u00absalva\u00e7\u00e3o\u00bb do homem? Simplificando, podemos dizer que a \u00absalva\u00e7\u00e3o\u00bb aparece-nos na celebra\u00e7\u00e3o das b\u00ean\u00e7\u00e3os como promo\u00ad\u00e7\u00e3o do homem na integridade do seu ser e da sua voca\u00e7\u00e3o. Ao homem \u00abdesintegrado\u00bb pelo pecado \u2013 e por isso em processo de desagrega\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o e morte \u2013 a b\u00ean\u00e7\u00e3o contrap\u00f5e um homem \u00edntegro e integrado na sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, com os outros homens e com Deus. Em vez da divis\u00e3o e do conflito, a unidade e a paz; em vez da morte, a vida.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas que singulariza a<em>\u00a0Celebra\u00e7\u00e3o das B\u00ean\u00e7\u00e3os\u00a0<\/em>[=\u00a0<em>CB<\/em>], em confronto com os seus antecedentes do\u00a0<em>Ritual<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Pontifical Romano<\/em>\u00a0\u00e9 a preced\u00eancia que nele se d\u00e1 as pessoas sobre as coisas. De facto, a primeira das suas cinco partes \u00e9 toda dedicada \u00e0s \u00ab<em>b\u00ean\u00e7\u00e3os que se referem mais diretamente \u00e0s pessoas<\/em>\u00bb. As numerosas b\u00ean\u00e7\u00e3os de coisas ou lugares relacionados com a atividade humana ou com a piedade e o culto, em \u00faltima an\u00e1lise visam as pessoas \u00ab<em>que utilizam essas coisas e atuam nesses lugares<\/em>\u00bb: \u00abNa verdade, o homem, em cujo favor Deus quis e fez boas todas as coisas, \u00e9 o recet\u00e1culo da sua sabedoria, e por isso, com a celebra\u00e7\u00e3o da b\u00ean\u00e7\u00e3o, o homem pretende manifestar que utiliza de tal modo as coisas criadas que, com o seu uso, busca a Deus, ama a Deus e serve fielmente o \u00fanico Deus\u00bb (<em>CB<\/em>\u00a012).<\/p>\n<p>O\u00a0<em>Bendicional<\/em>\u00a0promove assim a assimila\u00e7\u00e3o de uma antropologia radicalmente b\u00edblica que v\u00ea o homem como o \u00fanico ser da cria\u00e7\u00e3o que Deus quis por si mesmo: nisso consiste a sua dignidade de pessoa, imagem e interlocutor do pr\u00f3prio Deus. O ser humano est\u00e1, assim, vocacionado para ser o louvor perene e a voz da cria\u00e7\u00e3o que sem cessar suscita no seu cora\u00e7\u00e3o e nos seus l\u00e1bios o \u00abelogio\u00bb do Criador magn\u00edfico.<\/p>\n<p>Na celebra\u00e7\u00e3o das b\u00ean\u00e7\u00e3os sempre se exprime a voca\u00e7\u00e3o do homem \u00e0 santidade (<em>CB\u00a0<\/em>9). Mas isso n\u00e3o comporta necessariamente uma \u00absacraliza\u00e7\u00e3o\u00bb de pessoas e coisas. Prescindindo das poucas b\u00ean\u00e7\u00e3os chamadas \u00ab<em>constitutivas<\/em>\u00bb, pelas quais se subtrai de modo perma\u00adnente uma pessoa\/lugar\/coisa ao uso profano dando-lhe uma destina\u00e7\u00e3o cultual, as b\u00ean\u00e7\u00e3os n\u00e3o mudam a realidade profana de uma coisa, mas antes exprimem a finalidade da mesma ao servi\u00e7o de Deus, finalidade essa que implica sempre uma resposta positiva por parte do homem: a santidade. O\u00a0<em>Catecismo da Igreja cat\u00f3lica<\/em>\u00a0explica: \u00abas b\u00ean\u00e7\u00e3os\u2026 compreendem, ao mesmo tempo, o louvor a Deus pelas suas obras, e a intercess\u00e3o da Igreja para que os homens possam fazer uso dos dons de Deus segundo o esp\u00edrito do Evangelho\u00bb (<em>CatIC\u00a0<\/em>1678).<\/p>\n<p>A plena efic\u00e1cia das b\u00ean\u00e7\u00e3os pressup\u00f5e que os fi\u00e9is as celebrem com reta disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito: \u00ab<em>Aqueles que pedem a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus por meio da Igreja devem fortalecer a sua disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito naquela f\u00e9 para a qual nada \u00e9 imposs\u00edvel; apoiem-se na esperan\u00e7a, que n\u00e3o ilude; e sobretudo sejam vivificados na caridade, que impele a observar os mandamentos de Deus<\/em>\u00bb (<em>CB<\/em>\u00a015). \u00c9 por isso que o\u00a0<em>Ritual<\/em>\u00a0sente a necessidade de explicar que nem sempre h\u00e1 lugar para a b\u00ean\u00e7\u00e3o e que cada celebra\u00e7\u00e3o se deve submeter a um justo crit\u00e9rio pastoral, sobretudo se pode provocar estranheza ou, at\u00e9, esc\u00e2ndalo. Tal seria o caso se se pretendesse \u00abcobrir\u00bb com uma b\u00ean\u00e7\u00e3o coisas, lugares ou circunst\u00e2ncias que estejam em contradi\u00e7\u00e3o com as normas e o esp\u00edrito do Evangelho (<em>CB<\/em>\u00a013, 1245).<\/p>\n<p>A pessoa que bendiz e aben\u00e7oa \u00e9 algu\u00e9m que se reconhece pobre. Mesmo quando se alegra ao descobrir-se aben\u00e7oada, ao reconhecer-se como recet\u00e1culo e destinat\u00e1ria dos bens criados, ela sabe que n\u00e3o \u00e9 dona, autora, produtora. E, por isso, bendiz, confessa, agradece. E \u00e9 assim a Igreja que canta o\u00a0<em>Magnificat:<\/em>\u00a0pobre e humilde, comunidade dos crentes sabe-se aben\u00e7oada porque est\u00e1 em comunh\u00e3o com Cristo Ressuscitado, o vencedor. E, uma vez aben\u00e7oada, bendiz e torna-se b\u00ean\u00e7\u00e3o: os pobres, os desamparados experimentam, na sua comunh\u00e3o de amor, a b\u00ean\u00e7\u00e3o que os levanta e sacia. E por isso bendizem a Deus.<\/p>\n<p>(Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As b\u00ean\u00e7\u00e3os s\u00e3o parte integrante dos chamados \u00absacramentais\u00bb. Estes chamam-se assim porque, no termo de um processo hist\u00f3rico, se veio a concluir que, apesar das analogias que ostentam com os sete \u00absacramentos\u00bb, s\u00f3 podem dizer-se \u00absacramentos\u00bb no diminutivo\u2026 \u00abSacramentalia\u00bb, isto \u00e9, sacramentinhos! Mas nem por isso se desconsiderem! Segundo o\u00a0Catecismo da Igreja cat\u00f3lica, a grande finalidade dos sacramentais \u00e9 a\u00a0santifica\u00e7\u00e3o: minist\u00e9rios, estados de vida, circunst\u00e2ncias variadas da vida crist\u00e3, o uso de coisas \u00fateis ao homem\u2026 As b\u00ean\u00e7\u00e3os t\u00eam assim uma finalidade geral comum a todas as a\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas: a santifica\u00e7\u00e3o do homem e a gl\u00f3ria de Deus. Elas s\u00e3o memorial da B\u00ean\u00e7\u00e3o divina da Cria\u00e7\u00e3o e da Reden\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, epiclese da nova Cria\u00e7\u00e3o e do Reino (n\u00ba 1688). Em que consiste esta \u00absalva\u00e7\u00e3o\u00bb do homem? Simplificando, podemos dizer que a \u00absalva\u00e7\u00e3o\u00bb aparece-nos na celebra\u00e7\u00e3o das b\u00ean\u00e7\u00e3os como promo\u00ad\u00e7\u00e3o do homem na integridade do seu ser e da sua voca\u00e7\u00e3o. Ao homem \u00abdesintegrado\u00bb pelo pecado \u2013 e por isso em processo de desagrega\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o e morte \u2013 a b\u00ean\u00e7\u00e3o contrap\u00f5e um homem \u00edntegro e integrado na sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, com os outros homens e com Deus. Em vez da divis\u00e3o e do conflito, a unidade e a paz; em vez da morte, a vida. 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O ser humano est\u00e1, assim, vocacionado para ser o louvor perene e a voz da cria\u00e7\u00e3o que sem cessar suscita no seu cora\u00e7\u00e3o e nos seus l\u00e1bios o \u00abelogio\u00bb do Criador magn\u00edfico. Na celebra\u00e7\u00e3o das b\u00ean\u00e7\u00e3os sempre se exprime a voca\u00e7\u00e3o do homem \u00e0 santidade (CB\u00a09). Mas isso n\u00e3o comporta necessariamente uma \u00absacraliza\u00e7\u00e3o\u00bb de pessoas e coisas. Prescindindo das poucas b\u00ean\u00e7\u00e3os chamadas \u00abconstitutivas\u00bb, pelas quais se subtrai de modo perma\u00adnente uma pessoa\/lugar\/coisa ao uso profano dando-lhe uma destina\u00e7\u00e3o cultual, as b\u00ean\u00e7\u00e3os n\u00e3o mudam a realidade profana de uma coisa, mas antes exprimem a finalidade da mesma ao servi\u00e7o de Deus, finalidade essa que implica sempre uma resposta positiva por parte do homem: a santidade. O\u00a0Catecismo da Igreja cat\u00f3lica\u00a0explica: \u00abas b\u00ean\u00e7\u00e3os\u2026 compreendem, ao mesmo tempo, o louvor a Deus pelas suas obras, e a intercess\u00e3o da Igreja para que os homens possam fazer uso dos dons de Deus segundo o esp\u00edrito do Evangelho\u00bb (CatIC\u00a01678). A plena efic\u00e1cia das b\u00ean\u00e7\u00e3os pressup\u00f5e que os fi\u00e9is as celebrem com reta disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito: \u00abAqueles que pedem a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus por meio da Igreja devem fortalecer a sua disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito naquela f\u00e9 para a qual nada \u00e9 imposs\u00edvel; apoiem-se na esperan\u00e7a, que n\u00e3o ilude; e sobretudo sejam vivificados na caridade, que impele a observar os mandamentos de Deus\u00bb (CB\u00a015). \u00c9 por isso que o\u00a0Ritual\u00a0sente a necessidade de explicar que nem sempre h\u00e1 lugar para a b\u00ean\u00e7\u00e3o e que cada celebra\u00e7\u00e3o se deve submeter a um justo crit\u00e9rio pastoral, sobretudo se pode provocar estranheza ou, at\u00e9, esc\u00e2ndalo. Tal seria o caso se se pretendesse \u00abcobrir\u00bb com uma b\u00ean\u00e7\u00e3o coisas, lugares ou circunst\u00e2ncias que estejam em contradi\u00e7\u00e3o com as normas e o esp\u00edrito do Evangelho (CB\u00a013, 1245). A pessoa que bendiz e aben\u00e7oa \u00e9 algu\u00e9m que se reconhece pobre. Mesmo quando se alegra ao descobrir-se aben\u00e7oada, ao reconhecer-se como recet\u00e1culo e destinat\u00e1ria dos bens criados, ela sabe que n\u00e3o \u00e9 dona, autora, produtora. E, por isso, bendiz, confessa, agradece. E \u00e9 assim a Igreja que canta o\u00a0Magnificat:\u00a0pobre e humilde, comunidade dos crentes sabe-se aben\u00e7oada porque est\u00e1 em comunh\u00e3o com Cristo Ressuscitado, o vencedor. E, uma vez aben\u00e7oada, bendiz e torna-se b\u00ean\u00e7\u00e3o: os pobres, os desamparados experimentam, na sua comunh\u00e3o de amor, a b\u00ean\u00e7\u00e3o que os levanta e sacia. E por isso bendizem a Deus. 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