{"id":28387,"date":"2024-02-10T15:42:02","date_gmt":"2024-02-10T15:42:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=28387"},"modified":"2024-09-17T21:55:33","modified_gmt":"2024-09-17T21:55:33","slug":"vi-domingo-do-tempo-comum-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/vi-domingo-do-tempo-comum-2\/","title":{"rendered":"VI Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<p>A Palavra de Deus do VI Domingo do Tempo Comum fala-nos de um Deus que ama todos os seus filhos, independentemente das circunst\u00e2ncias de cada um, e deseja que eles se amem uns outros de igual modo.<\/p>\n<p>I Leitura (Lev 13, 1-2.44-46)<br \/>\nO Livro do Lev\u00edtico cont\u00e9m um conjunto de ritos e leis relativas ao culto e \u00e0 vida do povo de Israel.<br \/>\nA Leitura deste Domingo fala-nos de uma lei integrada no C\u00f3digo da Pureza Ritual, a qual prescreve que os leprosos s\u00e3o considerados impuros e, por isso, deviam viver fora das cidades ou aldeias e evitar quaisquer contactos com a comunidade. A segrega\u00e7\u00e3o dos leprosos devia-se ao perigo de cont\u00e1gio, mas tamb\u00e9m ao facto de, naquele tempo, as enfermidades, particularmente os males da pele que alteram a apar\u00eancia do homem, serem entendidas como uma consequ\u00eancia do pecado, como um castigo de Deus pela m\u00e1 conduta daquele que era atingido pela doen\u00e7a.<br \/>\n\u00c9 evidente que, nos tempos de hoje, o que nos relata este texto \u00e9 de todo incompreens\u00edvel, pode mesmo escandalizar se a sua leitura n\u00e3o considerar o contexto social e religioso daquela \u00e9poca.<br \/>\nEsta leitura ajuda-nos a compreender o Evangelho, no qual Jesus acolhe e cura um leproso, contrariando o que estava prescrito na legisla\u00e7\u00e3o sobre a impureza e demonstrando que o Amor est\u00e1 acima de tudo.<br \/>\nDe qualquer forma, este tema da marginaliza\u00e7\u00e3o dos leprosos deve fazer-nos reflectir sobre a nossa atitude face a uma s\u00e9rie de \u201cleprosos\u201d dos nossos tempos que, pelas mais variadas raz\u00f5es, s\u00e3o tamb\u00e9m considerados \u201cimpuros\u201d, sendo v\u00edtimas de marginaliza\u00e7\u00e3o social e religiosa. Ser\u00e1 que os acolhemos ou tamb\u00e9m os marginalizamos?<\/p>\n<p>II Leitura (1 Cor 10, 31-11,1)<br \/>\nO pequeno excerto da carta aos Cor\u00edntios \u00e9 a conclus\u00e3o de uma discuss\u00e3o acerca de comer ou n\u00e3o as carnes dos animais que tinham sido imolados.<br \/>\n\u00c9 neste contexto que Paulo diz \u00e0 comunidade de Corinto que tudo o que fa\u00e7am \u2013 o comer, o beber ou qualquer outra coisa \u2013 seja feito por uma norma de conduta crist\u00e3, que \u00e9 a de fazer tudo para gloria a Deus. Mas, nada pode dar gl\u00f3ria a Deus se n\u00e3o for dada prioridade ao amor na rela\u00e7\u00e3o com todos os outros, sejam eles judeus, gentios ou irm\u00e3os na f\u00e9. Para Paulo, os Cor\u00edntios devem fazer tudo para agradar aos outros, colocando estes sempre acima dos interesses pessoais e, por isso, exorta-os a seguir o seu exemplo, como ele pr\u00f3prio tem seguido o de Jesus Cristo.<br \/>\nOs crist\u00e3os de hoje devem ter presente a exorta\u00e7\u00e3o de Paulo, procurando viver ao modo de Jesus Cristo, que por amor fez da sua vida um acto permanente de servi\u00e7o e entrega a todos.<\/p>\n<p>Evangelho (Mc 1 ,40-45)<br \/>\nNo epis\u00f3dio de hoje, o Evangelista Marcos narra-nos a cura do leproso que procura Jesus.<br \/>\nDevido \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o rigorosa e discriminat\u00f3ria, as pessoas que apresentavam manchas na pele eram identificadas como portadores da doen\u00e7a da \u201clepra\u201d, sendo obrigadas, por isso, a viverem isoladas e \u00e0 margem da sociedade.<br \/>\nApesar das obriga\u00e7\u00f5es impostas aos portadores deste tipo de enfermidade, um leproso aproximou-se de Jesus e pede-Lhe que o cure desta doen\u00e7a. Jesus compadece-se e, infringindo as prescri\u00e7\u00f5es da lei, acolhe, toca no leproso que veio ao seu encontro e cura a sua doen\u00e7a, libertando-o da sua situa\u00e7\u00e3o humilhante e restituindo-lhe o direito de viver dignamente.<br \/>\nCom o seu gesto de acolher, tocar e curar o leproso, Jesus pretende mostrar que o mais importante \u00e9 ver em cada pessoa um filho que Deus ama, a quem se deve estender a m\u00e3o e amar, do que estar preocupado com o risco de ser contagiado ou com o receio de infringir uma lei humana que causa marginaliza\u00e7\u00e3o e sofrimento.<br \/>\nAo curar o leproso, que aqui representa todos os que vivem numa situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o e de sofrimento, Jesus manifesta o amor, a miseric\u00f3rdia, a generosidade e a bondade de Deus, um Deus que n\u00e3o quer discriminar ningu\u00e9m, quer sim que todos se deixem tocar por Jesus Cristo e sejam por Ele curados das enfermidades que impedem de caminhar na sua presen\u00e7a.<br \/>\nNum tempo em que h\u00e1 um n\u00famero cada vez mais elevado de pessoas marginalizadas, os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a seguir, sem hesita\u00e7\u00f5es e de forma comprometida, o exemplo de Jesus Cristo, ou seja, a estender a m\u00e3o e acolher todos que necessitam de ajuda, a respeit\u00e1-los e a am\u00e1-los como irm\u00e3os, como filhos de Deus.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-11-B-Dom-VI-TC.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>VI DOMINGO DO TEMPO COMUM<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Palavra de Deus do VI Domingo do Tempo Comum fala-nos de um Deus que ama todos os seus filhos, independentemente das circunst\u00e2ncias de cada um, e deseja que eles se amem uns outros de igual modo. I Leitura (Lev 13, 1-2.44-46) O Livro do Lev\u00edtico cont\u00e9m um conjunto de ritos e leis relativas ao culto e \u00e0 vida do povo de Israel. A Leitura deste Domingo fala-nos de uma lei integrada no C\u00f3digo da Pureza Ritual, a qual prescreve que os leprosos s\u00e3o considerados impuros e, por isso, deviam viver fora das cidades ou aldeias e evitar quaisquer contactos com a comunidade. A segrega\u00e7\u00e3o dos leprosos devia-se ao perigo de cont\u00e1gio, mas tamb\u00e9m ao facto de, naquele tempo, as enfermidades, particularmente os males da pele que alteram a apar\u00eancia do homem, serem entendidas como uma consequ\u00eancia do pecado, como um castigo de Deus pela m\u00e1 conduta daquele que era atingido pela doen\u00e7a. \u00c9 evidente que, nos tempos de hoje, o que nos relata este texto \u00e9 de todo incompreens\u00edvel, pode mesmo escandalizar se a sua leitura n\u00e3o considerar o contexto social e religioso daquela \u00e9poca. Esta leitura ajuda-nos a compreender o Evangelho, no qual Jesus acolhe e cura um leproso, contrariando o que estava prescrito na legisla\u00e7\u00e3o sobre a impureza e demonstrando que o Amor est\u00e1 acima de tudo. De qualquer forma, este tema da marginaliza\u00e7\u00e3o dos leprosos deve fazer-nos reflectir sobre a nossa atitude face a uma s\u00e9rie de \u201cleprosos\u201d dos nossos tempos que, pelas mais variadas raz\u00f5es, s\u00e3o tamb\u00e9m considerados \u201cimpuros\u201d, sendo v\u00edtimas de marginaliza\u00e7\u00e3o social e religiosa. Ser\u00e1 que os acolhemos ou tamb\u00e9m os marginalizamos? II Leitura (1 Cor 10, 31-11,1) O pequeno excerto da carta aos Cor\u00edntios \u00e9 a conclus\u00e3o de uma discuss\u00e3o acerca de comer ou n\u00e3o as carnes dos animais que tinham sido imolados. \u00c9 neste contexto que Paulo diz \u00e0 comunidade de Corinto que tudo o que fa\u00e7am \u2013 o comer, o beber ou qualquer outra coisa \u2013 seja feito por uma norma de conduta crist\u00e3, que \u00e9 a de fazer tudo para gloria a Deus. Mas, nada pode dar gl\u00f3ria a Deus se n\u00e3o for dada prioridade ao amor na rela\u00e7\u00e3o com todos os outros, sejam eles judeus, gentios ou irm\u00e3os na f\u00e9. Para Paulo, os Cor\u00edntios devem fazer tudo para agradar aos outros, colocando estes sempre acima dos interesses pessoais e, por isso, exorta-os a seguir o seu exemplo, como ele pr\u00f3prio tem seguido o de Jesus Cristo. Os crist\u00e3os de hoje devem ter presente a exorta\u00e7\u00e3o de Paulo, procurando viver ao modo de Jesus Cristo, que por amor fez da sua vida um acto permanente de servi\u00e7o e entrega a todos. Evangelho (Mc 1 ,40-45) No epis\u00f3dio de hoje, o Evangelista Marcos narra-nos a cura do leproso que procura Jesus. Devido \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o rigorosa e discriminat\u00f3ria, as pessoas que apresentavam manchas na pele eram identificadas como portadores da doen\u00e7a da \u201clepra\u201d, sendo obrigadas, por isso, a viverem isoladas e \u00e0 margem da sociedade. Apesar das obriga\u00e7\u00f5es impostas aos portadores deste tipo de enfermidade, um leproso aproximou-se de Jesus e pede-Lhe que o cure desta doen\u00e7a. Jesus compadece-se e, infringindo as prescri\u00e7\u00f5es da lei, acolhe, toca no leproso que veio ao seu encontro e cura a sua doen\u00e7a, libertando-o da sua situa\u00e7\u00e3o humilhante e restituindo-lhe o direito de viver dignamente. Com o seu gesto de acolher, tocar e curar o leproso, Jesus pretende mostrar que o mais importante \u00e9 ver em cada pessoa um filho que Deus ama, a quem se deve estender a m\u00e3o e amar, do que estar preocupado com o risco de ser contagiado ou com o receio de infringir uma lei humana que causa marginaliza\u00e7\u00e3o e sofrimento. Ao curar o leproso, que aqui representa todos os que vivem numa situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o e de sofrimento, Jesus manifesta o amor, a miseric\u00f3rdia, a generosidade e a bondade de Deus, um Deus que n\u00e3o quer discriminar ningu\u00e9m, quer sim que todos se deixem tocar por Jesus Cristo e sejam por Ele curados das enfermidades que impedem de caminhar na sua presen\u00e7a. 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