{"id":28458,"date":"2024-02-24T15:38:51","date_gmt":"2024-02-24T15:38:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=28458"},"modified":"2024-09-17T22:12:55","modified_gmt":"2024-09-17T22:12:55","slug":"ii-domingo-da-quaresma-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/ii-domingo-da-quaresma-2\/","title":{"rendered":"II Domingo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p>A Palavra de Deus do II Domingo da Quaresma fala-nos da fidelidade e obedi\u00eancia de Abra\u00e3o (1\u00aa Leitura), do incomensur\u00e1vel amor de Deus (2\u00aa Leitura) e da Ressurrei\u00e7\u00e3o, o principal fundamento da f\u00e9 e esperan\u00e7a crist\u00e3.<\/p>\n<p>I Leitura (Gen 22, 1-2.9-13.15-18)<br \/>\nA primeira Leitura, retirada dos textos de tradi\u00e7\u00e3o patriarcal do Livro de G\u00e9nesis, relata-nos o epis\u00f3dio em que Deus pede a Abra\u00e3o para oferecer o seu pr\u00f3prio filho em sacrif\u00edcio.<br \/>\nEste estranho pedido, que certamente nos escandaliza, deve ser vista \u00e0 luz uma tradi\u00e7\u00e3o cultual praticada por alguns povos antigos, pela qual eram oferecidos sacrif\u00edcios humanos para prestar culto aos deuses. O autor desta passagem b\u00edblica baseou-se nessa tradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para relatar simplesmente um acontecimento, mas fundamentalmente para com ela fazer uma catequese sobre a confian\u00e7a e obedi\u00eancia a Deus.<br \/>\nAbra\u00e3o, a quem o Senhor tinha j\u00e1 pedido para abandonar a sua terra e a sua fam\u00edlia, \u00e9 colocado novamente perante uma prova bem dif\u00edcil: oferecer o seu \u00fanico filho em sacrif\u00edcio. Abra\u00e3o \u00e9 colocado perante o dilema de sacrificar o seu filho ou deixar de confiar em Deus e nas suas promessas. Como em circunst\u00e2ncias anteriores, ele aceitou e confiou plenamente na proposta do Senhor, mas esta n\u00e3o se concretizou porque, atrav\u00e9s da voz de um Anjo, Deus interveio e n\u00e3o permitiu que tal \u00a0acontecesse.<br \/>\nE pelo facto de Abra\u00e3o ter escutado e aceitado o que lhe foi pedido, Deus aben\u00e7oou-o e prometeu que na sua descend\u00eancia ser\u00e3o aben\u00e7oados todos os povos.<br \/>\nA f\u00e9 e a obedi\u00eancia \u00e0 vontade de Deus fizeram de Abra\u00e3o \u201co pai de todos os crentes\u201d, o modelo a seguir por todos aqueles que, nos bons e maus momentos da sua vida, ousam escutar as propostas de Deus e aceitar, sem hesita\u00e7\u00f5es, a Sua vontade.<\/p>\n<p>II Leitura (Rom 8, 31-34)<br \/>\nA segunda Leitura apresenta-nos, de forma reduzida, o hino de Paulo ao amor que Deus tem por n\u00f3s e que manifestou em seu Filho, Jesus Cristo.<br \/>\nDeus n\u00e3o poupou o seu pr\u00f3prio Filho, mas entregou-O \u00e0 morte por todos n\u00f3s. Com a sua morte, Cristo reconstruiu a uni\u00e3o com Deus quebrada pelo pecado e restabeleceu, agora definitivamente, a Alian\u00e7a entre Deus e toda a humanidade.<br \/>\nEsta prova do amor profundo de Deus, que nada nem ningu\u00e9m podem apagar, d\u00e1-nos a certeza de que Ele est\u00e1 por n\u00f3s, haja o que houver. De facto, se o \u00fanico que nos podia condenar, nos amou e justificou, n\u00e3o haver\u00e1 mesmo nenhuma vontade ou obst\u00e1culo que possam interferir no grande amor de Deus por todos n\u00f3s.<br \/>\nE acreditar neste amor \u00e9 confiar e entregar-se a Deus, pois \u201cSe Deus est\u00e1 por n\u00f3s, quem estar\u00e1 contra n\u00f3s?\u201d<\/p>\n<p>Evangelho (Mac 9, 2-10)<br \/>\nA passagem de hoje pode ser melhor entendida se considerarmos os trechos que a precedem (8, 31-33), principalmente aquele em que Jesus, na caminhada para Jerusal\u00e9m, faz o primeiro an\u00fancio da sua Paix\u00e3o e Morte.<br \/>\nNessa altura, os disc\u00edpulos ficaram desanimados e frustrados, porquanto o que ouviram n\u00e3o correspondia \u00e0s expectativas criadas (eles esperavam um Messias poderoso, de gl\u00f3ria e triunfos e n\u00e3o um Servo sofredor que morre na cruz).<br \/>\nEnt\u00e3o, tomando Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, Jesus subiu ao monte, lugar simb\u00f3lico de encontro com Deus, para manifestar a sua gl\u00f3ria e anunciar a sua vit\u00f3ria sobre a morte.<br \/>\nA cena da transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus tem as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de uma Teofania, ou seja, uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus atrav\u00e9s de sinais e fen\u00f3menos extraordin\u00e1rios. A cor resplandecente das vestes de Jesus, sinal da ressurrei\u00e7\u00e3o e da gl\u00f3ria de Deus, a presen\u00e7a de Mois\u00e9s e de Elias, dois personagens importantes da hist\u00f3ria do povo de Israel, que representavam a Lei e os Profetas, a nuvem, que simboliza a presen\u00e7a de Deus, e a voz que vem do c\u00e9u, pela qual o pr\u00f3prio Deus dirige a Palavra aos tr\u00eas disc\u00edpulos, s\u00e3o os sinais que revelam a verdadeira identidade de Jesus: Ele \u00e9 verdadeiramente Deus, Ele \u00e9 o Messias anunciado por Mois\u00e9s e pelos profetas, Ele \u00e9 \u201co meu Filho muito amado: escutai-O\u201d.<br \/>\nEsta mensagem de Deus dirige-se aos disc\u00edpulos, representados por Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, e tem o objetivo de demonstrar a gl\u00f3ria de Jesus e a sua identidade, certificando que Ele \u00e9 verdadeiramente o Filho amado de Deus, no qual ser\u00e1 concretizado o projeto salvador do Pai em favor dos homens, atrav\u00e9s da entrega total de si pr\u00f3prio por amor.<br \/>\nJesus leva ao monte os tr\u00eas disc\u00edpulos para os fazer entender a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, contudo, eles n\u00e3o compreenderam o verdadeiro significado do que tinham presenciado. Por isso, eles n\u00e3o quiseram descer do monte, quiseram deter-se naquele momento e n\u00e3o fazer o caminho de dor e sofrimento anunciado por Jesus.<br \/>\nEste texto evang\u00e9lico demonstra que o fim do caminho de Jesus n\u00e3o ser\u00e1 a cruz, mas a ressurrei\u00e7\u00e3o, o que nos garante que esse tamb\u00e9m ser\u00e1 o nosso fim. No entanto, temos de entender que \u00e9 necess\u00e1rio passar, como Jesus, por muitas prova\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar o final o caminho. N\u00e3o h\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o sem Paix\u00e3o.<br \/>\nEste tempo quaresmal \u00e9 um momento prop\u00edcio para efectuarmos a nossa experi\u00eancia de \u201ctransfigura\u00e7\u00e3o\u201d: subir ao monte com Jesus, ouvir atentamente a voz de Deus e deixar que o Esp\u00edrito transforme as nossas vidas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2024-02-25-B-Dom-II-Quaresma.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">II DOMINGO DA QUARESMA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Palavra de Deus do II Domingo da Quaresma fala-nos da fidelidade e obedi\u00eancia de Abra\u00e3o (1\u00aa Leitura), do incomensur\u00e1vel amor de Deus (2\u00aa Leitura) e da Ressurrei\u00e7\u00e3o, o principal fundamento da f\u00e9 e esperan\u00e7a crist\u00e3. I Leitura (Gen 22, 1-2.9-13.15-18) A primeira Leitura, retirada dos textos de tradi\u00e7\u00e3o patriarcal do Livro de G\u00e9nesis, relata-nos o epis\u00f3dio em que Deus pede a Abra\u00e3o para oferecer o seu pr\u00f3prio filho em sacrif\u00edcio. Este estranho pedido, que certamente nos escandaliza, deve ser vista \u00e0 luz uma tradi\u00e7\u00e3o cultual praticada por alguns povos antigos, pela qual eram oferecidos sacrif\u00edcios humanos para prestar culto aos deuses. O autor desta passagem b\u00edblica baseou-se nessa tradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para relatar simplesmente um acontecimento, mas fundamentalmente para com ela fazer uma catequese sobre a confian\u00e7a e obedi\u00eancia a Deus. Abra\u00e3o, a quem o Senhor tinha j\u00e1 pedido para abandonar a sua terra e a sua fam\u00edlia, \u00e9 colocado novamente perante uma prova bem dif\u00edcil: oferecer o seu \u00fanico filho em sacrif\u00edcio. Abra\u00e3o \u00e9 colocado perante o dilema de sacrificar o seu filho ou deixar de confiar em Deus e nas suas promessas. Como em circunst\u00e2ncias anteriores, ele aceitou e confiou plenamente na proposta do Senhor, mas esta n\u00e3o se concretizou porque, atrav\u00e9s da voz de um Anjo, Deus interveio e n\u00e3o permitiu que tal \u00a0acontecesse. E pelo facto de Abra\u00e3o ter escutado e aceitado o que lhe foi pedido, Deus aben\u00e7oou-o e prometeu que na sua descend\u00eancia ser\u00e3o aben\u00e7oados todos os povos. A f\u00e9 e a obedi\u00eancia \u00e0 vontade de Deus fizeram de Abra\u00e3o \u201co pai de todos os crentes\u201d, o modelo a seguir por todos aqueles que, nos bons e maus momentos da sua vida, ousam escutar as propostas de Deus e aceitar, sem hesita\u00e7\u00f5es, a Sua vontade. II Leitura (Rom 8, 31-34) A segunda Leitura apresenta-nos, de forma reduzida, o hino de Paulo ao amor que Deus tem por n\u00f3s e que manifestou em seu Filho, Jesus Cristo. Deus n\u00e3o poupou o seu pr\u00f3prio Filho, mas entregou-O \u00e0 morte por todos n\u00f3s. Com a sua morte, Cristo reconstruiu a uni\u00e3o com Deus quebrada pelo pecado e restabeleceu, agora definitivamente, a Alian\u00e7a entre Deus e toda a humanidade. Esta prova do amor profundo de Deus, que nada nem ningu\u00e9m podem apagar, d\u00e1-nos a certeza de que Ele est\u00e1 por n\u00f3s, haja o que houver. De facto, se o \u00fanico que nos podia condenar, nos amou e justificou, n\u00e3o haver\u00e1 mesmo nenhuma vontade ou obst\u00e1culo que possam interferir no grande amor de Deus por todos n\u00f3s. E acreditar neste amor \u00e9 confiar e entregar-se a Deus, pois \u201cSe Deus est\u00e1 por n\u00f3s, quem estar\u00e1 contra n\u00f3s?\u201d Evangelho (Mac 9, 2-10) A passagem de hoje pode ser melhor entendida se considerarmos os trechos que a precedem (8, 31-33), principalmente aquele em que Jesus, na caminhada para Jerusal\u00e9m, faz o primeiro an\u00fancio da sua Paix\u00e3o e Morte. Nessa altura, os disc\u00edpulos ficaram desanimados e frustrados, porquanto o que ouviram n\u00e3o correspondia \u00e0s expectativas criadas (eles esperavam um Messias poderoso, de gl\u00f3ria e triunfos e n\u00e3o um Servo sofredor que morre na cruz). Ent\u00e3o, tomando Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, Jesus subiu ao monte, lugar simb\u00f3lico de encontro com Deus, para manifestar a sua gl\u00f3ria e anunciar a sua vit\u00f3ria sobre a morte. A cena da transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus tem as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de uma Teofania, ou seja, uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus atrav\u00e9s de sinais e fen\u00f3menos extraordin\u00e1rios. A cor resplandecente das vestes de Jesus, sinal da ressurrei\u00e7\u00e3o e da gl\u00f3ria de Deus, a presen\u00e7a de Mois\u00e9s e de Elias, dois personagens importantes da hist\u00f3ria do povo de Israel, que representavam a Lei e os Profetas, a nuvem, que simboliza a presen\u00e7a de Deus, e a voz que vem do c\u00e9u, pela qual o pr\u00f3prio Deus dirige a Palavra aos tr\u00eas disc\u00edpulos, s\u00e3o os sinais que revelam a verdadeira identidade de Jesus: Ele \u00e9 verdadeiramente Deus, Ele \u00e9 o Messias anunciado por Mois\u00e9s e pelos profetas, Ele \u00e9 \u201co meu Filho muito amado: escutai-O\u201d. Esta mensagem de Deus dirige-se aos disc\u00edpulos, representados por Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, e tem o objetivo de demonstrar a gl\u00f3ria de Jesus e a sua identidade, certificando que Ele \u00e9 verdadeiramente o Filho amado de Deus, no qual ser\u00e1 concretizado o projeto salvador do Pai em favor dos homens, atrav\u00e9s da entrega total de si pr\u00f3prio por amor. Jesus leva ao monte os tr\u00eas disc\u00edpulos para os fazer entender a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, contudo, eles n\u00e3o compreenderam o verdadeiro significado do que tinham presenciado. Por isso, eles n\u00e3o quiseram descer do monte, quiseram deter-se naquele momento e n\u00e3o fazer o caminho de dor e sofrimento anunciado por Jesus. Este texto evang\u00e9lico demonstra que o fim do caminho de Jesus n\u00e3o ser\u00e1 a cruz, mas a ressurrei\u00e7\u00e3o, o que nos garante que esse tamb\u00e9m ser\u00e1 o nosso fim. 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