{"id":28569,"date":"2024-03-20T22:13:49","date_gmt":"2024-03-20T22:13:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=28569"},"modified":"2024-09-16T18:04:36","modified_gmt":"2024-09-16T18:04:36","slug":"atraves-do-deserto-deus-guia-nos-para-a-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/atraves-do-deserto-deus-guia-nos-para-a-liberdade\/","title":{"rendered":"Atrav\u00e9s do deserto, Deus guia-nos para a liberdade"},"content":{"rendered":"<p>O \u00eaxodo da escravid\u00e3o para a liberdade n\u00e3o \u00e9 um caminho abstrato. A fim de ser concreta tamb\u00e9m a nossa Quaresma, o primeiro passo \u00e9 querer\u00a0<em>ver a realidade<\/em>. Quando o Senhor, da sar\u00e7a ardente, atraiu Mois\u00e9s e lhe falou, revelou-Se logo como um Deus que v\u00ea e sobretudo escuta: \u00abEu bem vi a opress\u00e3o do meu povo que est\u00e1 no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conhe\u00e7o, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar das m\u00e3os dos eg\u00edpcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espa\u00e7osa, para uma terra que mana leite e mel\u00bb (<em>Ex<\/em>\u00a03, 7-8). Tamb\u00e9m hoje o grito de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s oprimidos chega ao c\u00e9u. Perguntemo-nos: E chega tamb\u00e9m a n\u00f3s? Mexe connosco? Comove-nos? H\u00e1 muitos fatores que nos afastam uns dos outros, negando a fraternidade que originariamente nos une.<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o Se cansou de n\u00f3s. Acolhamos a Quaresma como o tempo forte em que a sua Palavra nos \u00e9 novamente dirigida: \u00abEu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servid\u00e3o\u00bb (<em>Ex<\/em>\u00a020, 2). \u00c9\u00a0<em>tempo de convers\u00e3o, tempo de liberdade<\/em>. O pr\u00f3prio Jesus, como recordamos anualmente no primeiro domingo da Quaresma, foi impelido pelo Esp\u00edrito para o deserto a fim de ser posto \u00e0 prova na sua liberdade. Durante quarenta dias, t\u00ea-Lo-emos diante dos nossos olhos e connosco: \u00e9 o Filho encarnado. Ao contr\u00e1rio do Fara\u00f3, Deus n\u00e3o quer s\u00fabditos, mas filhos. O deserto \u00e9 o espa\u00e7o onde a nossa liberdade pode amadurecer numa decis\u00e3o pessoal de n\u00e3o voltar a cair na escravid\u00e3o. Na Quaresma, encontramos novos crit\u00e9rios de ju\u00edzo e uma comunidade com a qual avan\u00e7ar por um caminho nunca percorrido.<\/p>\n<p>\u00c9 tempo de agir e, na Quaresma,\u00a0<em>agir \u00e9 tamb\u00e9m parar<\/em>: parar\u00a0<em>em ora\u00e7\u00e3o<\/em>, para acolher a Palavra de Deus, e parar como o Samaritano\u00a0<em>em presen\u00e7a do irm\u00e3o ferido<\/em>. O amor de Deus e o do pr\u00f3ximo formam um \u00fanico amor. N\u00e3o ter outros deuses \u00e9 parar na presen\u00e7a de Deus, junto da carne do pr\u00f3ximo. Por isso, ora\u00e7\u00e3o, esmola e jejum n\u00e3o s\u00e3o tr\u00eas exerc\u00edcios independentes, mas um \u00fanico movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os \u00eddolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam. Ent\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o atrofiado e isolado despertar\u00e1. Para isso h\u00e1 que diminuir a velocidade e parar. Assim a dimens\u00e3o contemplativa da vida, que a Quaresma nos far\u00e1 reencontrar, mobilizar\u00e1 novas energias. Na presen\u00e7a de Deus, tornamo-nos irm\u00e3s e irm\u00e3os, sentimos os outros com nova intensidade: em vez de amea\u00e7as e de inimigos encontramos companheiras e companheiros de viagem. Tal \u00e9 o sonho de Deus, a terra prometida para a qual tendemos, quando sa\u00edmos da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Excertos da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2024)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00eaxodo da escravid\u00e3o para a liberdade n\u00e3o \u00e9 um caminho abstrato. A fim de ser concreta tamb\u00e9m a nossa Quaresma, o primeiro passo \u00e9 querer\u00a0ver a realidade. Quando o Senhor, da sar\u00e7a ardente, atraiu Mois\u00e9s e lhe falou, revelou-Se logo como um Deus que v\u00ea e sobretudo escuta: \u00abEu bem vi a opress\u00e3o do meu povo que est\u00e1 no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conhe\u00e7o, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar das m\u00e3os dos eg\u00edpcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espa\u00e7osa, para uma terra que mana leite e mel\u00bb (Ex\u00a03, 7-8). Tamb\u00e9m hoje o grito de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s oprimidos chega ao c\u00e9u. Perguntemo-nos: E chega tamb\u00e9m a n\u00f3s? Mexe connosco? Comove-nos? H\u00e1 muitos fatores que nos afastam uns dos outros, negando a fraternidade que originariamente nos une. Deus n\u00e3o Se cansou de n\u00f3s. Acolhamos a Quaresma como o tempo forte em que a sua Palavra nos \u00e9 novamente dirigida: \u00abEu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servid\u00e3o\u00bb (Ex\u00a020, 2). \u00c9\u00a0tempo de convers\u00e3o, tempo de liberdade. O pr\u00f3prio Jesus, como recordamos anualmente no primeiro domingo da Quaresma, foi impelido pelo Esp\u00edrito para o deserto a fim de ser posto \u00e0 prova na sua liberdade. Durante quarenta dias, t\u00ea-Lo-emos diante dos nossos olhos e connosco: \u00e9 o Filho encarnado. Ao contr\u00e1rio do Fara\u00f3, Deus n\u00e3o quer s\u00fabditos, mas filhos. O deserto \u00e9 o espa\u00e7o onde a nossa liberdade pode amadurecer numa decis\u00e3o pessoal de n\u00e3o voltar a cair na escravid\u00e3o. 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