{"id":28618,"date":"2024-04-04T09:24:10","date_gmt":"2024-04-04T09:24:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=28618"},"modified":"2024-09-16T17:44:09","modified_gmt":"2024-09-16T17:44:09","slug":"sete-semanas-de-pascoa-gloriosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/sete-semanas-de-pascoa-gloriosa\/","title":{"rendered":"Sete semanas de P\u00e1scoa gloriosa"},"content":{"rendered":"<p>A Cinquentena Pascal \u00e9 \u201c<strong><em>o<\/em><\/strong><em>\u00a0tempo forte<\/em>\u201d do calend\u00e1rio crist\u00e3o: cinquenta dias que formam uma unidade com a Quaresma e constituem, para os fi\u00e9is, os noventa dias mais densos do ano.<\/p>\n<p>O Ano Lit\u00fargico centra-se nesta<strong>\u00a0Cinquentena festiva,\u00a0<\/strong>vivida e celebrada<strong>\u00a0como se de um s\u00f3 dia de festa se tratasse:\u00a0<\/strong>um<strong>\u00a0grande Domingo<\/strong>, na express\u00e3o feliz de Santo Atan\u00e1sio. A Quaresma preparou-a e a Noite pascal inaugurou-a. O Pentecostes n\u00e3o ser\u00e1 uma festa separada, mas a plenitude e o cumprimento do que a Noite pascal inaugurou: o Esp\u00edrito que ressuscitou Jesus de entre os mortos. O tempo pascal, deve, pois, ser vivido como uma\u00a0<strong>unidade<\/strong>\u00a0(a Solenidade da Ascens\u00e3o integra-se pois, no mesmo esp\u00edrito e dinamismo) at\u00e9 \u00e0 tarde do dia de Pentecostes. A reforma lit\u00fargica suprimiu a oitava de Pentecostes, precisamente porque n\u00e3o \u00e9 esta a festa que se prepara ou se prolonga, mas antes a Cinquentena pascal que se consuma nesse dia.<\/p>\n<p>H\u00e1, contudo, uma tend\u00eancia para que a P\u00e1scoa quase se fique pela Quaresma. Recordemos que se a Quaresma s\u00e3o quarenta dias, a P\u00e1scoa s\u00e3o cinquenta: \u00e9 mais! Se a Quaresma \u00e9 a imagem do mundo presente e do tempo que passa, a P\u00e1scoa \u00e9 a antecipa\u00e7\u00e3o da eternidade, a afirma\u00e7\u00e3o do definitivo. O deserto \u2013 a Quaresma \u2013 \u00e9 precioso porque conduz \u00e0 Terra prometida, onde corre leite e mel\u2026 E a hist\u00f3ria, boa mestra, ensina-nos que se a quaresma \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo IV, a P\u00e1scoa j\u00e1 resplandece como\u00a0<em>laetissimum spatium<\/em>\u00a0(Tertuliano) na viv\u00eancia crist\u00e3 do s\u00e9culo II! O fundamental emergiu primeiro\u2026<\/p>\n<p>Nos nossos dias, em que parece tresmalhado o horizonte do eterno, em que a tens\u00e3o escatol\u00f3gica se esvaziou (apesar de a Liturgia a manter sempre viva, s\u00f3 que se perdeu o assombro que a reconhece, a insufla e dela se alimenta), a pastoral, inadvertidamente, fez da quaresma a vers\u00e3o presente do\u00a0<strong>mito de S\u00edsifo<\/strong>: empurra-se com fadiga uma pesada pedra at\u00e9 ao cimo de \u00edngreme montanha mas, quando parece ter-se alcan\u00e7ado o cume, eis que o pedregulho resvala de novo at\u00e9 ao vale de onde se partiu e a vida se reduz a uma quaresma sem p\u00e1scoa. Passada a Vig\u00edlia e o primeiro domingo de P\u00e1scoa \u2013 que muitos \u00abfi\u00e9is\u00bb nem chegam a celebrar porque querem \u00e9 aproveitar mais umas f\u00e9rias loucas da civiliza\u00e7\u00e3o do vazio \u2013, resvala-se de imediato para o quotidiano rasteiro de um tempo \u00abordin\u00e1rio\u00bb (sem qualquer menosprezo pela preciosidade do Tempo Comum). Importa, pois, um esfor\u00e7o pastoral e uma mudan\u00e7a de mentalidade para combater esta desfocagem. Ali\u00e1s, \u00e9 centrando a P\u00e1scoa na Cinquentena que captaremos o sentido da Quaresma.<\/p>\n<p>Durante este Tempo, tanto as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, como as poss\u00edveis formas de ora\u00e7\u00e3o familiar ou pessoal ser\u00e3o um convite estimulante a entrarmos decididamente na P\u00e1scoa do Senhor: na Sua \u201c<em>Passagem<\/em>\u201d \u00e0 Vida Nova. Este colorido ter\u00e1 express\u00e3o na vida quotidiana. Quer dizer que somos convidados a dar a tudo o que fazemos e vivemos (rela\u00e7\u00f5es humanas, trabalho, dor e alegria\u2026) uma<strong>\u00a0tonalidade pascal<\/strong>. O que a P\u00e1scoa de Cristo significa de vida, novidade, alegria, liberdade deve passar para o dia a dia de cada crist\u00e3o e informar o seu comportamento, de modo a que ele se torne, no mundo, testemunha da Ressurrei\u00e7\u00e3o (engrossando, assim, a s\u00e9rie ininterrupta das testemunhas que atravessa os tempos).<\/p>\n<p>Nesta perspetiva, deixamos\u00a0<strong>algumas sugest\u00f5es<\/strong>:<\/p>\n<ol>\n<li>O\u00a0<strong>C\u00edrio Pascal<\/strong>\u00a0deve ocupar um lugar de destaque, no Presbit\u00e9rio, possivelmente perto do amb\u00e3o. S\u00f3 depois do Pentecostes ser\u00e1 deslocado para o Batist\u00e9rio. Mas que n\u00e3o seja mais uma velinha (insignificante), acantonada em espa\u00e7o perdido.<\/li>\n<li>Cuide-se da\u00a0<strong>ambienta\u00e7\u00e3o da igreja<\/strong>: ilumina\u00e7\u00e3o abundante e flores. Contudo, o bom gosto deve prevalecer sobre a ostenta\u00e7\u00e3o e a quantidade.<\/li>\n<li>Haja\u00a0<strong>m\u00fasica festiva\u00a0<\/strong>j\u00e1 antes das celebra\u00e7\u00f5es (se poss\u00edvel, ao vivo, de \u00f3rg\u00e3o ou instrumentos). M\u00fasica sacra, bem entendido, nova e do valios\u00edssimo tesouro da Igreja.<\/li>\n<li>Nas celebra\u00e7\u00f5es haja\u00a0<strong>m\u00fasica instrumental e canto<\/strong>\u00a0mais abundante. Ressoe na Igreja o louvor c\u00f3smico e a adora\u00e7\u00e3o do universo ao Vencedor da morte! D\u00ea-se relevo ao canto do Presidente. Para al\u00e9m das aclama\u00e7\u00f5es da an\u00e1fora e da Liturgia da Palavra, cante-se o Pref\u00e1cio, ao menos nas celebra\u00e7\u00f5es principais. Hoje dispomos da ajuda valiosa do novo Missal, eventualmente complementado pelo livro \u00ab<em>O canto do celebrante<\/em>\u00bb, editado pelo SNL.<\/li>\n<li>Fa\u00e7a-se o\u00a0<strong>rito da aspers\u00e3o<\/strong>, com mais frequ\u00eancia, em vez do ato penitencial. A sua nova coloca\u00e7\u00e3o, no novo\u00a0<em>Missal\u00a0<\/em>(entre os ritos iniciais do\u00a0<em>Ordin\u00e1rio da Missa<\/em>)<em>,<\/em>\u00a0facilita e recomenda o seu emprego; aproveite-se para restaurar o antigo uso de\u00a0<strong>\u00e1gua benta<\/strong>\u00a0\u00e0 entrada das igrejas e nas casas, como lembran\u00e7a do Batismo.<\/li>\n<li>Use-se a\u00a0<strong>forma solene de B\u00ean\u00e7\u00e3o<\/strong>, nomeadamente aos domingos.<\/li>\n<li>Nas fam\u00edlias,\u00a0<strong>permane\u00e7a o tom pascal<\/strong>, inaugurado pela visita pascal (<em>compasso<\/em>), mediante o esfor\u00e7o de cada membro em recriar um ambiente de calorosa conviv\u00eancia e alegria, alimentado pela ora\u00e7\u00e3o comum. <span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/em><\/span><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Cinquentena Pascal \u00e9 \u201co\u00a0tempo forte\u201d do calend\u00e1rio crist\u00e3o: cinquenta dias que formam uma unidade com a Quaresma e constituem, para os fi\u00e9is, os noventa dias mais densos do ano. O Ano Lit\u00fargico centra-se nesta\u00a0Cinquentena festiva,\u00a0vivida e celebrada\u00a0como se de um s\u00f3 dia de festa se tratasse:\u00a0um\u00a0grande Domingo, na express\u00e3o feliz de Santo Atan\u00e1sio. A Quaresma preparou-a e a Noite pascal inaugurou-a. O Pentecostes n\u00e3o ser\u00e1 uma festa separada, mas a plenitude e o cumprimento do que a Noite pascal inaugurou: o Esp\u00edrito que ressuscitou Jesus de entre os mortos. O tempo pascal, deve, pois, ser vivido como uma\u00a0unidade\u00a0(a Solenidade da Ascens\u00e3o integra-se pois, no mesmo esp\u00edrito e dinamismo) at\u00e9 \u00e0 tarde do dia de Pentecostes. A reforma lit\u00fargica suprimiu a oitava de Pentecostes, precisamente porque n\u00e3o \u00e9 esta a festa que se prepara ou se prolonga, mas antes a Cinquentena pascal que se consuma nesse dia. H\u00e1, contudo, uma tend\u00eancia para que a P\u00e1scoa quase se fique pela Quaresma. Recordemos que se a Quaresma s\u00e3o quarenta dias, a P\u00e1scoa s\u00e3o cinquenta: \u00e9 mais! Se a Quaresma \u00e9 a imagem do mundo presente e do tempo que passa, a P\u00e1scoa \u00e9 a antecipa\u00e7\u00e3o da eternidade, a afirma\u00e7\u00e3o do definitivo. O deserto \u2013 a Quaresma \u2013 \u00e9 precioso porque conduz \u00e0 Terra prometida, onde corre leite e mel\u2026 E a hist\u00f3ria, boa mestra, ensina-nos que se a quaresma \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo IV, a P\u00e1scoa j\u00e1 resplandece como\u00a0laetissimum spatium\u00a0(Tertuliano) na viv\u00eancia crist\u00e3 do s\u00e9culo II! O fundamental emergiu primeiro\u2026 Nos nossos dias, em que parece tresmalhado o horizonte do eterno, em que a tens\u00e3o escatol\u00f3gica se esvaziou (apesar de a Liturgia a manter sempre viva, s\u00f3 que se perdeu o assombro que a reconhece, a insufla e dela se alimenta), a pastoral, inadvertidamente, fez da quaresma a vers\u00e3o presente do\u00a0mito de S\u00edsifo: empurra-se com fadiga uma pesada pedra at\u00e9 ao cimo de \u00edngreme montanha mas, quando parece ter-se alcan\u00e7ado o cume, eis que o pedregulho resvala de novo at\u00e9 ao vale de onde se partiu e a vida se reduz a uma quaresma sem p\u00e1scoa. Passada a Vig\u00edlia e o primeiro domingo de P\u00e1scoa \u2013 que muitos \u00abfi\u00e9is\u00bb nem chegam a celebrar porque querem \u00e9 aproveitar mais umas f\u00e9rias loucas da civiliza\u00e7\u00e3o do vazio \u2013, resvala-se de imediato para o quotidiano rasteiro de um tempo \u00abordin\u00e1rio\u00bb (sem qualquer menosprezo pela preciosidade do Tempo Comum). Importa, pois, um esfor\u00e7o pastoral e uma mudan\u00e7a de mentalidade para combater esta desfocagem. Ali\u00e1s, \u00e9 centrando a P\u00e1scoa na Cinquentena que captaremos o sentido da Quaresma. Durante este Tempo, tanto as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, como as poss\u00edveis formas de ora\u00e7\u00e3o familiar ou pessoal ser\u00e3o um convite estimulante a entrarmos decididamente na P\u00e1scoa do Senhor: na Sua \u201cPassagem\u201d \u00e0 Vida Nova. Este colorido ter\u00e1 express\u00e3o na vida quotidiana. Quer dizer que somos convidados a dar a tudo o que fazemos e vivemos (rela\u00e7\u00f5es humanas, trabalho, dor e alegria\u2026) uma\u00a0tonalidade pascal. O que a P\u00e1scoa de Cristo significa de vida, novidade, alegria, liberdade deve passar para o dia a dia de cada crist\u00e3o e informar o seu comportamento, de modo a que ele se torne, no mundo, testemunha da Ressurrei\u00e7\u00e3o (engrossando, assim, a s\u00e9rie ininterrupta das testemunhas que atravessa os tempos). Nesta perspetiva, deixamos\u00a0algumas sugest\u00f5es: O\u00a0C\u00edrio Pascal\u00a0deve ocupar um lugar de destaque, no Presbit\u00e9rio, possivelmente perto do amb\u00e3o. S\u00f3 depois do Pentecostes ser\u00e1 deslocado para o Batist\u00e9rio. Mas que n\u00e3o seja mais uma velinha (insignificante), acantonada em espa\u00e7o perdido. Cuide-se da\u00a0ambienta\u00e7\u00e3o da igreja: ilumina\u00e7\u00e3o abundante e flores. Contudo, o bom gosto deve prevalecer sobre a ostenta\u00e7\u00e3o e a quantidade. Haja\u00a0m\u00fasica festiva\u00a0j\u00e1 antes das celebra\u00e7\u00f5es (se poss\u00edvel, ao vivo, de \u00f3rg\u00e3o ou instrumentos). M\u00fasica sacra, bem entendido, nova e do valios\u00edssimo tesouro da Igreja. Nas celebra\u00e7\u00f5es haja\u00a0m\u00fasica instrumental e canto\u00a0mais abundante. Ressoe na Igreja o louvor c\u00f3smico e a adora\u00e7\u00e3o do universo ao Vencedor da morte! D\u00ea-se relevo ao canto do Presidente. Para al\u00e9m das aclama\u00e7\u00f5es da an\u00e1fora e da Liturgia da Palavra, cante-se o Pref\u00e1cio, ao menos nas celebra\u00e7\u00f5es principais. Hoje dispomos da ajuda valiosa do novo Missal, eventualmente complementado pelo livro \u00abO canto do celebrante\u00bb, editado pelo SNL. Fa\u00e7a-se o\u00a0rito da aspers\u00e3o, com mais frequ\u00eancia, em vez do ato penitencial. A sua nova coloca\u00e7\u00e3o, no novo\u00a0Missal\u00a0(entre os ritos iniciais do\u00a0Ordin\u00e1rio da Missa),\u00a0facilita e recomenda o seu emprego; aproveite-se para restaurar o antigo uso de\u00a0\u00e1gua benta\u00a0\u00e0 entrada das igrejas e nas casas, como lembran\u00e7a do Batismo. Use-se a\u00a0forma solene de B\u00ean\u00e7\u00e3o, nomeadamente aos domingos. Nas fam\u00edlias,\u00a0permane\u00e7a o tom pascal, inaugurado pela visita pascal (compasso), mediante o esfor\u00e7o de cada membro em recriar um ambiente de calorosa conviv\u00eancia e alegria, alimentado pela ora\u00e7\u00e3o comum. (Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":28621,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28618\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}