{"id":28638,"date":"2024-04-07T08:52:22","date_gmt":"2024-04-07T08:52:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=28638"},"modified":"2024-09-16T17:42:33","modified_gmt":"2024-09-16T17:42:33","slug":"os-papas-e-a-misericordia-o-segundo-nome-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/os-papas-e-a-misericordia-o-segundo-nome-do-amor\/","title":{"rendered":"Os Papas e a miseric\u00f3rdia, &#8220;o segundo nome do amor&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Recordamos algumas reflex\u00f5es de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Bento XVI e Francisco neste dia em que celebramos a Festa da Divina Miseric\u00f3rdia, institu\u00edda em 2000 pelo Papa Wojtyla por ocasi\u00e3o da canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Faustina Kowalska<\/p>\n<p>Neste domingo, o primeiro ap\u00f3s a P\u00e1scoa, o Evangelho relata algumas frases ditas pelo Senhor ressuscitado aos disc\u00edpulos: &#8220;Recebei o Esp\u00edrito Santo. \u00c0queles a quem perdoardes os pecados, eles ser\u00e3o perdoados; \u00e0queles a quem n\u00e3o perdoardes os pecados, eles n\u00e3o ser\u00e3o perdoados&#8221;. Antes de proferir essas palavras, Jesus mostra as m\u00e3os e as feridas da Paix\u00e3o. Do cora\u00e7\u00e3o, brota uma onda de miseric\u00f3rdia que envolve toda a humanidade. Nunca devemos duvidar do amor de Deus, como escreveu o Papa Francisco em seu tu\u00edte por ocasi\u00e3o do Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia: &#8220;Confiemos com firmeza e confian\u00e7a nossas vidas e o mundo ao Senhor, pedindo-lhe, em particular, uma paz justa para as na\u00e7\u00f5es devastadas pela guerra&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Miseric\u00f3rdia \u00e9 o nome do amor<\/strong><br \/>\nNeste dia, celebramos a Festa da Divina Miseric\u00f3rdia, estabelecida em 30 de abril de 2000 por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II durante a solene celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica por ocasi\u00e3o da canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Maria Faustina Kowalska. Naquela ocasi\u00e3o, em sua homilia, o Papa Wojtyla lembrou que Cristo confiou sua mensagem de miseric\u00f3rdia a essa humilde freira polonesa entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>A miseric\u00f3rdia divina atinge os homens atrav\u00e9s do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo crucificado: &#8220;Minha filha, dize que sou o Amor e a Miseric\u00f3rdia em pessoa&#8221;, pedir\u00e1 Jesus \u00e0 Irm\u00e3 Faustina (Di\u00e1rio, p\u00e1g. 374). Cristo derrama esta miseric\u00f3rdia sobre a humanidade mediante o envio do Esp\u00edrito que, na Trindade, \u00e9 a Pessoa-Amor. E porventura n\u00e3o \u00e9 a miseric\u00f3rdia o &#8220;segundo nome&#8221; do amor, cultuado no seu aspecto mais profundo e terno, na sua atitude de cuidar de toda a necessidade, sobretudo na sua imensa capacidade de perd\u00e3o?<\/p>\n<p>Do cora\u00e7\u00e3o de Jesus, Irm\u00e3 Faustina, que nasceu em 1905 e morreu em 1938, viu dois feixes de luz que iluminam o mundo: &#8220;Os dois feixes&#8221;, explicou-lhe um dia o pr\u00f3prio Cristo, &#8220;representam o sangue e a \u00e1gua&#8221;. Se o sangue evoca o sacrif\u00edcio da cruz e o dom eucar\u00edstico, a \u00e1gua &#8211; explicou Jo\u00e3o Paulo II durante a capela papal para a canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Faustina &#8211; lembra n\u00e3o apenas o batismo, mas tamb\u00e9m o dom do Esp\u00edrito Santo&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A miseric\u00f3rdia \u00e9 a face de Deus<\/strong><br \/>\nNo Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia de 2008, Bento XVI enfatizou, antes da ora\u00e7\u00e3o mariana do Regina Caeli, que a miseric\u00f3rdia \u00e9 o n\u00facleo da mensagem do Evangelho. &#8220;\u00c9 a face com a qual Deus se revelou na Antiga Alian\u00e7a e plenamente em Jesus Cristo, a encarna\u00e7\u00e3o do Amor criador e redentor&#8221;.<\/p>\n<p>Este amor de miseric\u00f3rdia ilumina tamb\u00e9m o rosto da Igreja, e manifesta-se quer mediante os Sacramentos, em particular o da Reconcilia\u00e7\u00e3o, quer com as obras de caridade, comunit\u00e1rias e individuais. Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a miseric\u00f3rdia que Deus sente pelo homem, portanto, por n\u00f3s. Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem tra\u00eddo, f\u00e1-lo sempre estimulada por amor misericordioso, para que os homens tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia (cf. Jo 10, 10). Da miseric\u00f3rdia divina, que pacifica o cora\u00e7\u00e3o, brota depois a paz aut\u00eantica no mundo, a paz entre os povos, culturas e religi\u00f5es diversas.<\/p>\n<p>Assim como a Irm\u00e3 Faustina, o Papa Jo\u00e3o Paulo II tamb\u00e9m foi um ap\u00f3stolo da Divina Miseric\u00f3rdia. Na noite de 2 de abril de 2005, quando ele voltou para a casa do Pai, era a v\u00e9spera do segundo domingo de P\u00e1scoa.<\/p>\n<p><strong>Ser misericordioso \u00e9 encontrar Jesus<\/strong><br \/>\nAs chagas de Jesus n\u00e3o s\u00e3o chagas distantes, confinadas a uma \u00e9poca remota da hist\u00f3ria humana. O Papa Francisco, em 2022, durante a Missa da Divina Miseric\u00f3rdia, exorta a cuidar das feridas de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s que est\u00e3o passando por momentos dif\u00edceis. A miseric\u00f3rdia de Deus, acrescenta o Pont\u00edfice, nos coloca &#8220;frequentemente em contato com os sofrimentos do nosso pr\u00f3ximo&#8221;.<\/p>\n<p>Julg\u00e1vamos estar no \u00e1pice do sofrimento, no auge duma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, mas descobrimos aqui a exist\u00eancia de algu\u00e9m que, permanecendo em sil\u00eancio, est\u00e1 passando por momentos, por per\u00edodos piores. E, se cuidarmos das chagas do pr\u00f3ximo e nelas derramarmos miseric\u00f3rdia, renasce em n\u00f3s uma nova esperan\u00e7a que consola no cansa\u00e7o. Ent\u00e3o, perguntemo-nos se, nos \u00faltimos tempos, tocamos as chagas de algu\u00e9m que sofre no corpo ou no esp\u00edrito; se levamos paz a um corpo ferido ou a um esp\u00edrito atribulado; se passamos algum tempo ouvindo, acompanhando, consolando. Quando fazemos isso, encontramos Jesus que, com os olhos de quem \u00e9 provado pela vida, nos contempla com miseric\u00f3rdia e diz: \u00abA paz esteja convosco!\u00bb<\/p>\n<p>Na incredulidade de S\u00e3o Tom\u00e9, que quer ver as feridas do Senhor, est\u00e1 a hist\u00f3ria de todo fiel: &#8220;H\u00e1 momentos dif\u00edceis, nos quais a vida parece desmentir a f\u00e9, nos quais entramos em crise e precisamos tocar e ver. Mas, como Tom\u00e9, \u00e9 precisamente aqui que descobrimos o cora\u00e7\u00e3o do Senhor, a sua miseric\u00f3rdia&#8221;. Em 2015, abrindo o Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, Francisco aponta para uma diretriz capaz de promover um aut\u00eantico discernimento: &#8220;Devemos antepor a miseric\u00f3rdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus ser\u00e1 sempre feito \u00e0 luz da sua miseric\u00f3rdia&#8221;.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Vatican news)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recordamos algumas reflex\u00f5es de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Bento XVI e Francisco neste dia em que celebramos a Festa da Divina Miseric\u00f3rdia, institu\u00edda em 2000 pelo Papa Wojtyla por ocasi\u00e3o da canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Faustina Kowalska Neste domingo, o primeiro ap\u00f3s a P\u00e1scoa, o Evangelho relata algumas frases ditas pelo Senhor ressuscitado aos disc\u00edpulos: &#8220;Recebei o Esp\u00edrito Santo. \u00c0queles a quem perdoardes os pecados, eles ser\u00e3o perdoados; \u00e0queles a quem n\u00e3o perdoardes os pecados, eles n\u00e3o ser\u00e3o perdoados&#8221;. Antes de proferir essas palavras, Jesus mostra as m\u00e3os e as feridas da Paix\u00e3o. Do cora\u00e7\u00e3o, brota uma onda de miseric\u00f3rdia que envolve toda a humanidade. Nunca devemos duvidar do amor de Deus, como escreveu o Papa Francisco em seu tu\u00edte por ocasi\u00e3o do Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia: &#8220;Confiemos com firmeza e confian\u00e7a nossas vidas e o mundo ao Senhor, pedindo-lhe, em particular, uma paz justa para as na\u00e7\u00f5es devastadas pela guerra&#8221;. Miseric\u00f3rdia \u00e9 o nome do amor Neste dia, celebramos a Festa da Divina Miseric\u00f3rdia, estabelecida em 30 de abril de 2000 por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II durante a solene celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica por ocasi\u00e3o da canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Maria Faustina Kowalska. Naquela ocasi\u00e3o, em sua homilia, o Papa Wojtyla lembrou que Cristo confiou sua mensagem de miseric\u00f3rdia a essa humilde freira polonesa entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. A miseric\u00f3rdia divina atinge os homens atrav\u00e9s do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo crucificado: &#8220;Minha filha, dize que sou o Amor e a Miseric\u00f3rdia em pessoa&#8221;, pedir\u00e1 Jesus \u00e0 Irm\u00e3 Faustina (Di\u00e1rio, p\u00e1g. 374). Cristo derrama esta miseric\u00f3rdia sobre a humanidade mediante o envio do Esp\u00edrito que, na Trindade, \u00e9 a Pessoa-Amor. E porventura n\u00e3o \u00e9 a miseric\u00f3rdia o &#8220;segundo nome&#8221; do amor, cultuado no seu aspecto mais profundo e terno, na sua atitude de cuidar de toda a necessidade, sobretudo na sua imensa capacidade de perd\u00e3o? Do cora\u00e7\u00e3o de Jesus, Irm\u00e3 Faustina, que nasceu em 1905 e morreu em 1938, viu dois feixes de luz que iluminam o mundo: &#8220;Os dois feixes&#8221;, explicou-lhe um dia o pr\u00f3prio Cristo, &#8220;representam o sangue e a \u00e1gua&#8221;. Se o sangue evoca o sacrif\u00edcio da cruz e o dom eucar\u00edstico, a \u00e1gua &#8211; explicou Jo\u00e3o Paulo II durante a capela papal para a canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Faustina &#8211; lembra n\u00e3o apenas o batismo, mas tamb\u00e9m o dom do Esp\u00edrito Santo&#8221;. A miseric\u00f3rdia \u00e9 a face de Deus No Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia de 2008, Bento XVI enfatizou, antes da ora\u00e7\u00e3o mariana do Regina Caeli, que a miseric\u00f3rdia \u00e9 o n\u00facleo da mensagem do Evangelho. &#8220;\u00c9 a face com a qual Deus se revelou na Antiga Alian\u00e7a e plenamente em Jesus Cristo, a encarna\u00e7\u00e3o do Amor criador e redentor&#8221;. Este amor de miseric\u00f3rdia ilumina tamb\u00e9m o rosto da Igreja, e manifesta-se quer mediante os Sacramentos, em particular o da Reconcilia\u00e7\u00e3o, quer com as obras de caridade, comunit\u00e1rias e individuais. Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a miseric\u00f3rdia que Deus sente pelo homem, portanto, por n\u00f3s. Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem tra\u00eddo, f\u00e1-lo sempre estimulada por amor misericordioso, para que os homens tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia (cf. Jo 10, 10). Da miseric\u00f3rdia divina, que pacifica o cora\u00e7\u00e3o, brota depois a paz aut\u00eantica no mundo, a paz entre os povos, culturas e religi\u00f5es diversas. Assim como a Irm\u00e3 Faustina, o Papa Jo\u00e3o Paulo II tamb\u00e9m foi um ap\u00f3stolo da Divina Miseric\u00f3rdia. Na noite de 2 de abril de 2005, quando ele voltou para a casa do Pai, era a v\u00e9spera do segundo domingo de P\u00e1scoa. Ser misericordioso \u00e9 encontrar Jesus As chagas de Jesus n\u00e3o s\u00e3o chagas distantes, confinadas a uma \u00e9poca remota da hist\u00f3ria humana. O Papa Francisco, em 2022, durante a Missa da Divina Miseric\u00f3rdia, exorta a cuidar das feridas de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s que est\u00e3o passando por momentos dif\u00edceis. A miseric\u00f3rdia de Deus, acrescenta o Pont\u00edfice, nos coloca &#8220;frequentemente em contato com os sofrimentos do nosso pr\u00f3ximo&#8221;. Julg\u00e1vamos estar no \u00e1pice do sofrimento, no auge duma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, mas descobrimos aqui a exist\u00eancia de algu\u00e9m que, permanecendo em sil\u00eancio, est\u00e1 passando por momentos, por per\u00edodos piores. E, se cuidarmos das chagas do pr\u00f3ximo e nelas derramarmos miseric\u00f3rdia, renasce em n\u00f3s uma nova esperan\u00e7a que consola no cansa\u00e7o. Ent\u00e3o, perguntemo-nos se, nos \u00faltimos tempos, tocamos as chagas de algu\u00e9m que sofre no corpo ou no esp\u00edrito; se levamos paz a um corpo ferido ou a um esp\u00edrito atribulado; se passamos algum tempo ouvindo, acompanhando, consolando. Quando fazemos isso, encontramos Jesus que, com os olhos de quem \u00e9 provado pela vida, nos contempla com miseric\u00f3rdia e diz: \u00abA paz esteja convosco!\u00bb Na incredulidade de S\u00e3o Tom\u00e9, que quer ver as feridas do Senhor, est\u00e1 a hist\u00f3ria de todo fiel: &#8220;H\u00e1 momentos dif\u00edceis, nos quais a vida parece desmentir a f\u00e9, nos quais entramos em crise e precisamos tocar e ver. Mas, como Tom\u00e9, \u00e9 precisamente aqui que descobrimos o cora\u00e7\u00e3o do Senhor, a sua miseric\u00f3rdia&#8221;. Em 2015, abrindo o Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, Francisco aponta para uma diretriz capaz de promover um aut\u00eantico discernimento: &#8220;Devemos antepor a miseric\u00f3rdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus ser\u00e1 sempre feito \u00e0 luz da sua miseric\u00f3rdia&#8221;. 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