{"id":28648,"date":"2024-04-09T09:32:12","date_gmt":"2024-04-09T09:32:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=28648"},"modified":"2024-04-09T09:32:12","modified_gmt":"2024-04-09T09:32:12","slug":"o-elenco-das-graves-violacoes-da-dignidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/o-elenco-das-graves-violacoes-da-dignidade-humana\/","title":{"rendered":"O elenco das \u201cgraves viola\u00e7\u00f5es\u201d da dignidade humana"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O documento do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9 \u201cDignitas infinita\u201d exigiu cinco anos de trabalho e inclui o magist\u00e9rio papal da \u00faltima d\u00e9cada: da guerra \u00e0 pobreza, da viol\u00eancia contra os migrantes \u00e0quela contra as mulheres, do aborto \u00e0 maternidade sub-rogada e \u00e0 eutan\u00e1sia, da teoria do g\u00eanero \u00e0 viol\u00eancia digital<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p data-sider-select-id=\"4a8a4533-dba7-4f29-b5af-672b745aa359\">Tr\u00eas cap\u00edtulos oferecem os fundamentos para as afirma\u00e7\u00f5es contidas no quarto, dedicado a \u201calgumas graves viola\u00e7\u00f5es da dignidade humana\u201d: \u00e9 a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/documents\/rc_ddf_doc_20240402_dignitas-infinita_po.html\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener\">declara\u00e7\u00e3o \u201cDignitas infinita\u201d do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9<\/a>, um documento que faz mem\u00f3ria dos 75 anos da Declara\u00e7\u00e3o universal dos direitos do homem e reafirma \u00aba imprescindibilidade do conceito de dignidade da pessoa humana ao interno da antropologia crist\u00e3\u00bb (Introdu\u00e7\u00e3o). A principal novidade do documento, fruto de um trabalho que durou cinco anos, \u00e9 a inclus\u00e3o de alguns temas principais do recente magist\u00e9rio pontif\u00edcio que acompanham aqueles bio\u00e9ticos. No elenco \u201cn\u00e3o exaustivo\u201d que \u00e9 oferecido, entre as viola\u00e7\u00f5es da dignidade humana, ao lado do aborto, da eutan\u00e1sia e da maternidade sub-rogada, aparecem a guerra, o drama da pobreza e dos migrantes, o tr\u00e1fico de seres humanos. O novo texto contribui assim para superar a dicotomia existente entre quem se concentra de modo exclusivo na defesa da vida do nascituro ou do moribundo, esquecendo muitos outros atentados contra a dignidade humana e, vice-versa, quem se concentra somente na defesa dos pobres e dos migrantes, esquecendo que a vida deve ser defendida desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a sua natural conclus\u00e3o.<\/p>\n<h2 data-sider-select-id=\"3c201031-db0c-4861-8c2c-b1573716eb5d\">Princ\u00edpios fundamentais<\/h2>\n<p>Nas primeiras tr\u00eas partes da declara\u00e7\u00e3o, s\u00e3o evocados os princ\u00edpios fundamentais. \u00abA Igreja, \u00e0 luz da Revela\u00e7\u00e3o, reafirma de modo absoluto\u00bb a \u00abdignidade ontol\u00f3gica da pessoa humana, criada \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus e redimida em Cristo Jesus\u00bb (1). Uma \u00abdignidade inalien\u00e1vel\u00bb que corresponde \u00ab\u00e0 natureza humana, para al\u00e9m de qualquer mudan\u00e7a cultural (6) e \u00e9 \u00abum dom recebido\u00bb e, portanto, est\u00e1 presente \u00abpor exemplo, em uma crian\u00e7a ainda n\u00e3o nascida, em uma pessoa em estado de inconsci\u00eancia, em um idoso em agonia\u00bb (9). \u00abA Igreja proclama a igual dignidade de todos os seres humanos, independentemente da sua condi\u00e7\u00e3o de vida ou das suas qualidades\u00bb (17) e o faz com base na revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica: mulheres e homens s\u00e3o criados \u00e0 imagem de Deus; Cristo, encarnando-se \u00abconfirmou a dignidade do corpo e da alma\u00bb (19), e ressuscitando nos revelou que \u00abo aspecto mais sublime da dignidade do homem consiste na sua voca\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o com Deus\u00bb (20).<\/p>\n<h2 data-sider-select-id=\"ee49965b-3e35-4c9b-9c16-d52ded07b620\">Dignidade de cada pessoa<\/h2>\n<p>O documento evidencia o equ\u00edvoco representado pela posi\u00e7\u00e3o daqueles que \u00e0 express\u00e3o \u201cdignidade humana\u201d preferem \u201cdignidade pessoal\u201d, \u00abporque entendem como pessoa somente \u201cum ser capaz de raciocinar\u201d\u00bb. Consequentemente, afirmam que \u00abn\u00e3o teria dignidade pessoal a crian\u00e7a ainda n\u00e3o-nascida, nem o idoso n\u00e3o autossuficiente, nem o portador de defici\u00eancia mental. A Igreja, ao contr\u00e1rio, insiste no fato que a dignidade de cada pessoa humana, porque \u00e9 intr\u00ednseca, permanece para al\u00e9m de toda circunst\u00e2ncia\u00bb (24). Al\u00e9m disso, se afirma \u00abo conceito de dignidade humana foi \u00e0s vezes usado de modo abusivo tamb\u00e9m para justificar uma multiplica\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria de novos direitos&#8230; como se fosse devido garantir a express\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o de toda prefer\u00eancia individual ou desejo subjetivo\u00bb (25).<\/p>\n<h2 data-sider-select-id=\"8d043af2-1126-4630-90cc-894e734f7ddc\">O elenco das viola\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o apresenta ent\u00e3o o elenco de \u201calgumas graves viola\u00e7\u00f5es da dignidade humana\u201d, ou seja \u00abtudo aquilo que \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 vida mesma, como toda esp\u00e9cie de homic\u00eddio, o genoc\u00eddio, o aborto, a eutan\u00e1sia e o suic\u00eddio volunt\u00e1rio\u00bb; mas tamb\u00e9m tudo aquilo que viola a integridade da pessoa humana, como as mutila\u00e7\u00f5es, as torturas infligidas ao corpo e \u00e0 mente, as constri\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas\u00bb. Enfim, \u00abtudo aquilo que ofende a dignidade humana, como as condi\u00e7\u00f5es de vida sub-humana, os encarceramentos arbitr\u00e1rios, as deporta\u00e7\u00f5es, a escravid\u00e3o, a prostitui\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio de mulheres e de jovens, ou ainda as ignominiosas condi\u00e7\u00f5es de trabalho com as quais os trabalhadores s\u00e3o tratados como simples instrumentos de lucro e n\u00e3o como pessoas livres e respons\u00e1veis\u00bb. Cita-se tamb\u00e9m a pena de morte, que \u00abviola a dignidade inalien\u00e1vel de toda pessoa humana para al\u00e9m de toda circunst\u00e2ncia\u00bb (34).<\/p>\n<h2 data-sider-select-id=\"d64cc027-b937-4ea4-9363-1260b9c88e9e\">Pobreza, guerra e tr\u00e1fico de pessoas<\/h2>\n<p>Antes de tudo, se fala do \u00abdrama da pobreza\u00bb, \u00abuma das maiores injusti\u00e7as do mundo contempor\u00e2neo\u00bb (36). Depois est\u00e1 a guerra, \u00abtrag\u00e9dia que nega a dignidade humana\u00bb e \u00ab\u00e9 sempre uma \u201cderrota da humanidade&#8221;\u00bb (38), a ponto de hoje ser \u00abmuito dif\u00edcil sustentar os crit\u00e9rios racionais maturados em outros s\u00e9culos para falar de uma poss\u00edvel \u201cguerra justa\u201d\u00bb (39). Prossegue-se com o \u201csofrimento dos migrantes\u201d, cuja \u00abvida \u00e9 colocada em risco porque n\u00e3o t\u00eam mais os meios para formar uma fam\u00edlia, para trabalhar ou para nutrir-se\u00bb (40). O documento se det\u00e9m depois no \u201ctr\u00e1fico de pessoas\u201d, que est\u00e1 assumindo \u00abdimens\u00f5es tr\u00e1gicas\u00bb e \u00e9 definida como \u00abuma atividade indigna, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas\u00bb, convidando \u00abexploradores e clientes\u00bb a fazer um s\u00e9rio exame de consci\u00eancia (41). Do mesmo modo, se convida a lutar contra fen\u00f4menos como \u00abcom\u00e9rcio de \u00f3rg\u00e3os e tecidos humanos, explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as, trabalho escravizado, inclu\u00edda a prostitui\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico de drogas e de armas, terrorismo e crime internacional organizado\u00bb (42). Cita-se ainda \u201co abuso sexual\u201d, que deixa \u00abprofundas cicatrizes no cora\u00e7\u00e3o daquele que o sofre\u00bb: trata-se de \u00absofrimentos que podem durar toda a vida e a que nenhum arrependimento pode remediar\u00bb (43). O texto continua com a discrimina\u00e7\u00e3o das mulheres e a viol\u00eancia contra elas, citando entre essas \u00faltimas \u00aba constri\u00e7\u00e3o ao aborto, que fere seja a m\u00e3e que o filho, t\u00e3o frequente para satisfazer o ego\u00edsmo dos homens\u00bb e \u00aba pr\u00e1tica da poligamia\u00bb (45). Condena-se o \u201cfeminic\u00eddio\u201d (46).<\/p>\n<h2 data-sider-select-id=\"06bb0da5-acb6-4ab7-9367-0072581c58f4\">Aborto e Maternidade sub-rogada<\/h2>\n<p data-sider-select-id=\"670e8ba0-a3e9-4124-ae3e-dbb6219dc257\">Firme, depois, \u00e9 a condena\u00e7\u00e3o ao aborto: \u00abentre todos os delitos que o homem pode cometer contra a vida, o aborto procurado apresenta caracter\u00edsticas que o tornam particularmente grave e deplor\u00e1vel\u00bb e se recorda que a \u00abdefesa da vida nascente est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 defesa de qualquer direito humano\u00bb (47). Forte tamb\u00e9m \u00e9 a contrariedade \u00e0 maternidade sub-rogada, \u00abatrav\u00e9s da qual a crian\u00e7a, imensamente digna, torna-se mero objeto\u00bb, uma pr\u00e1tica \u00abque lesa gravemente a dignidade da mulher e do filho&#8230; que se funda sobre a explora\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o de necessidade material da m\u00e3e. Uma crian\u00e7a \u00e9 sempre um dom e nunca objeto de um contrato\u00bb. (48) Na lista s\u00e3o citados ainda a eutan\u00e1sia e o suic\u00eddio assistido, confusamente definidos por algumas leis como \u00abmorte digna\u00bb, recordando que o \u00abo sofrimento n\u00e3o faz perder ao doente aquela dignidade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria de modo intr\u00ednseco e inalien\u00e1vel\u00bb (51). Fala-se, portanto, da import\u00e2ncia dos cuidados paliativos e para evitar \u00abtoda obsess\u00e3o terap\u00eautica ou interven\u00e7\u00f5es desproporcionais\u00bb, reiterando que \u00aba vida \u00e9 um direito, n\u00e3o a morte, a qual precisa ser acolhida, n\u00e3o aplicada\u00bb (52). Entre as graves viola\u00e7\u00f5es da dignidade humana, encontra lugar tamb\u00e9m o \u201cdescarte\u201d das pessoas com defici\u00eancia (53).<\/p>\n<h2 data-sider-select-id=\"f68c20a8-2f87-44df-b0c8-c14ce527d013\">Teoria de g\u00eanero<\/h2>\n<p>Depois de reiterar que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas homossexuais deve ser evitada \u00ab\u201ctoda marca de injusta discrimina\u00e7\u00e3o\u201d e particularmente toda forma de agress\u00e3o e viol\u00eancia\u00bb, denunciando \u00abcomo contr\u00e1rio \u00e0 dignidade humana\u00bb o fato de que em alguns lugares pessoas \u00abs\u00e3o encarceradas, torturadas e at\u00e9 mesmo privadas da vida unicamente pela sua orienta\u00e7\u00e3o sexual.\u00bb\u00a0(55), o documento critica a teoria de g\u00eanero, \u00abque \u00e9 perigos\u00edssima porque cancela as diferen\u00e7as na pretens\u00e3o de tornar todos iguais\u00bb (56). A Igreja recorda que \u00aba vida humana, em todos os seus componentes, f\u00edsicos e espirituais, \u00e9 um dom de Deus, que se deve acolher com gratid\u00e3o e colocar a servi\u00e7o do bem. Querer dispor de si, como prescreve a teoria de g\u00eanero&#8230; n\u00e3o significa outra coisa sen\u00e3o ceder \u00e0 antiqu\u00edssima tenta\u00e7\u00e3o do homem que se faz Deus\u00bb (57). A teoria do g\u00eanero quer \u00abnegar a maior das diferen\u00e7as poss\u00edveis entre os seres viventes: a diferen\u00e7a sexual\u00bb (58). Portanto, \u00abdevem-se rejeitar todas aquelas tentativas de obscurecer a refer\u00eancia \u00e0 insuprim\u00edvel diferen\u00e7a sexual entre homem e mulher\u00bb (59). Negativo tamb\u00e9m o ju\u00edzo sobre a mudan\u00e7a de sexo, que \u00abarrisca a amea\u00e7ar a dignidade \u00fanica que a pessoa recebeu desde o momento da concep\u00e7\u00e3o. Isto n\u00e3o significa excluir a possibilidade que uma pessoa portadora de anomalias dos genitais, j\u00e1 evidentes desde o nascimento ou que se manifestem sucessivamente, possa decidir-se por receber assist\u00eancia m\u00e9dica com o fim de resolver tais anomalias\u00bb (60).<\/p>\n<h2 data-sider-select-id=\"750d2456-91bc-4f26-bc00-8bfe01aab16a\">Viol\u00eancia digital<\/h2>\n<p>O elenco se completa com a \u201cviol\u00eancia digital\u201d, e cita as \u00abnovas formas de viol\u00eancia se difundem atrav\u00e9s das redes sociais, por exemplo o cyberbullying\u00bb e a \u00abdifus\u00e3o da pornografia e de explora\u00e7\u00e3o das pessoas para fins sexuais ou atrav\u00e9s dos jogos de azar\u00bb na rede (61). A declara\u00e7\u00e3o se encerra exortando \u00aba colocar o respeito pela dignidade da pessoa humana, para al\u00e9m de toda circunst\u00e2ncia, ao centro dos esfor\u00e7os pelo bem comum e de todo ordenamento jur\u00eddico\u00bb (64).<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Vatican News)<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O documento do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9 \u201cDignitas infinita\u201d exigiu cinco anos de trabalho e inclui o magist\u00e9rio papal da \u00faltima d\u00e9cada: da guerra \u00e0 pobreza, da viol\u00eancia contra os migrantes \u00e0quela contra as mulheres, do aborto \u00e0 maternidade sub-rogada e \u00e0 eutan\u00e1sia, da teoria do g\u00eanero \u00e0 viol\u00eancia digital Tr\u00eas cap\u00edtulos oferecem os fundamentos para as afirma\u00e7\u00f5es contidas no quarto, dedicado a \u201calgumas graves viola\u00e7\u00f5es da dignidade humana\u201d: \u00e9 a\u00a0declara\u00e7\u00e3o \u201cDignitas infinita\u201d do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9, um documento que faz mem\u00f3ria dos 75 anos da Declara\u00e7\u00e3o universal dos direitos do homem e reafirma \u00aba imprescindibilidade do conceito de dignidade da pessoa humana ao interno da antropologia crist\u00e3\u00bb (Introdu\u00e7\u00e3o). A principal novidade do documento, fruto de um trabalho que durou cinco anos, \u00e9 a inclus\u00e3o de alguns temas principais do recente magist\u00e9rio pontif\u00edcio que acompanham aqueles bio\u00e9ticos. No elenco \u201cn\u00e3o exaustivo\u201d que \u00e9 oferecido, entre as viola\u00e7\u00f5es da dignidade humana, ao lado do aborto, da eutan\u00e1sia e da maternidade sub-rogada, aparecem a guerra, o drama da pobreza e dos migrantes, o tr\u00e1fico de seres humanos. O novo texto contribui assim para superar a dicotomia existente entre quem se concentra de modo exclusivo na defesa da vida do nascituro ou do moribundo, esquecendo muitos outros atentados contra a dignidade humana e, vice-versa, quem se concentra somente na defesa dos pobres e dos migrantes, esquecendo que a vida deve ser defendida desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a sua natural conclus\u00e3o. Princ\u00edpios fundamentais Nas primeiras tr\u00eas partes da declara\u00e7\u00e3o, s\u00e3o evocados os princ\u00edpios fundamentais. \u00abA Igreja, \u00e0 luz da Revela\u00e7\u00e3o, reafirma de modo absoluto\u00bb a \u00abdignidade ontol\u00f3gica da pessoa humana, criada \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus e redimida em Cristo Jesus\u00bb (1). Uma \u00abdignidade inalien\u00e1vel\u00bb que corresponde \u00ab\u00e0 natureza humana, para al\u00e9m de qualquer mudan\u00e7a cultural (6) e \u00e9 \u00abum dom recebido\u00bb e, portanto, est\u00e1 presente \u00abpor exemplo, em uma crian\u00e7a ainda n\u00e3o nascida, em uma pessoa em estado de inconsci\u00eancia, em um idoso em agonia\u00bb (9). \u00abA Igreja proclama a igual dignidade de todos os seres humanos, independentemente da sua condi\u00e7\u00e3o de vida ou das suas qualidades\u00bb (17) e o faz com base na revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica: mulheres e homens s\u00e3o criados \u00e0 imagem de Deus; Cristo, encarnando-se \u00abconfirmou a dignidade do corpo e da alma\u00bb (19), e ressuscitando nos revelou que \u00abo aspecto mais sublime da dignidade do homem consiste na sua voca\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o com Deus\u00bb (20). Dignidade de cada pessoa O documento evidencia o equ\u00edvoco representado pela posi\u00e7\u00e3o daqueles que \u00e0 express\u00e3o \u201cdignidade humana\u201d preferem \u201cdignidade pessoal\u201d, \u00abporque entendem como pessoa somente \u201cum ser capaz de raciocinar\u201d\u00bb. Consequentemente, afirmam que \u00abn\u00e3o teria dignidade pessoal a crian\u00e7a ainda n\u00e3o-nascida, nem o idoso n\u00e3o autossuficiente, nem o portador de defici\u00eancia mental. A Igreja, ao contr\u00e1rio, insiste no fato que a dignidade de cada pessoa humana, porque \u00e9 intr\u00ednseca, permanece para al\u00e9m de toda circunst\u00e2ncia\u00bb (24). Al\u00e9m disso, se afirma \u00abo conceito de dignidade humana foi \u00e0s vezes usado de modo abusivo tamb\u00e9m para justificar uma multiplica\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria de novos direitos&#8230; como se fosse devido garantir a express\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o de toda prefer\u00eancia individual ou desejo subjetivo\u00bb (25). O elenco das viola\u00e7\u00f5es A declara\u00e7\u00e3o apresenta ent\u00e3o o elenco de \u201calgumas graves viola\u00e7\u00f5es da dignidade humana\u201d, ou seja \u00abtudo aquilo que \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 vida mesma, como toda esp\u00e9cie de homic\u00eddio, o genoc\u00eddio, o aborto, a eutan\u00e1sia e o suic\u00eddio volunt\u00e1rio\u00bb; mas tamb\u00e9m tudo aquilo que viola a integridade da pessoa humana, como as mutila\u00e7\u00f5es, as torturas infligidas ao corpo e \u00e0 mente, as constri\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas\u00bb. Enfim, \u00abtudo aquilo que ofende a dignidade humana, como as condi\u00e7\u00f5es de vida sub-humana, os encarceramentos arbitr\u00e1rios, as deporta\u00e7\u00f5es, a escravid\u00e3o, a prostitui\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio de mulheres e de jovens, ou ainda as ignominiosas condi\u00e7\u00f5es de trabalho com as quais os trabalhadores s\u00e3o tratados como simples instrumentos de lucro e n\u00e3o como pessoas livres e respons\u00e1veis\u00bb. Cita-se tamb\u00e9m a pena de morte, que \u00abviola a dignidade inalien\u00e1vel de toda pessoa humana para al\u00e9m de toda circunst\u00e2ncia\u00bb (34). Pobreza, guerra e tr\u00e1fico de pessoas Antes de tudo, se fala do \u00abdrama da pobreza\u00bb, \u00abuma das maiores injusti\u00e7as do mundo contempor\u00e2neo\u00bb (36). Depois est\u00e1 a guerra, \u00abtrag\u00e9dia que nega a dignidade humana\u00bb e \u00ab\u00e9 sempre uma \u201cderrota da humanidade&#8221;\u00bb (38), a ponto de hoje ser \u00abmuito dif\u00edcil sustentar os crit\u00e9rios racionais maturados em outros s\u00e9culos para falar de uma poss\u00edvel \u201cguerra justa\u201d\u00bb (39). Prossegue-se com o \u201csofrimento dos migrantes\u201d, cuja \u00abvida \u00e9 colocada em risco porque n\u00e3o t\u00eam mais os meios para formar uma fam\u00edlia, para trabalhar ou para nutrir-se\u00bb (40). O documento se det\u00e9m depois no \u201ctr\u00e1fico de pessoas\u201d, que est\u00e1 assumindo \u00abdimens\u00f5es tr\u00e1gicas\u00bb e \u00e9 definida como \u00abuma atividade indigna, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas\u00bb, convidando \u00abexploradores e clientes\u00bb a fazer um s\u00e9rio exame de consci\u00eancia (41). Do mesmo modo, se convida a lutar contra fen\u00f4menos como \u00abcom\u00e9rcio de \u00f3rg\u00e3os e tecidos humanos, explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as, trabalho escravizado, inclu\u00edda a prostitui\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico de drogas e de armas, terrorismo e crime internacional organizado\u00bb (42). Cita-se ainda \u201co abuso sexual\u201d, que deixa \u00abprofundas cicatrizes no cora\u00e7\u00e3o daquele que o sofre\u00bb: trata-se de \u00absofrimentos que podem durar toda a vida e a que nenhum arrependimento pode remediar\u00bb (43). O texto continua com a discrimina\u00e7\u00e3o das mulheres e a viol\u00eancia contra elas, citando entre essas \u00faltimas \u00aba constri\u00e7\u00e3o ao aborto, que fere seja a m\u00e3e que o filho, t\u00e3o frequente para satisfazer o ego\u00edsmo dos homens\u00bb e \u00aba pr\u00e1tica da poligamia\u00bb (45). Condena-se o \u201cfeminic\u00eddio\u201d (46). Aborto e Maternidade sub-rogada Firme, depois, \u00e9 a condena\u00e7\u00e3o ao aborto: \u00abentre todos os delitos que o homem pode cometer contra a vida, o aborto procurado apresenta caracter\u00edsticas que o tornam particularmente grave e deplor\u00e1vel\u00bb e se recorda que a \u00abdefesa da vida nascente est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 defesa de qualquer direito humano\u00bb (47). Forte tamb\u00e9m \u00e9 a contrariedade \u00e0 maternidade sub-rogada, \u00abatrav\u00e9s da qual a crian\u00e7a, imensamente digna, torna-se mero objeto\u00bb, uma pr\u00e1tica \u00abque lesa gravemente a dignidade da mulher e do<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":28649,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28648","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28648"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28648\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}