{"id":28959,"date":"2024-06-25T09:39:10","date_gmt":"2024-06-25T09:39:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=28959"},"modified":"2024-06-25T09:39:10","modified_gmt":"2024-06-25T09:39:10","slug":"sinodo-temos-de-passar-do-eu-isolado-a-um-nos-comunitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/sinodo-temos-de-passar-do-eu-isolado-a-um-nos-comunitario\/","title":{"rendered":"S\u00ednodo: \u201ctemos de passar do eu isolado a um n\u00f3s comunit\u00e1rio\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O padre S\u00e9rgio Leal, habitual colaborador de Voz Portucalense, esteve na Assembleia Mundial \u201cP\u00e1rocos pelo S\u00ednodo\u201d que decorreu em Roma de 29 de abril a 2 de maio sobre o tema \u201cComo ser uma Igreja local sinodal em miss\u00e3o?\u201d. O sacerdote portugu\u00eas participou neste evento como p\u00e1roco de Anta e Guetim na nossa diocese do Porto.<\/p>\n<p><strong>Escutar o outro, ser escutado e escutar o Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/p>\n<p>No seguimento das reflex\u00f5es que tem vindo a partilhar em \u201cVoz Portucalense\u201d, o padre S\u00e9rgio Leal sublinha a import\u00e2ncia do m\u00e9todo da \u201cconversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito\u201d utilizado no S\u00ednodo e o seu potencial \u201cpara a proje\u00e7\u00e3o pastoral de um plano pastoral diocesano ou paroquial\u201d. \u201cPermite escutar o outro, ser escutado e sobretudo escutar o Esp\u00edrito Santo\u201d, declara.<\/p>\n<p>Assinala que na assembleia \u201cP\u00e1rocos pelo S\u00ednodo\u201d alguns sacerdotes referiram as suas preocupa\u00e7\u00f5es com as muitas resist\u00eancias que v\u00e3o sentir na aplica\u00e7\u00e3o do caminho da sinodalidade nos seus pa\u00edses e comunidades. Mas \u00e9 importante estarmos \u201ctodos sintonizados com este caminho da sinodalidade\u201d, diz o padre S\u00e9rgio Leal.<\/p>\n<p>\u201cTemos que estar todos sintonizados com este caminho da sinodalidade. Um dos padres do meu grupo, uma das coisas que partilhava na avalia\u00e7\u00e3o final era: \u2018isto foi tudo muito belo, foi tudo t\u00e3o importante, percebemos que este \u00e9 o caminho para a Igreja, mas como \u00e9 que podemos levar isto? Eu, na assembleia do clero que vou ter daqui a pouco tempo, se l\u00e1 quiser falar sobre isto encontrarei muitas resist\u00eancias\u2019. Encontraremos sempre resist\u00eancias \u00e0 sinodalidade, mas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o olhar para ela como o estilo que o Senhor nos pede que abracemos hoje. At\u00e9 porque a sinodalidade \u00e9 o \u00fanico modo de ser Igreja, caminhando em conjunto na variedade dos dons, carismas e servi\u00e7os. E \u00e9 a isto que se chama sinodalidade. Sinodalidade significa dizer Igreja, sinodalidade significa uma Igreja que procura ser fiel \u00e0 vontade de Deus, respondendo aos desafios de cada tempo. Este processo de conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito \u00e9 um processo fundamental, at\u00e9 para a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos numa comunidade, para a proje\u00e7\u00e3o pastoral de um plano pastoral diocesano ou paroquial, porque nos permite escutar o outro, ser escutado e sobretudo escutar o Esp\u00edrito Santo no meio de tudo isto. Na metodologia sinodal encontramos em cada grupo o chamado facilitador ou facilitadora, no nosso caso era uma religiosa. E o seu papel era ajudar-nos a ser fi\u00e9is \u00e0 metodologia que nos tinha sido pedida, conduzir os trabalhos, mas com a toda a liberdade de irmos onde os Esp\u00edrito nos levasse\u201d, salienta.<\/p>\n<p><strong>P\u00e1roco que preside sozinho, caminhar\u00e1 sozinho<\/strong><\/p>\n<p>Para o sacerdote, se um p\u00e1roco preside sozinho a uma comunidade, n\u00e3o promovendo um discernimento comunit\u00e1rio com os paroquianos, corre o risco de ficar a caminhar sozinho.<\/p>\n<p>\u201cO p\u00e1roco tem a miss\u00e3o de presidir \u00e0 comunidade e \u00e9 aquele que preside em nome de Cristo, cabe\u00e7a e pastor, mas se preside sozinho caminhar\u00e1 sozinho e n\u00e3o existe par\u00f3quia. O p\u00e1roco preside na comunh\u00e3o daqueles que lhe est\u00e3o confiados e n\u00e3o preside de modo autorreferencial. Ele n\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio e fim de todas as coisas. O princ\u00edpio e fim de todas as coisas \u00e9 Nosso Senhor e tudo o resto se coloca ao servi\u00e7o d\u2019Ele. A miss\u00e3o do p\u00e1roco de presidir \u00e0 comunidade \u00e9 fundamental, mas preside neste discernimento comunit\u00e1rio. E por isso h\u00e1 aqui uma convers\u00e3o pastoral que \u00e9 fundamental para as par\u00f3quias, porque o processo sinodal s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel numa l\u00f3gica de fraternidade e de comunh\u00e3o. E isso exige muita convers\u00e3o pessoal. Porque somos humanos e temos limita\u00e7\u00f5es. Porque achamos que a nossa opini\u00e3o \u00e9 sempre a melhor. E por outro lado, h\u00e1 uma convers\u00e3o pessoal e pastoral a este novo modo de ser Igreja, que n\u00e3o \u00e9 novo, \u00e9 o modo de sempre, \u00e9 o modo do Evangelho. A Igreja dos Atos dos Ap\u00f3stolos que escutamos ao longo do Tempo Pascal: uma Igreja que em comunh\u00e3o procura encontrar os caminhos do Esp\u00edrito. \u00c9 este o caminho sinodal. Temos de passar do eu isolado a um n\u00f3s comunit\u00e1rio. E \u00e9 este n\u00f3s comunit\u00e1rio, iluminado e guiado pelo Esp\u00edrito, que transforma a par\u00f3quia num verdadeiro lugar de exerc\u00edcio sinodal. Isto passa por uma convers\u00e3o do minist\u00e9rio ordenado e das comunidades, para que se estabele\u00e7am como tal, como comunidades. Porque se o padre vive em modo isolado da comunidade e decide tudo de modo aut\u00f3nomo e independente da comunidade ficar\u00e1 sozinho na concretiza\u00e7\u00e3o de um plano pastoral. Envolver as pessoas, envolver os leigos na constru\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o paroquial e pastoral significa em primeiro lugar reconhecer o seu batismo e que s\u00e3o imprescind\u00edveis porque s\u00e3o batizados e porque possuem compet\u00eancias humanas que o p\u00e1roco n\u00e3o possui. Porque possuem compet\u00eancias sociais e relacionais que o p\u00e1roco n\u00e3o possui. Porque t\u00eam diferentes dons e um carisma diferente. E nesse sentido, valorizar esta riqueza da comunidade permite envolver a comunidade na proje\u00e7\u00e3o pastoral e por isso teremos a comunidade connosco na execu\u00e7\u00e3o desse projeto pastoral\u201d, salienta o sacerdote.<\/p>\n<p><strong>Por um processo de aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo<\/strong><\/p>\n<p>O especialista em sinodalidade, procurando lan\u00e7ar um olhar para o que deve ser feito depois da segunda sess\u00e3o da XVI Assembleia Geral do S\u00ednodo dos bispos, sugere que a Secretaria Geral do S\u00ednodo deveria promover um processo de aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo.<\/p>\n<p>\u201cO pior que nos podia acontecer era que terminada a assembleia sinodal (em Roma) fazer-se a exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal e ser de modo livre a aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo. A Secretaria Geral do S\u00ednodo deveria promover um processo de aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo. Isto \u00e9, assim como houve uma fase de escuta inicial onde se envolveu todas as igrejas locais e as comunidades, deveria haver um momento posterior onde volt\u00e1vamos a\u00ed. E creio que o exerc\u00edcio proposto pela Secretaria Geral do S\u00ednodo deveria ser evidente: partirem da escuta que fizeram e dos desafios que foram lan\u00e7ados pela assembleia e voltar a essas comiss\u00f5es e assembleias sinodais, agora j\u00e1 n\u00e3o para fazer um novo processo de escuta, mas para aplicarmos em discernimento comunit\u00e1rio, at\u00e9 porque as comunidades foram exercitadas neste dinamismo sinodal e dizerem como \u00e9 que podemos ser Igreja sinodal em miss\u00e3o aqui na comunidade em que estamos\u201d, assinala.<\/p>\n<p>A segunda sess\u00e3o da XVI Assembleia Geral do S\u00ednodo dos bispos ter\u00e1 lugar em Roma no pr\u00f3ximo m\u00eas de outubro. (VP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O padre S\u00e9rgio Leal, habitual colaborador de Voz Portucalense, esteve na Assembleia Mundial \u201cP\u00e1rocos pelo S\u00ednodo\u201d que decorreu em Roma de 29 de abril a 2 de maio sobre o tema \u201cComo ser uma Igreja local sinodal em miss\u00e3o?\u201d. O sacerdote portugu\u00eas participou neste evento como p\u00e1roco de Anta e Guetim na nossa diocese do Porto. Escutar o outro, ser escutado e escutar o Esp\u00edrito Santo No seguimento das reflex\u00f5es que tem vindo a partilhar em \u201cVoz Portucalense\u201d, o padre S\u00e9rgio Leal sublinha a import\u00e2ncia do m\u00e9todo da \u201cconversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito\u201d utilizado no S\u00ednodo e o seu potencial \u201cpara a proje\u00e7\u00e3o pastoral de um plano pastoral diocesano ou paroquial\u201d. \u201cPermite escutar o outro, ser escutado e sobretudo escutar o Esp\u00edrito Santo\u201d, declara. Assinala que na assembleia \u201cP\u00e1rocos pelo S\u00ednodo\u201d alguns sacerdotes referiram as suas preocupa\u00e7\u00f5es com as muitas resist\u00eancias que v\u00e3o sentir na aplica\u00e7\u00e3o do caminho da sinodalidade nos seus pa\u00edses e comunidades. Mas \u00e9 importante estarmos \u201ctodos sintonizados com este caminho da sinodalidade\u201d, diz o padre S\u00e9rgio Leal. \u201cTemos que estar todos sintonizados com este caminho da sinodalidade. Um dos padres do meu grupo, uma das coisas que partilhava na avalia\u00e7\u00e3o final era: \u2018isto foi tudo muito belo, foi tudo t\u00e3o importante, percebemos que este \u00e9 o caminho para a Igreja, mas como \u00e9 que podemos levar isto? Eu, na assembleia do clero que vou ter daqui a pouco tempo, se l\u00e1 quiser falar sobre isto encontrarei muitas resist\u00eancias\u2019. Encontraremos sempre resist\u00eancias \u00e0 sinodalidade, mas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o olhar para ela como o estilo que o Senhor nos pede que abracemos hoje. At\u00e9 porque a sinodalidade \u00e9 o \u00fanico modo de ser Igreja, caminhando em conjunto na variedade dos dons, carismas e servi\u00e7os. E \u00e9 a isto que se chama sinodalidade. Sinodalidade significa dizer Igreja, sinodalidade significa uma Igreja que procura ser fiel \u00e0 vontade de Deus, respondendo aos desafios de cada tempo. Este processo de conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito \u00e9 um processo fundamental, at\u00e9 para a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos numa comunidade, para a proje\u00e7\u00e3o pastoral de um plano pastoral diocesano ou paroquial, porque nos permite escutar o outro, ser escutado e sobretudo escutar o Esp\u00edrito Santo no meio de tudo isto. Na metodologia sinodal encontramos em cada grupo o chamado facilitador ou facilitadora, no nosso caso era uma religiosa. E o seu papel era ajudar-nos a ser fi\u00e9is \u00e0 metodologia que nos tinha sido pedida, conduzir os trabalhos, mas com a toda a liberdade de irmos onde os Esp\u00edrito nos levasse\u201d, salienta. P\u00e1roco que preside sozinho, caminhar\u00e1 sozinho Para o sacerdote, se um p\u00e1roco preside sozinho a uma comunidade, n\u00e3o promovendo um discernimento comunit\u00e1rio com os paroquianos, corre o risco de ficar a caminhar sozinho. \u201cO p\u00e1roco tem a miss\u00e3o de presidir \u00e0 comunidade e \u00e9 aquele que preside em nome de Cristo, cabe\u00e7a e pastor, mas se preside sozinho caminhar\u00e1 sozinho e n\u00e3o existe par\u00f3quia. O p\u00e1roco preside na comunh\u00e3o daqueles que lhe est\u00e3o confiados e n\u00e3o preside de modo autorreferencial. Ele n\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio e fim de todas as coisas. O princ\u00edpio e fim de todas as coisas \u00e9 Nosso Senhor e tudo o resto se coloca ao servi\u00e7o d\u2019Ele. A miss\u00e3o do p\u00e1roco de presidir \u00e0 comunidade \u00e9 fundamental, mas preside neste discernimento comunit\u00e1rio. E por isso h\u00e1 aqui uma convers\u00e3o pastoral que \u00e9 fundamental para as par\u00f3quias, porque o processo sinodal s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel numa l\u00f3gica de fraternidade e de comunh\u00e3o. E isso exige muita convers\u00e3o pessoal. Porque somos humanos e temos limita\u00e7\u00f5es. Porque achamos que a nossa opini\u00e3o \u00e9 sempre a melhor. E por outro lado, h\u00e1 uma convers\u00e3o pessoal e pastoral a este novo modo de ser Igreja, que n\u00e3o \u00e9 novo, \u00e9 o modo de sempre, \u00e9 o modo do Evangelho. A Igreja dos Atos dos Ap\u00f3stolos que escutamos ao longo do Tempo Pascal: uma Igreja que em comunh\u00e3o procura encontrar os caminhos do Esp\u00edrito. \u00c9 este o caminho sinodal. Temos de passar do eu isolado a um n\u00f3s comunit\u00e1rio. E \u00e9 este n\u00f3s comunit\u00e1rio, iluminado e guiado pelo Esp\u00edrito, que transforma a par\u00f3quia num verdadeiro lugar de exerc\u00edcio sinodal. Isto passa por uma convers\u00e3o do minist\u00e9rio ordenado e das comunidades, para que se estabele\u00e7am como tal, como comunidades. Porque se o padre vive em modo isolado da comunidade e decide tudo de modo aut\u00f3nomo e independente da comunidade ficar\u00e1 sozinho na concretiza\u00e7\u00e3o de um plano pastoral. Envolver as pessoas, envolver os leigos na constru\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o paroquial e pastoral significa em primeiro lugar reconhecer o seu batismo e que s\u00e3o imprescind\u00edveis porque s\u00e3o batizados e porque possuem compet\u00eancias humanas que o p\u00e1roco n\u00e3o possui. Porque possuem compet\u00eancias sociais e relacionais que o p\u00e1roco n\u00e3o possui. Porque t\u00eam diferentes dons e um carisma diferente. E nesse sentido, valorizar esta riqueza da comunidade permite envolver a comunidade na proje\u00e7\u00e3o pastoral e por isso teremos a comunidade connosco na execu\u00e7\u00e3o desse projeto pastoral\u201d, salienta o sacerdote. Por um processo de aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo O especialista em sinodalidade, procurando lan\u00e7ar um olhar para o que deve ser feito depois da segunda sess\u00e3o da XVI Assembleia Geral do S\u00ednodo dos bispos, sugere que a Secretaria Geral do S\u00ednodo deveria promover um processo de aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo. \u201cO pior que nos podia acontecer era que terminada a assembleia sinodal (em Roma) fazer-se a exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal e ser de modo livre a aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo. A Secretaria Geral do S\u00ednodo deveria promover um processo de aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo. Isto \u00e9, assim como houve uma fase de escuta inicial onde se envolveu todas as igrejas locais e as comunidades, deveria haver um momento posterior onde volt\u00e1vamos a\u00ed. 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