{"id":29047,"date":"2024-07-20T09:18:12","date_gmt":"2024-07-20T09:18:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=29047"},"modified":"2024-07-20T09:19:37","modified_gmt":"2024-07-20T09:19:37","slug":"a-indulgencia-no-catecismo-da-igreja-catolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/a-indulgencia-no-catecismo-da-igreja-catolica\/","title":{"rendered":"A \u201cIndulg\u00eancia\u201d no Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p>Desde o primeiro Jubileu da hist\u00f3ria, com Bonif\u00e1cio VIII (Bula\u00a0<em>Antiquorum habet<\/em>. 22 de fev. 1300), que o tema do perd\u00e3o e da indulg\u00eancia est\u00e1 presente na viv\u00eancia dos anos santos e das peregrina\u00e7\u00f5es \u2013 \u00abromagens\u00bb \u2013 a ele associadas. Apesar de uma hist\u00f3ria controversa, Jo\u00e3o Paulo II, no grande Jubileu de 2000, e agora Francisco, com a Bula\u00a0<em>Spes non confundit<\/em>, de 9 de maio de 2024, colocaram-se na mesma senda. Parece, pois, oportuno recordar a doutrina oficial da Igreja relativa a este tema. Propomos como guia o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>A indulg\u00eancia \u00e9 a\u00a0<strong>remiss\u00e3o perante Deus da pena temporal pelos pecados, j\u00e1 perdoados quanto \u00e0 culpa<\/strong>, que um fiel, bem disposto e cumprindo determinadas condi\u00e7\u00f5es, obt\u00e9m por meio da Igreja, a qual, como administradora da reden\u00e7\u00e3o, distribui e aplica com autoridade o tesouro das satisfa\u00e7\u00f5es de Cristo e dos santos. A indulg\u00eancia \u00e9 parcial ou plen\u00e1ria, conforme liberte em parte ou totalmente da pena temporal devida pelos pecados. Todo\u00a0<strong>o fiel pode obter para si mesmo ou aplicar pelos defuntos<\/strong>, \u00e0 maneira de sufr\u00e1gio, as indulg\u00eancias tanto parciais como plen\u00e1rias. (1471)<\/p>\n<p>Para compreender esta doutrina e esta pr\u00e1tica da Igreja \u00e9 preciso lembrar que\u00a0<strong>o pecado tem uma dupla consequ\u00eancia<\/strong>. O pecado grave priva-nos da comunh\u00e3o com Deus e, por isso, torna-nos incapazes da vida eterna. Essa priva\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u201c<strong>pena eterna<\/strong>\u201d do pecado. Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, causa danos, desordens, que precisam de purifica\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o, seja nesta vida, seja depois da morte, no estado que se chama Purgat\u00f3rio. Esta purifica\u00e7\u00e3o liberta do que se chama a \u201c<strong>pena temporal<\/strong>\u201d do pecado.\u00a0<strong>Estas duas penas\u00a0<\/strong>n\u00e3o devem ser entendidas como uma esp\u00e9cie de vingan\u00e7a, infligida exteriormente por Deus. S\u00e3o\u00a0<strong>inerentes \u00e0 pr\u00f3pria natureza do pecado<\/strong>. Uma convers\u00e3o que resulte de uma fervorosa caridade pode chegar \u00e0 total purifica\u00e7\u00e3o do pecador, de modo que nenhuma pena subsista. (1472)<\/p>\n<p>O Sacramento da Penit\u00eancia e Reconcilia\u00e7\u00e3o, restaurando a comunh\u00e3o com Deus pelo perd\u00e3o da culpa, implica a\u00a0<strong>extin\u00e7\u00e3o da pena eterna<\/strong>\u00a0do pecado. Mas nem todos os efeitos do pecado cessam com a absolvi\u00e7\u00e3o sacramental: h\u00e1 desordens, danos e perturba\u00e7\u00f5es v\u00e1rias que carecem de cura, repara\u00e7\u00e3o e satisfa\u00e7\u00e3o. Usando a linguagem tradicional:\u00a0<strong>subsistem as penas temporais<\/strong>. Por isso, antes e depois da absolvi\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio \u00abcumprir a penit\u00eancia\u00bb.\u00a0<em>O crist\u00e3o deve esfor\u00e7ar-se por aceitar como uma gra\u00e7a estas penas temporais do pecado, suportando pacientemente os sofrimentos e as prova\u00e7\u00f5es de toda a esp\u00e9cie e, chegado o dia, enfrentando serenamente a morte; deve aplicar-se, quer mediante as obras de miseric\u00f3rdia e de caridade, quer mediante a ora\u00e7\u00e3o e as diversas pr\u00e1ticas de penit\u00eancia, a despojar-se completamente do \u201chomem velho\u201d e a revestir-se do \u201chomem novo\u201d<\/em>. (1473)<\/p>\n<p><strong>O crist\u00e3o que deseja purificar-se do seu pecado e santificar-se com a ajuda da gra\u00e7a de Deus n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3<\/strong>. \u201cA vida de cada um dos filhos de Deus est\u00e1 ligada de forma admir\u00e1vel, em Cristo e por Cristo, com a vida de todos os outros irm\u00e3os crist\u00e3os, na unidade sobrenatural do Corpo m\u00edstico de Cristo, como em uma s\u00f3 pessoa m\u00edstica\u201d. (1474)\u00a0<strong>Na comunh\u00e3o dos santos, portanto, \u201cexiste entre os fi\u00e9is\u00a0<\/strong>\u2013 tanto entre os que j\u00e1 est\u00e3o na p\u00e1tria celeste, como entre os que expiam no purgat\u00f3rio ou os que ainda peregrinam na terra \u2013\u00a0<strong>um constante v\u00ednculo de amor e uma abundante permuta de todos os bens\u201d<\/strong>. Neste interc\u00e2mbio admir\u00e1vel, a santidade de um aproveita aos outros, bem mais que o dano que o pecado de um possa ter causado aos outros. Assim, o recurso \u00e0 comunh\u00e3o dos santos possibilita ao pecador contrito ser purificado mais depressa e mais eficazmente das penas do pecado. (1475)<\/p>\n<p>A estes bens espirituais da comunh\u00e3o dos santos, tamb\u00e9m chamamos\u00a0<strong>o \u201ctesouro da Igreja\u201d que n\u00e3o \u00e9 soma de bens<\/strong>, como s\u00e3o as riquezas materiais acumuladas ao longo dos s\u00e9culos,\u00a0<strong>mas o valor infinito e inesgot\u00e1vel que t\u00eam diante de Deus as expia\u00e7\u00f5es e os m\u00e9ritos de Cristo\u00a0<\/strong>nosso Senhor, oferecidos para que a humanidade ficasse liberta do pecado e chegasse \u00e0 comunh\u00e3o com o Pai. S\u00f3 em Cristo, nosso Redentor, se encontram em abund\u00e2ncia as satisfa\u00e7\u00f5es e os m\u00e9ritos da Sua reden\u00e7\u00e3o. (1476)\u00a0<strong>Pertencem igualmente a este \u201ctesouro\u201d\u00a0<\/strong>o pre\u00e7o verdadeiramente imenso, incomensur\u00e1vel e sempre novo, que t\u00eam diante de Deus\u00a0<strong>as ora\u00e7\u00f5es e as boas obras da bem-aventurada Virgem Maria e de todos os santos\u00a0<\/strong>que se santificaram pela gra\u00e7a de Cristo, seguindo os Seus passos, e realizaram uma obra agrad\u00e1vel ao Pai, de modo que, trabalhando na sua pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o,\u00a0<strong>cooperam igualmente na salva\u00e7\u00e3o dos seus irm\u00e3os\u00a0<\/strong>na unidade do Corpo m\u00edstico. (1477)<\/p>\n<p><strong>As indulg\u00eancias obt\u00eam-se pela Igreja<\/strong>\u00a0que, em virtude do poder de atar e desatar que lhe foi concedido por Cristo Jesus, interv\u00e9m em favor de um crist\u00e3o e lhe abre o tesouro dos m\u00e9ritos de Cristo e dos santos para obter do Pai da miseric\u00f3rdia a remiss\u00e3o das penas temporais devidas pelos seus pecados. Por isso, a\u00a0<strong>Igreja\u00a0<\/strong>n\u00e3o quer apenas vir em ajuda deste crist\u00e3o, mas tamb\u00e9m\u00a0<strong>incit\u00e1-lo a fazer obras de piedade, penit\u00eancia e caridade<\/strong>. (1478) Visto que\u00a0<strong>os fi\u00e9is defuntos em vias de purifica\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>s\u00e3o tamb\u00e9m membros da mesma comunh\u00e3o dos santos, podemos ajud\u00e1-los, entre outras formas, obtendo para eles indulg\u00eancias, de modo que se vejam livres das penas temporais devidas por seus pecados. (1479)<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o primeiro Jubileu da hist\u00f3ria, com Bonif\u00e1cio VIII (Bula\u00a0Antiquorum habet. 22 de fev. 1300), que o tema do perd\u00e3o e da indulg\u00eancia est\u00e1 presente na viv\u00eancia dos anos santos e das peregrina\u00e7\u00f5es \u2013 \u00abromagens\u00bb \u2013 a ele associadas. Apesar de uma hist\u00f3ria controversa, Jo\u00e3o Paulo II, no grande Jubileu de 2000, e agora Francisco, com a Bula\u00a0Spes non confundit, de 9 de maio de 2024, colocaram-se na mesma senda. Parece, pois, oportuno recordar a doutrina oficial da Igreja relativa a este tema. Propomos como guia o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica. A indulg\u00eancia \u00e9 a\u00a0remiss\u00e3o perante Deus da pena temporal pelos pecados, j\u00e1 perdoados quanto \u00e0 culpa, que um fiel, bem disposto e cumprindo determinadas condi\u00e7\u00f5es, obt\u00e9m por meio da Igreja, a qual, como administradora da reden\u00e7\u00e3o, distribui e aplica com autoridade o tesouro das satisfa\u00e7\u00f5es de Cristo e dos santos. A indulg\u00eancia \u00e9 parcial ou plen\u00e1ria, conforme liberte em parte ou totalmente da pena temporal devida pelos pecados. Todo\u00a0o fiel pode obter para si mesmo ou aplicar pelos defuntos, \u00e0 maneira de sufr\u00e1gio, as indulg\u00eancias tanto parciais como plen\u00e1rias. (1471) Para compreender esta doutrina e esta pr\u00e1tica da Igreja \u00e9 preciso lembrar que\u00a0o pecado tem uma dupla consequ\u00eancia. O pecado grave priva-nos da comunh\u00e3o com Deus e, por isso, torna-nos incapazes da vida eterna. Essa priva\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u201cpena eterna\u201d do pecado. Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, causa danos, desordens, que precisam de purifica\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o, seja nesta vida, seja depois da morte, no estado que se chama Purgat\u00f3rio. Esta purifica\u00e7\u00e3o liberta do que se chama a \u201cpena temporal\u201d do pecado.\u00a0Estas duas penas\u00a0n\u00e3o devem ser entendidas como uma esp\u00e9cie de vingan\u00e7a, infligida exteriormente por Deus. S\u00e3o\u00a0inerentes \u00e0 pr\u00f3pria natureza do pecado. Uma convers\u00e3o que resulte de uma fervorosa caridade pode chegar \u00e0 total purifica\u00e7\u00e3o do pecador, de modo que nenhuma pena subsista. (1472) O Sacramento da Penit\u00eancia e Reconcilia\u00e7\u00e3o, restaurando a comunh\u00e3o com Deus pelo perd\u00e3o da culpa, implica a\u00a0extin\u00e7\u00e3o da pena eterna\u00a0do pecado. Mas nem todos os efeitos do pecado cessam com a absolvi\u00e7\u00e3o sacramental: h\u00e1 desordens, danos e perturba\u00e7\u00f5es v\u00e1rias que carecem de cura, repara\u00e7\u00e3o e satisfa\u00e7\u00e3o. Usando a linguagem tradicional:\u00a0subsistem as penas temporais. Por isso, antes e depois da absolvi\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio \u00abcumprir a penit\u00eancia\u00bb.\u00a0O crist\u00e3o deve esfor\u00e7ar-se por aceitar como uma gra\u00e7a estas penas temporais do pecado, suportando pacientemente os sofrimentos e as prova\u00e7\u00f5es de toda a esp\u00e9cie e, chegado o dia, enfrentando serenamente a morte; deve aplicar-se, quer mediante as obras de miseric\u00f3rdia e de caridade, quer mediante a ora\u00e7\u00e3o e as diversas pr\u00e1ticas de penit\u00eancia, a despojar-se completamente do \u201chomem velho\u201d e a revestir-se do \u201chomem novo\u201d. (1473) O crist\u00e3o que deseja purificar-se do seu pecado e santificar-se com a ajuda da gra\u00e7a de Deus n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. \u201cA vida de cada um dos filhos de Deus est\u00e1 ligada de forma admir\u00e1vel, em Cristo e por Cristo, com a vida de todos os outros irm\u00e3os crist\u00e3os, na unidade sobrenatural do Corpo m\u00edstico de Cristo, como em uma s\u00f3 pessoa m\u00edstica\u201d. (1474)\u00a0Na comunh\u00e3o dos santos, portanto, \u201cexiste entre os fi\u00e9is\u00a0\u2013 tanto entre os que j\u00e1 est\u00e3o na p\u00e1tria celeste, como entre os que expiam no purgat\u00f3rio ou os que ainda peregrinam na terra \u2013\u00a0um constante v\u00ednculo de amor e uma abundante permuta de todos os bens\u201d. Neste interc\u00e2mbio admir\u00e1vel, a santidade de um aproveita aos outros, bem mais que o dano que o pecado de um possa ter causado aos outros. Assim, o recurso \u00e0 comunh\u00e3o dos santos possibilita ao pecador contrito ser purificado mais depressa e mais eficazmente das penas do pecado. (1475) A estes bens espirituais da comunh\u00e3o dos santos, tamb\u00e9m chamamos\u00a0o \u201ctesouro da Igreja\u201d que n\u00e3o \u00e9 soma de bens, como s\u00e3o as riquezas materiais acumuladas ao longo dos s\u00e9culos,\u00a0mas o valor infinito e inesgot\u00e1vel que t\u00eam diante de Deus as expia\u00e7\u00f5es e os m\u00e9ritos de Cristo\u00a0nosso Senhor, oferecidos para que a humanidade ficasse liberta do pecado e chegasse \u00e0 comunh\u00e3o com o Pai. S\u00f3 em Cristo, nosso Redentor, se encontram em abund\u00e2ncia as satisfa\u00e7\u00f5es e os m\u00e9ritos da Sua reden\u00e7\u00e3o. (1476)\u00a0Pertencem igualmente a este \u201ctesouro\u201d\u00a0o pre\u00e7o verdadeiramente imenso, incomensur\u00e1vel e sempre novo, que t\u00eam diante de Deus\u00a0as ora\u00e7\u00f5es e as boas obras da bem-aventurada Virgem Maria e de todos os santos\u00a0que se santificaram pela gra\u00e7a de Cristo, seguindo os Seus passos, e realizaram uma obra agrad\u00e1vel ao Pai, de modo que, trabalhando na sua pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o,\u00a0cooperam igualmente na salva\u00e7\u00e3o dos seus irm\u00e3os\u00a0na unidade do Corpo m\u00edstico. (1477) As indulg\u00eancias obt\u00eam-se pela Igreja\u00a0que, em virtude do poder de atar e desatar que lhe foi concedido por Cristo Jesus, interv\u00e9m em favor de um crist\u00e3o e lhe abre o tesouro dos m\u00e9ritos de Cristo e dos santos para obter do Pai da miseric\u00f3rdia a remiss\u00e3o das penas temporais devidas pelos seus pecados. Por isso, a\u00a0Igreja\u00a0n\u00e3o quer apenas vir em ajuda deste crist\u00e3o, mas tamb\u00e9m\u00a0incit\u00e1-lo a fazer obras de piedade, penit\u00eancia e caridade. (1478) Visto que\u00a0os fi\u00e9is defuntos em vias de purifica\u00e7\u00e3o\u00a0s\u00e3o tamb\u00e9m membros da mesma comunh\u00e3o dos santos, podemos ajud\u00e1-los, entre outras formas, obtendo para eles indulg\u00eancias, de modo que se vejam livres das penas temporais devidas por seus pecados. 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