{"id":29713,"date":"2024-09-12T09:55:24","date_gmt":"2024-09-12T09:55:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=29713"},"modified":"2024-09-12T09:55:24","modified_gmt":"2024-09-12T09:55:24","slug":"o-valor-da-verdadeira-comunidade-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/o-valor-da-verdadeira-comunidade-crista\/","title":{"rendered":"O valor da verdadeira comunidade crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mediante convite do Bispo de Viana, senhor D. Em\u00edlio Sumbelelo, e acompanhado do senhor P. Samuel Guedes, concedeu-me Deus a gra\u00e7a de me familiarizar mais de perto com a espiritualidade dos crist\u00e3os de Angola, na grande peregrina\u00e7\u00e3o da Mam\u00e3 Muxima, Mam\u00e3 do Cora\u00e7\u00e3o ou Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de Muxima. Foi muito enriquecedor esse contacto. Porque h\u00e1 valores e atitudes que s\u00e3o v\u00e1lidos em qualquer tempo ou contexto, gostava de assinalar:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">O esp\u00edrito de sacrif\u00edcio dos crentes que, em zona onde n\u00e3o h\u00e1 qualquer estrutura hoteleira ou com\u00e9rcio organizado, dormiram v\u00e1rios dias em tendas e comeram do pouco que levaram.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">A participa\u00e7\u00e3o nas catequeses coletivas, porventura, um dos maiores meios de evangeliza\u00e7\u00e3o de muitas dessas pessoas.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">A boa harmonia entre a dimens\u00e3o festiva da celebra\u00e7\u00e3o, por exemplo, no ofert\u00f3rio, e o enorme sil\u00eancio e concentra\u00e7\u00e3o nos outros momentos, mormente na consagra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">A aut\u00eantica partilha de bens, \u00e0 maneira da primitiva comunidade de Jerusal\u00e9m. Ao longo de mais de vinte minutos, centenas e centenas de ofertantes passaram em frente do altar, sem sequer pararem, para apresentaram o que tinham: frutas, bolachas, \u00e1guas engarrafadas, sacos de arroz, bancos ou cadeiras, sementes, objetos de decora\u00e7\u00e3o, etc., etc. Estas ofertas encheram dois grandes cami\u00f5es. Como \u00e9 belo os pobres a cuidar dos outros pobres!<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">Neste clima, compreendi melhor a alegria dos mission\u00e1rios, portugueses ou de outras nacionalidades. Entendo agora a raz\u00e3o de muitos quererem l\u00e1 permanecer para sempre.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">Chamou-me a aten\u00e7\u00e3o o respeito que o povo de Deus dedica a quem o serve: aos catequistas, sacerdotes e, obviamente, tamb\u00e9m aos bispos. N\u00e3o veem a Igreja como fornecedora de servi\u00e7os, mas como estrutura de comunh\u00e3o e de ajuda.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">Vi um clero nativo muito jovem e os semin\u00e1rios cheios. E interroguei-me: n\u00e3o ser\u00e1 este contexto de uma f\u00e9 vivida, celebrada e tornada caridade que entusiasma os jovens?<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">Muito gostaria que, em regime de completo voluntariado, os nossos seminaristas, e especialmente os Di\u00e1conos, bem como qualquer outro fiel leigo, realizassem, num destes pa\u00edses, o seu est\u00e1gio pastoral. Seria muito enriquecedor.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">Fora do contexto da peregrina\u00e7\u00e3o, apercebi-me do relevo que as Par\u00f3quias concedem \u00e0s (porventura, rudimentares) estruturas de sa\u00fade, quase sempre dirigidas por Religiosas, e \u00e0s \u201ccozinhas coletivas\u201d, semelhante \u00e0s nossas \u00abportas solid\u00e1rias\u00bb ou antiga Sopa dos Pobres. \u00c9 isto que credita a Igreja.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 14pt;\">A n\u00edvel da evangeliza\u00e7\u00e3o, aposta-se muito na r\u00e1dio. A maior e mais ouvida \u00e9 a R\u00e1dio Maria e a R\u00e1dio Ecl\u00e9sia. Mas existem muitas outras, de \u00e2mbito local. Sinal de uma \u00abIgreja em sa\u00edda\u00bb, de uma Igreja que n\u00e3o perdeu o contacto com o seu povo.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Agrade\u00e7o \u00e0s pessoas com quem contactamos os dons da simpatia e da alegria com que nos brindaram. Um agradecimento especial aos senhores D. Em\u00edlio Sumbelelo, Bispo de Viana, e a D. Filomeno Vieira Dias, Arcebispo de Luanda.<\/span><\/p>\n<p>+ Manuel, Bispo do Porto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mediante convite do Bispo de Viana, senhor D. Em\u00edlio Sumbelelo, e acompanhado do senhor P. Samuel Guedes, concedeu-me Deus a gra\u00e7a de me familiarizar mais de perto com a espiritualidade dos crist\u00e3os de Angola, na grande peregrina\u00e7\u00e3o da Mam\u00e3 Muxima, Mam\u00e3 do Cora\u00e7\u00e3o ou Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de Muxima. Foi muito enriquecedor esse contacto. Porque h\u00e1 valores e atitudes que s\u00e3o v\u00e1lidos em qualquer tempo ou contexto, gostava de assinalar: O esp\u00edrito de sacrif\u00edcio dos crentes que, em zona onde n\u00e3o h\u00e1 qualquer estrutura hoteleira ou com\u00e9rcio organizado, dormiram v\u00e1rios dias em tendas e comeram do pouco que levaram. A participa\u00e7\u00e3o nas catequeses coletivas, porventura, um dos maiores meios de evangeliza\u00e7\u00e3o de muitas dessas pessoas. A boa harmonia entre a dimens\u00e3o festiva da celebra\u00e7\u00e3o, por exemplo, no ofert\u00f3rio, e o enorme sil\u00eancio e concentra\u00e7\u00e3o nos outros momentos, mormente na consagra\u00e7\u00e3o. A aut\u00eantica partilha de bens, \u00e0 maneira da primitiva comunidade de Jerusal\u00e9m. Ao longo de mais de vinte minutos, centenas e centenas de ofertantes passaram em frente do altar, sem sequer pararem, para apresentaram o que tinham: frutas, bolachas, \u00e1guas engarrafadas, sacos de arroz, bancos ou cadeiras, sementes, objetos de decora\u00e7\u00e3o, etc., etc. Estas ofertas encheram dois grandes cami\u00f5es. Como \u00e9 belo os pobres a cuidar dos outros pobres! Neste clima, compreendi melhor a alegria dos mission\u00e1rios, portugueses ou de outras nacionalidades. Entendo agora a raz\u00e3o de muitos quererem l\u00e1 permanecer para sempre. Chamou-me a aten\u00e7\u00e3o o respeito que o povo de Deus dedica a quem o serve: aos catequistas, sacerdotes e, obviamente, tamb\u00e9m aos bispos. N\u00e3o veem a Igreja como fornecedora de servi\u00e7os, mas como estrutura de comunh\u00e3o e de ajuda. Vi um clero nativo muito jovem e os semin\u00e1rios cheios. E interroguei-me: n\u00e3o ser\u00e1 este contexto de uma f\u00e9 vivida, celebrada e tornada caridade que entusiasma os jovens? Muito gostaria que, em regime de completo voluntariado, os nossos seminaristas, e especialmente os Di\u00e1conos, bem como qualquer outro fiel leigo, realizassem, num destes pa\u00edses, o seu est\u00e1gio pastoral. Seria muito enriquecedor. Fora do contexto da peregrina\u00e7\u00e3o, apercebi-me do relevo que as Par\u00f3quias concedem \u00e0s (porventura, rudimentares) estruturas de sa\u00fade, quase sempre dirigidas por Religiosas, e \u00e0s \u201ccozinhas coletivas\u201d, semelhante \u00e0s nossas \u00abportas solid\u00e1rias\u00bb ou antiga Sopa dos Pobres. \u00c9 isto que credita a Igreja. A n\u00edvel da evangeliza\u00e7\u00e3o, aposta-se muito na r\u00e1dio. A maior e mais ouvida \u00e9 a R\u00e1dio Maria e a R\u00e1dio Ecl\u00e9sia. Mas existem muitas outras, de \u00e2mbito local. Sinal de uma \u00abIgreja em sa\u00edda\u00bb, de uma Igreja que n\u00e3o perdeu o contacto com o seu povo. Agrade\u00e7o \u00e0s pessoas com quem contactamos os dons da simpatia e da alegria com que nos brindaram. Um agradecimento especial aos senhores D. Em\u00edlio Sumbelelo, Bispo de Viana, e a D. 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