{"id":29928,"date":"2024-10-24T09:24:57","date_gmt":"2024-10-24T09:24:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=29928"},"modified":"2024-10-24T09:24:57","modified_gmt":"2024-10-24T09:24:57","slug":"os-olhares-da-comunicacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/os-olhares-da-comunicacao-social\/","title":{"rendered":"Os olhares da comunica\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p>Uma leitura com alguma aten\u00e7\u00e3o sobre as not\u00edcias habitualmente divulgadas pela Ag\u00eancia\u00a0<em>Ecclesia<\/em>\u00a0d\u00e1 conta da quantidade (e qualidade) das atividades promovidas pelas diversas iniciativas de car\u00e1cter eclesial que envolvem a sociedade portuguesa. O mesmo olhar sobre os mesmos acontecimentos nos \u00f3rg\u00e3os de imprensa ou informa\u00e7\u00e3o nacional d\u00e1 conta de que grande parte desses acontecimentos ou iniciativas ficam no esquecimento.<\/p>\n<p>Estes dados manifestam um duplo sintoma: que as atividades eclesiais n\u00e3o se inscrevem no conceito de interesse medi\u00e1tico que motive a sua elei\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o merecem aten\u00e7\u00e3o para o universo mental desse mundo; e que o esquecimento se torna uma forma de ocultamento, porque o que n\u00e3o se v\u00ea ou n\u00e3o se sabe n\u00e3o existe ou n\u00e3o exerce a sua influ\u00eancia. Esta dimens\u00e3o pode n\u00e3o ter fundamento ideol\u00f3gico, mas tem certamente um fundamento pr\u00e1tico decisivo.<\/p>\n<p>Nos dias que correm, v\u00e1rios acontecimentos relacionados com a pastoral juvenil mobilizaram milhares de jovens em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds: em Lisboa um encontro nacional de juventude reuniu uma multid\u00e3o de jovens, na esteira do anivers\u00e1rio da Jornada da Juventude e mereceu uma mensagem do Papa Francisco; o patriarca de Lisboa assinalou a procura pelos jovens \u201cda dimens\u00e3o essencial da exist\u00eancia humana, que \u00e9 a dimens\u00e3o espiritual\u201d; o mesmo podemos verificar noutros espa\u00e7os, como Viseu, Lamego, Leiria, Guarda \u00a0que viveram id\u00eanticos acontecimentos e id\u00eanticos movimentos marcados pela express\u00e3o social e festiva da viv\u00eancia crist\u00e3; os acontecimentos e os debates do S\u00ednodo em curso n\u00e3o t\u00eam merecido o destaque que um acontecimento influente na sociedade deveria merecer, para al\u00e9m dos aspectos marginais da ordena\u00e7\u00e3o das mulheres ou das quest\u00f5es relacionadas com a moral social.<\/p>\n<p>Tudo isto deve fazer pensar nos crit\u00e9rios, ou aus\u00eancia de crit\u00e9rios, que norteiam a pr\u00e1tica da comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos recorrer a orienta\u00e7\u00f5es sobre a pr\u00e1tica desej\u00e1vel da comunica\u00e7\u00e3o social nas palavras das mensagens eclesiais que frequentemente surgem, como a que prop\u00f5e que \u201cnum per\u00edodo da hist\u00f3ria marcado por polariza\u00e7\u00f5es e oposi\u00e7\u00f5es \u2013 de que, infelizmente, nem a comunidade eclesial est\u00e1 imune \u2013 o empenho em prol duma comunica\u00e7\u00e3o \u00abde cora\u00e7\u00e3o e bra\u00e7os abertos\u00bb n\u00e3o diz respeito exclusivamente aos agentes da informa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 responsabilidade de cada um. Todos somos chamados a procurar a verdade e a diz\u00ea-la, fazendo-o com amor, como o Papa Francisco escreveu na mensagem para o ano de 2023.<\/p>\n<p>Esta proposta de uma comunica\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o aberto deve estimular a que toda a dimens\u00e3o humana esteja presenta nas palavras e nas imagens que edifiquem e elevem, e n\u00e3o apenas naquelas que agitem sentimentos ou sensibilidades superficiais.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos igualmente recorrer aos problemas da utiliza\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o no quadro agora badalado da intelig\u00eancia artificial, que deve proporcionar um contributo positivo no \u00e2mbito da comunica\u00e7\u00e3o e do conhecimento, valorizando o profissionalismo da comunica\u00e7\u00e3o, responsabilizando cada comunicador, proporcionando a cada pessoa ou organismo o papel de sujeito interveniente e ativo, com capacidade cr\u00edtica e com capacidade de interven\u00e7\u00e3o, a afirma\u00e7\u00e3o de projetos e valores que promovam o desenvolvimento de uma sociedade equilibrada, marcada por um dinamismo humano de constru\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia plena das capacidades e ideais humanos se devolver a cada ser humano o papel de sujeito, com capacidade cr\u00edtica, da pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este alargamento ao universo plenamente humano da informa\u00e7\u00e3o como caminho de humanidade \u00e9 igualmente formulado na reflex\u00e3o do documento do Papa Francisco em que aborda o papel da Intelig\u00eancia artificial na comunica\u00e7\u00e3o:\u00a0 \u201cComo tutelar o profissionalismo e a dignidade dos trabalhadores no campo da comunica\u00e7\u00e3o e da informa\u00e7\u00e3o, juntamente com a dos utentes em todo o mundo? Como garantir a interoperabilidade das plataformas? Como fazer com que as empresas que desenvolvem plataformas digitais assumam as suas responsabilidades relativamente ao que divulgam? Como tornar mais transparentes os crit\u00e9rios subjacentes aos algoritmos de indexa\u00e7\u00e3o e desindexa\u00e7\u00e3o e aos motores de pesquisa, capazes de exaltar ou cancelar pessoas e opini\u00f5es, hist\u00f3rias e culturas?<\/p>\n<p>Outras quest\u00f5es se prendem com estas: a transpar\u00eancia dos processos de informa\u00e7\u00e3o; a origem, paternidade e veracidade da informa\u00e7\u00e3o; a imposi\u00e7\u00e3o sub-rept\u00edcia de um pensamento \u00fanico revelando dados ou acontecimentos e esquecendo outros, igualmente relevantes para a constru\u00e7\u00e3o da verdade. (ver\u00a0<em>Mensagem\u00a0<\/em>para 2024).<\/p>\n<p>O apelo \u00e0 sabedoria neste universo possui um verdadeiro fundo b\u00edblico, e a pr\u00e1tica deve saber associar a liberdade tanto de quem informa, dispondo das fontes de informa\u00e7\u00e3o, como de quem \u00e9 informado, no sentido de conduzir a viv\u00eancias ou a convic\u00e7\u00f5es. Assim se assinala tamb\u00e9m a capacidade de discernir, vigiar, ver as coisas a partir do seu termo. \u201cPara n\u00e3o perder a nossa humanidade, procuremos a Sabedoria que existe antes de todas as coisas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma leitura com alguma aten\u00e7\u00e3o sobre as not\u00edcias habitualmente divulgadas pela Ag\u00eancia\u00a0Ecclesia\u00a0d\u00e1 conta da quantidade (e qualidade) das atividades promovidas pelas diversas iniciativas de car\u00e1cter eclesial que envolvem a sociedade portuguesa. O mesmo olhar sobre os mesmos acontecimentos nos \u00f3rg\u00e3os de imprensa ou informa\u00e7\u00e3o nacional d\u00e1 conta de que grande parte desses acontecimentos ou iniciativas ficam no esquecimento. Estes dados manifestam um duplo sintoma: que as atividades eclesiais n\u00e3o se inscrevem no conceito de interesse medi\u00e1tico que motive a sua elei\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o merecem aten\u00e7\u00e3o para o universo mental desse mundo; e que o esquecimento se torna uma forma de ocultamento, porque o que n\u00e3o se v\u00ea ou n\u00e3o se sabe n\u00e3o existe ou n\u00e3o exerce a sua influ\u00eancia. Esta dimens\u00e3o pode n\u00e3o ter fundamento ideol\u00f3gico, mas tem certamente um fundamento pr\u00e1tico decisivo. Nos dias que correm, v\u00e1rios acontecimentos relacionados com a pastoral juvenil mobilizaram milhares de jovens em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds: em Lisboa um encontro nacional de juventude reuniu uma multid\u00e3o de jovens, na esteira do anivers\u00e1rio da Jornada da Juventude e mereceu uma mensagem do Papa Francisco; o patriarca de Lisboa assinalou a procura pelos jovens \u201cda dimens\u00e3o essencial da exist\u00eancia humana, que \u00e9 a dimens\u00e3o espiritual\u201d; o mesmo podemos verificar noutros espa\u00e7os, como Viseu, Lamego, Leiria, Guarda \u00a0que viveram id\u00eanticos acontecimentos e id\u00eanticos movimentos marcados pela express\u00e3o social e festiva da viv\u00eancia crist\u00e3; os acontecimentos e os debates do S\u00ednodo em curso n\u00e3o t\u00eam merecido o destaque que um acontecimento influente na sociedade deveria merecer, para al\u00e9m dos aspectos marginais da ordena\u00e7\u00e3o das mulheres ou das quest\u00f5es relacionadas com a moral social. Tudo isto deve fazer pensar nos crit\u00e9rios, ou aus\u00eancia de crit\u00e9rios, que norteiam a pr\u00e1tica da comunica\u00e7\u00e3o social. Poder\u00edamos recorrer a orienta\u00e7\u00f5es sobre a pr\u00e1tica desej\u00e1vel da comunica\u00e7\u00e3o social nas palavras das mensagens eclesiais que frequentemente surgem, como a que prop\u00f5e que \u201cnum per\u00edodo da hist\u00f3ria marcado por polariza\u00e7\u00f5es e oposi\u00e7\u00f5es \u2013 de que, infelizmente, nem a comunidade eclesial est\u00e1 imune \u2013 o empenho em prol duma comunica\u00e7\u00e3o \u00abde cora\u00e7\u00e3o e bra\u00e7os abertos\u00bb n\u00e3o diz respeito exclusivamente aos agentes da informa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 responsabilidade de cada um. Todos somos chamados a procurar a verdade e a diz\u00ea-la, fazendo-o com amor, como o Papa Francisco escreveu na mensagem para o ano de 2023. Esta proposta de uma comunica\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o aberto deve estimular a que toda a dimens\u00e3o humana esteja presenta nas palavras e nas imagens que edifiquem e elevem, e n\u00e3o apenas naquelas que agitem sentimentos ou sensibilidades superficiais. Poder\u00edamos igualmente recorrer aos problemas da utiliza\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o no quadro agora badalado da intelig\u00eancia artificial, que deve proporcionar um contributo positivo no \u00e2mbito da comunica\u00e7\u00e3o e do conhecimento, valorizando o profissionalismo da comunica\u00e7\u00e3o, responsabilizando cada comunicador, proporcionando a cada pessoa ou organismo o papel de sujeito interveniente e ativo, com capacidade cr\u00edtica e com capacidade de interven\u00e7\u00e3o, a afirma\u00e7\u00e3o de projetos e valores que promovam o desenvolvimento de uma sociedade equilibrada, marcada por um dinamismo humano de constru\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia plena das capacidades e ideais humanos se devolver a cada ser humano o papel de sujeito, com capacidade cr\u00edtica, da pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o. Este alargamento ao universo plenamente humano da informa\u00e7\u00e3o como caminho de humanidade \u00e9 igualmente formulado na reflex\u00e3o do documento do Papa Francisco em que aborda o papel da Intelig\u00eancia artificial na comunica\u00e7\u00e3o:\u00a0 \u201cComo tutelar o profissionalismo e a dignidade dos trabalhadores no campo da comunica\u00e7\u00e3o e da informa\u00e7\u00e3o, juntamente com a dos utentes em todo o mundo? Como garantir a interoperabilidade das plataformas? Como fazer com que as empresas que desenvolvem plataformas digitais assumam as suas responsabilidades relativamente ao que divulgam? Como tornar mais transparentes os crit\u00e9rios subjacentes aos algoritmos de indexa\u00e7\u00e3o e desindexa\u00e7\u00e3o e aos motores de pesquisa, capazes de exaltar ou cancelar pessoas e opini\u00f5es, hist\u00f3rias e culturas? Outras quest\u00f5es se prendem com estas: a transpar\u00eancia dos processos de informa\u00e7\u00e3o; a origem, paternidade e veracidade da informa\u00e7\u00e3o; a imposi\u00e7\u00e3o sub-rept\u00edcia de um pensamento \u00fanico revelando dados ou acontecimentos e esquecendo outros, igualmente relevantes para a constru\u00e7\u00e3o da verdade. (ver\u00a0Mensagem\u00a0para 2024). O apelo \u00e0 sabedoria neste universo possui um verdadeiro fundo b\u00edblico, e a pr\u00e1tica deve saber associar a liberdade tanto de quem informa, dispondo das fontes de informa\u00e7\u00e3o, como de quem \u00e9 informado, no sentido de conduzir a viv\u00eancias ou a convic\u00e7\u00f5es. Assim se assinala tamb\u00e9m a capacidade de discernir, vigiar, ver as coisas a partir do seu termo. \u201cPara n\u00e3o perder a nossa humanidade, procuremos a Sabedoria que existe antes de todas as coisas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":29929,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29928","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29928"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29928\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}