{"id":30455,"date":"2025-01-08T10:39:44","date_gmt":"2025-01-08T10:39:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=30455"},"modified":"2025-01-08T10:39:44","modified_gmt":"2025-01-08T10:39:44","slug":"documento-final-do-sinodo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/documento-final-do-sinodo\/","title":{"rendered":"Documento final do S\u00ednodo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para S\u00e9rgio Leal, sacerdote e especialista em sinodalidade, o \u201cprocesso de aplica\u00e7\u00e3o\u201d do Documento Final do S\u00ednodo deve ter \u201ca mesma amplitude que teve o processo de escuta\u201d. Prop\u00f5e a \u201cmesma metodologia\u201d da fase de diagn\u00f3stico para que seja poss\u00edvel \u201cgerar um processo de discernimento\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>No dia 6 de janeiro, a Rede Sinodal em Portugal completa um ano de exist\u00eancia. Um site que nasceu na Epifania do Senhor de 2024, adorando o Menino Jesus. E quer manifestar a esperan\u00e7a no caminho da Igreja. Em ritmo e motiva\u00e7\u00e3o sinodal, em conjunto, criando rela\u00e7\u00f5es e sinergias.<\/p>\n<p>A iniciativa \u201cNo cora\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d da Rede Sinodal em Portugal publica agora o seu terceiro epis\u00f3dio, numa parceria com os seguintes meios de comunica\u00e7\u00e3o social: Di\u00e1rio do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Ora\u00e7\u00e3o do Papa e Folha do Domingo.<\/p>\n<p>Desta vez, o convidado \u00e9 o especialista em sinodalidade, S\u00e9rgio Leal, docente da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e p\u00e1roco de Anta e Guetim na diocese do Porto. O sacerdote licenciou-se em 2018 na Universidade Lateranense sobre a sinodalidade como estilo pastoral, e concluiu doutoramento em 2024 na mesma universidade pontif\u00edcia com uma tese sobre o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio pastoral numa Igreja sinodal.<\/p>\n<p>O padre S\u00e9rgio Leal tem colaborado com muitas dioceses portuguesas e tamb\u00e9m no Brasil e partilha aqui as suas reflex\u00f5es com a Rede Sinodal em Portugal.<\/p>\n<p><strong>1- Ap\u00f3s tr\u00eas anos de um caminho sinodal que envolveu milh\u00f5es de pessoas e de duas sess\u00f5es do S\u00ednodo dos bispos em Roma que leitura faz do Documento Final do S\u00ednodo?<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, creio que devemos olhar para este documento como um trabalho que nasceu de um processo maturado de tr\u00eas anos e creio que \u00e9 este respeito que devemos ter por este documento e a alegria de um documento que traz a reflex\u00e3o de tantos homens e mulheres das mais diferentes geografias do planeta. Em fases distintas de um mesmo processo: desde uma escuta sinodal que come\u00e7ou nas igrejas particulares, desde as pequenas comunidades \u00e0s maiores, \u00e0 matura\u00e7\u00e3o deste processo nos encontros continentais at\u00e9 chegarmos \u00e0s assembleias, \u00e0s duas assembleias que aconteceram em Roma em Outubro de 2023 e de 2024.<\/p>\n<p>E, portanto, este documento, em primeiro lugar, \u00e9 um ponto de partida para uma terceira fase, que \u00e9 fundamental que \u00e9 a fase da aplica\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, um processo sinodal seria um processo est\u00e9ril se ficasse apenas por um bom documento ou por um documento que aponte bons desafios, mas se eles n\u00e3o se tornarem operativos na sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando olhamos este documento, eu creio que ele parte de uma consci\u00eancia fundamental que \u00e9 renovar a nossa consci\u00eancia sinodal, o nosso sermos Igreja. Da\u00ed que o primeiro e grande desafio que emerge da leitura deste documento \u00e9 percebermo-nos chamados ao cora\u00e7\u00e3o da sinodalidade, chamados \u00e0 convers\u00e3o. Uma convers\u00e3o que, em primeiro lugar, \u00e9 uma convers\u00e3o pessoal, mas tamb\u00e9m uma convers\u00e3o eclesial no sentido de valorizarmos essa primeira categoria fundamental que \u00e9 a categoria do povo de Deus. De tornarmos operativo aquilo que dizia j\u00e1 o Conc\u00edlio Vaticano, na Lumen Gentium, essa \u2018revolu\u00e7\u00e3o copernicana\u2019 que apontava o Cardeal Suenens para a Lumen Gentium, dizer que antes de dizermos o que cada um faz na Igreja, tomamos consci\u00eancia de que somos como batizados participantes de uma igreja que \u00e9 mist\u00e9rio, mist\u00e9rio, porque nasce do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo e conta com cada homem e cada mulher para a sua constru\u00e7\u00e3o e de uma igreja que \u00e9 povo de Deus. E \u00e9 esta consci\u00eancia de sermos povo que a sinodalidade quer apontar. E toda a convers\u00e3o sinodal e pastoral que \u00e9 necess\u00e1ria tem de nascer destes elementos fundamentais: comunh\u00e3o e unidade, unidade na miss\u00e3o, uma unidade e harmonia a partir da diversidade dos v\u00e1rios minist\u00e9rios dons e carismas que encontramos na Igreja. E por isso, esse primeiro cap\u00edtulo deste documento final aponta para a\u00ed para esse cora\u00e7\u00e3o da sinodalidade, que \u00e9 fundamental para depois levarmos a cabo todo um caminho de renova\u00e7\u00e3o e de convers\u00e3o pastoral que coloca em marcha processos de renova\u00e7\u00e3o eclesial, que conjugue eu diria dois grandes pilares fundamentais ou duas grandes novidades \u00e0s quais a Igreja tem que dar resposta: \u00e0 novidade de cada tempo e de cada cultura, mas tamb\u00e9m \u00e0 novidade do Evangelho que se apresenta para n\u00f3s sempre como novo. E, portanto, haveremos de saber dar resposta \u00e0 novidade do tempo em que vivemos, de olharmos para a cultura contempor\u00e2nea, n\u00e3o como um inimigo do Evangelho, mas como um lugar oportuno para que esse Evangelho seja anunciado. E aqui abre-se tamb\u00e9m um caminho que \u00e9 fundamental na sinodalidade, que \u00e9 o di\u00e1logo e o encontro, promover uma cultura de di\u00e1logo, de encontro, de partilha e de discernimento conjunto. N\u00e3o temos receitas pr\u00e9vias, temos um caminho a fazer e um processo de convers\u00e3o pastoral a colocar em marcha.<\/p>\n<p><strong>2- Nesta fase de rece\u00e7\u00e3o do Documento Final do S\u00ednodo que ideias podemos lan\u00e7ar para a sua aplica\u00e7\u00e3o no concreto da vida das dioceses, par\u00f3quias, institui\u00e7\u00f5es e movimentos da Igreja?<\/strong><\/p>\n<p>No processo de aplica\u00e7\u00e3o deste documento final, eu creio que devemos ter em conta, em primeiro lugar, que \u00e9 um processo, evitando duas tenta\u00e7\u00f5es: a tenta\u00e7\u00e3o do imediatismo de querermos j\u00e1 no imediato, um conjunto de transforma\u00e7\u00f5es e de mudan\u00e7as, at\u00e9 porque temos que ter algum cuidado com esta precipita\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a. Quando \u00e9 preciso mudar tudo \u00e9 porque n\u00e3o temos nada de essencial e n\u00f3s temos. Temos que fazer este processo de mudan\u00e7a a partir de uma fidelidade criativa ao Evangelho, uma fidelidade criativa \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o eclesial. E, portanto, h\u00e1 que evitar esta tenta\u00e7\u00e3o do imediatismo, mas tamb\u00e9m a tenta\u00e7\u00e3o de prolongarmos indefinidamente este processo de aplica\u00e7\u00e3o. Que se abra um verdadeiro discernimento, que \u00e9 pastoral e que \u00e9 evang\u00e9lico, um discernimento que implica ora\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o, mas tamb\u00e9m operatividade. Um discernimento, que implica decis\u00f5es corajosas e ousadas para o nosso tempo. E, por isso, \u00e9 necess\u00e1rio evitar esta tenta\u00e7\u00e3o do imediatismo e \u00e9 necess\u00e1rio fazermos deste processo de aplica\u00e7\u00e3o um processo tamb\u00e9m de discernimento, tal como ele aconteceu desde a escuta at\u00e9 \u00e0 reflex\u00e3o sinodal nas duas assembleias que aconteceram em Roma. N\u00e3o podemos querer que um processo que demorou tr\u00eas anos agora seja aplicado em tr\u00eas meses. \u00c9 necess\u00e1rio um processo de aplica\u00e7\u00e3o que h\u00e1 de ser descentralizado, como prop\u00f5e o documento final.<\/p>\n<p>E eu diria, porque j\u00e1 o disse antes, durante o processo sinodal, de que gostaria que este processo de aplica\u00e7\u00e3o tivesse a mesma amplitude que teve o processo de escuta. Agora j\u00e1 n\u00e3o para levantar e fazer um diagn\u00f3stico da realidade, mas aplicar, tornar operativo, tornar operativos todos estes desafios, mas optando pelo mesmo pela mesma metodologia. Portanto, voltar \u00e0s comiss\u00f5es sinodais diocesanas, \u00e0s comiss\u00f5es paroquiais. Isto \u00e9, voltar aqui, voltar \u00e0 base, como temos dito, voltar \u00e0s bases e a partir da\u00ed, gerar um processo de discernimento localizado onde a pergunta fundamental h\u00e1 de ser esta: o que \u00e9 que o Esp\u00edrito Santo nos est\u00e1 a pedir aqui agora. E este aqui agora evita-nos um saudosismo do passado, de um passado, porventura que nunca existiu. Por isso \u00e9 que \u00e0s vezes, existem tantos saudosos dele. Mas pensarmos e repensarmos a a\u00e7\u00e3o eclesial, \u00e0 luz do aqui agora neste lugar concreto e neste tempo que o Senhor nos chama a viver. Os homens e mulheres de hoje n\u00e3o s\u00e3o menos capazes de Deus que os homens e mulheres do passado.<\/p>\n<p>Depois este documento sinodal, este documento final, aponta-nos algumas coordenadas importantes, em primeiro lugar, do documento final, emergem em primeiro lugar, pontos de consenso e de comunh\u00e3o. O processo sinodal n\u00e3o visa gerar decis\u00f5es de maioria ou minoria, ainda que tenha havido uma vota\u00e7\u00e3o para os seus diversos pontos, mas eles s\u00e3o sobretudo, \u00e9 sobretudo um documento que nasce do consenso e comunh\u00e3o gerada no caminho percorrido pela Igreja. Depois existem tamb\u00e9m quest\u00f5es a aprofundar e quest\u00f5es a aprofundar nos diferentes grupos de estudo que foram criados, mas tamb\u00e9m quest\u00f5es a aprofundar que aparecem neste documento, por exemplo, os minist\u00e9rios que eu creio que \u00e9 um caminho que a Igreja deveria nesta fase de aplica\u00e7\u00e3o, apontar e aprofundar, refletir. At\u00e9 porque h\u00e1 de facto, aqui, neste \u00e2mbito concreto, a liberdade que em cada em cada regi\u00e3o pastoral em cada confer\u00eancia episcopal, a liberdade de se pensar em novos minist\u00e9rios. \u00c9 verdade, como diz o documento, nem todos os carismas t\u00eam que ser traduzidos em minist\u00e9rios, nem todos os minist\u00e9rios t\u00eam de ser institu\u00eddos. Mas um minist\u00e9rio institu\u00eddo \u00e9 um servi\u00e7o confiado pela Igreja e que aponta tamb\u00e9m aquelas que s\u00e3o as prioridades da Igreja. Creio que seria importante nesta fase de aplica\u00e7\u00e3o, pensarmos quais s\u00e3o as nossas prioridades pastorais. O que \u00e9 que \u00e9 essencial apontar j\u00e1 em primeiro lugar? E a cria\u00e7\u00e3o de minist\u00e9rios institu\u00eddos para algumas prioridades pastorais, indicaria tamb\u00e9m de quanto \u00e9 priorit\u00e1rio para a igreja estes caminhos. No documento fala-se do minist\u00e9rio de escuta e acompanhamento. Porque, na verdade, os minist\u00e9rios institu\u00eddos at\u00e9 agora estiveram muitas vezes remetidos ao \u00e2mbito do minist\u00e9rio ordenado. E, por outro lado, estes minist\u00e9rios tamb\u00e9m estiveram de algum modo confinados ao \u00e2mbito lit\u00fargico do leitor e de ac\u00f3lito. Era importante que estes minist\u00e9rios institu\u00eddos no repensar destes minist\u00e9rios estivesse presente uma op\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, esta igreja em sa\u00edda de que nos fala o Papa Francisco. A capacidade de sabermos articular este ad intra e ad extra da Igreja. Isto \u00e9, de nos repensarmos como Igreja e a nossa comunh\u00e3o eclesial a partir da miss\u00e3o que temos diante de n\u00f3s. Para que n\u00e3o fiquemos encerrados nos muros da nossa a\u00e7\u00e3o eclesial, mas capazes de um di\u00e1logo com a cultura contempor\u00e2nea. E a\u00ed encontraremos um conjunto de desafios importantes, pois tamb\u00e9m a promo\u00e7\u00e3o dos diferentes \u00f3rg\u00e3os de participa\u00e7\u00e3o e de corresponsabilidade. A sinodalidade \u00e9 muito mais que um somat\u00f3rio de estruturas de sinodalidade, mas ela pressup\u00f5e essas estruturas para que se torne operativa essa mesma sinodalidade. Desde a igreja local, desde a diocese at\u00e9 \u00e0s par\u00f3quias, a promo\u00e7\u00e3o do Conselho Diocesano de Pastoral, o Conselho Paroquial de Pastoral, o Conselho para os Assuntos Econ\u00f3micos, numa diocese o Conselho presbiteral. Que os diferentes conselhos tamb\u00e9m possam trabalhar, n\u00e3o auto-referencialmente e autonomamente, mas que possam trabalhar de modo sinodal, ainda que cada um no seu \u00e2mbito, mas que possam trabalhar em conjunto e em comunh\u00e3o, promovendo este repensar da a\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e0 luz dos desafios que o mundo contempor\u00e2neo coloca.<\/p>\n<p>Em Portugal est\u00e1 marcado para o dia 11 de janeiro em F\u00e1tima, por iniciativa da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, um encontro nacional sobre o S\u00ednodo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para S\u00e9rgio Leal, sacerdote e especialista em sinodalidade, o \u201cprocesso de aplica\u00e7\u00e3o\u201d do Documento Final do S\u00ednodo deve ter \u201ca mesma amplitude que teve o processo de escuta\u201d. Prop\u00f5e a \u201cmesma metodologia\u201d da fase de diagn\u00f3stico para que seja poss\u00edvel \u201cgerar um processo de discernimento\u201d. No dia 6 de janeiro, a Rede Sinodal em Portugal completa um ano de exist\u00eancia. Um site que nasceu na Epifania do Senhor de 2024, adorando o Menino Jesus. E quer manifestar a esperan\u00e7a no caminho da Igreja. Em ritmo e motiva\u00e7\u00e3o sinodal, em conjunto, criando rela\u00e7\u00f5es e sinergias. A iniciativa \u201cNo cora\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d da Rede Sinodal em Portugal publica agora o seu terceiro epis\u00f3dio, numa parceria com os seguintes meios de comunica\u00e7\u00e3o social: Di\u00e1rio do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Ora\u00e7\u00e3o do Papa e Folha do Domingo. Desta vez, o convidado \u00e9 o especialista em sinodalidade, S\u00e9rgio Leal, docente da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e p\u00e1roco de Anta e Guetim na diocese do Porto. O sacerdote licenciou-se em 2018 na Universidade Lateranense sobre a sinodalidade como estilo pastoral, e concluiu doutoramento em 2024 na mesma universidade pontif\u00edcia com uma tese sobre o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio pastoral numa Igreja sinodal. O padre S\u00e9rgio Leal tem colaborado com muitas dioceses portuguesas e tamb\u00e9m no Brasil e partilha aqui as suas reflex\u00f5es com a Rede Sinodal em Portugal. 1- Ap\u00f3s tr\u00eas anos de um caminho sinodal que envolveu milh\u00f5es de pessoas e de duas sess\u00f5es do S\u00ednodo dos bispos em Roma que leitura faz do Documento Final do S\u00ednodo? Em primeiro lugar, creio que devemos olhar para este documento como um trabalho que nasceu de um processo maturado de tr\u00eas anos e creio que \u00e9 este respeito que devemos ter por este documento e a alegria de um documento que traz a reflex\u00e3o de tantos homens e mulheres das mais diferentes geografias do planeta. Em fases distintas de um mesmo processo: desde uma escuta sinodal que come\u00e7ou nas igrejas particulares, desde as pequenas comunidades \u00e0s maiores, \u00e0 matura\u00e7\u00e3o deste processo nos encontros continentais at\u00e9 chegarmos \u00e0s assembleias, \u00e0s duas assembleias que aconteceram em Roma em Outubro de 2023 e de 2024. E, portanto, este documento, em primeiro lugar, \u00e9 um ponto de partida para uma terceira fase, que \u00e9 fundamental que \u00e9 a fase da aplica\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, um processo sinodal seria um processo est\u00e9ril se ficasse apenas por um bom documento ou por um documento que aponte bons desafios, mas se eles n\u00e3o se tornarem operativos na sua aplica\u00e7\u00e3o. Quando olhamos este documento, eu creio que ele parte de uma consci\u00eancia fundamental que \u00e9 renovar a nossa consci\u00eancia sinodal, o nosso sermos Igreja. Da\u00ed que o primeiro e grande desafio que emerge da leitura deste documento \u00e9 percebermo-nos chamados ao cora\u00e7\u00e3o da sinodalidade, chamados \u00e0 convers\u00e3o. Uma convers\u00e3o que, em primeiro lugar, \u00e9 uma convers\u00e3o pessoal, mas tamb\u00e9m uma convers\u00e3o eclesial no sentido de valorizarmos essa primeira categoria fundamental que \u00e9 a categoria do povo de Deus. De tornarmos operativo aquilo que dizia j\u00e1 o Conc\u00edlio Vaticano, na Lumen Gentium, essa \u2018revolu\u00e7\u00e3o copernicana\u2019 que apontava o Cardeal Suenens para a Lumen Gentium, dizer que antes de dizermos o que cada um faz na Igreja, tomamos consci\u00eancia de que somos como batizados participantes de uma igreja que \u00e9 mist\u00e9rio, mist\u00e9rio, porque nasce do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo e conta com cada homem e cada mulher para a sua constru\u00e7\u00e3o e de uma igreja que \u00e9 povo de Deus. E \u00e9 esta consci\u00eancia de sermos povo que a sinodalidade quer apontar. E toda a convers\u00e3o sinodal e pastoral que \u00e9 necess\u00e1ria tem de nascer destes elementos fundamentais: comunh\u00e3o e unidade, unidade na miss\u00e3o, uma unidade e harmonia a partir da diversidade dos v\u00e1rios minist\u00e9rios dons e carismas que encontramos na Igreja. E por isso, esse primeiro cap\u00edtulo deste documento final aponta para a\u00ed para esse cora\u00e7\u00e3o da sinodalidade, que \u00e9 fundamental para depois levarmos a cabo todo um caminho de renova\u00e7\u00e3o e de convers\u00e3o pastoral que coloca em marcha processos de renova\u00e7\u00e3o eclesial, que conjugue eu diria dois grandes pilares fundamentais ou duas grandes novidades \u00e0s quais a Igreja tem que dar resposta: \u00e0 novidade de cada tempo e de cada cultura, mas tamb\u00e9m \u00e0 novidade do Evangelho que se apresenta para n\u00f3s sempre como novo. E, portanto, haveremos de saber dar resposta \u00e0 novidade do tempo em que vivemos, de olharmos para a cultura contempor\u00e2nea, n\u00e3o como um inimigo do Evangelho, mas como um lugar oportuno para que esse Evangelho seja anunciado. E aqui abre-se tamb\u00e9m um caminho que \u00e9 fundamental na sinodalidade, que \u00e9 o di\u00e1logo e o encontro, promover uma cultura de di\u00e1logo, de encontro, de partilha e de discernimento conjunto. N\u00e3o temos receitas pr\u00e9vias, temos um caminho a fazer e um processo de convers\u00e3o pastoral a colocar em marcha. 2- Nesta fase de rece\u00e7\u00e3o do Documento Final do S\u00ednodo que ideias podemos lan\u00e7ar para a sua aplica\u00e7\u00e3o no concreto da vida das dioceses, par\u00f3quias, institui\u00e7\u00f5es e movimentos da Igreja? No processo de aplica\u00e7\u00e3o deste documento final, eu creio que devemos ter em conta, em primeiro lugar, que \u00e9 um processo, evitando duas tenta\u00e7\u00f5es: a tenta\u00e7\u00e3o do imediatismo de querermos j\u00e1 no imediato, um conjunto de transforma\u00e7\u00f5es e de mudan\u00e7as, at\u00e9 porque temos que ter algum cuidado com esta precipita\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a. Quando \u00e9 preciso mudar tudo \u00e9 porque n\u00e3o temos nada de essencial e n\u00f3s temos. Temos que fazer este processo de mudan\u00e7a a partir de uma fidelidade criativa ao Evangelho, uma fidelidade criativa \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o eclesial. E, portanto, h\u00e1 que evitar esta tenta\u00e7\u00e3o do imediatismo, mas tamb\u00e9m a tenta\u00e7\u00e3o de prolongarmos indefinidamente este processo de aplica\u00e7\u00e3o. Que se abra um verdadeiro discernimento, que \u00e9 pastoral e que \u00e9 evang\u00e9lico, um discernimento que implica ora\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o, mas tamb\u00e9m operatividade. Um discernimento, que implica decis\u00f5es corajosas e ousadas para o nosso tempo. E, por isso, \u00e9 necess\u00e1rio evitar esta tenta\u00e7\u00e3o do imediatismo e \u00e9 necess\u00e1rio fazermos deste processo de aplica\u00e7\u00e3o um processo tamb\u00e9m de<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":29837,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-30455","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30455"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30455\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29837"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}