{"id":30807,"date":"2025-03-12T10:42:26","date_gmt":"2025-03-12T10:42:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=30807"},"modified":"2025-03-12T10:42:26","modified_gmt":"2025-03-12T10:42:26","slug":"exercicios-espirituais-no-vaticano-3a-meditacao-a-esperanca-da-vida-eterna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/exercicios-espirituais-no-vaticano-3a-meditacao-a-esperanca-da-vida-eterna\/","title":{"rendered":"Exerc\u00edcios Espirituais no Vaticano, 3\u00aa Medita\u00e7\u00e3o: A esperan\u00e7a da vida eterna"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O pregador da Casa Pontif\u00edcia, padre Roberto Pasolini, conduziu na tarde de segunda-feira, 10 de mar\u00e7o, a sua terceira medita\u00e7\u00e3o aos membros da C\u00faria Romana no \u00e2mbito dos Exerc\u00edcios Espirituais da Quaresma. Na tarde desta segunda-feira o franciscano centralizou a sua aten\u00e7\u00e3o sobre o tema: A esperan\u00e7a da vida eterna. O Papa Francisco, internado no Hospital Gemelli segue as medita\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de uma coliga\u00e7\u00e3o v\u00eddeo. Publicamos a s\u00edntese da terceira Medita\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<h2>A primeira morte<\/h2>\n<p>Por que temos dificuldades em reconhecer que a vida eterna j\u00e1 come\u00e7ou? A B\u00edblia sugere que o ser humano, desde o in\u00edcio, se descobre insens\u00edvel e hostil \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus. Os profetas do Antigo Testamento denunciaram a incapacidade do povo de perceber as \u201ccoisas novas\u201d que Deus faz, enquanto o pr\u00f3prio Jesus, percebendo a incompreens\u00e3o de que quem o ouvia, falava em par\u00e1bolas. Isso n\u00e3o era para simplificar sua mensagem, mas para destacar a dureza do cora\u00e7\u00e3o humano, fechado \u00e0 possibilidade de uma vida plena.<\/p>\n<p>O Novo Testamento descreve essa condi\u00e7\u00e3o com uma afirma\u00e7\u00e3o paradoxal: j\u00e1 estamos mortos, mas n\u00e3o nos damos conta disso. A morte, de fato, n\u00e3o \u00e9 apenas o evento final da vida (morte biol\u00f3gica), mas tamb\u00e9m uma realidade que j\u00e1 experimentamos, por meio de um fechamento em n\u00f3s mesmos que nos impede de perceber a vida como algo eterno que Deus quer nos dar. O G\u00eanesis relata essa perda de sensibilidade por meio do que a tradi\u00e7\u00e3o chamou de \u201cpecado original\u201d: o homem, em vez de acolher a vida como um dom, procura control\u00e1-la, ultrapassando o limite imposto por Deus. O resultado n\u00e3o \u00e9 a autonomia prometida pela serpente, mas um sentimento de vergonha e desorienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa primeira \u201cmorte interior\u201d se manifesta em nossa tentativa cont\u00ednua de cobrir nossas fragilidades com imagens, cargos e sucessos, sem enfrentar o profundo vazio que habita em nosso interior. No entanto, na B\u00edblia, Deus n\u00e3o parece alarmado com essa condi\u00e7\u00e3o: Sua primeira rea\u00e7\u00e3o \u00e9 procurar o homem, perguntando: \u201cOnde voc\u00ea est\u00e1?\u201d (Gn 3,9). Isso indica que a morte interior n\u00e3o \u00e9 o fim, mas o ponto a partir do qual iniciar um caminho de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica tamb\u00e9m surge no drama de Caim e Abel: Deus n\u00e3o interv\u00e9m para evitar o fratric\u00eddio, mas protege Caim de seu sentimento de culpa. Isso mostra que nossa \u201cprimeira morte\u201d n\u00e3o \u00e9 um destino inevit\u00e1vel, mas uma oportunidade de redescobrir a vida eterna como uma realidade presente, n\u00e3o apenas futura. O pr\u00f3prio Jesus nos convida a ler as trag\u00e9dias da vida como oportunidades de convers\u00e3o, n\u00e3o como sinais de condena\u00e7\u00e3o (Lc 13,4-5).<\/p>\n<p>Deus v\u00ea nossa morte interior n\u00e3o como uma derrota, mas como o ponto de partida para uma nova exist\u00eancia. O verdadeiro obst\u00e1culo \u00e0 vida eterna n\u00e3o \u00e9 a morte biol\u00f3gica, mas nossa incapacidade de reconhecer que j\u00e1 estamos imersos em uma realidade que vai al\u00e9m do tempo, se somente escolhermos viv\u00ea-la com confian\u00e7a e abertura para Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pregador da Casa Pontif\u00edcia, padre Roberto Pasolini, conduziu na tarde de segunda-feira, 10 de mar\u00e7o, a sua terceira medita\u00e7\u00e3o aos membros da C\u00faria Romana no \u00e2mbito dos Exerc\u00edcios Espirituais da Quaresma. Na tarde desta segunda-feira o franciscano centralizou a sua aten\u00e7\u00e3o sobre o tema: A esperan\u00e7a da vida eterna. O Papa Francisco, internado no Hospital Gemelli segue as medita\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de uma coliga\u00e7\u00e3o v\u00eddeo. Publicamos a s\u00edntese da terceira Medita\u00e7\u00e3o. A primeira morte Por que temos dificuldades em reconhecer que a vida eterna j\u00e1 come\u00e7ou? A B\u00edblia sugere que o ser humano, desde o in\u00edcio, se descobre insens\u00edvel e hostil \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus. Os profetas do Antigo Testamento denunciaram a incapacidade do povo de perceber as \u201ccoisas novas\u201d que Deus faz, enquanto o pr\u00f3prio Jesus, percebendo a incompreens\u00e3o de que quem o ouvia, falava em par\u00e1bolas. Isso n\u00e3o era para simplificar sua mensagem, mas para destacar a dureza do cora\u00e7\u00e3o humano, fechado \u00e0 possibilidade de uma vida plena. O Novo Testamento descreve essa condi\u00e7\u00e3o com uma afirma\u00e7\u00e3o paradoxal: j\u00e1 estamos mortos, mas n\u00e3o nos damos conta disso. A morte, de fato, n\u00e3o \u00e9 apenas o evento final da vida (morte biol\u00f3gica), mas tamb\u00e9m uma realidade que j\u00e1 experimentamos, por meio de um fechamento em n\u00f3s mesmos que nos impede de perceber a vida como algo eterno que Deus quer nos dar. O G\u00eanesis relata essa perda de sensibilidade por meio do que a tradi\u00e7\u00e3o chamou de \u201cpecado original\u201d: o homem, em vez de acolher a vida como um dom, procura control\u00e1-la, ultrapassando o limite imposto por Deus. O resultado n\u00e3o \u00e9 a autonomia prometida pela serpente, mas um sentimento de vergonha e desorienta\u00e7\u00e3o. Essa primeira \u201cmorte interior\u201d se manifesta em nossa tentativa cont\u00ednua de cobrir nossas fragilidades com imagens, cargos e sucessos, sem enfrentar o profundo vazio que habita em nosso interior. No entanto, na B\u00edblia, Deus n\u00e3o parece alarmado com essa condi\u00e7\u00e3o: Sua primeira rea\u00e7\u00e3o \u00e9 procurar o homem, perguntando: \u201cOnde voc\u00ea est\u00e1?\u201d (Gn 3,9). Isso indica que a morte interior n\u00e3o \u00e9 o fim, mas o ponto a partir do qual iniciar um caminho de salva\u00e7\u00e3o. Essa l\u00f3gica tamb\u00e9m surge no drama de Caim e Abel: Deus n\u00e3o interv\u00e9m para evitar o fratric\u00eddio, mas protege Caim de seu sentimento de culpa. Isso mostra que nossa \u201cprimeira morte\u201d n\u00e3o \u00e9 um destino inevit\u00e1vel, mas uma oportunidade de redescobrir a vida eterna como uma realidade presente, n\u00e3o apenas futura. O pr\u00f3prio Jesus nos convida a ler as trag\u00e9dias da vida como oportunidades de convers\u00e3o, n\u00e3o como sinais de condena\u00e7\u00e3o (Lc 13,4-5). Deus v\u00ea nossa morte interior n\u00e3o como uma derrota, mas como o ponto de partida para uma nova exist\u00eancia. 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