{"id":30811,"date":"2025-03-13T10:23:28","date_gmt":"2025-03-13T10:23:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=30811"},"modified":"2025-03-13T10:23:28","modified_gmt":"2025-03-13T10:23:28","slug":"exercicios-espirituais-no-vaticano-5a-meditacao-moribundos-ou-vivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/exercicios-espirituais-no-vaticano-5a-meditacao-moribundos-ou-vivos\/","title":{"rendered":"Exerc\u00edcios Espirituais no Vaticano, 5\u00aa Medita\u00e7\u00e3o: &#8220;Moribundos ou vivos?&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O pregador da Casa Pontif\u00edcia, padre Roberto Pasolini, fez na tarde de ter\u00e7a-feira, 11 de mar\u00e7o, a sua quinta medita\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito dos Exerc\u00edcios Espirituais da Quaresma \u00e0 C\u00faria Romana, sobre o tema &#8220;A esperan\u00e7a da vida eterna: Moribundos ou vivos?&#8221; Os Exerc\u00edcios Espirituais est\u00e3o em andamento sem a presen\u00e7a do Papa Francisco que est\u00e1 internado no Hospital Gemelli. Publicamos a s\u00edntese da quinta Medita\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>O verdadeiro desafio do nosso caminho n\u00e3o \u00e9 apenas atravessar a morte, mas reconhecer que a vida eterna come\u00e7a aqui. Muitas vezes nos iludimos achando que existem apenas duas categorias de pessoas: os vivos e os mortos. O Evangelho de Jo\u00e3o, com a ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro, desafia essa vis\u00e3o: os verdadeiros mortos n\u00e3o s\u00e3o apenas aqueles que param de respirar, mas tamb\u00e9m quem est\u00e1 bloqueado pelo medo, pela vergonha e pelo controle. L\u00e1zaro, envolto em faixas que limitam todos os movimentos, representa todos n\u00f3s quando nos deixamos sufocar por expectativas e esquemas r\u00edgidos, perdendo o contato com nossa liberdade interior.<\/p>\n<p>Marta e Maria, diante da morte do irm\u00e3o, expressam uma f\u00e9 condicional: &#8220;Se estivesses aqui, meu irm\u00e3o n\u00e3o teria morrido&#8221; (Jo 11, 21). Essa mentalidade reflete a ideia de um Deus que deve sempre intervir para nos poupar da dor. Mas Jesus n\u00e3o veio para eliminar o sofrimento, mas para transform\u00e1-lo: \u201cEu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida\u201d (Jo 11,25). A verdadeira quest\u00e3o, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 se morreremos, mas se j\u00e1 estamos vivendo realmente, confiando em Cristo e em sua palavra.<\/p>\n<p>Este desafio tamb\u00e9m emerge no epis\u00f3dio da mulher que sofria de hemorragia que estava doente h\u00e1 doze anos e que, apesar de tudo, ousa tocar no manto de Jesus para buscar a cura (Mc 5, 25-34). Sua condi\u00e7\u00e3o representa toda a humanidade: buscamos rem\u00e9dios, buscamos vida, mas muitas vezes confiamos em falsos \u00eddolos que nos deixam vazios. Somente o contato com Cristo pode trazer a verdadeira cura, que n\u00e3o \u00e9 apenas f\u00edsica, mas interior: a capacidade de se confiar e se sentir acolhido.<\/p>\n<p>Jesus lhe diz: \u201cMinha filha, a tua f\u00e9 te salvou\u201d (Mc 5, 34), mostrando que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o externa de Deus, mas se expressa na capacidade de nos abrirmos \u00e0 sua presen\u00e7a. O mesmo vale para a confiss\u00e3o e para toda experi\u00eancia de reconcilia\u00e7\u00e3o: um ato formal n\u00e3o \u00e9 suficiente, \u00e9 preciso que o nosso cora\u00e7\u00e3o redescubra a confian\u00e7a num Deus que realmente nos quer vivos.<\/p>\n<p>O sinal de L\u00e1zaro e a cura da mulher com hemorragia nos colocam uma pergunta radical: somos moribundos que aguardam o fim ou vivos que j\u00e1 come\u00e7aram a experimentar a ressurrei\u00e7\u00e3o? A vida eterna n\u00e3o \u00e9 apenas uma recompensa futura, mas uma realidade que podemos escolher agora, vivendo com liberdade, esperan\u00e7a e confian\u00e7a no Deus que nos chama \u00e0 plenitude.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pregador da Casa Pontif\u00edcia, padre Roberto Pasolini, fez na tarde de ter\u00e7a-feira, 11 de mar\u00e7o, a sua quinta medita\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito dos Exerc\u00edcios Espirituais da Quaresma \u00e0 C\u00faria Romana, sobre o tema &#8220;A esperan\u00e7a da vida eterna: Moribundos ou vivos?&#8221; Os Exerc\u00edcios Espirituais est\u00e3o em andamento sem a presen\u00e7a do Papa Francisco que est\u00e1 internado no Hospital Gemelli. Publicamos a s\u00edntese da quinta Medita\u00e7\u00e3o. O verdadeiro desafio do nosso caminho n\u00e3o \u00e9 apenas atravessar a morte, mas reconhecer que a vida eterna come\u00e7a aqui. Muitas vezes nos iludimos achando que existem apenas duas categorias de pessoas: os vivos e os mortos. O Evangelho de Jo\u00e3o, com a ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro, desafia essa vis\u00e3o: os verdadeiros mortos n\u00e3o s\u00e3o apenas aqueles que param de respirar, mas tamb\u00e9m quem est\u00e1 bloqueado pelo medo, pela vergonha e pelo controle. L\u00e1zaro, envolto em faixas que limitam todos os movimentos, representa todos n\u00f3s quando nos deixamos sufocar por expectativas e esquemas r\u00edgidos, perdendo o contato com nossa liberdade interior. Marta e Maria, diante da morte do irm\u00e3o, expressam uma f\u00e9 condicional: &#8220;Se estivesses aqui, meu irm\u00e3o n\u00e3o teria morrido&#8221; (Jo 11, 21). Essa mentalidade reflete a ideia de um Deus que deve sempre intervir para nos poupar da dor. Mas Jesus n\u00e3o veio para eliminar o sofrimento, mas para transform\u00e1-lo: \u201cEu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida\u201d (Jo 11,25). A verdadeira quest\u00e3o, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 se morreremos, mas se j\u00e1 estamos vivendo realmente, confiando em Cristo e em sua palavra. Este desafio tamb\u00e9m emerge no epis\u00f3dio da mulher que sofria de hemorragia que estava doente h\u00e1 doze anos e que, apesar de tudo, ousa tocar no manto de Jesus para buscar a cura (Mc 5, 25-34). Sua condi\u00e7\u00e3o representa toda a humanidade: buscamos rem\u00e9dios, buscamos vida, mas muitas vezes confiamos em falsos \u00eddolos que nos deixam vazios. Somente o contato com Cristo pode trazer a verdadeira cura, que n\u00e3o \u00e9 apenas f\u00edsica, mas interior: a capacidade de se confiar e se sentir acolhido. Jesus lhe diz: \u201cMinha filha, a tua f\u00e9 te salvou\u201d (Mc 5, 34), mostrando que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o externa de Deus, mas se expressa na capacidade de nos abrirmos \u00e0 sua presen\u00e7a. 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