{"id":30815,"date":"2025-03-14T10:55:53","date_gmt":"2025-03-14T10:55:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=30815"},"modified":"2025-03-14T10:55:53","modified_gmt":"2025-03-14T10:55:53","slug":"exercicios-espirituais-no-vaticano-7a-meditacao-eternos-nao-imortais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/exercicios-espirituais-no-vaticano-7a-meditacao-eternos-nao-imortais\/","title":{"rendered":"Exerc\u00edcios Espirituais no Vaticano, 7\u00aa Medita\u00e7\u00e3o: &#8220;Eternos, n\u00e3o imortais&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O pregador da Casa Pontif\u00edcia, padre Roberto Pasolini, fez na tarde de quarta-feira, 12 de mar\u00e7o, a s\u00e9tima medita\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito dos Exerc\u00edcios Espirituais da Quaresma \u00e0 C\u00faria Romana sobre o tema &#8220;A esperan\u00e7a da vida eterna: Eternos, n\u00e3o imortais&#8221;. Publicamos a s\u00edntese da reflex\u00e3o<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>Nossa \u00e9poca gerou uma ilus\u00e3o de imortalidade, alimentada pelo progresso e pelo bem-estar, que nos leva a ignorar os limites da condi\u00e7\u00e3o humana. At\u00e9 mesmo a Igreja, por vezes, enfrenta dificuldades para se redimensionar e oferecer um testemunho cred\u00edvel do Reino de Deus. Essa remo\u00e7\u00e3o da morte se manifesta na incapacidade de viver serenamente a espera e na obsess\u00e3o pela hiperatividade e pela presen\u00e7a constante nos in\u00fameros \u00e2mbitos em que a realidade nos interpela. O medo da morte tornou dif\u00edcil enfrentar escolhas definitivas, favorecendo o descompromisso e a ilus\u00e3o de que sempre se pode revogar as decis\u00f5es tomadas.<\/p>\n<p>A sociedade contempor\u00e2nea eliminou os rituais e as palavras que, outrora, ajudavam a enfrentar a passagem da morte com sentido e coragem. Hoje, o morrer \u00e9 frequentemente reduzido a um espet\u00e1culo midi\u00e1tico ou a um problema t\u00e9cnico da ci\u00eancia m\u00e9dica. Esse distanciamento do conceito de morte impede a compreens\u00e3o do sentido mais profundo da vida e da esperan\u00e7a crist\u00e3. S\u00e3o Francisco de Assis, ao cham\u00e1-la de \u201cirm\u00e3 morte\u201d, oferece uma alternativa radical: aceitar a finitude humana como parte de um caminho que conduz \u00e0 eternidade.<\/p>\n<p>O pecado, entendido como o uso fracassado da liberdade, muitas vezes nasce da tentativa de escapar da precariedade da vida. No entanto, o \u00fanico verdadeiro ant\u00eddoto \u00e9 o amor, vivido de maneira concreta e profunda, como testemunham as palavras de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cN\u00f3s sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irm\u00e3os\u201d (1Jo 3,14). Amar at\u00e9 o fim significa aceitar o limite e transform\u00e1-lo em uma oportunidade para se doar sem reservas.<\/p>\n<p>Cristo n\u00e3o eliminou a morte, mas a atravessou para nos mostrar que ela pode ser habitada e transfigurada. A encarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma resposta ao pecado, mas um gesto de amor radical com o qual Deus se envolveu em nossa exist\u00eancia. O Evangelho de Marcos ressalta o paradoxo de um Deus que salva por meio da cruz, revelando-nos que, embora sejamos eternos, n\u00e3o somos imortais.<\/p>\n<p>Paulo adverte os G\u00e1latas sobre o risco de retornar a uma f\u00e9 baseada no medo e na lei, em vez da confian\u00e7a no dom gratuito de Deus. Jo\u00e3o exorta ao discernimento dos esp\u00edritos, reconhecendo a encarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o como uma ideia, mas como um modo concreto de viver a realidade. A encarna\u00e7\u00e3o nos pede que permane\u00e7amos firmes na confian\u00e7a de que a realidade, apesar de suas dificuldades, \u00e9 o lugar do Reino de Deus. Viver como filhos de Deus e irm\u00e3os entre n\u00f3s \u00e9 uma escolha que deve ser renovada a cada dia, na certeza de que o amor at\u00e9 o fim n\u00e3o apenas \u00e9 poss\u00edvel, mas j\u00e1 foi testemunhado por tantas gera\u00e7\u00f5es de homens e mulheres. Esse c\u00e2ntico de amor tamb\u00e9m podemos entoar com a nossa vida.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pregador da Casa Pontif\u00edcia, padre Roberto Pasolini, fez na tarde de quarta-feira, 12 de mar\u00e7o, a s\u00e9tima medita\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito dos Exerc\u00edcios Espirituais da Quaresma \u00e0 C\u00faria Romana sobre o tema &#8220;A esperan\u00e7a da vida eterna: Eternos, n\u00e3o imortais&#8221;. 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Hoje, o morrer \u00e9 frequentemente reduzido a um espet\u00e1culo midi\u00e1tico ou a um problema t\u00e9cnico da ci\u00eancia m\u00e9dica. Esse distanciamento do conceito de morte impede a compreens\u00e3o do sentido mais profundo da vida e da esperan\u00e7a crist\u00e3. S\u00e3o Francisco de Assis, ao cham\u00e1-la de \u201cirm\u00e3 morte\u201d, oferece uma alternativa radical: aceitar a finitude humana como parte de um caminho que conduz \u00e0 eternidade. O pecado, entendido como o uso fracassado da liberdade, muitas vezes nasce da tentativa de escapar da precariedade da vida. No entanto, o \u00fanico verdadeiro ant\u00eddoto \u00e9 o amor, vivido de maneira concreta e profunda, como testemunham as palavras de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cN\u00f3s sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irm\u00e3os\u201d (1Jo 3,14). Amar at\u00e9 o fim significa aceitar o limite e transform\u00e1-lo em uma oportunidade para se doar sem reservas. Cristo n\u00e3o eliminou a morte, mas a atravessou para nos mostrar que ela pode ser habitada e transfigurada. A encarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma resposta ao pecado, mas um gesto de amor radical com o qual Deus se envolveu em nossa exist\u00eancia. O Evangelho de Marcos ressalta o paradoxo de um Deus que salva por meio da cruz, revelando-nos que, embora sejamos eternos, n\u00e3o somos imortais. Paulo adverte os G\u00e1latas sobre o risco de retornar a uma f\u00e9 baseada no medo e na lei, em vez da confian\u00e7a no dom gratuito de Deus. Jo\u00e3o exorta ao discernimento dos esp\u00edritos, reconhecendo a encarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o como uma ideia, mas como um modo concreto de viver a realidade. A encarna\u00e7\u00e3o nos pede que permane\u00e7amos firmes na confian\u00e7a de que a realidade, apesar de suas dificuldades, \u00e9 o lugar do Reino de Deus. 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