{"id":31148,"date":"2025-06-27T09:40:51","date_gmt":"2025-06-27T09:40:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31148"},"modified":"2025-06-27T09:41:34","modified_gmt":"2025-06-27T09:41:34","slug":"papa-francisco-e-a-liturgia-da-reforma-a-formacao-liturgica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/papa-francisco-e-a-liturgia-da-reforma-a-formacao-liturgica\/","title":{"rendered":"Papa Francisco e a Liturgia: da \u201creforma\u201d \u00e0 \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d lit\u00fargica"},"content":{"rendered":"<p>No famoso discurso de 24 de agosto de 2017, aos participantes na 68\u00ba Semana Lit\u00fargica Nacional de It\u00e1lia, Francisco declara encerrado o tempo da reforma lit\u00fargica. Agora importa conhecer melhor as raz\u00f5es que a nortearam, \u00abinteriorizar os princ\u00edpios inspiradores\u00bb e atu\u00e1-la com disciplina e fidelidade. Ningu\u00e9m pense que a reforma dos livros lit\u00fargicos tenha sido o mais importante e decisivo. Decisiva era \u00abrenovar a mentalidade\u00bb num processo de rece\u00e7\u00e3o que requer tempo, fidelidade, obedi\u00eancia, sapi\u00eancia e, sobretudo educa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u00bb.<\/p>\n<p>Novamente, no discurso \u00e0 assembleia plen\u00e1ria da CCDDS, em 14 de fevereiro de 2019, o Papa recorda que, renovados os livros lit\u00fargicos, faltava ainda o principal: mudar o cora\u00e7\u00e3o. A tarefa mais importante e pendente era a da forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Uma forma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o resvalasse<em>\u00a0\u00abpara est\u00e9reis\u00a0<strong>polariza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas<\/strong><\/em>\u00bb entre nostalgia do passado e fuga para um futuro imagin\u00e1rio. Francisco preconizava o s\u00e3o realismo que \u00e9 inerente \u00e0 pr\u00f3pria Liturgia.<\/p>\n<p>Primeiramente, \u00e9 preciso ajudar o Povo de Deus \u00ab<em>a tomar\u00a0<strong>consci\u00eancia<\/strong>\u00a0do papel insubstitu\u00edvel de que a liturgia se reveste na Igreja e para a Igreja<\/em>\u00bb. Em seguida, e em simult\u00e2neo, \u00e9 necess\u00e1rio e urgente \u00ab<em>ajudar concretamente o Povo de Deus a\u00a0<strong>interiorizar<\/strong>\u00a0melhor a ora\u00e7\u00e3o da Igreja, a am\u00e1-la como experi\u00eancia de encontro com o Senhor e com os irm\u00e3os e, \u00e0 luz disto, redescobrir os seus conte\u00fados e observar os seus ritos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Liturgia \u00e9 formadora e transformadora. Mas, para que o possa ser da forma mais efetiva, \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0<strong>formar para<\/strong>\u00a0a Liturgia: \u00ab<em>\u00e9 preciso que os Pastores e os leigos sejam introduzidos na compreens\u00e3o do seu significado e linguagem simb\u00f3lica, incluindo a arte, o canto e a m\u00fasica ao servi\u00e7o do mist\u00e9rio celebrado, e tamb\u00e9m o sil\u00eancio<\/em>\u00bb. Por isso, o Papa preconiza a via mistag\u00f3gica. E, quase a concluir: \u00ab<em>Quanto aos ministros ordenados, mesmo em vista de uma s\u00e3\u00a0<\/em><strong><em>ars celebrandi<\/em><\/strong><em>, vale a recomenda\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio: \u201c\u00c9 absolutamente necess\u00e1rio dar o primeiro lugar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica do clero\u201d (SC 14). O primeiro lugar<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Foi sobretudo na Carta Apost\u00f3lica\u00a0<em>Desiderio desideravi\u00a0<\/em>[=DD], de 29 de junho de 2022, sobre a forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica do povo de Deus, que o falecido Papa desenvolveu esta tem\u00e1tica. \u00c9 o principal ato do magist\u00e9rio lit\u00fargico de Francisco: um documento de fundo e precioso. Tendo dedicado a primeira parte da Carta Apost\u00f3lica a aprofundar, de forma empolgante, a no\u00e7\u00e3o conciliar de Liturgia: encontro vivo com o Ressuscitado que continua a desejar celebrar connosco a Sua P\u00e1scoa perene, a partir do n. 27, o documento foca-se na tema decisivo da forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica.<\/p>\n<p>Para o Pont\u00edfice, as quest\u00f5es que agora importam s\u00e3o: \u00ab<em>como crescer na capacidade de viver em plenitude a a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica? Como continuar a surpreendermo-nos com o que acontece na celebra\u00e7\u00e3o diante dos nossos olhos? Precisamos de uma s\u00e9ria e vital forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica<\/em>\u00bb (n. 31). Forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, portanto, \u00e9 a palavra de ordem da atualidade eclesial. Francisco distingue dois momentos nesta tarefa priorit\u00e1ria: forma\u00e7\u00e3o\u00a0<em>para<\/em>\u00a0a liturgia e forma\u00e7\u00e3o\u00a0<em>pela<\/em>\u00a0liturgia, sendo esta a que mais importa (DD 34).<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o\u00a0<em>para\u00a0<\/em>a liturgia obt\u00e9m-se pelo cultivo da ci\u00eancia lit\u00fargica. Estes conhecimentos, indispens\u00e1veis aos ministros ordenados, devem ser cada vez mais partilhados por todos os fi\u00e9is para celebrarem de forma mais consciente a P\u00e1scoa, a Eucaristia dominical ao longo do ano lit\u00fargico, os sacramentos e sacramentais que ritmam o percurso da vida crist\u00e3. Importa regressar \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio no que diz respeito ao lugar da liturgia no plano de estudos dos Semin\u00e1rios e institutos de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica (DD 37) com uma abordagem lit\u00fargico-sapiencial. Na forma\u00e7\u00e3o para a liturgia, o estudo e a teoria t\u00eam de ser acompanhados por uma experi\u00eancia celebrativa exemplar quer do ponto de vista ritual quer do ponto de vista espiritual, de tal modo que na liturgia se viva \u00ab<em>aquela verdadeira comunh\u00e3o com Deus \u00e0 qual tamb\u00e9m o saber teol\u00f3gico deve tender<\/em>\u00bb. Esta forma\u00e7\u00e3o\u00a0<em>para<\/em>\u00a0a liturgia n\u00e3o se adquire de uma vez por todas. Porque o dom do mist\u00e9rio celebrado sempre excede as nossas capacidades de conhecimento, importa cuidar do aprofundamento deste conhecimento com planos atentos de forma\u00e7\u00e3o permanente (DD 38).<\/p>\n<p>Se a \u00abforma\u00e7\u00e3o\u00a0<em>para<\/em>\u00a0a liturgia\u00bb, com a sua vertente mais te\u00f3rica, n\u00e3o pode ser descurada, o mais importante \u00e9 a \u00abforma\u00e7\u00e3o\u00a0<em>pela<\/em>\u00a0liturgia\u00bb ou, como Francisco prefere dizer, \u00ab<strong>forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica<\/strong>\u00bb. Trata-se de ser \u00abformado pela participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u00bb. \u00ab<em>Mesmo o conhecimento de estudo \u2026 para que n\u00e3o se torne racionalismo, deve estar em fun\u00e7\u00e3o do realizar-se da a\u00e7\u00e3o formadora da Liturgia em cada crente em Cristo<\/em>\u00bb (DD 40). Assume-se assim a convic\u00e7\u00e3o de que a Liturgia forma para a liturgia de um modo vital. Na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, o Esp\u00edrito Santo que nela opera \u00abconforma-nos\u00bb a Cristo, \u00abforma Cristo\u00bb nos participantes e \u00e9 nisso que consiste a plenitude da nossa forma\u00e7\u00e3o (DD 41). N\u00e3o podemos aqui entrar em detalhes. Francisco, na escola de Romano Guardini, valoriza a via sacramental, preconiza a educa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, enaltece o cultivo e exerc\u00edcio de uma aut\u00eantica \u00ab<em>ars celebrandi<\/em>\u00bb, que diz respeito a pastores e a fi\u00e9is.<\/p>\n<p>(Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No famoso discurso de 24 de agosto de 2017, aos participantes na 68\u00ba Semana Lit\u00fargica Nacional de It\u00e1lia, Francisco declara encerrado o tempo da reforma lit\u00fargica. Agora importa conhecer melhor as raz\u00f5es que a nortearam, \u00abinteriorizar os princ\u00edpios inspiradores\u00bb e atu\u00e1-la com disciplina e fidelidade. Ningu\u00e9m pense que a reforma dos livros lit\u00fargicos tenha sido o mais importante e decisivo. Decisiva era \u00abrenovar a mentalidade\u00bb num processo de rece\u00e7\u00e3o que requer tempo, fidelidade, obedi\u00eancia, sapi\u00eancia e, sobretudo educa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u00bb. Novamente, no discurso \u00e0 assembleia plen\u00e1ria da CCDDS, em 14 de fevereiro de 2019, o Papa recorda que, renovados os livros lit\u00fargicos, faltava ainda o principal: mudar o cora\u00e7\u00e3o. A tarefa mais importante e pendente era a da forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Uma forma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o resvalasse\u00a0\u00abpara est\u00e9reis\u00a0polariza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas\u00bb entre nostalgia do passado e fuga para um futuro imagin\u00e1rio. Francisco preconizava o s\u00e3o realismo que \u00e9 inerente \u00e0 pr\u00f3pria Liturgia. Primeiramente, \u00e9 preciso ajudar o Povo de Deus \u00aba tomar\u00a0consci\u00eancia\u00a0do papel insubstitu\u00edvel de que a liturgia se reveste na Igreja e para a Igreja\u00bb. Em seguida, e em simult\u00e2neo, \u00e9 necess\u00e1rio e urgente \u00abajudar concretamente o Povo de Deus a\u00a0interiorizar\u00a0melhor a ora\u00e7\u00e3o da Igreja, a am\u00e1-la como experi\u00eancia de encontro com o Senhor e com os irm\u00e3os e, \u00e0 luz disto, redescobrir os seus conte\u00fados e observar os seus ritos\u00bb. A pr\u00f3pria Liturgia \u00e9 formadora e transformadora. Mas, para que o possa ser da forma mais efetiva, \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0formar para\u00a0a Liturgia: \u00ab\u00e9 preciso que os Pastores e os leigos sejam introduzidos na compreens\u00e3o do seu significado e linguagem simb\u00f3lica, incluindo a arte, o canto e a m\u00fasica ao servi\u00e7o do mist\u00e9rio celebrado, e tamb\u00e9m o sil\u00eancio\u00bb. Por isso, o Papa preconiza a via mistag\u00f3gica. 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Para o Pont\u00edfice, as quest\u00f5es que agora importam s\u00e3o: \u00abcomo crescer na capacidade de viver em plenitude a a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica? Como continuar a surpreendermo-nos com o que acontece na celebra\u00e7\u00e3o diante dos nossos olhos? Precisamos de uma s\u00e9ria e vital forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u00bb (n. 31). Forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, portanto, \u00e9 a palavra de ordem da atualidade eclesial. Francisco distingue dois momentos nesta tarefa priorit\u00e1ria: forma\u00e7\u00e3o\u00a0para\u00a0a liturgia e forma\u00e7\u00e3o\u00a0pela\u00a0liturgia, sendo esta a que mais importa (DD 34). A forma\u00e7\u00e3o\u00a0para\u00a0a liturgia obt\u00e9m-se pelo cultivo da ci\u00eancia lit\u00fargica. Estes conhecimentos, indispens\u00e1veis aos ministros ordenados, devem ser cada vez mais partilhados por todos os fi\u00e9is para celebrarem de forma mais consciente a P\u00e1scoa, a Eucaristia dominical ao longo do ano lit\u00fargico, os sacramentos e sacramentais que ritmam o percurso da vida crist\u00e3. Importa regressar \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio no que diz respeito ao lugar da liturgia no plano de estudos dos Semin\u00e1rios e institutos de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica (DD 37) com uma abordagem lit\u00fargico-sapiencial. Na forma\u00e7\u00e3o para a liturgia, o estudo e a teoria t\u00eam de ser acompanhados por uma experi\u00eancia celebrativa exemplar quer do ponto de vista ritual quer do ponto de vista espiritual, de tal modo que na liturgia se viva \u00abaquela verdadeira comunh\u00e3o com Deus \u00e0 qual tamb\u00e9m o saber teol\u00f3gico deve tender\u00bb. Esta forma\u00e7\u00e3o\u00a0para\u00a0a liturgia n\u00e3o se adquire de uma vez por todas. Porque o dom do mist\u00e9rio celebrado sempre excede as nossas capacidades de conhecimento, importa cuidar do aprofundamento deste conhecimento com planos atentos de forma\u00e7\u00e3o permanente (DD 38). Se a \u00abforma\u00e7\u00e3o\u00a0para\u00a0a liturgia\u00bb, com a sua vertente mais te\u00f3rica, n\u00e3o pode ser descurada, o mais importante \u00e9 a \u00abforma\u00e7\u00e3o\u00a0pela\u00a0liturgia\u00bb ou, como Francisco prefere dizer, \u00abforma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u00bb. Trata-se de ser \u00abformado pela participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u00bb. \u00abMesmo o conhecimento de estudo \u2026 para que n\u00e3o se torne racionalismo, deve estar em fun\u00e7\u00e3o do realizar-se da a\u00e7\u00e3o formadora da Liturgia em cada crente em Cristo\u00bb (DD 40). Assume-se assim a convic\u00e7\u00e3o de que a Liturgia forma para a liturgia de um modo vital. Na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, o Esp\u00edrito Santo que nela opera \u00abconforma-nos\u00bb a Cristo, \u00abforma Cristo\u00bb nos participantes e \u00e9 nisso que consiste a plenitude da nossa forma\u00e7\u00e3o (DD 41). N\u00e3o podemos aqui entrar em detalhes. Francisco, na escola de Romano Guardini, valoriza a via sacramental, preconiza a educa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, enaltece o cultivo e exerc\u00edcio de uma aut\u00eantica \u00abars celebrandi\u00bb, que diz respeito a pastores e a fi\u00e9is. 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