{"id":31193,"date":"2025-07-11T09:44:00","date_gmt":"2025-07-11T09:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31193"},"modified":"2025-07-11T09:44:00","modified_gmt":"2025-07-11T09:44:00","slug":"formas-do-sinal-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/formas-do-sinal-da-cruz\/","title":{"rendered":"Formas do Sinal da Cruz"},"content":{"rendered":"<p>Chamamos-lhe \u00absinal\u00bb, mas o \u00absinal da cruz\u00bb \u00e9 mais do que mero sinal: \u00e9 \u00ab<strong>s\u00edmbolo<\/strong>\u00bb no sentido mais rico do termo. De facto, por ele os crist\u00e3os conhecem-se e reconhecem-se, credenciam a sua identidade, dizem a quem pertencem, ativam a alian\u00e7a\u00a0 que os une e faz deles um povo com uma marca distintiva e indel\u00e9vel. Por outro lado, o sinal da Cruz \u00e9 uma condensa\u00e7\u00e3o e figura\u00e7\u00e3o de significados profundos, riqu\u00edssimos, inef\u00e1veis, que mediante ele, na unidade de gesto e palavra, se exprimem de uma forma ao mesmo tempo breve e plena, simples e densa. \u00abSinal do crist\u00e3o\u00bb, a Cruz \u00e9 tamb\u00e9m o nosso credo nuclear.<\/p>\n<p>Nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e na piedade pessoal, o sinal da Cruz assume diversas for\u00admas:<\/p>\n<p>\u2013 A mais antiga \u00e9 a que ainda hoje se pratica no in\u00edcio da celebra\u00e7\u00e3o do Batismo das crian\u00e7as e no Rito da admiss\u00e3o de catec\u00famenos: ministros, pais e padrinhos\u2026 tra\u00ad\u00e7am com o polegar da m\u00e3o direita uma pequena cruz na fronte da crian\u00e7a\/catec\u00fame\u00adno. Significa que, a partir desse momento, os que assim s\u00e3o assinalados t\u00eam uma\u00a0<em>marca<\/em>\u00a0que os distingue e assinala a sua perten\u00e7a a Cristo, que nos salvou pela cruz. No Sacramento da Confirma\u00e7\u00e3o o Bispo (ou o Presb\u00edtero que o substitui), com o polegar humedecido no \u00f3leo do santo crisma, repete este gesto na testa do confirmando para significar o Dom do Esp\u00edrito Santo que marca os crismados e faz deles outros \u00abcristos\u00bb.<\/p>\n<p>\u2013 \u00ab<em>Benzer-se<\/em>\u00bb \u00e9 um gesto habitual no in\u00edcio e no fim da ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria ou pessoal: com a m\u00e3o esquerda apoiada no peito e com os dedos da m\u00e3o direita estendidos, o crist\u00e3o faz sobre si uma cruz ampla, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito [na tradi\u00e7\u00e3o latina; nos ritos orientais \u00e9 usual a ordem dos ombros \u00e9 espelhada, ou seja, do direito para o esquerdo], ao mesmo tempo que diz as palavras: \u00ab<strong><em>Em nome do Pai<\/em><\/strong>\u00a0(com a m\u00e3o direita na testa)\u00a0<strong><em>e do Filho\u00a0<\/em><\/strong>(a m\u00e3o direita vai ao peito)\u00a0<strong><em>e do Esp\u00edrito<\/em><\/strong>\u00a0(a m\u00e3o direita vai ao ombro esquerdo)\u00a0<strong><em>Santo<\/em><\/strong>\u00a0(a m\u00e3o direita vai ao ombro direito).\u00a0<strong><em>Amen<\/em><\/strong>\u00a0(juntam-se ambas as m\u00e3os diante do peito). O sinal da Cruz, feito deste modo, \u00e9 uma profiss\u00e3o de F\u00e9 em Deus Uno e Trino que no Batismo tomou posse dos fi\u00e9is; \u00e9, ao mesmo tempo, uma mem\u00f3ria da P\u00e1scoa em que Cristo nos remiu pela Sua Cruz e Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Outra modalidade \u00e9 a\u00a0<em>persigna\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0palavra que significa\u00a0<em>signa\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>[o ato de marcar com um sinal]<em>\u00a0repetida<\/em>. Consis\u00adte em, mantendo a m\u00e3o esquerda sobre o peito, fazer com o polegar da m\u00e3o direita 3 pequenas cruzes sucessivamente sobre a testa, a boca e o peito. Na liturgia da Missa a persigna\u00e7\u00e3o \u00e9 prescrita quer ao ministro que proclama o Evangelho, no momento em que o anuncia (IGMR 134, 175), quer aos fi\u00e9is que se preparam para o escutar (IGMR 134). Vale a pena ler o texto da IGMR 134: \u00abTendo chegado ao amb\u00e3o, o sacerdote abre o livro e, de m\u00e3o juntas, diz: O\u00a0<em>Senhor esteja convosco<\/em>; o povo responde:\u00a0<em>Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s<\/em>, e a seguir\u00a0<em>Evangelho de Nosso Senhor<\/em>\u2026,\u00a0<strong>fazendo<\/strong>\u00a0o sinal da cruz sobre o livro e sobre si mesmo na fronte, na boca e no peito, e todos fazem o mesmo. O povo aclama, dizendo:<em>\u00a0Gl\u00f3ria a V\u00f3s, Senhor<\/em>.\u00a0 Esta indica\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o mais recente da IGMR concorda com a edi\u00e7\u00e3o portuguesa do Missal Romano desde 1992:\u00a0<em>\u00abA seguir, o di\u00e1cono ou o sacerdote, dirige-se para o amb\u00e3o\u2026 e diz:\u00a0<\/em>O Senhor esteja convosco\u2026 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo s\u00e3o N.<em>\u00a0<strong>Ao mesmo tempo<\/strong>, faz o sinal da cruz sobre o livro e, depois, sobre si mesmo na fronte, na boca e no peito,\u00a0<strong>e o mesmo fazem todos os demais<\/strong>\u00bb\u00a0<\/em>(<em>Missal Romano<\/em>, CEP 2021, p. 498).<\/p>\n<p>Duas anota\u00e7\u00f5es importantes:<\/p>\n<p>\u2013 Os fi\u00e9is fazem a persigna\u00e7\u00e3o sem\u00a0 dizer quaisquer palavras, a n\u00e3o ser a aclama\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Gl\u00f3ria a V\u00f3s\u2026<\/em>\u00a0Por vezes ouve-se o murm\u00fario surdo da f\u00f3rmula\u00a0<em>Pelo Sinal da Santa Cruz,\u00a0<\/em>etc. Essa f\u00f3rmula, pr\u00f3pria da piedade pessoal, n\u00e3o tem aqui qualquer cabimento. No an\u00fancio do Evangelho durante a celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica a f\u00f3rmula s\u00f3 pode ser esse mesmo an\u00fancio que nos deve penetrar e santificar totalmente: mente, palavras e afetos.<\/p>\n<p>\u2013 A \u00abculpa\u00bb desse dislate pertence, porventura, a certos ministros que fazem o an\u00fancio do Evangelho sem fazer qualquer gesto e s\u00f3 a seguir se persignam, silenciosamente, transformando um rito coerente, feito de palavra e gesto intimamente unidos, em dois ritos sequenciais, cuja liga\u00e7\u00e3o assim se debilita ou at\u00e9 perde. Convenhamos em que, desligando o gesto das palavras, a persigna\u00e7\u00e3o perde a sua riqueza e se transforma num \u00abcapricho\u00bb rubrical. E para capricho, capricho e meio: os fi\u00e9is preenchem o vazio verbal com uma f\u00f3rmula deslocada\u2026 E se fiz\u00e9ssemos como a Igreja, na sua sabedoria, manda que se fa\u00e7a, tanto na\u00a0<em>Instru\u00e7\u00e3o Geral<\/em>\u00a0como na pr\u00f3pria rubrica do\u00a0<em>Missal\u00a0<\/em>? N\u00f3s at\u00e9 sabemos que a Cruz de Cristo, a Sua P\u00e1scoa constitui a chave hermen\u00eautica decisiva da leitura\/audi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do Evangelho, mas de toda a Escritura. E que essa audi\u00e7\u00e3o\/leitura \u00e9 um processo totalizante que envolve pensamento, ato de comunica\u00e7\u00e3o, sentimentos e afetos. \u00c9 isso, precisamente, o que a persigna\u00e7\u00e3o, neste momento, significa e realiza.<\/p>\n<p>(Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chamamos-lhe \u00absinal\u00bb, mas o \u00absinal da cruz\u00bb \u00e9 mais do que mero sinal: \u00e9 \u00abs\u00edmbolo\u00bb no sentido mais rico do termo. De facto, por ele os crist\u00e3os conhecem-se e reconhecem-se, credenciam a sua identidade, dizem a quem pertencem, ativam a alian\u00e7a\u00a0 que os une e faz deles um povo com uma marca distintiva e indel\u00e9vel. Por outro lado, o sinal da Cruz \u00e9 uma condensa\u00e7\u00e3o e figura\u00e7\u00e3o de significados profundos, riqu\u00edssimos, inef\u00e1veis, que mediante ele, na unidade de gesto e palavra, se exprimem de uma forma ao mesmo tempo breve e plena, simples e densa. \u00abSinal do crist\u00e3o\u00bb, a Cruz \u00e9 tamb\u00e9m o nosso credo nuclear. 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Duas anota\u00e7\u00f5es importantes: \u2013 Os fi\u00e9is fazem a persigna\u00e7\u00e3o sem\u00a0 dizer quaisquer palavras, a n\u00e3o ser a aclama\u00e7\u00e3o\u00a0Gl\u00f3ria a V\u00f3s\u2026\u00a0Por vezes ouve-se o murm\u00fario surdo da f\u00f3rmula\u00a0Pelo Sinal da Santa Cruz,\u00a0etc. Essa f\u00f3rmula, pr\u00f3pria da piedade pessoal, n\u00e3o tem aqui qualquer cabimento. No an\u00fancio do Evangelho durante a celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica a f\u00f3rmula s\u00f3 pode ser esse mesmo an\u00fancio que nos deve penetrar e santificar totalmente: mente, palavras e afetos. \u2013 A \u00abculpa\u00bb desse dislate pertence, porventura, a certos ministros que fazem o an\u00fancio do Evangelho sem fazer qualquer gesto e s\u00f3 a seguir se persignam, silenciosamente, transformando um rito coerente, feito de palavra e gesto intimamente unidos, em dois ritos sequenciais, cuja liga\u00e7\u00e3o assim se debilita ou at\u00e9 perde. Convenhamos em que, desligando o gesto das palavras, a persigna\u00e7\u00e3o perde a sua riqueza e se transforma num \u00abcapricho\u00bb rubrical. E para capricho, capricho e meio: os fi\u00e9is preenchem o vazio verbal com uma f\u00f3rmula deslocada\u2026 E se fiz\u00e9ssemos como a Igreja, na sua sabedoria, manda que se fa\u00e7a, tanto na\u00a0Instru\u00e7\u00e3o Geral\u00a0como na pr\u00f3pria rubrica do\u00a0Missal\u00a0? N\u00f3s at\u00e9 sabemos que a Cruz de Cristo, a Sua P\u00e1scoa constitui a chave hermen\u00eautica decisiva da leitura\/audi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do Evangelho, mas de toda a Escritura. E que essa audi\u00e7\u00e3o\/leitura \u00e9 um processo totalizante que envolve pensamento, ato de comunica\u00e7\u00e3o, sentimentos e afetos. \u00c9 isso, precisamente, o que a persigna\u00e7\u00e3o, neste momento, significa e realiza. 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