{"id":31383,"date":"2025-09-06T15:33:38","date_gmt":"2025-09-06T15:33:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31383"},"modified":"2025-09-06T15:41:31","modified_gmt":"2025-09-06T15:41:31","slug":"a-sede-de-jesus-na-cruz-e-a-nossa-tambem-clamor-de-uma-humanidade-ferida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/a-sede-de-jesus-na-cruz-e-a-nossa-tambem-clamor-de-uma-humanidade-ferida\/","title":{"rendered":"A sede de Jesus na cruz \u00e9 a nossa tamb\u00e9m. Clamor de uma humanidade ferida"},"content":{"rendered":"<p>A Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro acolheu milhares de fi\u00e9is para a Audi\u00eancia Geral de quarta-feira, 03 de setembro, em que o Papa Le\u00e3o XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado ao tema \u201cJesus Cristo nossa Esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>As palavras de Jesus &#8220;Tenho sede&#8221; e logo depois &#8220;Tudo est\u00e1 consumado&#8221;, proferidas na cruz, foram o centro da catequese deste encontro semanal com os fi\u00e9is.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o palavras finais, mas carregadas de uma vida inteira, que revelam o sentido de toda a exist\u00eancia do Filho de Deus. Na cruz, Jesus n\u00e3o aparece como um her\u00f3i vitorioso, mas como um mendigo de amor. N\u00e3o proclama, n\u00e3o condena, n\u00e3o se defende. Pede humildemente o que n\u00e3o pode dar a si mesmo&#8221;, frisou o Pont\u00edfice, acrescentando:<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cA sede do Crucificado n\u00e3o \u00e9 apenas a necessidade fisiol\u00f3gica de um corpo torturado. \u00c9 tamb\u00e9m, e sobretudo, a express\u00e3o de um desejo profundo: o de amor, de rela\u00e7\u00e3o, de comunh\u00e3o. \u00c9 o grito silencioso de um Deus que, tendo querido partilhar tudo sobre a nossa condi\u00e7\u00e3o humana, deixa-se passar tamb\u00e9m por essa sede.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Abertura confiante aos outros<\/h2>\n<p>Um Deus que n\u00e3o se envergonha de pedir e com este gesto nos diz &#8220;que o amor, para ser verdadeiro, deve tamb\u00e9m aprender a pedir e n\u00e3o apenas a dar&#8221;. Assim, Jesus &#8220;<b>manifesta a sua humanidade e a nossa tamb\u00e9m&#8221;. &#8220;Nenhum de n\u00f3s \u00e9 autossuficiente. Ningu\u00e9m se pode salvar sozinho<\/b>&#8220;, disse ainda o Papa. &#8220;A vida &#8216;consuma-se&#8217; n\u00e3o quando somos fortes, mas quando aprendemos a receber. Nesse momento, depois de ter recebido de estranhos uma esponja embebida em vinagre, Jesus proclama: Est\u00e1 consumado. O amor tornou-se carente e, precisamente por isso, consumou a sua obra&#8221;, sublinhou.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cEste \u00e9 o paradoxo crist\u00e3o: Deus salva n\u00e3o fazendo, mas deixando-se fazer. N\u00e3o vencendo o mal pela for\u00e7a, mas aceitando plenamente a fragilidade do amor. Na cruz, Jesus nos ensina que a realiza\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o se alcan\u00e7a pelo poder, mas pela abertura confiante aos outros, mesmo quando hostis e inimigos.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Capacidade de nos deixarmos amar<\/h2>\n<p>Segundo Le\u00e3o XIV, &#8220;a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o reside na autonomia, mas em reconhecer humildemente as pr\u00f3prias necessidades e saber exprimi-las livremente&#8221;.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cA consuma\u00e7\u00e3o da nossa humanidade no plano de Deus n\u00e3o \u00e9 um ato de for\u00e7a, mas um gesto de confian\u00e7a. Jesus n\u00e3o salva com uma reviravolta dram\u00e1tica, mas pedindo algo que Ele n\u00e3o pode dar a si mesmo. E aqui abre-se uma porta para a verdadeira esperan\u00e7a: se at\u00e9 o Filho de Deus escolheu n\u00e3o ser autossuficiente, ent\u00e3o a nossa sede \u2014 de amor, de sentido, de justi\u00e7a \u2014 n\u00e3o \u00e9 um sinal de fracasso, mas de verdade.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>De acordo com o Papa, &#8220;<b>esta verdade, aparentemente t\u00e3o simples, \u00e9 dif\u00edcil de aceitar<\/b>&#8220;, pois &#8220;<b>vivemos numa \u00e9poca que preza a autossufici\u00eancia, a efici\u00eancia e o desempenho. No entanto, o Evangelho nos mostra que a medida da nossa humanidade n\u00e3o \u00e9 o que podemos conquistar, mas a nossa capacidade de nos deixarmos amar e, quando necess\u00e1rio, at\u00e9 mesmo ajudar<\/b>&#8220;.<\/p>\n<h2>A nossa fragilidade \u00e9 uma ponte para o c\u00e9u<\/h2>\n<p>&#8220;Jesus nos salva mostrando que pedir n\u00e3o \u00e9 indigno, mas libertador. \u00c9 a sa\u00edda do esconderijo do pecado, para reentrar no espa\u00e7o da comunh\u00e3o. Desde o princ\u00edpio, o pecado gerou vergonha. Mas o verdadeiro perd\u00e3o surge quando conseguimos encarar a nossa necessidade e deixar de temer a rejei\u00e7\u00e3o&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cA sede de Jesus na cruz \u00e9 a nossa tamb\u00e9m. \u00c9 o clamor de uma humanidade ferida que ainda procura \u00e1gua viva. Essa sede n\u00e3o nos afasta de Deus, na verdade une-nos a Ele. Se tivermos a coragem de a reconhecer, podemos descobrir que at\u00e9 a nossa fragilidade \u00e9 uma ponte para o c\u00e9u. Precisamente no pedir \u2014 n\u00e3o no possuir \u2014 abre-se um caminho para a liberdade, porque deixamos de fingir que somos suficientes para n\u00f3s mesmos.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Na fraternidade, na vida simples, na arte de pedir sem vergonha e de oferecer sem c\u00e1lculos, reside uma alegria desconhecida para o mundo. Uma alegria que nos restitui \u00e0 verdade original do nosso ser: somos criaturas feitas para dar e receber amor&#8221;, sublinhou ainda Le\u00e3o XIV que, concluindo sua catequese, disse que &#8220;na sede de Cristo podemos reconhecer toda a nossa sede e aprender que n\u00e3o h\u00e1 nada mais humano, nada mais divino, do que poder dizer: tenho necessidade. N\u00e3o tenhamos medo de pedir, sobretudo quando sentimos que n\u00e3o merecemos. N\u00e3o tenhamos vergonha de estender a m\u00e3o. \u00c9 a\u00ed, nesse gesto humilde, que se esconde a salva\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro acolheu milhares de fi\u00e9is para a Audi\u00eancia Geral de quarta-feira, 03 de setembro, em que o Papa Le\u00e3o XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado ao tema \u201cJesus Cristo nossa Esperan\u00e7a\u201d. As palavras de Jesus &#8220;Tenho sede&#8221; e logo depois &#8220;Tudo est\u00e1 consumado&#8221;, proferidas na cruz, foram o centro da catequese deste encontro semanal com os fi\u00e9is. &#8220;S\u00e3o palavras finais, mas carregadas de uma vida inteira, que revelam o sentido de toda a exist\u00eancia do Filho de Deus. Na cruz, Jesus n\u00e3o aparece como um her\u00f3i vitorioso, mas como um mendigo de amor. N\u00e3o proclama, n\u00e3o condena, n\u00e3o se defende. Pede humildemente o que n\u00e3o pode dar a si mesmo&#8221;, frisou o Pont\u00edfice, acrescentando: \u201cA sede do Crucificado n\u00e3o \u00e9 apenas a necessidade fisiol\u00f3gica de um corpo torturado. \u00c9 tamb\u00e9m, e sobretudo, a express\u00e3o de um desejo profundo: o de amor, de rela\u00e7\u00e3o, de comunh\u00e3o. \u00c9 o grito silencioso de um Deus que, tendo querido partilhar tudo sobre a nossa condi\u00e7\u00e3o humana, deixa-se passar tamb\u00e9m por essa sede.\u201d Abertura confiante aos outros Um Deus que n\u00e3o se envergonha de pedir e com este gesto nos diz &#8220;que o amor, para ser verdadeiro, deve tamb\u00e9m aprender a pedir e n\u00e3o apenas a dar&#8221;. Assim, Jesus &#8220;manifesta a sua humanidade e a nossa tamb\u00e9m&#8221;. &#8220;Nenhum de n\u00f3s \u00e9 autossuficiente. Ningu\u00e9m se pode salvar sozinho&#8220;, disse ainda o Papa. &#8220;A vida &#8216;consuma-se&#8217; n\u00e3o quando somos fortes, mas quando aprendemos a receber. Nesse momento, depois de ter recebido de estranhos uma esponja embebida em vinagre, Jesus proclama: Est\u00e1 consumado. O amor tornou-se carente e, precisamente por isso, consumou a sua obra&#8221;, sublinhou. \u201cEste \u00e9 o paradoxo crist\u00e3o: Deus salva n\u00e3o fazendo, mas deixando-se fazer. N\u00e3o vencendo o mal pela for\u00e7a, mas aceitando plenamente a fragilidade do amor. 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E aqui abre-se uma porta para a verdadeira esperan\u00e7a: se at\u00e9 o Filho de Deus escolheu n\u00e3o ser autossuficiente, ent\u00e3o a nossa sede \u2014 de amor, de sentido, de justi\u00e7a \u2014 n\u00e3o \u00e9 um sinal de fracasso, mas de verdade.\u201d De acordo com o Papa, &#8220;esta verdade, aparentemente t\u00e3o simples, \u00e9 dif\u00edcil de aceitar&#8220;, pois &#8220;vivemos numa \u00e9poca que preza a autossufici\u00eancia, a efici\u00eancia e o desempenho. No entanto, o Evangelho nos mostra que a medida da nossa humanidade n\u00e3o \u00e9 o que podemos conquistar, mas a nossa capacidade de nos deixarmos amar e, quando necess\u00e1rio, at\u00e9 mesmo ajudar&#8220;. A nossa fragilidade \u00e9 uma ponte para o c\u00e9u &#8220;Jesus nos salva mostrando que pedir n\u00e3o \u00e9 indigno, mas libertador. \u00c9 a sa\u00edda do esconderijo do pecado, para reentrar no espa\u00e7o da comunh\u00e3o. Desde o princ\u00edpio, o pecado gerou vergonha. Mas o verdadeiro perd\u00e3o surge quando conseguimos encarar a nossa necessidade e deixar de temer a rejei\u00e7\u00e3o&#8221;, ressaltou. \u201cA sede de Jesus na cruz \u00e9 a nossa tamb\u00e9m. \u00c9 o clamor de uma humanidade ferida que ainda procura \u00e1gua viva. Essa sede n\u00e3o nos afasta de Deus, na verdade une-nos a Ele. Se tivermos a coragem de a reconhecer, podemos descobrir que at\u00e9 a nossa fragilidade \u00e9 uma ponte para o c\u00e9u. Precisamente no pedir \u2014 n\u00e3o no possuir \u2014 abre-se um caminho para a liberdade, porque deixamos de fingir que somos suficientes para n\u00f3s mesmos.\u201d &#8220;Na fraternidade, na vida simples, na arte de pedir sem vergonha e de oferecer sem c\u00e1lculos, reside uma alegria desconhecida para o mundo. 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N\u00e3o tenhamos vergonha de estender a m\u00e3o. \u00c9 a\u00ed, nesse gesto humilde, que se esconde a salva\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":31384,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31383","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31383"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31383\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}