{"id":31419,"date":"2025-09-16T10:36:09","date_gmt":"2025-09-16T10:36:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31419"},"modified":"2025-09-16T10:36:09","modified_gmt":"2025-09-16T10:36:09","slug":"todos-convocados-e-enviados-ou-a-sinodalidade-missionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/todos-convocados-e-enviados-ou-a-sinodalidade-missionaria\/","title":{"rendered":"Todos convocados e enviados ou a sinodalidade mission\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por D. Joaquim Dion\u00edsio, bispo auxiliar do Porto<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>No encontro com os membros da Confer\u00eancia Episcopal Italiana, ocorrido no dia 17 de junho \u00faltimo, o Papa Le\u00e3o XIV elencou \u201calguns pontos de aten\u00e7\u00e3o pastoral\u201d, merecedores de \u201creflex\u00e3o, a\u00e7\u00e3o concreta e testemunho evang\u00e9lico\u201d. Uma esp\u00e9cie de \u201ccoordenadas\u201d que permitir\u00e3o \u00e0 Igreja incarnar o Evangelho e ser sinal do Reino de Deus: an\u00fancio do Evangelho, paz, dignidade humana e di\u00e1logo. H\u00e1 realidades, apelos, preocupa\u00e7\u00f5es, caminhos que se repetem nas interven\u00e7\u00f5es papais. E antes de concluir o seu discurso, o Santo Padre deixou duas exorta\u00e7\u00f5es aos bispos italianos: avan\u00e7arem sinodalmente na unidade e n\u00e3o terem medo de \u201cescolhas corajosas\u201d. Porque n\u00e3o podemos defender-nos das provoca\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito.<\/li>\n<li>Na primeira coordenada, sem novidade, o Santo Padre recorda que a Igreja \u00e9 por natureza mission\u00e1ria (AG 2) e, por isso, convidada a protagonizar um \u201cestado permanente de miss\u00e3o\u201d (EG 25), com iniciativas que n\u00e3o visam a sua autopreserva\u00e7\u00e3o, mas a evangeliza\u00e7\u00e3o (EG 27). A Igreja existe para anunciar Jesus Cristo e espalhar a sua Boa Nova, fazendo disc\u00edpulos em todas as na\u00e7\u00f5es, batizando em nome da Trindade e ensinando tudo o que Ele nos ensinou, para gl\u00f3ria de Deus (Mt 28, 19-20). Uma atividade mission\u00e1ria que consiste em proclamar o nome, o ensinamento, a vida, as promessas, o reino e o mist\u00e9rio de Jesus de Nazar\u00e9, o Filho de Deus (EN 14 e 22), a \u00e2ncora onde a Igreja se apoia e a refer\u00eancia fontal para tudo o que ensina, decide, faz e prop\u00f5e. Isto mesmo \u00e9 assumido pelo Documento Final do \u00faltimo S\u00ednodo, logo no primeiro par\u00e1grafo, ao afirmar que \u201c<em>cada novo passo na vida da Igreja \u00e9 um regresso \u00e0 fonte, uma experi\u00eancia renovada do encontro com o Ressuscitado<\/em>\u201d. Um encontro que motiva a convers\u00e3o e abre ao testemunho.<\/li>\n<li>Nesse sentido, e porque todos os membros da Igreja receberam o batismo, todos s\u00e3o agentes de evangeliza\u00e7\u00e3o, \u201cdisc\u00edpulos mission\u00e1rios\u201d. A mesma evangeliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 o objetivo \u00faltimo da sinodalidade de que temos ouvido falar. Assumindo o risco da \u201clapalissada\u201d, nunca \u00e9 demais recordar que sem esta abertura \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o, a sinodalidade seria vista como realidade interna, contribuindo para uma vis\u00e3o de Igreja que n\u00e3o se distinguiria de uma qualquer organiza\u00e7\u00e3o humana. E uma evangeliza\u00e7\u00e3o sem sinodalidade perderia o interesse pelas estruturas da Igreja, fomentando a aus\u00eancia de compromisso e a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, de todos os fi\u00e9is, importantes para uma verdadeira miss\u00e3o. Tal como no-lo diz o Documento Final: \u201c<em>Em termos simples e sint\u00e9ticos, pode dizer-se que a sinodalidade \u00e9 um caminho de renova\u00e7\u00e3o espiritual e de reforma estrutural para tornar a Igreja mais participativa e mission\u00e1ria, isto \u00e9, para a tornar mais capaz de caminhar com cada homem e mulher irradiando a luz de Cristo<\/em>\u201d (28). Trata-se de um estilo que qualifica a vida e a miss\u00e3o da Igreja inteira, onde a participa\u00e7\u00e3o e a corresponsabilidade abrangem todos e onde todos se empenham em descobrir a vontade de Deus. Um processo que nos desafia, pela escuta e pelo di\u00e1logo, a um trabalho cont\u00ednuo, pessoal e comunit\u00e1rio, de discernimento face aos novos desafios.<\/li>\n<li>Participar nesta sinodalidade mission\u00e1ria, estar pr\u00f3ximo de Jesus e do seu Evangelho e ser o rosto de uma Igreja compassiva, acolhedora, prof\u00e9tica e aberta ser\u00e1 contribuir para a concretiza\u00e7\u00e3o de uma Igreja em permanente estado de miss\u00e3o, fraterna e servidora, enraizada na realidade e ao servi\u00e7o de todos. E compreendemos que este esfor\u00e7o de implementar pr\u00e1ticas sinodais, de adotar esta mentalidade, n\u00e3o visa proporcionar \u00e0 Igreja qualquer estado de autopreserva\u00e7\u00e3o, mas ser um utens\u00edlio eficaz para a evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo. E se a sinodalidade \u00e9 um caminho que possibilita a todo o batizado tornar-se sujeito ativo na vida da Igreja e n\u00e3o apenas um objeto de evangeliza\u00e7\u00e3o, vemos como h\u00e1 um c\u00edrculo virtuoso entre sinodalidade e evangeliza\u00e7\u00e3o. Mas percebemos, tamb\u00e9m, que este processo \u00e9 uma quest\u00e3o de servi\u00e7o e n\u00e3o de poder.<\/li>\n<li>A din\u00e2mica sinodal ajudar\u00e1 as Igrejas locais a cumprirem a miss\u00e3o de concretizarem a \u201cIgreja de Cristo, una santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica\u201d (CD 11). No entanto, atendendo \u00e0 realidade diversificada dessas Igrejas, aos contextos sociais que as formam, aos espa\u00e7os onde se inserem e aos meios de que disp\u00f5em, podemos concluir que tal din\u00e2mica tender\u00e1 a ter ritmos diferenciados. Da\u00ed que as \u201cPistas para a fase de implementa\u00e7\u00e3o do s\u00ednodo\u201d e a calendariza\u00e7\u00e3o que as acompanham, apesar de assumidas e tidas como orientadoras, poder\u00e3o ser cumpridas em diferentes prazos. Tal n\u00e3o dispensa as Igrejas do esfor\u00e7o que lhes \u00e9 pedido nem pode ser usado como desculpa para adiar mudan\u00e7as e compromissos. Serve apenas para dizer que a realidade eclesial \u00e9 diversa, que as possibilidades e os meios s\u00e3o distintos e que \u201ccaminhar juntos\u201d n\u00e3o significa caminhar com o mesmo passo. O importante \u00e9 n\u00e3o ficar parado.<\/li>\n<li>A convers\u00e3o pastoral \u00e9 o grande compromisso e a sinodalidade mission\u00e1ria um fruto desejado. E n\u00e3o estamos s\u00f3s neste caminho: a gra\u00e7a divina faz com que os evangelizados se tornem evangelizadores e os disc\u00edpulos se tornem mission\u00e1rios.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por D. Joaquim Dion\u00edsio, bispo auxiliar do Porto No encontro com os membros da Confer\u00eancia Episcopal Italiana, ocorrido no dia 17 de junho \u00faltimo, o Papa Le\u00e3o XIV elencou \u201calguns pontos de aten\u00e7\u00e3o pastoral\u201d, merecedores de \u201creflex\u00e3o, a\u00e7\u00e3o concreta e testemunho evang\u00e9lico\u201d. Uma esp\u00e9cie de \u201ccoordenadas\u201d que permitir\u00e3o \u00e0 Igreja incarnar o Evangelho e ser sinal do Reino de Deus: an\u00fancio do Evangelho, paz, dignidade humana e di\u00e1logo. H\u00e1 realidades, apelos, preocupa\u00e7\u00f5es, caminhos que se repetem nas interven\u00e7\u00f5es papais. E antes de concluir o seu discurso, o Santo Padre deixou duas exorta\u00e7\u00f5es aos bispos italianos: avan\u00e7arem sinodalmente na unidade e n\u00e3o terem medo de \u201cescolhas corajosas\u201d. Porque n\u00e3o podemos defender-nos das provoca\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito. Na primeira coordenada, sem novidade, o Santo Padre recorda que a Igreja \u00e9 por natureza mission\u00e1ria (AG 2) e, por isso, convidada a protagonizar um \u201cestado permanente de miss\u00e3o\u201d (EG 25), com iniciativas que n\u00e3o visam a sua autopreserva\u00e7\u00e3o, mas a evangeliza\u00e7\u00e3o (EG 27). A Igreja existe para anunciar Jesus Cristo e espalhar a sua Boa Nova, fazendo disc\u00edpulos em todas as na\u00e7\u00f5es, batizando em nome da Trindade e ensinando tudo o que Ele nos ensinou, para gl\u00f3ria de Deus (Mt 28, 19-20). Uma atividade mission\u00e1ria que consiste em proclamar o nome, o ensinamento, a vida, as promessas, o reino e o mist\u00e9rio de Jesus de Nazar\u00e9, o Filho de Deus (EN 14 e 22), a \u00e2ncora onde a Igreja se apoia e a refer\u00eancia fontal para tudo o que ensina, decide, faz e prop\u00f5e. Isto mesmo \u00e9 assumido pelo Documento Final do \u00faltimo S\u00ednodo, logo no primeiro par\u00e1grafo, ao afirmar que \u201ccada novo passo na vida da Igreja \u00e9 um regresso \u00e0 fonte, uma experi\u00eancia renovada do encontro com o Ressuscitado\u201d. Um encontro que motiva a convers\u00e3o e abre ao testemunho. Nesse sentido, e porque todos os membros da Igreja receberam o batismo, todos s\u00e3o agentes de evangeliza\u00e7\u00e3o, \u201cdisc\u00edpulos mission\u00e1rios\u201d. A mesma evangeliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 o objetivo \u00faltimo da sinodalidade de que temos ouvido falar. Assumindo o risco da \u201clapalissada\u201d, nunca \u00e9 demais recordar que sem esta abertura \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o, a sinodalidade seria vista como realidade interna, contribuindo para uma vis\u00e3o de Igreja que n\u00e3o se distinguiria de uma qualquer organiza\u00e7\u00e3o humana. E uma evangeliza\u00e7\u00e3o sem sinodalidade perderia o interesse pelas estruturas da Igreja, fomentando a aus\u00eancia de compromisso e a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, de todos os fi\u00e9is, importantes para uma verdadeira miss\u00e3o. Tal como no-lo diz o Documento Final: \u201cEm termos simples e sint\u00e9ticos, pode dizer-se que a sinodalidade \u00e9 um caminho de renova\u00e7\u00e3o espiritual e de reforma estrutural para tornar a Igreja mais participativa e mission\u00e1ria, isto \u00e9, para a tornar mais capaz de caminhar com cada homem e mulher irradiando a luz de Cristo\u201d (28). Trata-se de um estilo que qualifica a vida e a miss\u00e3o da Igreja inteira, onde a participa\u00e7\u00e3o e a corresponsabilidade abrangem todos e onde todos se empenham em descobrir a vontade de Deus. Um processo que nos desafia, pela escuta e pelo di\u00e1logo, a um trabalho cont\u00ednuo, pessoal e comunit\u00e1rio, de discernimento face aos novos desafios. Participar nesta sinodalidade mission\u00e1ria, estar pr\u00f3ximo de Jesus e do seu Evangelho e ser o rosto de uma Igreja compassiva, acolhedora, prof\u00e9tica e aberta ser\u00e1 contribuir para a concretiza\u00e7\u00e3o de uma Igreja em permanente estado de miss\u00e3o, fraterna e servidora, enraizada na realidade e ao servi\u00e7o de todos. E compreendemos que este esfor\u00e7o de implementar pr\u00e1ticas sinodais, de adotar esta mentalidade, n\u00e3o visa proporcionar \u00e0 Igreja qualquer estado de autopreserva\u00e7\u00e3o, mas ser um utens\u00edlio eficaz para a evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo. E se a sinodalidade \u00e9 um caminho que possibilita a todo o batizado tornar-se sujeito ativo na vida da Igreja e n\u00e3o apenas um objeto de evangeliza\u00e7\u00e3o, vemos como h\u00e1 um c\u00edrculo virtuoso entre sinodalidade e evangeliza\u00e7\u00e3o. Mas percebemos, tamb\u00e9m, que este processo \u00e9 uma quest\u00e3o de servi\u00e7o e n\u00e3o de poder. A din\u00e2mica sinodal ajudar\u00e1 as Igrejas locais a cumprirem a miss\u00e3o de concretizarem a \u201cIgreja de Cristo, una santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica\u201d (CD 11). No entanto, atendendo \u00e0 realidade diversificada dessas Igrejas, aos contextos sociais que as formam, aos espa\u00e7os onde se inserem e aos meios de que disp\u00f5em, podemos concluir que tal din\u00e2mica tender\u00e1 a ter ritmos diferenciados. Da\u00ed que as \u201cPistas para a fase de implementa\u00e7\u00e3o do s\u00ednodo\u201d e a calendariza\u00e7\u00e3o que as acompanham, apesar de assumidas e tidas como orientadoras, poder\u00e3o ser cumpridas em diferentes prazos. Tal n\u00e3o dispensa as Igrejas do esfor\u00e7o que lhes \u00e9 pedido nem pode ser usado como desculpa para adiar mudan\u00e7as e compromissos. Serve apenas para dizer que a realidade eclesial \u00e9 diversa, que as possibilidades e os meios s\u00e3o distintos e que \u201ccaminhar juntos\u201d n\u00e3o significa caminhar com o mesmo passo. O importante \u00e9 n\u00e3o ficar parado. A convers\u00e3o pastoral \u00e9 o grande compromisso e a sinodalidade mission\u00e1ria um fruto desejado. E n\u00e3o estamos s\u00f3s neste caminho: a gra\u00e7a divina faz com que os evangelizados se tornem evangelizadores e os disc\u00edpulos se tornem mission\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":28815,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31419"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31419\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28815"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}