{"id":31503,"date":"2025-10-03T09:41:04","date_gmt":"2025-10-03T09:41:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31503"},"modified":"2025-10-03T09:41:04","modified_gmt":"2025-10-03T09:41:04","slug":"corpo-celebrante-1-a-atitude-de-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/corpo-celebrante-1-a-atitude-de-pe\/","title":{"rendered":"Corpo celebrante (1): a atitude de p\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>N\u00f3s n\u00e3o\u00a0<strong>\u00abtemos\u00bb<\/strong>\u00a0um corpo, do mesmo modo que podemos possuir uma casa e tantas outras coisas que s\u00e3o distintas de n\u00f3s, exteriores a n\u00f3s. N\u00f3s\u00a0<strong>somos<\/strong>\u00a0um corpo, animado, espiritualizado (de outro modo ser\u00edamos cad\u00e1ver). Esp\u00edritos encarnados,\u00a0<strong>n\u00e3o celebramos \u00abcom\u00bb o corpo<\/strong>.\u00a0<strong>Somos, sim, corpo celebrante<\/strong>, interagindo no espa\u00e7o e no tempo com outros sujeitos celebrantes. N\u00e3o podemos, pois, deixar o corpo no bengaleiro da igreja para celebrarmos como se fossemos puros esp\u00edritos. Gra\u00e7as a Deus n\u00e3o somos anjos, porque n\u00e3o foi pelos anjos que o Filho do eterno Pai se fez homem. Por isso, a nossa\u00a0<strong>participa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0na \u00abObra\u00bb da Reden\u00e7\u00e3o que as Pessoas divinas realizam em nosso favor \u2013 \u00abpor n\u00f3s homens e para nossa salva\u00e7\u00e3o\u00bb \u2013 e que o memorial lit\u00fargico torna realmente presente, tem de ser\u00a0<strong>corp\u00f3rea<\/strong>, conforme \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o de esp\u00edritos encarnados, de corpos espiritualizados, seres simb\u00f3licos. Isto tem muitas implica\u00e7\u00f5es no modo de se celebrar a Liturgia. Entre elas, a import\u00e2ncia a dar n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s palavras, mas tamb\u00e9m \u00e0s atitudes, movimentos, gestos, vestes, objetos, espa\u00e7os, tempo, ritmo\u2026 dos celebrantes da liturgia sacramental.<\/p>\n<p>Fixemo-nos, agora, nas atitudes do corpo, nomeadamente as descritas em IGMR 43, tendo como ponto de partida a regra formulada no n\u00famero precedente: \u00ab<em>Os gestos e as atitudes corporais \u2026 visam fazer com que toda a celebra\u00e7\u00e3o seja\u00a0<strong>bela<\/strong>\u00a0e de nobre simplicidade,\u00a0<strong>se compreenda<\/strong>\u00a0a significa\u00e7\u00e3o verdadeira e plena das suas diversas partes e seja facilitada a\u00a0<strong>participa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0de todos. Para isso deve atender-se ao que est\u00e1 definido por esta Instru\u00e7\u00e3o geral e pela tradi\u00e7\u00e3o do Rito Romano, e ao que concorre para o bem comum espiritual do povo de Deus, mais do que \u00e0 inclina\u00e7\u00e3o ou arb\u00edtrio particular. A\u00a0<strong>atitude comum<\/strong>\u00a0do corpo, que todos os participantes na celebra\u00e7\u00e3o devem observar, \u00e9\u00a0<strong>sinal de unidade<\/strong>\u00a0dos membros da comunidade crist\u00e3 reunidos para a sagrada Liturgia:\u00a0<strong>exprime e favorece\u00a0<\/strong>os sentimentos e<strong>\u00a0a atitude interior\u00a0<\/strong>dos participantes<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>A primeira atitude a destacar \u00e9 a\u00a0<strong>de p\u00e9<\/strong>. \u00c9, sem d\u00favida,\u00a0<strong>a mais importante<\/strong>\u00a0de todas. \u00c9 a atitude do ministro que serve, do sacerdote que sacrifica, do povo que\u00a0<em>est\u00e1.<\/em>\u00a0Junto \u00e0 Cruz, \u00abaltar\u00bb do sacrif\u00edcio redentor, a M\u00e3e de Jesus, modelo da nossa participa\u00e7\u00e3o no memorial do mesmo sacrif\u00edcio, n\u00e3o est\u00e1 de joelhos ou prostrada, mas de p\u00e9 (<em>Jo<\/em>\u00a019, 26)! Essa posi\u00e7\u00e3o corporal indica presen\u00e7a viva, atividade e respeito, confian\u00e7a e expectativa, prontid\u00e3o e disponibilidade para agir. Sendo j\u00e1 a atitude normal da ora\u00e7\u00e3o hebraica, tornou-se tamb\u00e9m a atitude caracter\u00edstica da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Com ela os fi\u00e9is associam-se \u00e0s ora\u00e7\u00f5es presiden\u00adciais. Tipicamente pascal (<em>Ex<\/em>\u00a012, 11\u2026), mant\u00e9m essa conota\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica lit\u00fargica da Igreja antiga que chegou ao ponto de interditar outras posi\u00e7\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o durante a cinquentena pascal (Conc. de Niceia, can. 20): libertos pela p\u00e1scoa de Cristo, ressuscitados com Cristo, po\u00addemos estar de p\u00e9, com confian\u00e7a e respeito, na presen\u00e7a do Pai. \u00c9 tamb\u00e9m uma atitude marcadamente escatol\u00f3gica, pr\u00f3pria de quem aguarda confiante a vinda do Filho do Homem (<em>Mal<\/em>\u00a03, 2). Perante os sinais da parusia, os disc\u00edpulos devem erguer-se e levantar a cabe\u00e7a (<em>Lc\u00a0<\/em>21,28)! Recordemos uma bela catequese de S. Bas\u00edlio (s\u00e9c. IV):<\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 de p\u00e9 que n\u00f3s rezamos no primeiro dia da semana, mas nem todos sabem o porqu\u00ea. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque, ressuscitados com Cristo e devendo procurar as coisas do alto, n\u00f3s recordamos \u00e0 nossa mem\u00f3ria a gra\u00e7a que nos foi dada, rezando de p\u00e9 neste dia consagrado \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m porque esse dia se apresenta como a imagem do s\u00e9culo futuro\u00bb (S. BASILIO,\u00a0<em>De Sp. S<\/em>. 27, 66).<\/p>\n<p>Em suma, esta\u00a0<em>posi\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>\u00e9 tamb\u00e9m uma \u00abaptid\u00e3o\u00bb, que ganha a eloqu\u00eancia de um gesto carregado de intencionalidade. Ali\u00e1s, o gesto mais completo e t\u00edpico da ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 o do\u00a0<strong>orante<\/strong>: de p\u00e9, m\u00e3os e bra\u00e7os abertos e erguidos, fixando o olhar no c\u00e9u.<\/p>\n<p>Por tudo isto, a posi\u00e7\u00e3o de p\u00e9 \u00e1 a\u00a0<strong>atitude por excel\u00eancia da ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/strong>. Com ela os fi\u00e9is associam-se \u00e0s ora\u00e7\u00f5es presidenciais. Diz IGMR 43: \u00ab<em>Os fi\u00e9is est\u00e3o de p\u00e9: desde o in\u00edcio do c\u00e2ntico de entrada, ou enquanto o sacerdote se encaminha para o altar, at\u00e9 \u00e0 ora\u00e7\u00e3o coleta, inclusive; durante o c\u00e2ntico do\u00a0<\/em>Aleluia<em>\u00a0que precede o Evangelho; durante a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho; durante a profiss\u00e3o de f\u00e9 e a ora\u00e7\u00e3o universal; e desde o convite \u201c<\/em>Orai, irm\u00e3os<em>\u201d, antes da ora\u00e7\u00e3o sobre as oblatas, at\u00e9 ao fim da Missa, exceto nos momentos adiante indicados<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Em pr\u00f3ximo artigo abordaremos as atitudes do corpo previstas ou admitidas noutros momentos.<\/p>\n<p>(Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f3s n\u00e3o\u00a0\u00abtemos\u00bb\u00a0um corpo, do mesmo modo que podemos possuir uma casa e tantas outras coisas que s\u00e3o distintas de n\u00f3s, exteriores a n\u00f3s. N\u00f3s\u00a0somos\u00a0um corpo, animado, espiritualizado (de outro modo ser\u00edamos cad\u00e1ver). Esp\u00edritos encarnados,\u00a0n\u00e3o celebramos \u00abcom\u00bb o corpo.\u00a0Somos, sim, corpo celebrante, interagindo no espa\u00e7o e no tempo com outros sujeitos celebrantes. N\u00e3o podemos, pois, deixar o corpo no bengaleiro da igreja para celebrarmos como se fossemos puros esp\u00edritos. Gra\u00e7as a Deus n\u00e3o somos anjos, porque n\u00e3o foi pelos anjos que o Filho do eterno Pai se fez homem. Por isso, a nossa\u00a0participa\u00e7\u00e3o\u00a0na \u00abObra\u00bb da Reden\u00e7\u00e3o que as Pessoas divinas realizam em nosso favor \u2013 \u00abpor n\u00f3s homens e para nossa salva\u00e7\u00e3o\u00bb \u2013 e que o memorial lit\u00fargico torna realmente presente, tem de ser\u00a0corp\u00f3rea, conforme \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o de esp\u00edritos encarnados, de corpos espiritualizados, seres simb\u00f3licos. Isto tem muitas implica\u00e7\u00f5es no modo de se celebrar a Liturgia. Entre elas, a import\u00e2ncia a dar n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s palavras, mas tamb\u00e9m \u00e0s atitudes, movimentos, gestos, vestes, objetos, espa\u00e7os, tempo, ritmo\u2026 dos celebrantes da liturgia sacramental. Fixemo-nos, agora, nas atitudes do corpo, nomeadamente as descritas em IGMR 43, tendo como ponto de partida a regra formulada no n\u00famero precedente: \u00abOs gestos e as atitudes corporais \u2026 visam fazer com que toda a celebra\u00e7\u00e3o seja\u00a0bela\u00a0e de nobre simplicidade,\u00a0se compreenda\u00a0a significa\u00e7\u00e3o verdadeira e plena das suas diversas partes e seja facilitada a\u00a0participa\u00e7\u00e3o\u00a0de todos. Para isso deve atender-se ao que est\u00e1 definido por esta Instru\u00e7\u00e3o geral e pela tradi\u00e7\u00e3o do Rito Romano, e ao que concorre para o bem comum espiritual do povo de Deus, mais do que \u00e0 inclina\u00e7\u00e3o ou arb\u00edtrio particular. A\u00a0atitude comum\u00a0do corpo, que todos os participantes na celebra\u00e7\u00e3o devem observar, \u00e9\u00a0sinal de unidade\u00a0dos membros da comunidade crist\u00e3 reunidos para a sagrada Liturgia:\u00a0exprime e favorece\u00a0os sentimentos e\u00a0a atitude interior\u00a0dos participantes\u00bb. A primeira atitude a destacar \u00e9 a\u00a0de p\u00e9. \u00c9, sem d\u00favida,\u00a0a mais importante\u00a0de todas. \u00c9 a atitude do ministro que serve, do sacerdote que sacrifica, do povo que\u00a0est\u00e1.\u00a0Junto \u00e0 Cruz, \u00abaltar\u00bb do sacrif\u00edcio redentor, a M\u00e3e de Jesus, modelo da nossa participa\u00e7\u00e3o no memorial do mesmo sacrif\u00edcio, n\u00e3o est\u00e1 de joelhos ou prostrada, mas de p\u00e9 (Jo\u00a019, 26)! Essa posi\u00e7\u00e3o corporal indica presen\u00e7a viva, atividade e respeito, confian\u00e7a e expectativa, prontid\u00e3o e disponibilidade para agir. Sendo j\u00e1 a atitude normal da ora\u00e7\u00e3o hebraica, tornou-se tamb\u00e9m a atitude caracter\u00edstica da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Com ela os fi\u00e9is associam-se \u00e0s ora\u00e7\u00f5es presiden\u00adciais. Tipicamente pascal (Ex\u00a012, 11\u2026), mant\u00e9m essa conota\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica lit\u00fargica da Igreja antiga que chegou ao ponto de interditar outras posi\u00e7\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o durante a cinquentena pascal (Conc. de Niceia, can. 20): libertos pela p\u00e1scoa de Cristo, ressuscitados com Cristo, po\u00addemos estar de p\u00e9, com confian\u00e7a e respeito, na presen\u00e7a do Pai. \u00c9 tamb\u00e9m uma atitude marcadamente escatol\u00f3gica, pr\u00f3pria de quem aguarda confiante a vinda do Filho do Homem (Mal\u00a03, 2). Perante os sinais da parusia, os disc\u00edpulos devem erguer-se e levantar a cabe\u00e7a (Lc\u00a021,28)! Recordemos uma bela catequese de S. Bas\u00edlio (s\u00e9c. IV): \u00ab\u00c9 de p\u00e9 que n\u00f3s rezamos no primeiro dia da semana, mas nem todos sabem o porqu\u00ea. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque, ressuscitados com Cristo e devendo procurar as coisas do alto, n\u00f3s recordamos \u00e0 nossa mem\u00f3ria a gra\u00e7a que nos foi dada, rezando de p\u00e9 neste dia consagrado \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m porque esse dia se apresenta como a imagem do s\u00e9culo futuro\u00bb (S. BASILIO,\u00a0De Sp. S. 27, 66). Em suma, esta\u00a0posi\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 tamb\u00e9m uma \u00abaptid\u00e3o\u00bb, que ganha a eloqu\u00eancia de um gesto carregado de intencionalidade. Ali\u00e1s, o gesto mais completo e t\u00edpico da ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 o do\u00a0orante: de p\u00e9, m\u00e3os e bra\u00e7os abertos e erguidos, fixando o olhar no c\u00e9u. Por tudo isto, a posi\u00e7\u00e3o de p\u00e9 \u00e1 a\u00a0atitude por excel\u00eancia da ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Com ela os fi\u00e9is associam-se \u00e0s ora\u00e7\u00f5es presidenciais. Diz IGMR 43: \u00abOs fi\u00e9is est\u00e3o de p\u00e9: desde o in\u00edcio do c\u00e2ntico de entrada, ou enquanto o sacerdote se encaminha para o altar, at\u00e9 \u00e0 ora\u00e7\u00e3o coleta, inclusive; durante o c\u00e2ntico do\u00a0Aleluia\u00a0que precede o Evangelho; durante a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho; durante a profiss\u00e3o de f\u00e9 e a ora\u00e7\u00e3o universal; e desde o convite \u201cOrai, irm\u00e3os\u201d, antes da ora\u00e7\u00e3o sobre as oblatas, at\u00e9 ao fim da Missa, exceto nos momentos adiante indicados\u00bb. Em pr\u00f3ximo artigo abordaremos as atitudes do corpo previstas ou admitidas noutros momentos. 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