{"id":31578,"date":"2025-10-24T09:48:14","date_gmt":"2025-10-24T09:48:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31578"},"modified":"2025-10-24T09:48:14","modified_gmt":"2025-10-24T09:48:14","slug":"corpo-celebrante-4-de-joelhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/corpo-celebrante-4-de-joelhos\/","title":{"rendered":"Corpo celebrante (4): de joelhos"},"content":{"rendered":"<p><em>Quando dobrares o joelho, n\u00e3o o fa\u00e7as apressadamente e de forma descuidada. D\u00e1 alma ao teu ato! E que a alma do teu ajoelhar consista em inclinar tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o diante de Deus, em profunda rever\u00eancia. Quando entrares ou sa\u00edres da igreja ou passares diante do altar, dobra o joelho profunda e lentamente e que todo o teu cora\u00e7\u00e3o acompanhe este fletir. Isso h\u00e1 de significar: \u201cMeu Deus alt\u00edssimo!\u2026\u201d. Isto sim que \u00e9 humildade e verdade, e far\u00e1 sempre bem \u00e0 tua alma<\/em>\u00bb (GUARDINI,\u00a0<em>Sinais Sagrados<\/em>, F\u00e1tima SNL 2017, p. 17-18).<\/p>\n<p>A Liturgia n\u00e3o \u00e9 \u00abdoceta\u00bb (heresia antiga e nova segundo a qual o Corpo de Jesus seria apenas uma apar\u00eancia), mas toda ela se inscreve no regime da encarna\u00e7\u00e3o. Por isso conhece, reconhece e promove nos seus ritos a express\u00e3o corporal. Por isso, n\u00e3o prescinde do corpo, s\u00edmbolo real e express\u00e3o viva e operativa da pessoa. Mas um corpo humano espiritualizado, expressivo e impressivo, n\u00e3o um manequim robotizado.<\/p>\n<p><strong>Educar, desde a inf\u00e2ncia, para rezar e a celebrar com o corpo<\/strong>\u00a0(enraizado, unificado e orientado pelo mist\u00e9rio) \u00e9 a primeira grande tarefa da forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, isto \u00e9, da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. E isto, a partir de pequenos gestos e sinais: benzer-se, genufletir, p\u00f4r as m\u00e3os, estar de p\u00e9, caminhar, estar sentado e de joelhos, inclinar-se\u2026 N\u00e3o apenas porque est\u00e1 determinado, mas como atitude que envolve a pessoa toda, toda a comunidade\u2026 Quando falta a forma\u00e7\u00e3o, sobra o rubricismo.<\/p>\n<p>Impressiona ver como crian\u00e7as da catequese entram na Igreja e, sem qualquer gesto de rever\u00eancia, sem qualquer sauda\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo, sempre presente e acolhedor, logo se sentam, se\u00a0<em>alapam<\/em>\u00a0e continuam no seu \u00abintervalo\u00bb ou espera mais ou menos distra\u00eddo e recreativo. Nunca foram exercitados no recolhimento e na mais simples e basilar express\u00e3o corporal de um encontro orante. Depois, quando sacerdote e ministros entram processionalmente para dar in\u00edcio \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, continuam sentados, sem se incorporar na a\u00e7\u00e3o comum, at\u00e9 que algu\u00e9m, mais pol\u00edcia que \u00abmistagogo\u00bb, os obriga a erguerem-se, sem que eles percecionem o porqu\u00ea ou o para qu\u00ea e, por isso, tamb\u00e9m sem aprumo no \u00abcomo\u00bb. Depois\u2026 estar\u00e3o ausentes, \u00e0 espera de um \u00abespet\u00e1culo\u00bb que, se houver, ser\u00e1 enganoso e distrativo, porque o Mist\u00e9rio n\u00e3o pode ter espectadores, mas, apenas e sempre, participantes.<\/p>\n<p>Diz a IGMR 43 que todos devem ajoelhar durante a consagra\u00e7\u00e3o, \u00absalvo se a estreiteza do lugar, a assist\u00eancia numerosa ou outros motivos razo\u00e1veis a isso obstarem. Aqueles, por\u00e9m, que n\u00e3o est\u00e3o de joelhos durante a consagra\u00e7\u00e3o, fazem uma inclina\u00e7\u00e3o profunda enquanto o sacerdote genuflete ap\u00f3s a consagra\u00e7\u00e3o\u00bb. Concretamente, em que momento se devem todos (os que n\u00e3o estejam impedidos) ajoelhar? Toda a ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 \u00abora\u00e7\u00e3o de consagra\u00e7\u00e3o\u00bb (IGMR 54), mas n\u00e3o se deve estar de joelhos, por exemplo, durante o pref\u00e1cio e o canto do Santo que integram a ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. O n\u00ba 55 d) da mesma IGMR liga a consagra\u00e7\u00e3o, mais restritivamente, \u00e0 \u00abNarra\u00e7\u00e3o da Institui\u00e7\u00e3o\u00bb. Ser\u00e1 que s\u00f3 ent\u00e3o se dever\u00e1 estar ajoelhado? A resposta est\u00e1 impl\u00edcita na aplica\u00e7\u00e3o aos di\u00e1conos da norma geral: \u00ab<em>Desde a epiclese at\u00e9 \u00e0 ostens\u00e3o do c\u00e1lice, o di\u00e1cono permanece habitualmente de joelhos<\/em>\u00bb (IGMR 179; tamb\u00e9m em\u00a0<em>Cerimonial dos Bispos<\/em>\u00a0155). Ali\u00e1s, at\u00e9 o bispo, nas Missas em que participe sem celebrar, deve permanecer de joelhos \u00abdesde a epiclese at\u00e9 que termine a eleva\u00e7\u00e3o do c\u00e1lice\u00bb (<em>Cerimonial dos Bispos<\/em>\u00a0182). A coer\u00eancia leva a concluir que \u00e9 esse tamb\u00e9m o tempo em\u00a0<strong>todos devem ajoelhar \u2013 desde a epiclese at\u00e9 que termine a eleva\u00e7\u00e3o do c\u00e1lice \u2013<\/strong>, apenas permanecendo de p\u00e9 os sacerdotes que,\u00a0<em>in persona Christi Capitis<\/em>, realizam a consagra\u00e7\u00e3o. Esse momento \u00e9 assinalado por um gesto claro e vis\u00edvel para todos: a imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os sobre as oblatas. Porventura, pode ser oportuno o toque de campainha previsto como possibilidade \u00abum pouco antes da consagra\u00e7\u00e3o\u00bb (IGMR 150).<\/p>\n<p>A atitude \u00e9, pois, expressiva da\u00a0<strong>adora\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e, ao mesmo tempo, \u00e9 uma\u00a0<strong>epiclese<\/strong>\u00a0corporal, s\u00faplica intensa com que os fi\u00e9is acompanham a prece sacerdotal. Recordamos, a prop\u00f3sito, que era de joelhos que outrora se cantava o\u00a0<em>Veni Sancte Spiritus<\/em>\u00a0(sequ\u00eancia de Pentecostes) e, ainda hoje, os Orientais celebram no dia de Pentecostes o\u00a0<em>Of\u00edcio da genuflex\u00e3o<\/em>\u00a0com um sentido an\u00e1logo. Tamb\u00e9m de joelhos se cantava, no passado, o hino\u00a0<em>Veni Creator Spiritus<\/em>, na Ordena\u00e7\u00e3o episcopal. A atitude de joelhos \u00e9 tamb\u00e9m expressiva de uma s\u00faplica intensa nas ora\u00e7\u00f5es solenes de Sexta-Feira Santa e durante o canto das Ladainhas (fora dos Domingos e do Tempo Pascal); exprime a contri\u00e7\u00e3o em certos momentos da celebra\u00e7\u00e3o penitencial\u2026<\/p>\n<p>(Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando dobrares o joelho, n\u00e3o o fa\u00e7as apressadamente e de forma descuidada. D\u00e1 alma ao teu ato! E que a alma do teu ajoelhar consista em inclinar tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o diante de Deus, em profunda rever\u00eancia. Quando entrares ou sa\u00edres da igreja ou passares diante do altar, dobra o joelho profunda e lentamente e que todo o teu cora\u00e7\u00e3o acompanhe este fletir. Isso h\u00e1 de significar: \u201cMeu Deus alt\u00edssimo!\u2026\u201d. Isto sim que \u00e9 humildade e verdade, e far\u00e1 sempre bem \u00e0 tua alma\u00bb (GUARDINI,\u00a0Sinais Sagrados, F\u00e1tima SNL 2017, p. 17-18). A Liturgia n\u00e3o \u00e9 \u00abdoceta\u00bb (heresia antiga e nova segundo a qual o Corpo de Jesus seria apenas uma apar\u00eancia), mas toda ela se inscreve no regime da encarna\u00e7\u00e3o. Por isso conhece, reconhece e promove nos seus ritos a express\u00e3o corporal. Por isso, n\u00e3o prescinde do corpo, s\u00edmbolo real e express\u00e3o viva e operativa da pessoa. Mas um corpo humano espiritualizado, expressivo e impressivo, n\u00e3o um manequim robotizado. Educar, desde a inf\u00e2ncia, para rezar e a celebrar com o corpo\u00a0(enraizado, unificado e orientado pelo mist\u00e9rio) \u00e9 a primeira grande tarefa da forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, isto \u00e9, da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. E isto, a partir de pequenos gestos e sinais: benzer-se, genufletir, p\u00f4r as m\u00e3os, estar de p\u00e9, caminhar, estar sentado e de joelhos, inclinar-se\u2026 N\u00e3o apenas porque est\u00e1 determinado, mas como atitude que envolve a pessoa toda, toda a comunidade\u2026 Quando falta a forma\u00e7\u00e3o, sobra o rubricismo. Impressiona ver como crian\u00e7as da catequese entram na Igreja e, sem qualquer gesto de rever\u00eancia, sem qualquer sauda\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo, sempre presente e acolhedor, logo se sentam, se\u00a0alapam\u00a0e continuam no seu \u00abintervalo\u00bb ou espera mais ou menos distra\u00eddo e recreativo. Nunca foram exercitados no recolhimento e na mais simples e basilar express\u00e3o corporal de um encontro orante. Depois, quando sacerdote e ministros entram processionalmente para dar in\u00edcio \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, continuam sentados, sem se incorporar na a\u00e7\u00e3o comum, at\u00e9 que algu\u00e9m, mais pol\u00edcia que \u00abmistagogo\u00bb, os obriga a erguerem-se, sem que eles percecionem o porqu\u00ea ou o para qu\u00ea e, por isso, tamb\u00e9m sem aprumo no \u00abcomo\u00bb. Depois\u2026 estar\u00e3o ausentes, \u00e0 espera de um \u00abespet\u00e1culo\u00bb que, se houver, ser\u00e1 enganoso e distrativo, porque o Mist\u00e9rio n\u00e3o pode ter espectadores, mas, apenas e sempre, participantes. Diz a IGMR 43 que todos devem ajoelhar durante a consagra\u00e7\u00e3o, \u00absalvo se a estreiteza do lugar, a assist\u00eancia numerosa ou outros motivos razo\u00e1veis a isso obstarem. Aqueles, por\u00e9m, que n\u00e3o est\u00e3o de joelhos durante a consagra\u00e7\u00e3o, fazem uma inclina\u00e7\u00e3o profunda enquanto o sacerdote genuflete ap\u00f3s a consagra\u00e7\u00e3o\u00bb. Concretamente, em que momento se devem todos (os que n\u00e3o estejam impedidos) ajoelhar? Toda a ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 \u00abora\u00e7\u00e3o de consagra\u00e7\u00e3o\u00bb (IGMR 54), mas n\u00e3o se deve estar de joelhos, por exemplo, durante o pref\u00e1cio e o canto do Santo que integram a ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. O n\u00ba 55 d) da mesma IGMR liga a consagra\u00e7\u00e3o, mais restritivamente, \u00e0 \u00abNarra\u00e7\u00e3o da Institui\u00e7\u00e3o\u00bb. Ser\u00e1 que s\u00f3 ent\u00e3o se dever\u00e1 estar ajoelhado? A resposta est\u00e1 impl\u00edcita na aplica\u00e7\u00e3o aos di\u00e1conos da norma geral: \u00abDesde a epiclese at\u00e9 \u00e0 ostens\u00e3o do c\u00e1lice, o di\u00e1cono permanece habitualmente de joelhos\u00bb (IGMR 179; tamb\u00e9m em\u00a0Cerimonial dos Bispos\u00a0155). Ali\u00e1s, at\u00e9 o bispo, nas Missas em que participe sem celebrar, deve permanecer de joelhos \u00abdesde a epiclese at\u00e9 que termine a eleva\u00e7\u00e3o do c\u00e1lice\u00bb (Cerimonial dos Bispos\u00a0182). A coer\u00eancia leva a concluir que \u00e9 esse tamb\u00e9m o tempo em\u00a0todos devem ajoelhar \u2013 desde a epiclese at\u00e9 que termine a eleva\u00e7\u00e3o do c\u00e1lice \u2013, apenas permanecendo de p\u00e9 os sacerdotes que,\u00a0in persona Christi Capitis, realizam a consagra\u00e7\u00e3o. Esse momento \u00e9 assinalado por um gesto claro e vis\u00edvel para todos: a imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os sobre as oblatas. Porventura, pode ser oportuno o toque de campainha previsto como possibilidade \u00abum pouco antes da consagra\u00e7\u00e3o\u00bb (IGMR 150). A atitude \u00e9, pois, expressiva da\u00a0adora\u00e7\u00e3o\u00a0e, ao mesmo tempo, \u00e9 uma\u00a0epiclese\u00a0corporal, s\u00faplica intensa com que os fi\u00e9is acompanham a prece sacerdotal. Recordamos, a prop\u00f3sito, que era de joelhos que outrora se cantava o\u00a0Veni Sancte Spiritus\u00a0(sequ\u00eancia de Pentecostes) e, ainda hoje, os Orientais celebram no dia de Pentecostes o\u00a0Of\u00edcio da genuflex\u00e3o\u00a0com um sentido an\u00e1logo. Tamb\u00e9m de joelhos se cantava, no passado, o hino\u00a0Veni Creator Spiritus, na Ordena\u00e7\u00e3o episcopal. A atitude de joelhos \u00e9 tamb\u00e9m expressiva de uma s\u00faplica intensa nas ora\u00e7\u00f5es solenes de Sexta-Feira Santa e durante o canto das Ladainhas (fora dos Domingos e do Tempo Pascal); exprime a contri\u00e7\u00e3o em certos momentos da celebra\u00e7\u00e3o penitencial\u2026 (Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":31579,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31578","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31578\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}