{"id":31621,"date":"2025-11-03T10:41:40","date_gmt":"2025-11-03T10:41:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31621"},"modified":"2025-11-03T10:41:40","modified_gmt":"2025-11-03T10:41:40","slug":"nao-ficar-preso-a-lagrimas-de-nostalgia-mas-alcancar-jesus-com-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/nao-ficar-preso-a-lagrimas-de-nostalgia-mas-alcancar-jesus-com-esperanca\/","title":{"rendered":"N\u00e3o ficar preso a l\u00e1grimas de nostalgia, mas alcan\u00e7ar Jesus com esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Nestes primeiros dias de novembro, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, o Crucificado, ilumina o destino de cada um de n\u00f3s. Ele mesmo no-lo disse: \u00abA vontade daquele que me enviou \u00e9 esta: que Eu n\u00e3o perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no \u00faltimo dia\u00bb (<i>Jo<\/i>\u00a06, 39). Por conseguinte, o centro das preocupa\u00e7\u00f5es de Deus torna-se claro: que ningu\u00e9m se perca para sempre e que cada um tenha o seu lugar, brilhando em toda a sua unicidade.<\/p>\n<p>\u00c9 o mist\u00e9rio que\u00a0celebr\u00e1mos ontem, na\u00a0<i>Solenidade de Todos os Santos<\/i>: uma comunh\u00e3o de diferen\u00e7as que, por assim dizer, alarga a vida de Deus a todos os filhos e filhas que desejaram fazer parte dela. \u00c9 o desejo inscrito no cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano, que pede reconhecimento, aten\u00e7\u00e3o e alegria. Como escreveu o\u00a0Papa Bento XVI, a express\u00e3o \u201cvida eterna\u201d pretende dar um nome a esta espera irreprim\u00edvel: n\u00e3o uma sucess\u00e3o [de tempo] sem fim, mas o mergulhar no oceano do amor infinito, no qual o tempo, o antes e o depois j\u00e1 n\u00e3o existem. Uma plenitude de vida e de alegria: \u00e9 isto que esperamos e aguardamos do nosso estar com Cristo (cf. Carta enc.\u00a0<i>Spe salvi<\/i>, 12).<\/p>\n<p>Assim, a\u00a0<i>Comemora\u00e7\u00e3o de todos os fi\u00e9is defuntos<\/i>\u00a0aproxima-nos ainda mais do mist\u00e9rio. Com efeito, conhecemos interiormente a preocupa\u00e7\u00e3o de Deus em n\u00e3o perder ningu\u00e9m, sempre que a morte parece fazer-nos perder para sempre uma voz, um rosto, um mundo inteiro. Na verdade, cada pessoa \u00e9 um mundo inteiro. <strong>O dia de hoje, portanto, \u00e9 um dia que desafia a mem\u00f3ria humana, t\u00e3o preciosa e t\u00e3o fr\u00e1gil. Sem a mem\u00f3ria de Jesus \u2013 da sua vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013 o imenso tesouro de cada vida fica sujeito ao esquecimento. Por\u00e9m, na mem\u00f3ria viva de Jesus, mesmo aqueles de quem ningu\u00e9m se lembra, mesmo aqueles que a hist\u00f3ria parece ter apagado, emergem na sua dignidade infinita. Jesus, a pedra que os construtores desprezaram, \u00e9 agora pedra angular (cf.\u00a0<i>Act<\/i>\u00a04, 11)<\/strong>. Eis o an\u00fancio pascal. Por isso, os crist\u00e3os recordam desde sempre os defuntos em cada Eucaristia e, at\u00e9 ao dia de hoje, pedem que os seus entes queridos sejam mencionados na ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Desse an\u00fancio nasce a esperan\u00e7a de que ningu\u00e9m se perder\u00e1.<\/p>\n<p>A visita ao cemit\u00e9rio, onde o sil\u00eancio interrompe a agita\u00e7\u00e3o dos nossos tantos afazeres, seja para todos um convite \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 esperan\u00e7a. Professamos no Credo: \u00abEspero a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e a vida do mundo que h\u00e1 de vir\u00bb. <strong>Comemoremos, pois, o futuro. N\u00e3o fiquemos presos ao passado, \u00e0s l\u00e1grimas da nostalgia. Nem tampouco estejamos encerrados no presente, como num t\u00famulo. Que a voz familiar de Jesus nos alcance, e alcance a todos, porque \u00e9 a \u00fanica que vem do futuro. Ele chama-nos pelo nome, prepara-nos um lugar, liberta-nos do sentido da impot\u00eancia com o qual corremos o risco de renunciar \u00e0 vida. Maria, mulher do s\u00e1bado santo, nos ensine de novo a ter esperan\u00e7a.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nestes primeiros dias de novembro, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, o Crucificado, ilumina o destino de cada um de n\u00f3s. Ele mesmo no-lo disse: \u00abA vontade daquele que me enviou \u00e9 esta: que Eu n\u00e3o perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no \u00faltimo dia\u00bb (Jo\u00a06, 39). Por conseguinte, o centro das preocupa\u00e7\u00f5es de Deus torna-se claro: que ningu\u00e9m se perca para sempre e que cada um tenha o seu lugar, brilhando em toda a sua unicidade. \u00c9 o mist\u00e9rio que\u00a0celebr\u00e1mos ontem, na\u00a0Solenidade de Todos os Santos: uma comunh\u00e3o de diferen\u00e7as que, por assim dizer, alarga a vida de Deus a todos os filhos e filhas que desejaram fazer parte dela. \u00c9 o desejo inscrito no cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano, que pede reconhecimento, aten\u00e7\u00e3o e alegria. Como escreveu o\u00a0Papa Bento XVI, a express\u00e3o \u201cvida eterna\u201d pretende dar um nome a esta espera irreprim\u00edvel: n\u00e3o uma sucess\u00e3o [de tempo] sem fim, mas o mergulhar no oceano do amor infinito, no qual o tempo, o antes e o depois j\u00e1 n\u00e3o existem. Uma plenitude de vida e de alegria: \u00e9 isto que esperamos e aguardamos do nosso estar com Cristo (cf. Carta enc.\u00a0Spe salvi, 12). Assim, a\u00a0Comemora\u00e7\u00e3o de todos os fi\u00e9is defuntos\u00a0aproxima-nos ainda mais do mist\u00e9rio. Com efeito, conhecemos interiormente a preocupa\u00e7\u00e3o de Deus em n\u00e3o perder ningu\u00e9m, sempre que a morte parece fazer-nos perder para sempre uma voz, um rosto, um mundo inteiro. Na verdade, cada pessoa \u00e9 um mundo inteiro. O dia de hoje, portanto, \u00e9 um dia que desafia a mem\u00f3ria humana, t\u00e3o preciosa e t\u00e3o fr\u00e1gil. Sem a mem\u00f3ria de Jesus \u2013 da sua vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013 o imenso tesouro de cada vida fica sujeito ao esquecimento. Por\u00e9m, na mem\u00f3ria viva de Jesus, mesmo aqueles de quem ningu\u00e9m se lembra, mesmo aqueles que a hist\u00f3ria parece ter apagado, emergem na sua dignidade infinita. Jesus, a pedra que os construtores desprezaram, \u00e9 agora pedra angular (cf.\u00a0Act\u00a04, 11). Eis o an\u00fancio pascal. Por isso, os crist\u00e3os recordam desde sempre os defuntos em cada Eucaristia e, at\u00e9 ao dia de hoje, pedem que os seus entes queridos sejam mencionados na ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Desse an\u00fancio nasce a esperan\u00e7a de que ningu\u00e9m se perder\u00e1. A visita ao cemit\u00e9rio, onde o sil\u00eancio interrompe a agita\u00e7\u00e3o dos nossos tantos afazeres, seja para todos um convite \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 esperan\u00e7a. Professamos no Credo: \u00abEspero a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e a vida do mundo que h\u00e1 de vir\u00bb. Comemoremos, pois, o futuro. N\u00e3o fiquemos presos ao passado, \u00e0s l\u00e1grimas da nostalgia. Nem tampouco estejamos encerrados no presente, como num t\u00famulo. Que a voz familiar de Jesus nos alcance, e alcance a todos, porque \u00e9 a \u00fanica que vem do futuro. Ele chama-nos pelo nome, prepara-nos um lugar, liberta-nos do sentido da impot\u00eancia com o qual corremos o risco de renunciar \u00e0 vida. 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