{"id":31633,"date":"2025-11-04T10:44:45","date_gmt":"2025-11-04T10:44:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31633"},"modified":"2025-11-04T10:44:45","modified_gmt":"2025-11-04T10:44:45","slug":"nota-doutrinal-sobre-os-titulos-marianos-mae-do-povo-fiel-nao-corredentora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/nota-doutrinal-sobre-os-titulos-marianos-mae-do-povo-fiel-nao-corredentora\/","title":{"rendered":"Nota doutrinal sobre os t\u00edtulos marianos: M\u00e3e do povo fiel, n\u00e3o Corredentora"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O documento do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9, aprovado por Le\u00e3o XIV, esclarece os t\u00edtulos a serem usados para Nossa Senhora. Pede-se tamb\u00e9m aten\u00e7\u00e3o especial para o t\u00edtulo de &#8220;Mediadora de todas as gra\u00e7as&#8221;<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>&#8220;Mater populi fidelis&#8221;\u00a0\u00e9 o t\u00edtulo da Nota doutrin\u00e1ria publicada esta ter\u00e7a-feira, 4 de novembro, pelo Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9. Assinada pelo Prefeito, cardeal V\u00edctor Manuel Fern\u00e1ndez, e pelo secret\u00e1rio da se\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria, monsenhor Armando Matteo, a Nota foi aprovada pelo Papa em 7 de outubro passado. \u00c9 fruto de um longo e articulado trabalho colegiado. Trata-se de um documento doutrinal sobre a devo\u00e7\u00e3o mariana, com foco na figura de Maria, associada \u00e0 obra de Cristo como M\u00e3e dos fi\u00e9is. A Nota fornece um importante fundamento b\u00edblico para a devo\u00e7\u00e3o a Maria, al\u00e9m de reunir diversas contribui\u00e7\u00f5es dos Padres, dos Doutores da Igreja, dos elementos da tradi\u00e7\u00e3o oriental e do pensamento dos \u00faltimos Pont\u00edfices.<\/p>\n<p>Dentro desse quadro positivo, o texto doutrinal analisa diversos t\u00edtulos marianos, valorizando alguns deles e alertando para o uso de outros. T\u00edtulos como\u00a0<i>M\u00e3e dos fi\u00e9is<\/i>,\u00a0<i>M\u00e3e espiritual<\/i>\u00a0e\u00a0<i>M\u00e3e do povo fiel<\/i>\u00a0s\u00e3o particularmente apreciados pela Nota. O t\u00edtulo de\u00a0<i>Corredentora<\/i>, por sua vez, \u00e9 considerado impr\u00f3prio e inadequado. O t\u00edtulo de\u00a0<i>Mediadora<\/i>\u00a0\u00e9 considerado inaceit\u00e1vel quando assume um significado que \u00e9 exclusivo de Jesus Cristo, mas \u00e9 considerado precioso quando expressa uma media\u00e7\u00e3o inclusiva e participativa que glorifica o poder de Cristo. Os t\u00edtulos de\u00a0<i>M\u00e3e da gra\u00e7a<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Mediadora de todas as gra\u00e7as<\/i>\u00a0s\u00e3o considerados aceit\u00e1veis \u200b\u200bem alguns sentidos muito espec\u00edficos, mas uma explica\u00e7\u00e3o particularmente ampla \u00e9 oferecida em rela\u00e7\u00e3o aos significados que podem apresentar riscos.<\/p>\n<p>Essencialmente, a Nota reafirma a doutrina cat\u00f3lica, que sempre enfatizou como tudo em Maria \u00e9 direcionado para a centralidade de Cristo e sua a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica. Portanto, embora alguns t\u00edtulos marianos possam ser explicados por meio de uma exegese correta, considera-se prefer\u00edvel evit\u00e1-los. Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, o cardeal Fern\u00e1ndez valoriza a devo\u00e7\u00e3o popular, mas adverte contra grupos e publica\u00e7\u00f5es que prop\u00f5em um desenvolvimento dogm\u00e1tico particular e levantam d\u00favidas entre os fi\u00e9is, inclusive por meio das redes sociais. O principal problema, na interpreta\u00e7\u00e3o desses t\u00edtulos aplicados \u00e0 Virgem Maria, diz respeito \u00e0 forma de compreender a associa\u00e7\u00e3o de Maria na obra da reden\u00e7\u00e3o de Cristo (3).<\/p>\n<h2>Corredentora<\/h2>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao t\u00edtulo \u201cCorredentora\u201d, a Nota recorda que alguns Papas \u201cusaram este t\u00edtulo sem se deterem para o explicar. Geralmente, apresentaram-no em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade divina e em refer\u00eancia \u00e0 uni\u00e3o de Maria com Cristo junto \u00e0 Cruz redentora. O Conc\u00edlio Vaticano II decidiu n\u00e3o usar este t\u00edtulo \u201cpor raz\u00f5es dogm\u00e1ticas, pastorais e ecum\u00e9nicas\u201d. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II \u201cusou-o, pelo menos em sete ocasi\u00f5es, ligando-o sobretudo ao valor salv\u00edfico do nosso sofrimento oferecido ao lado do de Cristo, a quem Maria est\u00e1 unida especialmente aos p\u00e9s da Cruz\u201d (18).<\/p>\n<p>O documento cita uma discuss\u00e3o interna na ent\u00e3o Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, que em fevereiro de 1996 discutiu o pedido para proclamar um novo dogma sobre Maria como \u201cCorredentora ou Mediadora de todas as gra\u00e7as\u201d. O parecer de Ratzinger era contr\u00e1rio: \u201cO significado preciso dos t\u00edtulos n\u00e3o \u00e9 claro e a doutrina neles contida n\u00e3o est\u00e1 madura\u2026 Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro como a doutrina expressa nos t\u00edtulos est\u00e1 presente nas Escrituras e na tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u201d. Posteriormente, em 2002, o futuro Bento XVI tamb\u00e9m se expressou publicamente da mesma forma: \u201cA f\u00f3rmula \u2018Corredentora\u2019 distancia-se demasiadamente da linguagem das Escrituras e da patr\u00edstica e, portanto, causa mal-entendidos\u2026 Tudo vem d&#8217;Ele, como afirmam sobretudo as Ep\u00edstolas aos Ef\u00e9sios e aos Colossenses. Maria \u00e9 o que \u00e9 gra\u00e7as a Ele.\u201d O termo \u201cCorredentora\u201d obscureceria sua origem\u201d. O cardeal Ratzinger, esclarece a Nota, n\u00e3o negou que houvesse boas inten\u00e7\u00f5es e aspectos valiosos na proposta de usar esse t\u00edtulo, mas sustentou que se tratava de \u201cterminologia incorreta\u201d (19).<\/p>\n<p>O Papa Francisco expressou sua posi\u00e7\u00e3o claramente contra o uso do t\u00edtulo Corredentora pelo menos tr\u00eas vezes. O documento doutrinal a esse respeito conclui: \u201c<i>\u00c9 sempre inapropriado\u00a0<\/i>usar o t\u00edtulo de\u00a0<i>Corredentora<\/i>\u00a0para definir a coopera\u00e7\u00e3o de Maria. Esse t\u00edtulo corre o risco de obscurecer a media\u00e7\u00e3o salv\u00edfica \u00fanica de Cristo e, portanto, pode gerar confus\u00e3o e desequil\u00edbrio na harmonia das verdades da f\u00e9 crist\u00e3\u2026 Quando uma express\u00e3o requer in\u00fameras e cont\u00ednuas explica\u00e7\u00f5es para evitar que se afaste do significado correto, ela n\u00e3o serve \u00e0 f\u00e9 do Povo de Deus e se torna\u00a0<i>inapropriada<\/i>\u201d (22).<\/p>\n<h2>Mediadora<\/h2>\n<p>A Nota enfatiza que a express\u00e3o b\u00edblica referente \u00e0 media\u00e7\u00e3o exclusiva de Cristo &#8220;\u00e9 perempt\u00f3ria&#8221;. Cristo \u00e9 o \u00fanico Mediador (24). Por outro lado, destaca &#8220;o uso muito comum do termo &#8216;media\u00e7\u00e3o&#8217; nas mais diversas esferas da vida social, onde \u00e9 entendido simplesmente como coopera\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia, intercess\u00e3o. Consequentemente, \u00e9 inevitavelmente aplicado a Maria em um sentido subordinado e de modo algum pretende acrescentar qualquer efic\u00e1cia ou poder \u00e0 media\u00e7\u00e3o \u00fanica de Jesus Cristo&#8221; (25). Al\u00e9m disso \u2013 reconhece o documento \u2013 &#8220;\u00e9 evidente que houve uma media\u00e7\u00e3o real de Maria para tornar poss\u00edvel a verdadeira Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus em nossa humanidade&#8221; (26).<\/p>\n<h2>M\u00e3e dos fi\u00e9is e Mediadora de todas as gra\u00e7as<\/h2>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o materna de Maria &#8220;de modo algum obscurece ou diminui&#8221; a media\u00e7\u00e3o \u00fanica de Cristo, &#8220;mas demonstra sua efic\u00e1cia&#8221;. Assim entendida, &#8220;a maternidade de Maria n\u00e3o pretende enfraquecer a adora\u00e7\u00e3o \u00fanica que \u00e9 devida somente a Cristo, mas antes estimul\u00e1-la&#8221;. Devemos, portanto, evitar, afirma a Nota, \u201ct\u00edtulos e express\u00f5es referentes a Maria que a apresentem como uma esp\u00e9cie de &#8216;para-raios&#8217; diante da justi\u00e7a do Senhor, como se Maria fosse uma alternativa necess\u00e1ria \u00e0 miseric\u00f3rdia insuficiente de Deus\u201d (37, b). O t\u00edtulo de \u201cM\u00e3e dos fi\u00e9is\u201d permite-nos falar de \u201cuma a\u00e7\u00e3o de Maria tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa vida de gra\u00e7a\u201d (45).<\/p>\n<p>Devemos, no entanto, ter cuidado com express\u00f5es que possam transmitir \u201cconte\u00fados menos aceit\u00e1veis\u201d (45). O cardeal Ratzinger explicou que o t\u00edtulo de<i>\u00a0Maria mediadora de todas as gra\u00e7as<\/i>\u00a0n\u00e3o se fundamenta claramente na Revela\u00e7\u00e3o divina e, em conson\u00e2ncia com essa convic\u00e7\u00e3o \u2013 explica o documento \u2013 podemos reconhecer as dificuldades que acarreta tanto na reflex\u00e3o teol\u00f3gica como na espiritualidade\u201d (45). De fato, \u201cNenhuma pessoa humana, nem mesmo os Ap\u00f3stolos ou a Virgem Sant\u00edssima, pode agir como dispensador universal da gra\u00e7a. S\u00f3 Deus pode dar a gra\u00e7a e o faz atrav\u00e9s da humanidade de Cristo\u201d (53). T\u00edtulos como\u00a0<i>Mediadora de todas as gra\u00e7as<\/i>\u00a0t\u00eam, portanto, \u201climita\u00e7\u00f5es que n\u00e3o facilitam a correta compreens\u00e3o do papel \u00fanico de Maria. De fato, ela, que \u00e9 a primeira redimida, n\u00e3o pode ter sido a mediadora da gra\u00e7a que ela mesma recebeu\u201d (67). No entanto, reconhece por fim o documento, \u201ca express\u00e3o \u2018gra\u00e7as\u2019, referindo-se ao apoio materno de Maria nos diferentes momentos da vida, pode ter um significado aceit\u00e1vel\u201d. O plural, de fato, expressa \u201ctoda a ajuda, inclusive material, que o Senhor pode nos dar ao ouvir a intercess\u00e3o da M\u00e3e\u201d (68).<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O documento do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9, aprovado por Le\u00e3o XIV, esclarece os t\u00edtulos a serem usados para Nossa Senhora. Pede-se tamb\u00e9m aten\u00e7\u00e3o especial para o t\u00edtulo de &#8220;Mediadora de todas as gra\u00e7as&#8221; &#8220;Mater populi fidelis&#8221;\u00a0\u00e9 o t\u00edtulo da Nota doutrin\u00e1ria publicada esta ter\u00e7a-feira, 4 de novembro, pelo Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9. Assinada pelo Prefeito, cardeal V\u00edctor Manuel Fern\u00e1ndez, e pelo secret\u00e1rio da se\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria, monsenhor Armando Matteo, a Nota foi aprovada pelo Papa em 7 de outubro passado. \u00c9 fruto de um longo e articulado trabalho colegiado. Trata-se de um documento doutrinal sobre a devo\u00e7\u00e3o mariana, com foco na figura de Maria, associada \u00e0 obra de Cristo como M\u00e3e dos fi\u00e9is. A Nota fornece um importante fundamento b\u00edblico para a devo\u00e7\u00e3o a Maria, al\u00e9m de reunir diversas contribui\u00e7\u00f5es dos Padres, dos Doutores da Igreja, dos elementos da tradi\u00e7\u00e3o oriental e do pensamento dos \u00faltimos Pont\u00edfices. Dentro desse quadro positivo, o texto doutrinal analisa diversos t\u00edtulos marianos, valorizando alguns deles e alertando para o uso de outros. T\u00edtulos como\u00a0M\u00e3e dos fi\u00e9is,\u00a0M\u00e3e espiritual\u00a0e\u00a0M\u00e3e do povo fiel\u00a0s\u00e3o particularmente apreciados pela Nota. O t\u00edtulo de\u00a0Corredentora, por sua vez, \u00e9 considerado impr\u00f3prio e inadequado. O t\u00edtulo de\u00a0Mediadora\u00a0\u00e9 considerado inaceit\u00e1vel quando assume um significado que \u00e9 exclusivo de Jesus Cristo, mas \u00e9 considerado precioso quando expressa uma media\u00e7\u00e3o inclusiva e participativa que glorifica o poder de Cristo. Os t\u00edtulos de\u00a0M\u00e3e da gra\u00e7a\u00a0e\u00a0Mediadora de todas as gra\u00e7as\u00a0s\u00e3o considerados aceit\u00e1veis \u200b\u200bem alguns sentidos muito espec\u00edficos, mas uma explica\u00e7\u00e3o particularmente ampla \u00e9 oferecida em rela\u00e7\u00e3o aos significados que podem apresentar riscos. Essencialmente, a Nota reafirma a doutrina cat\u00f3lica, que sempre enfatizou como tudo em Maria \u00e9 direcionado para a centralidade de Cristo e sua a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica. Portanto, embora alguns t\u00edtulos marianos possam ser explicados por meio de uma exegese correta, considera-se prefer\u00edvel evit\u00e1-los. Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, o cardeal Fern\u00e1ndez valoriza a devo\u00e7\u00e3o popular, mas adverte contra grupos e publica\u00e7\u00f5es que prop\u00f5em um desenvolvimento dogm\u00e1tico particular e levantam d\u00favidas entre os fi\u00e9is, inclusive por meio das redes sociais. O principal problema, na interpreta\u00e7\u00e3o desses t\u00edtulos aplicados \u00e0 Virgem Maria, diz respeito \u00e0 forma de compreender a associa\u00e7\u00e3o de Maria na obra da reden\u00e7\u00e3o de Cristo (3). Corredentora Em rela\u00e7\u00e3o ao t\u00edtulo \u201cCorredentora\u201d, a Nota recorda que alguns Papas \u201cusaram este t\u00edtulo sem se deterem para o explicar. Geralmente, apresentaram-no em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade divina e em refer\u00eancia \u00e0 uni\u00e3o de Maria com Cristo junto \u00e0 Cruz redentora. O Conc\u00edlio Vaticano II decidiu n\u00e3o usar este t\u00edtulo \u201cpor raz\u00f5es dogm\u00e1ticas, pastorais e ecum\u00e9nicas\u201d. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II \u201cusou-o, pelo menos em sete ocasi\u00f5es, ligando-o sobretudo ao valor salv\u00edfico do nosso sofrimento oferecido ao lado do de Cristo, a quem Maria est\u00e1 unida especialmente aos p\u00e9s da Cruz\u201d (18). O documento cita uma discuss\u00e3o interna na ent\u00e3o Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, que em fevereiro de 1996 discutiu o pedido para proclamar um novo dogma sobre Maria como \u201cCorredentora ou Mediadora de todas as gra\u00e7as\u201d. O parecer de Ratzinger era contr\u00e1rio: \u201cO significado preciso dos t\u00edtulos n\u00e3o \u00e9 claro e a doutrina neles contida n\u00e3o est\u00e1 madura\u2026 Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro como a doutrina expressa nos t\u00edtulos est\u00e1 presente nas Escrituras e na tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u201d. Posteriormente, em 2002, o futuro Bento XVI tamb\u00e9m se expressou publicamente da mesma forma: \u201cA f\u00f3rmula \u2018Corredentora\u2019 distancia-se demasiadamente da linguagem das Escrituras e da patr\u00edstica e, portanto, causa mal-entendidos\u2026 Tudo vem d&#8217;Ele, como afirmam sobretudo as Ep\u00edstolas aos Ef\u00e9sios e aos Colossenses. Maria \u00e9 o que \u00e9 gra\u00e7as a Ele.\u201d O termo \u201cCorredentora\u201d obscureceria sua origem\u201d. O cardeal Ratzinger, esclarece a Nota, n\u00e3o negou que houvesse boas inten\u00e7\u00f5es e aspectos valiosos na proposta de usar esse t\u00edtulo, mas sustentou que se tratava de \u201cterminologia incorreta\u201d (19). O Papa Francisco expressou sua posi\u00e7\u00e3o claramente contra o uso do t\u00edtulo Corredentora pelo menos tr\u00eas vezes. O documento doutrinal a esse respeito conclui: \u201c\u00c9 sempre inapropriado\u00a0usar o t\u00edtulo de\u00a0Corredentora\u00a0para definir a coopera\u00e7\u00e3o de Maria. Esse t\u00edtulo corre o risco de obscurecer a media\u00e7\u00e3o salv\u00edfica \u00fanica de Cristo e, portanto, pode gerar confus\u00e3o e desequil\u00edbrio na harmonia das verdades da f\u00e9 crist\u00e3\u2026 Quando uma express\u00e3o requer in\u00fameras e cont\u00ednuas explica\u00e7\u00f5es para evitar que se afaste do significado correto, ela n\u00e3o serve \u00e0 f\u00e9 do Povo de Deus e se torna\u00a0inapropriada\u201d (22). Mediadora A Nota enfatiza que a express\u00e3o b\u00edblica referente \u00e0 media\u00e7\u00e3o exclusiva de Cristo &#8220;\u00e9 perempt\u00f3ria&#8221;. Cristo \u00e9 o \u00fanico Mediador (24). Por outro lado, destaca &#8220;o uso muito comum do termo &#8216;media\u00e7\u00e3o&#8217; nas mais diversas esferas da vida social, onde \u00e9 entendido simplesmente como coopera\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia, intercess\u00e3o. Consequentemente, \u00e9 inevitavelmente aplicado a Maria em um sentido subordinado e de modo algum pretende acrescentar qualquer efic\u00e1cia ou poder \u00e0 media\u00e7\u00e3o \u00fanica de Jesus Cristo&#8221; (25). Al\u00e9m disso \u2013 reconhece o documento \u2013 &#8220;\u00e9 evidente que houve uma media\u00e7\u00e3o real de Maria para tornar poss\u00edvel a verdadeira Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus em nossa humanidade&#8221; (26). M\u00e3e dos fi\u00e9is e Mediadora de todas as gra\u00e7as A fun\u00e7\u00e3o materna de Maria &#8220;de modo algum obscurece ou diminui&#8221; a media\u00e7\u00e3o \u00fanica de Cristo, &#8220;mas demonstra sua efic\u00e1cia&#8221;. Assim entendida, &#8220;a maternidade de Maria n\u00e3o pretende enfraquecer a adora\u00e7\u00e3o \u00fanica que \u00e9 devida somente a Cristo, mas antes estimul\u00e1-la&#8221;. Devemos, portanto, evitar, afirma a Nota, \u201ct\u00edtulos e express\u00f5es referentes a Maria que a apresentem como uma esp\u00e9cie de &#8216;para-raios&#8217; diante da justi\u00e7a do Senhor, como se Maria fosse uma alternativa necess\u00e1ria \u00e0 miseric\u00f3rdia insuficiente de Deus\u201d (37, b). O t\u00edtulo de \u201cM\u00e3e dos fi\u00e9is\u201d permite-nos falar de \u201cuma a\u00e7\u00e3o de Maria tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa vida de gra\u00e7a\u201d (45). Devemos, no entanto, ter cuidado com express\u00f5es que possam transmitir \u201cconte\u00fados menos aceit\u00e1veis\u201d (45). O cardeal Ratzinger explicou que o t\u00edtulo de\u00a0Maria mediadora de todas as gra\u00e7as\u00a0n\u00e3o se fundamenta claramente na Revela\u00e7\u00e3o divina e, em conson\u00e2ncia com essa convic\u00e7\u00e3o \u2013 explica o documento \u2013 podemos reconhecer as dificuldades que acarreta tanto na reflex\u00e3o teol\u00f3gica como na espiritualidade\u201d (45). De fato, \u201cNenhuma pessoa humana, nem mesmo os Ap\u00f3stolos ou a Virgem Sant\u00edssima, pode agir como dispensador universal<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":31634,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31633","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31633"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31633\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}