{"id":31641,"date":"2025-11-06T11:16:25","date_gmt":"2025-11-06T11:16:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31641"},"modified":"2025-11-06T11:16:25","modified_gmt":"2025-11-06T11:16:25","slug":"a-educacao-nas-inquietacoes-do-papa-leao-xiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/a-educacao-nas-inquietacoes-do-papa-leao-xiv\/","title":{"rendered":"A Educa\u00e7\u00e3o nas inquieta\u00e7\u00f5es do Papa Le\u00e3o XIV"},"content":{"rendered":"<p>A Educa\u00e7\u00e3o constituiu sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o central dos ensinamentos da Igreja. \u00c9 significativo que o documento conciliar (de 1965, assinado por Paulo VI)\u00a0<em>Gravissimun Educationis<\/em>\u00a0tenha sido agora motivo para uma nova Carta Apost\u00f3lica do Papa Le\u00e3o XIV, a que atribuiu a designa\u00e7\u00e3o de \u201cDesenhar novos mapas de esperan\u00e7a\u201d e que foi publicada em 28 de outubro, por ocasi\u00e3o do 60.\u00b0 anivers\u00e1rio da referida\u00a0 Declara\u00e7\u00e3o Conciliar\u201d. O Papa pretende assim relan\u00e7ar e integrar no tempo presente a tem\u00e1tica e centralidade dos desafios da educa\u00e7\u00e3o nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Importa relembrar que o documento conciliar de 1965 assinalava princ\u00edpios como o direito universal \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u201caberta ao cons\u00f3rcio fraterno com os outros povos\u201d, aproveitando os progressos da psicologia, pedagogia e did\u00e1ctica, em ordem ao desenvolvimento harm\u00f3nico das qualidades f\u00edsicas, morais e intelectuais, e \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o dos caminhos para assumir a responsabilidade na pr\u00f3pria vida, no sentido da valoriza\u00e7\u00e3o e equil\u00edbrio do uso da liberdade humana, propondo a exist\u00eancia e projetos das escolas cat\u00f3licas, desde a forma\u00e7\u00e3o inicial at\u00e9 \u00e0s Universidades.<\/p>\n<p>Numa altura em que adquirem for\u00e7a os processos tecnol\u00f3gicos e o desenvolvimento da chamada intelig\u00eancia artificial, Le\u00e3o XIV afirma a predomin\u00e2ncia das dimens\u00f5es humanas sobre os processos que servem para as transmitir e edificar: \u201cNenhum algoritmo pode substituir o que torna humana a educa\u00e7\u00e3o: a poesia, a ironia, o amor, a arte, a imagina\u00e7\u00e3o, a alegria da descoberta e at\u00e9 mesmo a educa\u00e7\u00e3o ao erro como oportunidade de crescimento\u201d.<\/p>\n<p>E acentua a centralidade da pessoa humana e das suas dimens\u00f5es pessoais sobre os processos de transmiss\u00e3o do conhecimento, afirmando que \u201cA intelig\u00eancia artificial e os ambientes digitais devem ser orientados para a prote\u00e7\u00e3o da dignidade, da justi\u00e7a e do trabalho; devem ser regidos por crit\u00e9rios de \u00e9tica p\u00fablica e participa\u00e7\u00e3o; devem ser acompanhados por uma reflex\u00e3o teol\u00f3gica e filos\u00f3fica adequada\u201d.<\/p>\n<p>E Le\u00e3o XIV, recorrendo a princ\u00edpios j\u00e1 delineados pelo Papa Francisco , salienta a especial relev\u00e2ncia de alguns, como o respeito pela vida interior, sugerindo na educa\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a de<\/p>\n<p>espa\u00e7os de sil\u00eancio, discernimento e di\u00e1logo com a consci\u00eancia e com Deus. Noutra dimens\u00e3o, salienta para o\u00a0<em>valor humano do digital<\/em>: educamos para o uso s\u00e1bio da tecnologia e da IA, colocando a pessoa \u00e0 frente do algoritmo e harmonizando a intelig\u00eancia t\u00e9cnica, emocional, social, espiritual e ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Regressa tamb\u00e9m ao conceito apresentado na mensagem para o Dia Mundial da Paz: a paz desarmada e desarmante, promovendo uma educa\u00e7\u00e3o que valorize o di\u00e1logo, a \u201cconstru\u00e7\u00e3o de pontes e n\u00e3o de muros\u201d, tornando a promo\u00e7\u00e3o da paz como m\u00e9todo e conte\u00fado da aprendizagem, lembrando a formula\u00e7\u00e3o b\u00edblica \u201cBem-aventurados os que promovem a paz\u201d (Mt 5,9).<\/p>\n<p>A parte final e conclusiva levanta o problema e as propostas da utiliza\u00e7\u00e3o da linguagem no di\u00e1logo social, formulando um pedido para que se\u00a0<em>desarmem as palavras<\/em>, se eleve o olhar e proteja o cora\u00e7\u00e3o. O mandato \u00e0 comunidade educativa, no entanto, n\u00e3o ignora os desafios: \u201ca hiperdigitaliza\u00e7\u00e3o pode destruir a aten\u00e7\u00e3o; a crise das rela\u00e7\u00f5es pode ferir a psique; a inseguran\u00e7a social e a desigualdade podem apagar o desejo\u201d. Faz igualmente um apelo \u00e0 \u201cqualidade e coragem\u201d, que devem ser praticadas em vista de uma inclus\u00e3o cada vez maior, afirmando que \u201cA gratuitidade evang\u00e9lica n\u00e3o \u00e9 ret\u00f3rica: \u00e9 um estilo de rela\u00e7\u00e3o, um m\u00e9todo e um objetivo\u201d.<\/p>\n<p>Esta supera\u00e7\u00e3o do car\u00e1cter ret\u00f3rico e psicologicamente substitutivo que os conceitos comuns atribuem \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o e \u00e0s propostas de espiritualidade, ou de dignidade humana, hoje correntes, bem como aos valores do amor e da emo\u00e7\u00e3o no equil\u00edbrio psicol\u00f3gico dos cidad\u00e3os, constitui uma novidade da reflex\u00e3o doutrinal da Igreja, a que deu corpo o Papa Francisco, e que Le\u00e3o XIV quer dar continuidade.<\/p>\n<p>Outras ideias centrais nesta mensagem conv\u00e9m assinalar: a educa\u00e7\u00e3o deve sempre construir a esperan\u00e7a; a fam\u00edlia deve tornar-se o inicial e principal lugar de educa\u00e7\u00e3o; toda a educa\u00e7\u00e3o deve associar tanto a justi\u00e7a social como a respeito ambiental; as tecnologias devem ajudar a construir a pessoa e n\u00e3o promover a sua substitui\u00e7\u00e3o, procurando a promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana, do equil\u00edbrio social e das rela\u00e7\u00f5es humanas baseadas no respeito m\u00fatuo.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o possui sempre caminhos novos, especialmente agora nesta emerg\u00eancia da intelig\u00eancia artificial, que importa tornar caminho de promo\u00e7\u00e3o e crescimento pessoal. Imprta saber tonar a tecnologia um instrumento de valor humano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Educa\u00e7\u00e3o constituiu sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o central dos ensinamentos da Igreja. \u00c9 significativo que o documento conciliar (de 1965, assinado por Paulo VI)\u00a0Gravissimun Educationis\u00a0tenha sido agora motivo para uma nova Carta Apost\u00f3lica do Papa Le\u00e3o XIV, a que atribuiu a designa\u00e7\u00e3o de \u201cDesenhar novos mapas de esperan\u00e7a\u201d e que foi publicada em 28 de outubro, por ocasi\u00e3o do 60.\u00b0 anivers\u00e1rio da referida\u00a0 Declara\u00e7\u00e3o Conciliar\u201d. O Papa pretende assim relan\u00e7ar e integrar no tempo presente a tem\u00e1tica e centralidade dos desafios da educa\u00e7\u00e3o nos dias de hoje. Importa relembrar que o documento conciliar de 1965 assinalava princ\u00edpios como o direito universal \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u201caberta ao cons\u00f3rcio fraterno com os outros povos\u201d, aproveitando os progressos da psicologia, pedagogia e did\u00e1ctica, em ordem ao desenvolvimento harm\u00f3nico das qualidades f\u00edsicas, morais e intelectuais, e \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o dos caminhos para assumir a responsabilidade na pr\u00f3pria vida, no sentido da valoriza\u00e7\u00e3o e equil\u00edbrio do uso da liberdade humana, propondo a exist\u00eancia e projetos das escolas cat\u00f3licas, desde a forma\u00e7\u00e3o inicial at\u00e9 \u00e0s Universidades. Numa altura em que adquirem for\u00e7a os processos tecnol\u00f3gicos e o desenvolvimento da chamada intelig\u00eancia artificial, Le\u00e3o XIV afirma a predomin\u00e2ncia das dimens\u00f5es humanas sobre os processos que servem para as transmitir e edificar: \u201cNenhum algoritmo pode substituir o que torna humana a educa\u00e7\u00e3o: a poesia, a ironia, o amor, a arte, a imagina\u00e7\u00e3o, a alegria da descoberta e at\u00e9 mesmo a educa\u00e7\u00e3o ao erro como oportunidade de crescimento\u201d. E acentua a centralidade da pessoa humana e das suas dimens\u00f5es pessoais sobre os processos de transmiss\u00e3o do conhecimento, afirmando que \u201cA intelig\u00eancia artificial e os ambientes digitais devem ser orientados para a prote\u00e7\u00e3o da dignidade, da justi\u00e7a e do trabalho; devem ser regidos por crit\u00e9rios de \u00e9tica p\u00fablica e participa\u00e7\u00e3o; devem ser acompanhados por uma reflex\u00e3o teol\u00f3gica e filos\u00f3fica adequada\u201d. E Le\u00e3o XIV, recorrendo a princ\u00edpios j\u00e1 delineados pelo Papa Francisco , salienta a especial relev\u00e2ncia de alguns, como o respeito pela vida interior, sugerindo na educa\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a de espa\u00e7os de sil\u00eancio, discernimento e di\u00e1logo com a consci\u00eancia e com Deus. Noutra dimens\u00e3o, salienta para o\u00a0valor humano do digital: educamos para o uso s\u00e1bio da tecnologia e da IA, colocando a pessoa \u00e0 frente do algoritmo e harmonizando a intelig\u00eancia t\u00e9cnica, emocional, social, espiritual e ecol\u00f3gica. Regressa tamb\u00e9m ao conceito apresentado na mensagem para o Dia Mundial da Paz: a paz desarmada e desarmante, promovendo uma educa\u00e7\u00e3o que valorize o di\u00e1logo, a \u201cconstru\u00e7\u00e3o de pontes e n\u00e3o de muros\u201d, tornando a promo\u00e7\u00e3o da paz como m\u00e9todo e conte\u00fado da aprendizagem, lembrando a formula\u00e7\u00e3o b\u00edblica \u201cBem-aventurados os que promovem a paz\u201d (Mt 5,9). A parte final e conclusiva levanta o problema e as propostas da utiliza\u00e7\u00e3o da linguagem no di\u00e1logo social, formulando um pedido para que se\u00a0desarmem as palavras, se eleve o olhar e proteja o cora\u00e7\u00e3o. O mandato \u00e0 comunidade educativa, no entanto, n\u00e3o ignora os desafios: \u201ca hiperdigitaliza\u00e7\u00e3o pode destruir a aten\u00e7\u00e3o; a crise das rela\u00e7\u00f5es pode ferir a psique; a inseguran\u00e7a social e a desigualdade podem apagar o desejo\u201d. Faz igualmente um apelo \u00e0 \u201cqualidade e coragem\u201d, que devem ser praticadas em vista de uma inclus\u00e3o cada vez maior, afirmando que \u201cA gratuitidade evang\u00e9lica n\u00e3o \u00e9 ret\u00f3rica: \u00e9 um estilo de rela\u00e7\u00e3o, um m\u00e9todo e um objetivo\u201d. Esta supera\u00e7\u00e3o do car\u00e1cter ret\u00f3rico e psicologicamente substitutivo que os conceitos comuns atribuem \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o e \u00e0s propostas de espiritualidade, ou de dignidade humana, hoje correntes, bem como aos valores do amor e da emo\u00e7\u00e3o no equil\u00edbrio psicol\u00f3gico dos cidad\u00e3os, constitui uma novidade da reflex\u00e3o doutrinal da Igreja, a que deu corpo o Papa Francisco, e que Le\u00e3o XIV quer dar continuidade. Outras ideias centrais nesta mensagem conv\u00e9m assinalar: a educa\u00e7\u00e3o deve sempre construir a esperan\u00e7a; a fam\u00edlia deve tornar-se o inicial e principal lugar de educa\u00e7\u00e3o; toda a educa\u00e7\u00e3o deve associar tanto a justi\u00e7a social como a respeito ambiental; as tecnologias devem ajudar a construir a pessoa e n\u00e3o promover a sua substitui\u00e7\u00e3o, procurando a promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana, do equil\u00edbrio social e das rela\u00e7\u00f5es humanas baseadas no respeito m\u00fatuo. A educa\u00e7\u00e3o possui sempre caminhos novos, especialmente agora nesta emerg\u00eancia da intelig\u00eancia artificial, que importa tornar caminho de promo\u00e7\u00e3o e crescimento pessoal. 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