{"id":31690,"date":"2025-11-18T11:27:05","date_gmt":"2025-11-18T11:27:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31690"},"modified":"2025-11-18T11:27:05","modified_gmt":"2025-11-18T11:27:05","slug":"lugar-do-coro-na-igreja-presbiterio-nave-coro-alto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/lugar-do-coro-na-igreja-presbiterio-nave-coro-alto\/","title":{"rendered":"Lugar do Coro na igreja: presbit\u00e9rio, nave, coro alto?"},"content":{"rendered":"<p>\u00ab<em>Tanto quanto a estrutura da igreja o permita, \u00e0\u00a0<\/em>schola cantorum<em>\u00a0deve destinar-se um lugar que manifeste claramente a sua natureza, como parte da assembleia dos fi\u00e9is, e a fun\u00e7\u00e3o peculiar que lhe est\u00e1 reservada; que facilite o desempenho dessa sua fun\u00e7\u00e3o, e que permita comodamente a todos os seus componentes a participa\u00e7\u00e3o sacramental plena na Missa<\/em>\u00bb (IGMR 312).<\/p>\n<p><strong>Onde deve situar-se o Coro?<\/strong>\u00a0Eis uma pergunta que continua a fazer-se com frequ\u00eancia. Na pr\u00e1tica, apresentam-se as solu\u00e7\u00f5es mais variadas. Coros h\u00e1 que preferem o Coro alto ou tribuna (sobre o p\u00f3rtico de entrada), outros situam-se nos primeiros bancos da nave, alguns ocupam o presbit\u00e9rio, quer atr\u00e1s do altar quer de lado, outros colocam-se no transepto, num dos bra\u00e7os, etc.\u00a0<strong>O que est\u00e1 bem e o que n\u00e3o est\u00e1 bem?<\/strong>\u00a0As orienta\u00e7\u00f5es p\u00f3s-conciliares n\u00e3o deixam de ser claras, mesmo que n\u00e3o fa\u00e7am op\u00e7\u00e3o por nenhum dos poss\u00edveis lugares. O n\u00famero citado da Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano decalca o que est\u00e1 dito na Instru\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Musicam Sacram<\/em>, 23 (EDREL 533). Esta, por sua vez, depende da Instru\u00e7\u00e3o de 26 de setembro de 1964,\u00a0<em>Inter Oecumenici<\/em>, 97 (EDREL 246): \u00ab<em>A posi\u00e7\u00e3o do grupo coral e do \u00f3rg\u00e3o deve fazer ressaltar claramente que os cantores e o organista fazem parte da assembleia dos fi\u00e9is, e permitir que eles possam executar do melhor modo o seu of\u00edcio lit\u00fargico<\/em>\u00bb. Digamos que este \u00e9 o pensamento da Igreja p\u00f3s-conciliar sobre tal assunto.<\/p>\n<p>A\u00a0<em>Musicam Sacram\u00a0<\/em>23 n\u00e3o permitia que o coro, sendo misto, tivesse lugar no presbit\u00e9rio. Mas, ent\u00e3o, estava em causa a n\u00e3o completa supera\u00e7\u00e3o da exclus\u00e3o feminina do exerc\u00edcio de verdadeiros minist\u00e9rios lit\u00fargicos. Anteriormente, os coros de cl\u00e9rigos, revestidos de vestes corais, tinham assento nos presbit\u00e9rios. Os coros de leigos, supletivos daqueles, recorriam a crian\u00e7as para os registos mais agudos. Frequentemente, eram tamb\u00e9m eles uniformizados com veste talar e roquete, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o dos cl\u00e9rigos cuja falta ou insufici\u00eancia supriam. Mas, a regra que se generalizou, antes do Vaticano II, foi de os coros de leigos (incluindo os das bandas filarm\u00f3nicas) serem remetidos para o chamado coro alto, com claros benef\u00edcios ac\u00fasticos, mas dissociando-se, de algum modo, a sua presta\u00e7\u00e3o musical (que era \u00abministerial\u00bb nas Missas cantadas e solenes) da efetiva participa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica dos seus membros.<\/p>\n<p>Superada a interdi\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a feminina no\u00a0<strong>presbit\u00e9rio<\/strong>, continuamos a pensar que n\u00e3o dever\u00e1 ser esse o lugar pr\u00f3prio da\u00a0<em>schola cantorum<\/em>. De facto, o Coro \u00e9 parte integrante da\u00a0<strong>assembleia<\/strong>\u00a0dos fi\u00e9is, cujo canto anima e apoia. Colocar o Coro no Presbit\u00e9rio ser\u00e1 dar uma imagem errada do seu minist\u00e9rio que n\u00e3o \u00e9 servir a presid\u00eancia, mas sim a assembleia. Para al\u00e9m de, em algumas igrejas e com uma coloca\u00e7\u00e3o frontal, lhe dar excessivo protagonismo, com o risco de transformar em espet\u00e1culo o seu servi\u00e7o lit\u00fargico que nunca deve ser autorreferencial, mas sempre para a maior gl\u00f3ria de Deus e santifica\u00e7\u00e3o dos homens.<\/p>\n<p>E o que dizer das outras solu\u00e7\u00f5es?\u00a0<strong>Regra geral nenhuma delas \u00e9 perfeita<\/strong>. Importa sim, na constru\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>novas igrejas<\/strong>, tentar encontrar o lugar pr\u00f3prio do Coro, o que nem sempre tem sido atendido. As solu\u00e7\u00f5es do passado, corretas em si mesmas, adaptam-se menos bem \u00e0 liturgia renovada.<\/p>\n<p>Colocar o Coro\u00a0<strong>nos primeiros bancos da nave<\/strong>\u00a0tem vantagens ao n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o do Coro na assembleia, da participa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica do Coro, da condu\u00e7\u00e3o do Coro e assembleia. Mas, frequentemente, apresenta problemas ac\u00fasticos insol\u00faveis e, quando o Coro, no exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio, canta a solo, estabelece uma barreira entre os fi\u00e9is e o presbit\u00e9rio (por exemplo, se canta de p\u00e9 durante a apresenta\u00e7\u00e3o dos dons a assembleia est\u00e1 sentada). Colocando o Coro num dos bra\u00e7os do<strong>\u00a0transepto<\/strong>, se ele existe, evita-se a \u00faltima dificuldade, mas n\u00e3o se resolve o problema da ac\u00fastica e dificulta-se a participa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Coro que perde a vis\u00e3o da \u00e1rea do altar. Muitas das nossas igrejas t\u00eam\u00a0<strong>tribuna<\/strong>, o chamado \u00abcoro alto\u00bb. Os documentos da liturgia p\u00f3s-conciliar n\u00e3o \u201ccanonizaram\u201d esse lugar, como localiza\u00e7\u00e3o, recomendada nem o interditaram. Importa, por\u00e9m, atender aos inconvenientes desse espa\u00e7o e corrigi-los, na medida do poss\u00edvel. O Coro tem a tenta\u00e7\u00e3o de se sentir \u00e0 parte, em contraponto com a presid\u00eancia, tornando-se polo dial\u00f3gico do Presbit\u00e9rio e relegando a assembleia para a condi\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia tendencialmente muda. Al\u00e9m disso, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil assegurar a participa\u00e7\u00e3o do Coro na comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>O melhor lugar para o Coro numa determinada igreja ser\u00e1 aquele que ofere\u00e7a a solu\u00e7\u00e3o mais razo\u00e1vel \u00e0s dificuldades inerentes. Frequentemente, o melhor lugar (ou o menos mau) ser\u00e1 o Coro alto, na condi\u00e7\u00e3o de se prever um diretor da assembleia e um ministro extraordin\u00e1rio que leve a comunh\u00e3o ao Coro. Se, por insufici\u00eancias de espa\u00e7o, alguns fi\u00e9is da assembleia h\u00e3o-de ocupar o coro alto, ent\u00e3o d\u00ea-se a primazia para tal ao Coro dos cantores. <em><span style=\"font-size: 8pt;\">(in VP)<\/span><\/em><\/p>\n<div class=\"mh-social-bottom\">\n<div class=\"mh-share-buttons clearfix\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abTanto quanto a estrutura da igreja o permita, \u00e0\u00a0schola cantorum\u00a0deve destinar-se um lugar que manifeste claramente a sua natureza, como parte da assembleia dos fi\u00e9is, e a fun\u00e7\u00e3o peculiar que lhe est\u00e1 reservada; que facilite o desempenho dessa sua fun\u00e7\u00e3o, e que permita comodamente a todos os seus componentes a participa\u00e7\u00e3o sacramental plena na Missa\u00bb (IGMR 312). Onde deve situar-se o Coro?\u00a0Eis uma pergunta que continua a fazer-se com frequ\u00eancia. Na pr\u00e1tica, apresentam-se as solu\u00e7\u00f5es mais variadas. Coros h\u00e1 que preferem o Coro alto ou tribuna (sobre o p\u00f3rtico de entrada), outros situam-se nos primeiros bancos da nave, alguns ocupam o presbit\u00e9rio, quer atr\u00e1s do altar quer de lado, outros colocam-se no transepto, num dos bra\u00e7os, etc.\u00a0O que est\u00e1 bem e o que n\u00e3o est\u00e1 bem?\u00a0As orienta\u00e7\u00f5es p\u00f3s-conciliares n\u00e3o deixam de ser claras, mesmo que n\u00e3o fa\u00e7am op\u00e7\u00e3o por nenhum dos poss\u00edveis lugares. O n\u00famero citado da Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano decalca o que est\u00e1 dito na Instru\u00e7\u00e3o\u00a0Musicam Sacram, 23 (EDREL 533). 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Frequentemente, eram tamb\u00e9m eles uniformizados com veste talar e roquete, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o dos cl\u00e9rigos cuja falta ou insufici\u00eancia supriam. Mas, a regra que se generalizou, antes do Vaticano II, foi de os coros de leigos (incluindo os das bandas filarm\u00f3nicas) serem remetidos para o chamado coro alto, com claros benef\u00edcios ac\u00fasticos, mas dissociando-se, de algum modo, a sua presta\u00e7\u00e3o musical (que era \u00abministerial\u00bb nas Missas cantadas e solenes) da efetiva participa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica dos seus membros. Superada a interdi\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a feminina no\u00a0presbit\u00e9rio, continuamos a pensar que n\u00e3o dever\u00e1 ser esse o lugar pr\u00f3prio da\u00a0schola cantorum. De facto, o Coro \u00e9 parte integrante da\u00a0assembleia\u00a0dos fi\u00e9is, cujo canto anima e apoia. Colocar o Coro no Presbit\u00e9rio ser\u00e1 dar uma imagem errada do seu minist\u00e9rio que n\u00e3o \u00e9 servir a presid\u00eancia, mas sim a assembleia. Para al\u00e9m de, em algumas igrejas e com uma coloca\u00e7\u00e3o frontal, lhe dar excessivo protagonismo, com o risco de transformar em espet\u00e1culo o seu servi\u00e7o lit\u00fargico que nunca deve ser autorreferencial, mas sempre para a maior gl\u00f3ria de Deus e santifica\u00e7\u00e3o dos homens. E o que dizer das outras solu\u00e7\u00f5es?\u00a0Regra geral nenhuma delas \u00e9 perfeita. Importa sim, na constru\u00e7\u00e3o de\u00a0novas igrejas, tentar encontrar o lugar pr\u00f3prio do Coro, o que nem sempre tem sido atendido. As solu\u00e7\u00f5es do passado, corretas em si mesmas, adaptam-se menos bem \u00e0 liturgia renovada. Colocar o Coro\u00a0nos primeiros bancos da nave\u00a0tem vantagens ao n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o do Coro na assembleia, da participa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica do Coro, da condu\u00e7\u00e3o do Coro e assembleia. Mas, frequentemente, apresenta problemas ac\u00fasticos insol\u00faveis e, quando o Coro, no exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio, canta a solo, estabelece uma barreira entre os fi\u00e9is e o presbit\u00e9rio (por exemplo, se canta de p\u00e9 durante a apresenta\u00e7\u00e3o dos dons a assembleia est\u00e1 sentada). Colocando o Coro num dos bra\u00e7os do\u00a0transepto, se ele existe, evita-se a \u00faltima dificuldade, mas n\u00e3o se resolve o problema da ac\u00fastica e dificulta-se a participa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Coro que perde a vis\u00e3o da \u00e1rea do altar. Muitas das nossas igrejas t\u00eam\u00a0tribuna, o chamado \u00abcoro alto\u00bb. Os documentos da liturgia p\u00f3s-conciliar n\u00e3o \u201ccanonizaram\u201d esse lugar, como localiza\u00e7\u00e3o, recomendada nem o interditaram. Importa, por\u00e9m, atender aos inconvenientes desse espa\u00e7o e corrigi-los, na medida do poss\u00edvel. O Coro tem a tenta\u00e7\u00e3o de se sentir \u00e0 parte, em contraponto com a presid\u00eancia, tornando-se polo dial\u00f3gico do Presbit\u00e9rio e relegando a assembleia para a condi\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia tendencialmente muda. Al\u00e9m disso, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil assegurar a participa\u00e7\u00e3o do Coro na comunh\u00e3o. O melhor lugar para o Coro numa determinada igreja ser\u00e1 aquele que ofere\u00e7a a solu\u00e7\u00e3o mais razo\u00e1vel \u00e0s dificuldades inerentes. Frequentemente, o melhor lugar (ou o menos mau) ser\u00e1 o Coro alto, na condi\u00e7\u00e3o de se prever um diretor da assembleia e um ministro extraordin\u00e1rio que leve a comunh\u00e3o ao Coro. Se, por insufici\u00eancias de espa\u00e7o, alguns fi\u00e9is da assembleia h\u00e3o-de ocupar o coro alto, ent\u00e3o d\u00ea-se a primazia para tal ao Coro dos cantores. 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