{"id":31715,"date":"2025-11-25T13:29:53","date_gmt":"2025-11-25T13:29:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31715"},"modified":"2025-11-25T13:29:53","modified_gmt":"2025-11-25T13:29:53","slug":"doutrina-da-fe-a-monogamia-nao-e-um-limite-o-matrimonio-e-promessa-de-infinito-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/doutrina-da-fe-a-monogamia-nao-e-um-limite-o-matrimonio-e-promessa-de-infinito-parte-i\/","title":{"rendered":"Doutrina da F\u00e9: a monogamia n\u00e3o \u00e9 um limite, o matrim\u00f3nio \u00e9 promessa de infinito (Parte I)"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Publicada a Nota doutrinal \u201cUna caro. Elogio \u00e0 monogamia\u201d, que aprofunda o valor do matrim\u00f4nio como \u201cuni\u00e3o exclusiva e pertencimento rec\u00edproco\u201d, uma uni\u00e3o totalizante que, no dom completo de si ao outro, respeita sua dignidade. A import\u00e2ncia da caridade conjugal e a aten\u00e7\u00e3o aos pobres. A condena\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, seja f\u00edsica seja psicol\u00f3gica: \u201cO matrim\u00f4nio n\u00e3o \u00e9 posse\u201d. Em uma \u00e9poca individualista e consumista, educar os jovens ao amor como responsabilidade e esperan\u00e7a no outro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cUnidade indissol\u00favel\u201d: assim a Nota doutrinal do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9 (DDF) define o matrim\u00f4nio, ou seja, como uma \u201cuni\u00e3o exclusiva e pertencimento rec\u00edproco\u201d. N\u00e3o por acaso, o documento \u2014 aprovado por Le\u00e3o XIV no \u00faltimo dia 21 de novembro, mem\u00f3ria lit\u00fargica da Apresenta\u00e7\u00e3o da Bem-Aventurada Virgem Maria, e apresentado hoje \u00e0 imprensa, 25 de novembro \u2014 traz o t\u00edtulo\u00a0<i>\u201cUna caro (uma s\u00f3 carne). Elogio \u00e0 monogamia\u201d<\/i>. No documento explica-se que aqueles que se doam plena e completamente um ao outro s\u00f3 podem ser dois; de outro modo, seria um dom parcial de si mesmo que n\u00e3o respeita a dignidade do parceiro.<\/div>\n<div>\n<h2>As motiva\u00e7\u00f5es do documento<\/h2>\n<p>Tr\u00eas s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na origem do texto: em primeiro lugar \u2014 escreve na introdu\u00e7\u00e3o o cardeal prefeito, V\u00edctor Manuel Fern\u00e1ndez \u2014 h\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o ao atual \u201ccontexto global de desenvolvimento do poder tecnol\u00f3gico\u201d, que leva o homem a pensar-se como \u201cuma criatura sem limites\u201d e, portanto, distante do valor de um amor exclusivo e reservado a uma \u00fanica pessoa. Menciona-se tamb\u00e9m as discuss\u00f5es com os bispos africanos sobre o tema da poligamia, recordando que \u201cestudos aprofundados sobre as culturas africanas\u201d desmentem \u201ca opini\u00e3o comum\u201d acerca da excepcionalidade do matrim\u00f4nio monog\u00e2mico. Por fim, o documento constata, no Ocidente, o crescimento do \u201cpoliamor\u201d, ou seja, formas p\u00fablicas de uni\u00e3o n\u00e3o monog\u00e2mica.<\/p>\n<h2>A unidade conjugal e a uni\u00e3o entre Cristo e a Igreja<\/h2>\n<p>Nesse contexto, o documento do DDF deseja real\u00e7ar a beleza da unidade conjugal que, \u201ccom a ajuda da gra\u00e7a\u201d, representa tamb\u00e9m \u201ca uni\u00e3o entre Cristo e sua esposa amada, a Igreja\u201d. Destinada sobretudo aos bispos, a Nota \u2014 sublinha o cardeal Fern\u00e1ndez \u2014 quer igualmente ajudar os jovens, os noivos e os esposos a captar \u201ca riqueza\u201d do matrim\u00f4nio crist\u00e3o, de modo a estimular \u201cuma reflex\u00e3o serena e um aprofundamento prolongado\u201d sobre o tema.<\/p>\n<h2>O pertencimento fundamentado no consentimento livre<\/h2>\n<p>Dividido em sete cap\u00edtulos, al\u00e9m das Conclus\u00f5es, o texto reafirma que a monogamia n\u00e3o \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o, mas a possibilidade de um amor que se abre ao eterno. Dois elementos aparecem decisivos: o pertencimento rec\u00edproco e a caridade conjugal. O primeiro, \u201cfundado no consentimento livre\u201d dos c\u00f4njuges, \u00e9 reflexo da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria e torna-se \u201cuma forte motiva\u00e7\u00e3o para a estabilidade da uni\u00e3o\u201d. Trata-se do \u201cpertencimento do cora\u00e7\u00e3o, onde somente Deus v\u00ea\u201d e onde s\u00f3 Ele pode entrar, \u201csem perturbar a liberdade e a identidade da pessoa\u201d.<\/p>\n<h2>N\u00e3o profanar a liberdade do outro<\/h2>\n<p>Assim entendida, \u201ca m\u00fatua perten\u00e7a pr\u00f3pria do amor rec\u00edproco exclusivo implica um cuidado delicado, um santo temor de profanar a liberdade do outro, que tem a mesma dignidade e, portanto, os mesmos direitos\u201d. Porque quem ama sabe que \u201co outro n\u00e3o pode ser um meio para resolver suas pr\u00f3prias insatisfa\u00e7\u00f5es\u201d e sabe que o pr\u00f3prio vazio nunca deve ser preenchido \u201cpor meio do dom\u00ednio do outro\u201d. A esse respeito, a Nota lamenta \u201cas tantas formas de desejo doentio que desembocam em v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia expl\u00edcita ou sutil, de opress\u00e3o, de press\u00e3o psicol\u00f3gica, de controle e, por fim, de asfixia\u201d. Trata-se de \u201cfalta de respeito e de rever\u00eancia diante da dignidade do outro\u201d.<\/p>\n<h2>O matrim\u00f3nio n\u00e3o \u00e9 posse<\/h2>\n<p>Ao contr\u00e1rio, um \u201cn\u00f3s dois\u201d saud\u00e1vel implica \u201ca reciprocidade de duas liberdades que nunca s\u00e3o violadas, mas se escolhem mutuamente, deixando sempre intacto um limite que n\u00e3o pode ser ultrapassado\u201d. Isso acontece quando \u201ca pessoa n\u00e3o se dispersa na rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se funde com a pessoa amada\u201d, no respeito por todo amor saud\u00e1vel \u201cque nunca pretende absorver o outro\u201d. A Nota destaca que o casal poder\u00e1 \u201ccompreender e aceitar\u201d um momento de reflex\u00e3o ou algum espa\u00e7o de solid\u00e3o ou autonomia pedido por um dos c\u00f4njuges, visto que \u201co matrim\u00f4nio n\u00e3o \u00e9 posse\u201d, n\u00e3o \u00e9 \u201cpretens\u00e3o de tranquilidade absoluta\u201d, nem liberta\u00e7\u00e3o total da solid\u00e3o (somente Deus, de fato, pode preencher o vazio sentido por um ser humano), mas sim confian\u00e7a e capacidade de enfrentar novos desafios. Ao mesmo tempo, convida-se os c\u00f4njuges a n\u00e3o se recusarem mutuamente, porque \u201cquando a dist\u00e2ncia se torna muito frequente, o \u2018n\u00f3s dois\u2019 se exp\u00f5e \u00e0 sua poss\u00edvel ecl\u00edpse\u201d. Um di\u00e1logo sincero permitir\u00e1, em vez disso, sanar as causas do afastamento rec\u00edproco e encontrar o equil\u00edbrio justo.<\/p>\n<h2>A ora\u00e7\u00e3o, meio precioso para crescer no amor<\/h2>\n<p>O pertencimento rec\u00edproco expressa-se tamb\u00e9m na ajuda m\u00fatua entre os c\u00f4njuges para amadurecer como pessoas: nisso, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cum meio precioso\u201d mediante o qual o casal pode santificar-se e crescer no amor. Assim, realiza-se a caridade conjugal, \u201cfor\u00e7a unitiva\u201d \u201cafetiva, fiel e total\u201d, \u201cdom divino\u201d pedido na ora\u00e7\u00e3o e nutrido na vida sacramental e que, precisamente no matrim\u00f4nio, torna-se \u201ca maior amizade\u201d entre dois cora\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximos, que se amam e que se sentem \u201cem casa\u201d um no outro.<\/p>\n<h2>Sexualidade e fecundidade<\/h2>\n<p>Gra\u00e7as ao poder transfigurador da caridade, ser\u00e1 tamb\u00e9m poss\u00edvel compreender a sexualidade \u201cem corpo e alma\u201d, isto \u00e9, n\u00e3o como um impulso ou um desabafo, mas como \u201cum presente maravilhoso de Deus\u201d que orienta \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de si e ao bem do outro, considerado na totalidade de sua pessoa. A caridade conjugal se desdobra igualmente na fecundidade, \u201cainda que isso n\u00e3o signifique que este deva ser o objetivo expl\u00edcito de cada ato sexual\u201d. Ao contr\u00e1rio, o matrim\u00f4nio conserva seu car\u00e1ter essencial mesmo quando \u00e9 sem filhos. Recorda-se, al\u00e9m disso, a legitimidade do respeito pelos tempos naturais de infertilidade.<\/p>\n<h2>As redes sociais e a urg\u00eancia de uma nova pedagogia<\/h2>\n<p>Todavia, \u201cno contexto do individualismo consumista p\u00f3s-moderno\u201d, que nega o fim unitivo da sexualidade e do matrim\u00f4nio, como preservar a possibilidade de um amor fiel? A resposta, afirma o documento, encontra-se na educa\u00e7\u00e3o: \u201cO universo das redes sociais, onde o pudor desaparece e proliferam as viol\u00eancias simb\u00f3licas e sexuais, mostra a urg\u00eancia de uma nova pedagogia\u201d. \u00c9 preciso, portanto, \u201cpreparar as gera\u00e7\u00f5es para acolher a experi\u00eancia amorosa como mist\u00e9rio antropol\u00f3gico\u201d, apresentando o amor n\u00e3o como mera puls\u00e3o, mas como chamado \u00e0 responsabilidade e \u201ccapacidade de esperan\u00e7a de toda a pessoa\u201d. A educa\u00e7\u00e3o para a monogamia n\u00e3o \u00e9 \u201carca\u00edsmo\u201d, nem \u201ccoer\u00e7\u00e3o moral\u201d, mas constitui \u201cuma inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 grandeza de um amor que transcende a imediatidade\u201d e antecipa, de certo modo, \u201co pr\u00f3prio mist\u00e9rio de Deus\u201d.<\/p>\n<h2>A aten\u00e7\u00e3o aos pobres, \u201cant\u00eddoto\u201d \u00e0 endogamia<\/h2>\n<p>A caridade da uni\u00e3o conjugal tamb\u00e9m se manifesta nos casais que n\u00e3o se fecham em seu individualismo, mas se abrem a projetos compartilhados para \u201cfazer algo belo pela comunidade e pelo mundo\u201d, pois \u201co ser humano realiza a si mesmo colocando-se em rela\u00e7\u00e3o com os outros e com Deus\u201d. De modo diverso, trata-se apenas de ego\u00edsmo, autoreferencialidade, endogamia a ser combatida, por exemplo, praticando \u201co sentido social\u201d do casal que se empenha, conjuntamente, na busca do bem comum. Central, nesse \u00e2mbito, \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o aos pobres, os quais \u2014 como afirmou Le\u00e3o XIV \u2014 s\u00e3o \u201cuma quest\u00e3o familiar\u201d do crist\u00e3o, n\u00e3o um mero \u201cproblema social\u201d.<\/p>\n<h2>O amor conjugal como promessa de infinito<\/h2>\n<p>Concluindo, a Nota reafirma que \u201ctodo matrim\u00f4nio aut\u00eantico \u00e9 uma unidade composta por dois indiv\u00edduos, que exige uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u00edntima e totalizante que n\u00e3o pode ser compartilhada com outros\u201d. Portanto, entre as duas propriedades essenciais do v\u00ednculo matrimonial \u2014 unidade e indissolubilidade \u2014 \u00e9 a primeira que fundamenta a segunda: a fidelidade \u00e9 poss\u00edvel somente a partir de uma comunh\u00e3o escolhida e renovada. Somente assim o amor conjugal ser\u00e1 uma realidade din\u00e2mica, chamada a um crescimento e a um desenvolvimento cont\u00ednuos no tempo, em uma \u201cpromessa de infinito\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicada a Nota doutrinal \u201cUna caro. Elogio \u00e0 monogamia\u201d, que aprofunda o valor do matrim\u00f4nio como \u201cuni\u00e3o exclusiva e pertencimento rec\u00edproco\u201d, uma uni\u00e3o totalizante que, no dom completo de si ao outro, respeita sua dignidade. A import\u00e2ncia da caridade conjugal e a aten\u00e7\u00e3o aos pobres. A condena\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, seja f\u00edsica seja psicol\u00f3gica: \u201cO matrim\u00f4nio n\u00e3o \u00e9 posse\u201d. Em uma \u00e9poca individualista e consumista, educar os jovens ao amor como responsabilidade e esperan\u00e7a no outro. \u201cUnidade indissol\u00favel\u201d: assim a Nota doutrinal do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9 (DDF) define o matrim\u00f4nio, ou seja, como uma \u201cuni\u00e3o exclusiva e pertencimento rec\u00edproco\u201d. N\u00e3o por acaso, o documento \u2014 aprovado por Le\u00e3o XIV no \u00faltimo dia 21 de novembro, mem\u00f3ria lit\u00fargica da Apresenta\u00e7\u00e3o da Bem-Aventurada Virgem Maria, e apresentado hoje \u00e0 imprensa, 25 de novembro \u2014 traz o t\u00edtulo\u00a0\u201cUna caro (uma s\u00f3 carne). Elogio \u00e0 monogamia\u201d. No documento explica-se que aqueles que se doam plena e completamente um ao outro s\u00f3 podem ser dois; de outro modo, seria um dom parcial de si mesmo que n\u00e3o respeita a dignidade do parceiro. As motiva\u00e7\u00f5es do documento Tr\u00eas s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na origem do texto: em primeiro lugar \u2014 escreve na introdu\u00e7\u00e3o o cardeal prefeito, V\u00edctor Manuel Fern\u00e1ndez \u2014 h\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o ao atual \u201ccontexto global de desenvolvimento do poder tecnol\u00f3gico\u201d, que leva o homem a pensar-se como \u201cuma criatura sem limites\u201d e, portanto, distante do valor de um amor exclusivo e reservado a uma \u00fanica pessoa. Menciona-se tamb\u00e9m as discuss\u00f5es com os bispos africanos sobre o tema da poligamia, recordando que \u201cestudos aprofundados sobre as culturas africanas\u201d desmentem \u201ca opini\u00e3o comum\u201d acerca da excepcionalidade do matrim\u00f4nio monog\u00e2mico. Por fim, o documento constata, no Ocidente, o crescimento do \u201cpoliamor\u201d, ou seja, formas p\u00fablicas de uni\u00e3o n\u00e3o monog\u00e2mica. A unidade conjugal e a uni\u00e3o entre Cristo e a Igreja Nesse contexto, o documento do DDF deseja real\u00e7ar a beleza da unidade conjugal que, \u201ccom a ajuda da gra\u00e7a\u201d, representa tamb\u00e9m \u201ca uni\u00e3o entre Cristo e sua esposa amada, a Igreja\u201d. Destinada sobretudo aos bispos, a Nota \u2014 sublinha o cardeal Fern\u00e1ndez \u2014 quer igualmente ajudar os jovens, os noivos e os esposos a captar \u201ca riqueza\u201d do matrim\u00f4nio crist\u00e3o, de modo a estimular \u201cuma reflex\u00e3o serena e um aprofundamento prolongado\u201d sobre o tema. O pertencimento fundamentado no consentimento livre Dividido em sete cap\u00edtulos, al\u00e9m das Conclus\u00f5es, o texto reafirma que a monogamia n\u00e3o \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o, mas a possibilidade de um amor que se abre ao eterno. Dois elementos aparecem decisivos: o pertencimento rec\u00edproco e a caridade conjugal. O primeiro, \u201cfundado no consentimento livre\u201d dos c\u00f4njuges, \u00e9 reflexo da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria e torna-se \u201cuma forte motiva\u00e7\u00e3o para a estabilidade da uni\u00e3o\u201d. Trata-se do \u201cpertencimento do cora\u00e7\u00e3o, onde somente Deus v\u00ea\u201d e onde s\u00f3 Ele pode entrar, \u201csem perturbar a liberdade e a identidade da pessoa\u201d. N\u00e3o profanar a liberdade do outro Assim entendida, \u201ca m\u00fatua perten\u00e7a pr\u00f3pria do amor rec\u00edproco exclusivo implica um cuidado delicado, um santo temor de profanar a liberdade do outro, que tem a mesma dignidade e, portanto, os mesmos direitos\u201d. Porque quem ama sabe que \u201co outro n\u00e3o pode ser um meio para resolver suas pr\u00f3prias insatisfa\u00e7\u00f5es\u201d e sabe que o pr\u00f3prio vazio nunca deve ser preenchido \u201cpor meio do dom\u00ednio do outro\u201d. A esse respeito, a Nota lamenta \u201cas tantas formas de desejo doentio que desembocam em v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia expl\u00edcita ou sutil, de opress\u00e3o, de press\u00e3o psicol\u00f3gica, de controle e, por fim, de asfixia\u201d. Trata-se de \u201cfalta de respeito e de rever\u00eancia diante da dignidade do outro\u201d. O matrim\u00f3nio n\u00e3o \u00e9 posse Ao contr\u00e1rio, um \u201cn\u00f3s dois\u201d saud\u00e1vel implica \u201ca reciprocidade de duas liberdades que nunca s\u00e3o violadas, mas se escolhem mutuamente, deixando sempre intacto um limite que n\u00e3o pode ser ultrapassado\u201d. Isso acontece quando \u201ca pessoa n\u00e3o se dispersa na rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se funde com a pessoa amada\u201d, no respeito por todo amor saud\u00e1vel \u201cque nunca pretende absorver o outro\u201d. A Nota destaca que o casal poder\u00e1 \u201ccompreender e aceitar\u201d um momento de reflex\u00e3o ou algum espa\u00e7o de solid\u00e3o ou autonomia pedido por um dos c\u00f4njuges, visto que \u201co matrim\u00f4nio n\u00e3o \u00e9 posse\u201d, n\u00e3o \u00e9 \u201cpretens\u00e3o de tranquilidade absoluta\u201d, nem liberta\u00e7\u00e3o total da solid\u00e3o (somente Deus, de fato, pode preencher o vazio sentido por um ser humano), mas sim confian\u00e7a e capacidade de enfrentar novos desafios. Ao mesmo tempo, convida-se os c\u00f4njuges a n\u00e3o se recusarem mutuamente, porque \u201cquando a dist\u00e2ncia se torna muito frequente, o \u2018n\u00f3s dois\u2019 se exp\u00f5e \u00e0 sua poss\u00edvel ecl\u00edpse\u201d. Um di\u00e1logo sincero permitir\u00e1, em vez disso, sanar as causas do afastamento rec\u00edproco e encontrar o equil\u00edbrio justo. A ora\u00e7\u00e3o, meio precioso para crescer no amor O pertencimento rec\u00edproco expressa-se tamb\u00e9m na ajuda m\u00fatua entre os c\u00f4njuges para amadurecer como pessoas: nisso, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cum meio precioso\u201d mediante o qual o casal pode santificar-se e crescer no amor. Assim, realiza-se a caridade conjugal, \u201cfor\u00e7a unitiva\u201d \u201cafetiva, fiel e total\u201d, \u201cdom divino\u201d pedido na ora\u00e7\u00e3o e nutrido na vida sacramental e que, precisamente no matrim\u00f4nio, torna-se \u201ca maior amizade\u201d entre dois cora\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximos, que se amam e que se sentem \u201cem casa\u201d um no outro. Sexualidade e fecundidade Gra\u00e7as ao poder transfigurador da caridade, ser\u00e1 tamb\u00e9m poss\u00edvel compreender a sexualidade \u201cem corpo e alma\u201d, isto \u00e9, n\u00e3o como um impulso ou um desabafo, mas como \u201cum presente maravilhoso de Deus\u201d que orienta \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de si e ao bem do outro, considerado na totalidade de sua pessoa. A caridade conjugal se desdobra igualmente na fecundidade, \u201cainda que isso n\u00e3o signifique que este deva ser o objetivo expl\u00edcito de cada ato sexual\u201d. Ao contr\u00e1rio, o matrim\u00f4nio conserva seu car\u00e1ter essencial mesmo quando \u00e9 sem filhos. Recorda-se, al\u00e9m disso, a legitimidade do respeito pelos tempos naturais de infertilidade. As redes sociais e a urg\u00eancia de uma nova pedagogia Todavia, \u201cno contexto do individualismo consumista p\u00f3s-moderno\u201d, que nega o fim unitivo da sexualidade e do matrim\u00f4nio, como preservar a possibilidade de um amor fiel? A resposta, afirma o documento, encontra-se na educa\u00e7\u00e3o: \u201cO<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":31716,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31715\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31716"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}