{"id":31750,"date":"2025-12-05T10:55:28","date_gmt":"2025-12-05T10:55:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31750"},"modified":"2025-12-05T10:55:28","modified_gmt":"2025-12-05T10:55:28","slug":"pe-pasolini-advento-tempo-de-espera-confiante-para-a-salvacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/pe-pasolini-advento-tempo-de-espera-confiante-para-a-salvacao\/","title":{"rendered":"Pe. Pasolini: Advento, tempo de espera confiante para a salva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">&#8220;A Parusia do Senhor. Uma espera sem hesita\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 o tema da primeira das tr\u00eas medita\u00e7\u00f5es de prepara\u00e7\u00e3o ao Natal na manh\u00e3 desta sexta-feira, 5 de dezembro, na Sala Paulo VI. Na presen\u00e7a do Papa, o pregador da Casa Pontif\u00edcia enfatiza que perceber a falta de paz ou a efici\u00eancia que domina a vida &#8220;n\u00e3o basta para converter o cora\u00e7\u00e3o&#8221;. O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 a gra\u00e7a de Deus, que nos liberta do pecado e da morte.<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>&#8220;N\u00e3o andarilhos sem rumo&#8221;, mas &#8220;sentinelas que, na noite do mundo, mant\u00eam humildemente a sua f\u00e9&#8221; para ver a luz &#8220;capaz de iluminar todo homem&#8221;. Padre Roberto Pasolini, pregador da Casa Pontif\u00edcia, acompanha-nos numa viagem em que o tempo do Advento se torna uma oportunidade para sermos &#8220;peregrinos rumo a uma p\u00e1tria&#8221;, em um caminho marcado pela esperan\u00e7a e que tem com horzionte a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira de\u00a0tr\u00eas medita\u00e7\u00f5es\u00a0previstas sobre o tema &#8220;<i>Aguardando e apressando a vinda do dia de Deus<\/i>&#8220;, centra-se na Parusia do Senhor e introduz em um tempo singular: a conclus\u00e3o do Jubileu da Esperan\u00e7a. &#8220;O Advento&#8221;, sublinha o capuchinho, &#8220;\u00e9 o tempo em que a Igreja reacende a esperan\u00e7a, contemplando n\u00e3o s\u00f3 a primeira vinda do Senhor, mas sobretudo o seu regresso no fim dos tempos.&#8221; \u00c9 o momento em que somos chamados a &#8220;aguardar e, ao mesmo tempo, apressar a vinda do Senhor com vigil\u00e2ncia serena e diligente&#8221;.<\/p>\n<h2>Perceber a gra\u00e7a de Deus<\/h2>\n<p>&#8220;Parusia&#8221; \u00e9 um termo usado quatro vezes pelo evangelista Mateus no cap\u00edtulo 24 com um duplo significado: &#8220;presen\u00e7a&#8221; e &#8220;vinda&#8221;. Jesus compara a expectativa de sua vinda aos dias de No\u00e9 antes do dil\u00favio universal. Eram dias em que a vida seguia normalmente e em que No\u00e9 sozinho construiu a arca, o instrumento da salva\u00e7\u00e3o. Sua hist\u00f3ria levanta quest\u00f5es essenciais para a compreens\u00e3o do que o homem moderno precisa reconhecer. Diante de novos e complexos desafios, &#8220;a Igreja \u00e9 chamada a permanecer um sacramento de salva\u00e7\u00e3o em uma era de mudan\u00e7as&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cA paz &#8211; enfatiza o Padre Pasolini &#8211; permanece uma miragem em muitas regi\u00f5es at\u00e9 que antigas injusti\u00e7as e mem\u00f3rias feridas sejam curadas, enquanto na cultura ocidental o senso de transcend\u00eancia \u00e9 enfraquecido, esmagado pelo \u00eddolo da efici\u00eancia, da riqueza e da tecnologia. O advento da intelig\u00eancia artificial amplifica a tenta\u00e7\u00e3o de uma humanidade sem limites e sem transcend\u00eancia.\u201d<\/p>\n<h2>O mist\u00e9rio de um Deus que tem confian\u00e7a na humanidade<\/h2>\n<p>Perceber n\u00e3o basta, \u00e9 precisoreconhecer \u201ca dire\u00e7\u00e3o para a qual o Reino de Deus continua a se mover dentro da hist\u00f3ria\u201d, retornando \u00e0 capacidade prof\u00e9tica do Batismo. Perceber a gra\u00e7a de Deus, \u201cesse dom da salva\u00e7\u00e3o universal que a Igreja humildemente celebra e oferece, para que a vida humana seja libertada do fardo do pecado e do medo da morte\u201d. Uma gra\u00e7a \u00e0 qual os ministros da Igreja n\u00e3o podem se habituar, correndo o risco de se familiarizarem tanto com Deus a ponto de o tomarem como \u00f3bvio. Assim, tomamos consci\u00eancia do mist\u00e9rio de um Deus que \u201ccontinua diante de sua cria\u00e7\u00e3o com confian\u00e7a inabal\u00e1vel, aguardando dias melhores\u201d.<\/p>\n<h2>Apagar o mal<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O pregador da Casa Pontif\u00edcia recorda que, para redescobrir o rosto de Deus que acompanha &#8220;sua cria\u00e7\u00e3o ferida&#8221;, devemos recorrer \u00e0 hist\u00f3ria do dil\u00favio universal, quando o Senhor v\u00ea o mal no cora\u00e7\u00e3o humano. Esse mal n\u00e3o pode ser vencido pela mudan\u00e7a, pela evolu\u00e7\u00e3o, porque \u00e0 humanidade n\u00e3o serve somente realizar-se, mas tamb\u00e9m de salvar-se. &#8220;O mal n\u00e3o deve ser simplesmente perdoado: deve ser apagado, para que a vida possa finalmente florescer em sua verdade e beleza.&#8221; Apagar, na cultura do cancelamento em que a humanidade de hoje est\u00e1 imersa, n\u00e3o \u00e9 apenas destruir tudo, eliminar o que parece pesado nos outros. &#8220;Todos os dias cancelamos muitas coisas, sem nos sentirmos culpados ou causar qualquer dano. Apagamos &#8211; recorda Pasolini &#8211; mensagens, arquivos in\u00fateis, erros em documentos, manchas, vest\u00edgios, d\u00edvidas. De fato, muitos desses gestos s\u00e3o necess\u00e1rios para permitir que nossos relacionamentos amadure\u00e7am e tornem o mundo habit\u00e1vel.&#8221; Apagar significa abrir-nos a Deus, partindo de nossa pr\u00f3pria fragilidade, e permitir que Ele nos cure.<\/p>\n<h2>A vida floresce quando Deus volta a estar no centro<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>O Senhor nunca se cansa de encontrar &#8220;um homem s\u00e1bio, algu\u00e9m que busca a Deus&#8221;, assim como fez com No\u00e9, que por sua vez sentiu a gra\u00e7a do Senhor. No homem na arca, Deus encontra a possibilidade de apagar e recome\u00e7ar. &#8220;Somente quando o homem retorna para viver diante da verdadeira face de Deus \u00e9 que a hist\u00f3ria pode realmente mudar&#8221;, enfatiza o monge capuchinho. &#8220;A hist\u00f3ria do dil\u00favio nos lembra que a vida floresce somente quando reconstru\u00edmos os c\u00e9us, na medida em que colocamos Deus de volta no centro.&#8221; O dil\u00favio se torna &#8220;uma passagem de recria\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um momento de descria\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;\u00c9 uma mudan\u00e7a tempor\u00e1ria nas regras do jogo, para salvar o pr\u00f3prio jogo que Deus havia inaugurado com confian\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<h2>Decidir n\u00e3o ferir<\/h2>\n<p>O dil\u00favio \u00e9, portanto, &#8220;uma renova\u00e7\u00e3o paradoxal da vida&#8221;. Deus n\u00e3o se esquece da humanidade e coloca seu arco nas nuvens como sinal de alian\u00e7a. O Senhor dep\u00f5e suas armas com uma solene declara\u00e7\u00e3o de n\u00e3o viol\u00eancia. \u201cPode parecer &#8211;\u00a0 acrescenta o padre Pasolini &#8211; uma met\u00e1fora ousada, quase inadequada para falar de Deus e da forma como a sua gra\u00e7a se manifesta. No entanto, a humanidade, ap\u00f3s mil\u00eanios de hist\u00f3ria e evolu\u00e7\u00e3o, ainda est\u00e1 longe de saber como imit\u00e1-lo.\u201d<\/p>\n<p>A Terra, de fato, est\u00e1 dilacerada \u201cpor conflitos atrozes e intermin\u00e1veis, que n\u00e3o d\u00e3o tr\u00e9gua a tantas pessoas fracas e indefesas.\u201d A decis\u00e3o daqueles que, apesar de terem a capacidade, escolhem voluntariamente n\u00e3o ferir \u00e9 reconfortante, porque compreendem que s\u00f3 acolhendo os outros \u00e9 que a alian\u00e7a \u201cpode ser duradoura, verdadeira e livre.\u201d<\/p>\n<h2>O tempo do bem<\/h2>\n<p>\u201cVigiai pois, porque n\u00e3o sabeis o dia em que o seu Senhor vir\u00e1\u201d: esta \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o final de Jesus. N\u00e3o saber o dia e a hora deste evento criou muita expectativa no passado, sublinha o pregador, mas hoje as coisas parecem ter invertido. \u201cA espera diminuiu ao ponto de, por vezes, dar lugar a uma subtil resigna\u00e7\u00e3o quanto ao seu cumprimento.\u201d Hoje, prevalece &#8220;uma vigil\u00e2ncia cansada, tentada pelo des\u00e2nimo&#8221;.<\/p>\n<p>O tempo de espera \u00e9 o tempo de semear o bem e aguardar a vinda de Jesus Cristo. Cuidado com duas grandes tenta\u00e7\u00f5es que afetam a humanidade e a Igreja: &#8220;esquecer a necessidade da salva\u00e7\u00e3o e pensar que podemos recuperar o consenso cuidando da apar\u00eancia externa da nossa imagem e diminuindo a radicalidade do Evangelho&#8221;. Devemos \u2014 enfatiza o capuchinho \u2014 retornar &#8220;\u00e0 alegria \u2014 e tamb\u00e9m ao esfor\u00e7o \u2014 de seguir, sem domesticar a palavra de Cristo&#8221;. Somente como &#8220;sentinelas nas fronteiras do mundo&#8221;, como escreveu o monge Thomas Merton, podemos aguardar o retorno de Cristo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A Parusia do Senhor. Uma espera sem hesita\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 o tema da primeira das tr\u00eas medita\u00e7\u00f5es de prepara\u00e7\u00e3o ao Natal na manh\u00e3 desta sexta-feira, 5 de dezembro, na Sala Paulo VI. Na presen\u00e7a do Papa, o pregador da Casa Pontif\u00edcia enfatiza que perceber a falta de paz ou a efici\u00eancia que domina a vida &#8220;n\u00e3o basta para converter o cora\u00e7\u00e3o&#8221;. O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 a gra\u00e7a de Deus, que nos liberta do pecado e da morte. &#8220;N\u00e3o andarilhos sem rumo&#8221;, mas &#8220;sentinelas que, na noite do mundo, mant\u00eam humildemente a sua f\u00e9&#8221; para ver a luz &#8220;capaz de iluminar todo homem&#8221;. 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Perceber a gra\u00e7a de Deus &#8220;Parusia&#8221; \u00e9 um termo usado quatro vezes pelo evangelista Mateus no cap\u00edtulo 24 com um duplo significado: &#8220;presen\u00e7a&#8221; e &#8220;vinda&#8221;. Jesus compara a expectativa de sua vinda aos dias de No\u00e9 antes do dil\u00favio universal. Eram dias em que a vida seguia normalmente e em que No\u00e9 sozinho construiu a arca, o instrumento da salva\u00e7\u00e3o. Sua hist\u00f3ria levanta quest\u00f5es essenciais para a compreens\u00e3o do que o homem moderno precisa reconhecer. Diante de novos e complexos desafios, &#8220;a Igreja \u00e9 chamada a permanecer um sacramento de salva\u00e7\u00e3o em uma era de mudan\u00e7as&#8221;. \u201cA paz &#8211; enfatiza o Padre Pasolini &#8211; permanece uma miragem em muitas regi\u00f5es at\u00e9 que antigas injusti\u00e7as e mem\u00f3rias feridas sejam curadas, enquanto na cultura ocidental o senso de transcend\u00eancia \u00e9 enfraquecido, esmagado pelo \u00eddolo da efici\u00eancia, da riqueza e da tecnologia. O advento da intelig\u00eancia artificial amplifica a tenta\u00e7\u00e3o de uma humanidade sem limites e sem transcend\u00eancia.\u201d O mist\u00e9rio de um Deus que tem confian\u00e7a na humanidade Perceber n\u00e3o basta, \u00e9 precisoreconhecer \u201ca dire\u00e7\u00e3o para a qual o Reino de Deus continua a se mover dentro da hist\u00f3ria\u201d, retornando \u00e0 capacidade prof\u00e9tica do Batismo. 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Esse mal n\u00e3o pode ser vencido pela mudan\u00e7a, pela evolu\u00e7\u00e3o, porque \u00e0 humanidade n\u00e3o serve somente realizar-se, mas tamb\u00e9m de salvar-se. &#8220;O mal n\u00e3o deve ser simplesmente perdoado: deve ser apagado, para que a vida possa finalmente florescer em sua verdade e beleza.&#8221; Apagar, na cultura do cancelamento em que a humanidade de hoje est\u00e1 imersa, n\u00e3o \u00e9 apenas destruir tudo, eliminar o que parece pesado nos outros. &#8220;Todos os dias cancelamos muitas coisas, sem nos sentirmos culpados ou causar qualquer dano. Apagamos &#8211; recorda Pasolini &#8211; mensagens, arquivos in\u00fateis, erros em documentos, manchas, vest\u00edgios, d\u00edvidas. De fato, muitos desses gestos s\u00e3o necess\u00e1rios para permitir que nossos relacionamentos amadure\u00e7am e tornem o mundo habit\u00e1vel.&#8221; Apagar significa abrir-nos a Deus, partindo de nossa pr\u00f3pria fragilidade, e permitir que Ele nos cure. A vida floresce quando Deus volta a estar no centro O Senhor nunca se cansa de encontrar &#8220;um homem s\u00e1bio, algu\u00e9m que busca a Deus&#8221;, assim como fez com No\u00e9, que por sua vez sentiu a gra\u00e7a do Senhor. 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O Senhor dep\u00f5e suas armas com uma solene declara\u00e7\u00e3o de n\u00e3o viol\u00eancia. \u201cPode parecer &#8211;\u00a0 acrescenta o padre Pasolini &#8211; uma met\u00e1fora ousada, quase inadequada para falar de Deus e da forma como a sua gra\u00e7a se manifesta. No entanto, a humanidade, ap\u00f3s mil\u00eanios de hist\u00f3ria e evolu\u00e7\u00e3o, ainda est\u00e1 longe de saber como imit\u00e1-lo.\u201d A Terra, de fato, est\u00e1 dilacerada \u201cpor conflitos atrozes e intermin\u00e1veis, que n\u00e3o d\u00e3o tr\u00e9gua a tantas pessoas fracas e indefesas.\u201d A decis\u00e3o daqueles que, apesar de terem a capacidade, escolhem voluntariamente n\u00e3o ferir \u00e9 reconfortante, porque compreendem que s\u00f3 acolhendo os outros \u00e9 que a alian\u00e7a \u201cpode ser duradoura, verdadeira e livre.\u201d O tempo do bem \u201cVigiai pois, porque n\u00e3o sabeis o dia em que o seu Senhor vir\u00e1\u201d: esta \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o final de Jesus. 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