{"id":31777,"date":"2025-12-13T14:19:10","date_gmt":"2025-12-13T14:19:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31777"},"modified":"2025-12-13T14:19:10","modified_gmt":"2025-12-13T14:19:10","slug":"leao-xiv-cantai-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/leao-xiv-cantai-bem\/","title":{"rendered":"Le\u00e3o XIV: \u201cCantai bem!\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Nas duas \u00faltimas semanas, o Papa Le\u00e3o XIV teve algumas interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em que, como filho de Santo Agostinho, enalteceu o valor da m\u00fasica e, em particular, do canto lit\u00fargico. Referimo-nos, principalmente, \u00e0 sua homilia na Eucaristia que assinalou, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, o Jubileu dos Coros (23 de novembro). Mas tamb\u00e9m aos discursos que pronunciou por ocasi\u00e3o do\u00a0<em>Concerto com os pobres<\/em>, quer num encontro com os organizadores (5 de dezembro), quer no pr\u00f3prio\u00a0<em>evento<\/em>\u00a0(6 de dezembro).<\/p>\n<p>Na base deste magist\u00e9rio pontif\u00edcio est\u00e1 a aprecia\u00e7\u00e3o do valor antropol\u00f3gico e cultural deste fen\u00f3meno eminentemente humano, patrim\u00f3nio comum das civiliza\u00e7\u00f5es. A m\u00fasica permite exprimir o inef\u00e1vel. \u00abO canto representa uma express\u00e3o natural e completa do ser humano: a mente, os sentimentos, o corpo e a alma unem-se para comunicar as grandes coisas da vida\u00bb. Recordando e desenvolvendo o conhecido aforisma de Santo Agostinho \u2013\u00a0<em>cantare amantis est: cantar \u00e9 pr\u00f3prio de quem ama \u2013\u00a0<\/em>Le\u00e3o XIV sublinha: \u00ab<em>quem canta exprime o amor, mas tamb\u00e9m a dor, a ternura e o desejo que habitam no seu cora\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, ama aquele a quem dirige o seu canto<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>A m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 um luxo, uma reserva de alguns privilegiados, mas, poderia dizer-se, um direito universal. Ali\u00e1s, os pobres jamais abdicaram da m\u00fasica e de m\u00fasica de qualidade. A m\u00fasica, afirma o Papa, \u00e9 \u00abum dom divino acess\u00edvel a todos, ricos e pobres\u00bb. \u00abA beleza \u00e9 um dom de Deus para todos os seres humanos, unidos pela mesma dignidade e chamados \u00e0 fraternidade\u00bb (cita\u00e7\u00e3o do Papa Francisco). A iniciativa vaticana do\u00a0<em>concerto com os pobres<\/em>, em que estes se sentam nos primeiros lugares, transmite essa mensagem. Extrapolando para a nossa pastoral, poderemos tamb\u00e9m dizer que a m\u00fasica lit\u00fargica n\u00e3o pode ser um privil\u00e9gio exclusivo das par\u00f3quias e comunidades com mais recursos: \u00e9 para todas. E, pensamos, talvez deva ser colocada no patamar dos bens de primeira necessidade\u2026<\/p>\n<p>Sendo realidade eminentemente humana, a m\u00fasica tem um lugar insuprim\u00edvel na rela\u00e7\u00e3o do ser humano com o divino. \u00ab<em>A m\u00fasica \u00e9 como uma ponte que nos conduz a Deus. \u00c9 capaz de transmitir sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, at\u00e9 os movimentos mais profundos da alma, elevando-os, transformando-os numa escada ideal que liga a terra ao c\u00e9u. Sim, a m\u00fasica pode elevar o nosso \u00e2nimo! N\u00e3o porque nos distraia das nossas mis\u00e9rias, porque nos atordoe ou nos fa\u00e7a esquecer os problemas ou as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis da vida, mas porque nos lembra que n\u00e3o somos apenas isto: somos muito mais do que os nossos problemas e afli\u00e7\u00f5es, somos filhos amados de Deus!<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>Consequentemente, a m\u00fasica tem lugar de destaque em todas as express\u00f5es cultuais da humanidade. E n\u00e3o podia ser de outro modo no culto crist\u00e3o. \u00ab<em>A m\u00fasica sempre desempenhou um papel importante na experi\u00eancia crist\u00e3. Na liturgia, em particular, o canto nunca \u00e9 uma \u201cbanda sonora\u201d, um simples fundo, mas destina-se a elevar a alma para a conduzir tanto quanto poss\u00edvel at\u00e9 ao mist\u00e9rio que se celebra<\/em>\u00bb. \u00ab<em>Para o Povo de Deus, o canto exprime a invoca\u00e7\u00e3o e o louvor, \u00e9 o \u201cc\u00e2ntico novo\u201d que Cristo Ressuscitado eleva ao Pai, fazendo com que todos os batizados participem dele, como um \u00fanico corpo animado pela Vida nova do Esp\u00edrito. Em Cristo, tornamo-nos cantores da gra\u00e7a, filhos da Igreja que encontram no Ressuscitado a causa do seu louvor. A m\u00fasica lit\u00fargica torna-se assim um instrumento precios\u00edssimo atrav\u00e9s do qual prestamos o servi\u00e7o de louvor a Deus e manifestamos a alegria da Vida nova em Cristo<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Temos, pois, que valorizar, mais ainda do que se tem feito, o precioso servi\u00e7o dos m\u00fasicos, cantores e coralistas. Eles desempenham um verdadeiro e insubstitu\u00edvel minist\u00e9rio lit\u00fargico. \u00abSanto Agostinho, falando precisamente do canto na ora\u00e7\u00e3o, escrevia no seu Coment\u00e1rio aos Salmos: \u201c<em>Deves cantar-lhe, mas n\u00e3o de forma desafinada. N\u00e3o quer que os seus ouvidos sejam ofendidos. Cantai com arte, irm\u00e3os<\/em>\u201d (<em>In Ps\u00a0<\/em>32, II, 1, 8). Qu\u00e3o importantes s\u00e3o na m\u00fasica o cuidado, o esfor\u00e7o, a arte e, finalmente, a harmonia que deles deriva: \u00e9 verdadeiramente um dom precioso feito por Deus a toda a humanidade!\u00bb Em pr\u00f3xima colabora\u00e7\u00e3o partilharemos com os nossos leitores o que Le\u00e3o XIV proferiu sobre o significado e import\u00e2ncia dos coros lit\u00fargicos.<\/p>\n<p>Ao terminar a sauda\u00e7\u00e3o aos organizadores do\u00a0<em>Concerto com os pobres<\/em>, Le\u00e3o XIV dizia, meio a brincar e meio a s\u00e9rio: \u00abPor favor, cantai bem! Cantai e tocai com arte e, acima de tudo, com o cora\u00e7\u00e3o, porque\u00a0<strong>a m\u00fasica pode realmente representar uma forma de amor<\/strong>, uma\u00a0<em>via pulchritudinis\u00a0<\/em>que conduz a Deus\u00bb. Sirva este o mote para os nossos m\u00fasicos e cantores neste tempo de Advento e Natal. Com a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo entrou no nosso mundo o \u201ccantor\u201d e o \u201ccanto novo\u201d. Estejamos \u00ab<em>prontos para ouvir o canto do amor de Deus, que \u00e9 Jesus Cristo. Sim, Jesus \u00e9 o canto de amor de Deus pela humanidade. Ou\u00e7amos este canto! Vamos aprend\u00ea-lo bem, para que tamb\u00e9m o possamos cantar, com a nossa vida<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>(Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas duas \u00faltimas semanas, o Papa Le\u00e3o XIV teve algumas interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em que, como filho de Santo Agostinho, enalteceu o valor da m\u00fasica e, em particular, do canto lit\u00fargico. Referimo-nos, principalmente, \u00e0 sua homilia na Eucaristia que assinalou, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, o Jubileu dos Coros (23 de novembro). Mas tamb\u00e9m aos discursos que pronunciou por ocasi\u00e3o do\u00a0Concerto com os pobres, quer num encontro com os organizadores (5 de dezembro), quer no pr\u00f3prio\u00a0evento\u00a0(6 de dezembro). Na base deste magist\u00e9rio pontif\u00edcio est\u00e1 a aprecia\u00e7\u00e3o do valor antropol\u00f3gico e cultural deste fen\u00f3meno eminentemente humano, patrim\u00f3nio comum das civiliza\u00e7\u00f5es. A m\u00fasica permite exprimir o inef\u00e1vel. \u00abO canto representa uma express\u00e3o natural e completa do ser humano: a mente, os sentimentos, o corpo e a alma unem-se para comunicar as grandes coisas da vida\u00bb. Recordando e desenvolvendo o conhecido aforisma de Santo Agostinho \u2013\u00a0cantare amantis est: cantar \u00e9 pr\u00f3prio de quem ama \u2013\u00a0Le\u00e3o XIV sublinha: \u00abquem canta exprime o amor, mas tamb\u00e9m a dor, a ternura e o desejo que habitam no seu cora\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, ama aquele a quem dirige o seu canto\u00bb. A m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 um luxo, uma reserva de alguns privilegiados, mas, poderia dizer-se, um direito universal. Ali\u00e1s, os pobres jamais abdicaram da m\u00fasica e de m\u00fasica de qualidade. A m\u00fasica, afirma o Papa, \u00e9 \u00abum dom divino acess\u00edvel a todos, ricos e pobres\u00bb. \u00abA beleza \u00e9 um dom de Deus para todos os seres humanos, unidos pela mesma dignidade e chamados \u00e0 fraternidade\u00bb (cita\u00e7\u00e3o do Papa Francisco). A iniciativa vaticana do\u00a0concerto com os pobres, em que estes se sentam nos primeiros lugares, transmite essa mensagem. Extrapolando para a nossa pastoral, poderemos tamb\u00e9m dizer que a m\u00fasica lit\u00fargica n\u00e3o pode ser um privil\u00e9gio exclusivo das par\u00f3quias e comunidades com mais recursos: \u00e9 para todas. E, pensamos, talvez deva ser colocada no patamar dos bens de primeira necessidade\u2026 Sendo realidade eminentemente humana, a m\u00fasica tem um lugar insuprim\u00edvel na rela\u00e7\u00e3o do ser humano com o divino. \u00abA m\u00fasica \u00e9 como uma ponte que nos conduz a Deus. \u00c9 capaz de transmitir sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, at\u00e9 os movimentos mais profundos da alma, elevando-os, transformando-os numa escada ideal que liga a terra ao c\u00e9u. Sim, a m\u00fasica pode elevar o nosso \u00e2nimo! N\u00e3o porque nos distraia das nossas mis\u00e9rias, porque nos atordoe ou nos fa\u00e7a esquecer os problemas ou as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis da vida, mas porque nos lembra que n\u00e3o somos apenas isto: somos muito mais do que os nossos problemas e afli\u00e7\u00f5es, somos filhos amados de Deus!\u00bb Consequentemente, a m\u00fasica tem lugar de destaque em todas as express\u00f5es cultuais da humanidade. E n\u00e3o podia ser de outro modo no culto crist\u00e3o. \u00abA m\u00fasica sempre desempenhou um papel importante na experi\u00eancia crist\u00e3. Na liturgia, em particular, o canto nunca \u00e9 uma \u201cbanda sonora\u201d, um simples fundo, mas destina-se a elevar a alma para a conduzir tanto quanto poss\u00edvel at\u00e9 ao mist\u00e9rio que se celebra\u00bb. \u00abPara o Povo de Deus, o canto exprime a invoca\u00e7\u00e3o e o louvor, \u00e9 o \u201cc\u00e2ntico novo\u201d que Cristo Ressuscitado eleva ao Pai, fazendo com que todos os batizados participem dele, como um \u00fanico corpo animado pela Vida nova do Esp\u00edrito. Em Cristo, tornamo-nos cantores da gra\u00e7a, filhos da Igreja que encontram no Ressuscitado a causa do seu louvor. A m\u00fasica lit\u00fargica torna-se assim um instrumento precios\u00edssimo atrav\u00e9s do qual prestamos o servi\u00e7o de louvor a Deus e manifestamos a alegria da Vida nova em Cristo\u00bb. Temos, pois, que valorizar, mais ainda do que se tem feito, o precioso servi\u00e7o dos m\u00fasicos, cantores e coralistas. Eles desempenham um verdadeiro e insubstitu\u00edvel minist\u00e9rio lit\u00fargico. \u00abSanto Agostinho, falando precisamente do canto na ora\u00e7\u00e3o, escrevia no seu Coment\u00e1rio aos Salmos: \u201cDeves cantar-lhe, mas n\u00e3o de forma desafinada. N\u00e3o quer que os seus ouvidos sejam ofendidos. Cantai com arte, irm\u00e3os\u201d (In Ps\u00a032, II, 1, 8). Qu\u00e3o importantes s\u00e3o na m\u00fasica o cuidado, o esfor\u00e7o, a arte e, finalmente, a harmonia que deles deriva: \u00e9 verdadeiramente um dom precioso feito por Deus a toda a humanidade!\u00bb Em pr\u00f3xima colabora\u00e7\u00e3o partilharemos com os nossos leitores o que Le\u00e3o XIV proferiu sobre o significado e import\u00e2ncia dos coros lit\u00fargicos. Ao terminar a sauda\u00e7\u00e3o aos organizadores do\u00a0Concerto com os pobres, Le\u00e3o XIV dizia, meio a brincar e meio a s\u00e9rio: \u00abPor favor, cantai bem! Cantai e tocai com arte e, acima de tudo, com o cora\u00e7\u00e3o, porque\u00a0a m\u00fasica pode realmente representar uma forma de amor, uma\u00a0via pulchritudinis\u00a0que conduz a Deus\u00bb. Sirva este o mote para os nossos m\u00fasicos e cantores neste tempo de Advento e Natal. Com a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo entrou no nosso mundo o \u201ccantor\u201d e o \u201ccanto novo\u201d. Estejamos \u00abprontos para ouvir o canto do amor de Deus, que \u00e9 Jesus Cristo. Sim, Jesus \u00e9 o canto de amor de Deus pela humanidade. Ou\u00e7amos este canto! Vamos aprend\u00ea-lo bem, para que tamb\u00e9m o possamos cantar, com a nossa vida\u00bb. 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