{"id":31788,"date":"2025-12-16T11:34:33","date_gmt":"2025-12-16T11:34:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=31788"},"modified":"2025-12-16T11:34:33","modified_gmt":"2025-12-16T11:34:33","slug":"mensagem-para-o-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/mensagem-para-o-natal\/","title":{"rendered":"Mensagem para o Natal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Na sua Mensagem para o Natal 2025, D. Manuel Linda apela a uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o da ternura\u201d que tenha in\u00edcio \u201ca partir das realidades simples\u201d: \u201cnas rela\u00e7\u00f5es pessoais com quem conhecemos, no interior da fam\u00edlia, no mundo do trabalho, no c\u00edrculo das rela\u00e7\u00f5es, na vida da Igreja\u201d.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O bispo do Porto publica a sua Mensagem de Natal neste ano de 2025. Voz Portucalense divulga na \u00edntegra:<\/p>\n<h4><strong><em>A revolu\u00e7\u00e3o da ternura de Deus<\/em><\/strong><\/h4>\n<p><em>H\u00e1 dias, um casal amigo, a cujo matrim\u00f3nio havia assistido, veio apresentar-me o Jo\u00e3ozinho, o seu primeiro rebento. Que ternura! Olhinhos muito abertos, boca quase a esbo\u00e7ar um sorriso, m\u00e3os que agarravam os dedos das outras pessoas. Os pais embebidos, com um sorriso cheio de felicidade. E eu n\u00e3o resisti e pedi \u00e0 m\u00e3e autoriza\u00e7\u00e3o para o segurar ao meu colo durante alguns segundos.<\/em><\/p>\n<p><em>O que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o quadro gerado por estas tr\u00eas personagens: uma m\u00e3e a segur\u00e1-lo com um bra\u00e7o e a fazer festinhas com a outra m\u00e3o e um pai estrategicamente colocado ao lado da esposa e atr\u00e1s do filho, como sua retaguarda e seguran\u00e7a. Parecia-me mesmo uma imagem viva daquilo que nos aparece nos postais de boas festas: a Senhora com o Menino e S\u00e3o Jos\u00e9 absorto neste mist\u00e9rio de vida e de ternura. Neste caso, eu seria um pobre Pastor\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>De facto, o Natal \u00e9 Encarna\u00e7\u00e3o, \u00e9 revela\u00e7\u00e3o do amor salv\u00edfico do Pai, \u00e9 o Mist\u00e9rio de Deus a fazer caminho connosco na hist\u00f3ria, \u00e9 presen\u00e7a do Esp\u00edrito que transforma a face da terra, etc. \u00c9 tudo isso, mas que n\u00f3s podemos sintetizar numa \u00fanica express\u00e3o: \u00e9 a ternura de Deus! Por isso, deixamo-nos cativar pela nova linguagem do pres\u00e9pio; somos atra\u00eddos por aquele clima buc\u00f3lico de animais, pastores, lavadeiras, padeiros; tornamo-nos crian\u00e7as perante cenas que nos falam de harmonia e ternura. Tornamo-nos crian\u00e7as\u2026 porque perdemos a ternura das crian\u00e7as. E sem ternura, n\u00e3o vamos l\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Urge recuperar a ternura. Sem ternura, a inf\u00e2ncia seria nascer sem gra\u00e7a; as brincadeiras de crian\u00e7a, competi\u00e7\u00f5es de guerra; os sonhos da adolesc\u00eancia, um treino para a luta contra o mundo; os namoros juvenis, dom\u00ednio e posse; a fam\u00edlia, um calv\u00e1rio de viol\u00eancia; a empresa, uma luta de classes; o minist\u00e9rio sacerdotal, uma fun\u00e7\u00e3o de sobas; as redes sociais, uma metralhadora \u00ablegal\u00bb; a sociedade, um barril de p\u00f3lvora; a coopera\u00e7\u00e3o internacional, uma miragem; a rela\u00e7\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es, o exerc\u00edcio da lei da selva; a guerra, particularmente a at\u00f3mica, um terror bem por cima da nossa cabe\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Acredito, pois, que as pessoas, o mundo e as suas institui\u00e7\u00f5es s\u00f3 t\u00eam uma op\u00e7\u00e3o: ou a ternura do encontro pessoal, tornada vis\u00edvel num jovem casal e no seu primeiro filho, ou o efeito bola de neve da desafei\u00e7\u00e3o e do ressentimento que come\u00e7a pequena, mas vai aumentando cada vez mais a ponto de levar tudo na frente. Sem pessimismos doentios, creio que o mundo est\u00e1 a escolher preferentemente esta segunda via.<\/em><\/p>\n<p><em>Este Natal de 2025, ap\u00f3s um belo ano de jubileu, pode constituir o momento para uma sensata tomada de consci\u00eancia. Na sinal\u00e9tica da vida, pode ser a altura prop\u00edcia para olhar em frente e descobrir os sinais que nos indicam a verdadeira via a ser seguida. E isto a come\u00e7ar por aquelas realidades nas quais podemos intervir: nas rela\u00e7\u00f5es pessoais com quem conhecemos, no interior da fam\u00edlia, no mundo do trabalho, no c\u00edrculo das rela\u00e7\u00f5es, na vida da Igreja. Se imaginarmos que vamos interferir ao n\u00edvel das superpot\u00eancias que podem fazer a paz e a guerra e esquecermos o pequeno c\u00edrculo onde nos movemos, estamos muito enganados e alienados. Mas se o mundo intentar a modifica\u00e7\u00e3o a partir das realidades simples, essa forma de viver atingir\u00e1 todos os \u00e2mbitos, mesmo aqueles que parecem ultrapassar-nos.<\/em><\/p>\n<p><em>A revolu\u00e7\u00e3o da ternura \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1ria. E ela modifica tudo. Deus j\u00e1 nos deu o exemplo e o est\u00edmulo. N\u00f3s \u00e9 que lhe fechamos os olhos e os ouvidos. Abramo-los neste Natal! Para nosso pr\u00f3prio bem.<\/em><\/p>\n<p><em>Para todos, um Natal de ternura. Boas festas naquele Menino que \u00e9 o pr\u00f3prio sorriso de Deus no mundo. Desejo-as aos diocesanos do Porto, ao seu Clero, Religiosos e Leigos, e a todas as mulheres e homens de boa vontade, mesmo que de outras cren\u00e7as ou de nenhuma. Desejo-as particularmente a quem mais necessita de ternura, tal como as crian\u00e7as, os pobres, os velhinhos, os migrantes, os abandonados e os s\u00f3s.<\/em><\/p>\n<p><em>Feliz Natal de ternura!<\/em><\/p>\n<p><em>+Manuel Linda<\/em><\/p>\n<p><em>Bispo do Porto<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sua Mensagem para o Natal 2025, D. Manuel Linda apela a uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o da ternura\u201d que tenha in\u00edcio \u201ca partir das realidades simples\u201d: \u201cnas rela\u00e7\u00f5es pessoais com quem conhecemos, no interior da fam\u00edlia, no mundo do trabalho, no c\u00edrculo das rela\u00e7\u00f5es, na vida da Igreja\u201d.\u00a0 O bispo do Porto publica a sua Mensagem de Natal neste ano de 2025. Voz Portucalense divulga na \u00edntegra: A revolu\u00e7\u00e3o da ternura de Deus H\u00e1 dias, um casal amigo, a cujo matrim\u00f3nio havia assistido, veio apresentar-me o Jo\u00e3ozinho, o seu primeiro rebento. Que ternura! Olhinhos muito abertos, boca quase a esbo\u00e7ar um sorriso, m\u00e3os que agarravam os dedos das outras pessoas. Os pais embebidos, com um sorriso cheio de felicidade. E eu n\u00e3o resisti e pedi \u00e0 m\u00e3e autoriza\u00e7\u00e3o para o segurar ao meu colo durante alguns segundos. O que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o quadro gerado por estas tr\u00eas personagens: uma m\u00e3e a segur\u00e1-lo com um bra\u00e7o e a fazer festinhas com a outra m\u00e3o e um pai estrategicamente colocado ao lado da esposa e atr\u00e1s do filho, como sua retaguarda e seguran\u00e7a. Parecia-me mesmo uma imagem viva daquilo que nos aparece nos postais de boas festas: a Senhora com o Menino e S\u00e3o Jos\u00e9 absorto neste mist\u00e9rio de vida e de ternura. Neste caso, eu seria um pobre Pastor\u2026 De facto, o Natal \u00e9 Encarna\u00e7\u00e3o, \u00e9 revela\u00e7\u00e3o do amor salv\u00edfico do Pai, \u00e9 o Mist\u00e9rio de Deus a fazer caminho connosco na hist\u00f3ria, \u00e9 presen\u00e7a do Esp\u00edrito que transforma a face da terra, etc. \u00c9 tudo isso, mas que n\u00f3s podemos sintetizar numa \u00fanica express\u00e3o: \u00e9 a ternura de Deus! Por isso, deixamo-nos cativar pela nova linguagem do pres\u00e9pio; somos atra\u00eddos por aquele clima buc\u00f3lico de animais, pastores, lavadeiras, padeiros; tornamo-nos crian\u00e7as perante cenas que nos falam de harmonia e ternura. Tornamo-nos crian\u00e7as\u2026 porque perdemos a ternura das crian\u00e7as. E sem ternura, n\u00e3o vamos l\u00e1. Urge recuperar a ternura. Sem ternura, a inf\u00e2ncia seria nascer sem gra\u00e7a; as brincadeiras de crian\u00e7a, competi\u00e7\u00f5es de guerra; os sonhos da adolesc\u00eancia, um treino para a luta contra o mundo; os namoros juvenis, dom\u00ednio e posse; a fam\u00edlia, um calv\u00e1rio de viol\u00eancia; a empresa, uma luta de classes; o minist\u00e9rio sacerdotal, uma fun\u00e7\u00e3o de sobas; as redes sociais, uma metralhadora \u00ablegal\u00bb; a sociedade, um barril de p\u00f3lvora; a coopera\u00e7\u00e3o internacional, uma miragem; a rela\u00e7\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es, o exerc\u00edcio da lei da selva; a guerra, particularmente a at\u00f3mica, um terror bem por cima da nossa cabe\u00e7a. Acredito, pois, que as pessoas, o mundo e as suas institui\u00e7\u00f5es s\u00f3 t\u00eam uma op\u00e7\u00e3o: ou a ternura do encontro pessoal, tornada vis\u00edvel num jovem casal e no seu primeiro filho, ou o efeito bola de neve da desafei\u00e7\u00e3o e do ressentimento que come\u00e7a pequena, mas vai aumentando cada vez mais a ponto de levar tudo na frente. Sem pessimismos doentios, creio que o mundo est\u00e1 a escolher preferentemente esta segunda via. Este Natal de 2025, ap\u00f3s um belo ano de jubileu, pode constituir o momento para uma sensata tomada de consci\u00eancia. Na sinal\u00e9tica da vida, pode ser a altura prop\u00edcia para olhar em frente e descobrir os sinais que nos indicam a verdadeira via a ser seguida. E isto a come\u00e7ar por aquelas realidades nas quais podemos intervir: nas rela\u00e7\u00f5es pessoais com quem conhecemos, no interior da fam\u00edlia, no mundo do trabalho, no c\u00edrculo das rela\u00e7\u00f5es, na vida da Igreja. 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Desejo-as particularmente a quem mais necessita de ternura, tal como as crian\u00e7as, os pobres, os velhinhos, os migrantes, os abandonados e os s\u00f3s. Feliz Natal de ternura! +Manuel Linda Bispo do Porto &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":31789,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31788","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31788\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31789"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}