{"id":32021,"date":"2026-02-13T10:25:30","date_gmt":"2026-02-13T10:25:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32021"},"modified":"2026-02-13T10:25:30","modified_gmt":"2026-02-13T10:25:30","slug":"no-olho-da-tempestade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/no-olho-da-tempestade\/","title":{"rendered":"No olho da tempestade"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1, na vida, alturas assim. Em que nos vemos dentro da pr\u00f3pria tempestade. Como se tamb\u00e9m ela fizesse parte de n\u00f3s. Como se tudo \u00e0 nossa volta fosse, simplesmente: caos, lama e destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que nos temos visto nas \u00faltimas semanas. A bra\u00e7os com uma intemp\u00e9rie externa que nos veio, igualmente, desregular internamente. Tamb\u00e9m n\u00f3s parecemos trazer a chuva e o vento connosco, como se o pr\u00f3prio sol (de dentro e de fora) fosse uma miragem ou algo que j\u00e1 nem sabemos se existe.<\/p>\n<p>Podemos pouco contra a natureza.<\/p>\n<p>Podemos pouco contra a vida e os seus des\u00edgnios mais ou menos arbitr\u00e1rios.<\/p>\n<p>Quando achamos que controlamos o que acontece, vem algo que nos retira as m\u00e3os do leme. Quando damos conta j\u00e1 estamos de cara no ch\u00e3o com a vida agarrada ao nosso pesco\u00e7o.<\/p>\n<p>Vivemos tempos desafiantes como seres individuais, como portugueses e como humanidade. Valoriz\u00e1mos, e valorizamos, durante demasiado tempo o excesso de trabalho, o ultrapassar de limites, o \u201cpassar por cima dos outros\u201d a todo o custo, o ego\u00edsmo, a exalta\u00e7\u00e3o narc\u00edsica e individualista que trucidou o sentido de comunidade global.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos esque\u00e7amos que temos responsabilidades perante os que partilham caminho connosco. Tamb\u00e9m as temos perante os desconhecidos ou necessitados. E, em \u00faltimo caso, temos tamb\u00e9m a responsabilidade de cuidar de n\u00f3s e do que somos.<\/p>\n<p>Afinal, se eu n\u00e3o souber cuidar de quem sou e do que preciso como vou conseguir acender a lanterna para que outros me sigam?<\/p>\n<p>Que saibamos atravessar esta altura t\u00e3o profundamente inst\u00e1vel e triste com a f\u00e9 de que tamb\u00e9m isto passar\u00e1. Como sempre. Como antes. Como daqui para a frente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m isto. E isso. Passar\u00e1.<\/p>\n<p>(\u00a9 iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1, na vida, alturas assim. Em que nos vemos dentro da pr\u00f3pria tempestade. Como se tamb\u00e9m ela fizesse parte de n\u00f3s. Como se tudo \u00e0 nossa volta fosse, simplesmente: caos, lama e destrui\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que nos temos visto nas \u00faltimas semanas. A bra\u00e7os com uma intemp\u00e9rie externa que nos veio, igualmente, desregular internamente. Tamb\u00e9m n\u00f3s parecemos trazer a chuva e o vento connosco, como se o pr\u00f3prio sol (de dentro e de fora) fosse uma miragem ou algo que j\u00e1 nem sabemos se existe. Podemos pouco contra a natureza. Podemos pouco contra a vida e os seus des\u00edgnios mais ou menos arbitr\u00e1rios. Quando achamos que controlamos o que acontece, vem algo que nos retira as m\u00e3os do leme. Quando damos conta j\u00e1 estamos de cara no ch\u00e3o com a vida agarrada ao nosso pesco\u00e7o. Vivemos tempos desafiantes como seres individuais, como portugueses e como humanidade. Valoriz\u00e1mos, e valorizamos, durante demasiado tempo o excesso de trabalho, o ultrapassar de limites, o \u201cpassar por cima dos outros\u201d a todo o custo, o ego\u00edsmo, a exalta\u00e7\u00e3o narc\u00edsica e individualista que trucidou o sentido de comunidade global. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que temos responsabilidades perante os que partilham caminho connosco. Tamb\u00e9m as temos perante os desconhecidos ou necessitados. E, em \u00faltimo caso, temos tamb\u00e9m a responsabilidade de cuidar de n\u00f3s e do que somos. Afinal, se eu n\u00e3o souber cuidar de quem sou e do que preciso como vou conseguir acender a lanterna para que outros me sigam? Que saibamos atravessar esta altura t\u00e3o profundamente inst\u00e1vel e triste com a f\u00e9 de que tamb\u00e9m isto passar\u00e1. Como sempre. Como antes. Como daqui para a frente. Tamb\u00e9m isto. E isso. Passar\u00e1. 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