{"id":32034,"date":"2026-02-16T11:10:09","date_gmt":"2026-02-16T11:10:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32034"},"modified":"2026-02-16T11:10:09","modified_gmt":"2026-02-16T11:10:09","slug":"quaresma-bispo-do-porto-amor-de-deus-e-inseparavel-do-amor-aos-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/quaresma-bispo-do-porto-amor-de-deus-e-inseparavel-do-amor-aos-outros\/","title":{"rendered":"Quaresma. Bispo do Porto: \u201camor de Deus \u00e9 insepar\u00e1vel do amor aos outros\u201d"},"content":{"rendered":"<p>MENSAGEM DO BISPO DO PORTO<\/p>\n<h3><strong><em>A l\u00f3gica da f\u00e9 e do amor<\/em><\/strong><\/h3>\n<ol>\n<li>A mensagem da convers\u00e3o constitui um dos n\u00facleos fundamentais do Evangelho. S\u00e3o Marcos, que foi o primeiro a p\u00f4r por escrito a Boa Nova de Jesus, diz-nos que este tema constituiu o in\u00edcio da sua prega\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Cumpriu-se o tempo e o reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho<\/em>\u201d (Mt 1, 15). Como se lembram, usamos estas mesmas palavras no rito de imposi\u00e7\u00e3o das cinzas, no come\u00e7o da quaresma. S\u00e3o Lucas, por sua vez, na conhecida par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo, sublinha os dois elementos fundamentais da convers\u00e3o: o regresso a Deus e a mudan\u00e7a no modo de se viver.<\/li>\n<\/ol>\n<p>De facto, no hebraico, o pr\u00f3prio termo b\u00edblico que exprime a no\u00e7\u00e3o de convers\u00e3o quer dizer literalmente \u00abandar na dire\u00e7\u00e3o oposta\u00bb. Foi o que fez esse grande Santo Agostinho. A princ\u00edpio, muito longe de Deus, viria a converter-se radicalmente. E referem-se a essa mudan\u00e7a de caminho as suas palavras muito conhecidas: \u201c<em>Tarde te amei! Tarde te amei, \u00f3 Beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova! Eis que estavas dentro de mim e eu fora de mim. Estavas comigo e eu n\u00e3o estava contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que n\u00e3o existiriam sen\u00e3o em ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a tua luz afugentou a minha cegueira. Exalaste o teu perfume e, respirando-o, suspirei por ti e te desejei. Eu te provei, te saboreei e, agora, tenho fome e sede de ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos pela tua paz!<\/em>\u201d.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Esta mudan\u00e7a de estilo de vida n\u00e3o \u00e9, portanto, te\u00f3rica ou somente intelectual: ela implica com a vida concreta e com as escolhas que fazemos. Implica com as nossas atitudes e comportamentos, formas de ver e de nos tornarmos presentes. Implica com o amor concretizado: na aceita\u00e7\u00e3o e resposta ao amor de Deus e na difus\u00e3o que dele fazemos, em gestos de benignidade, aos irm\u00e3os e a toda a sociedade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Na rela\u00e7\u00e3o com Deus, a prioridade deve ser concedida ao timbre de uma f\u00e9 que, cada vez mais, nos identifica e configura com Ele. Por isso, insistimos tanto na leitura orante da palavra de Deus, se poss\u00edvel em fam\u00edlia, e tamb\u00e9m na ora\u00e7\u00e3o, no sacramento da confiss\u00e3o e nos gestos de penit\u00eancia, tais como a priva\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de alguma coisa de que gostamos, a abstin\u00eancia de comidas mais requintadas e o jejum, especialmente na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Mas o amor de Deus \u00e9 insepar\u00e1vel do amor aos outros. Por isso, sempre esteve na mente da Igreja viver a quaresma com uma especial\u00edssima dimens\u00e3o de solidariedade fraterna. E daqui nasce a proposta de gestos de paz e de harmonia, de reconcilia\u00e7\u00e3o com os outros quando isso se imp\u00f5e, a preocupa\u00e7\u00e3o mais viva para com esse grande presente de Deus que \u00e9 o mundo material e todas as criaturas e os indispens\u00e1veis gestos de solidariedade e fraternidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Nesta linha, escutados todos os organismos de aconselhamento diocesanos, decidi que, quer a ren\u00fancia quaresmal, quer o contributo penitencial, neste ano de 2026, ser\u00e3o repartidos em quatro partes iguais: 25% para as v\u00edtimas das recentes tempestades em Portugal; outro tanto para a Miss\u00e3o de Calumbo (Angola) onde um sacerdote portugu\u00eas, passionista, mant\u00e9m um belo projeto social de desenvolvimento de crian\u00e7as, mormente por interm\u00e9dio das \u00abSopas nutritivas\u00bb; para o projeto \u00abRenascer p\u2019ra Esperan\u00e7a\u00bb, em Chirrundzo (Mo\u00e7ambique), da Juventude Mission\u00e1ria Vicentina, que desenvolve catividades de internato e cantina social para crian\u00e7as; e o restante destina-se a dar resposta aos muitos pedidos de ajuda, provenientes do estrangeiro, que, por motivo de guerras ou de outras calamidades, nos chegam ao longo do ano.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Irm\u00e3s e irm\u00e3os, na l\u00f3gica de Deus, a primazia de tudo \u00e9 a f\u00e9, entendida como confian\u00e7a e amor. Mas precisamente por isso, inerente \u00e0 f\u00e9 est\u00e1 a no\u00e7\u00e3o de convers\u00e3o, ou seja, a reorienta\u00e7\u00e3o de toda a nossa vida para Deus e sua vontade. Sem isto n\u00e3o h\u00e1 f\u00e9. E a vontade de Deus \u00e9 que todos vivamos como irm\u00e3os. S\u00e3o palavras de Jesus: \u201c<em>Quem faz a vontade de meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us, esse \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e minha m\u00e3e<\/em>\u201d (Mt 12, 50). Nesta linha, o duplo mandamento do amor \u2013o \u00abamar a Deus sobre todas as coisas e amar os outros como a n\u00f3s mesmos\u00bb- \u00e9 o \u00fanico caminho que se nos exige enquanto crentes. Caminho exclusivo. Mas caminho que, sendo t\u00e3o essencial, tantas vezes nos afastamos dele\u2026<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 altura de regressarmos a essa via de salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 altura de acelerarmos os passos para a percorrer com alegria. Ent\u00e3o, coragem! Caminhemos! Caminhemos na via de salva\u00e7\u00e3o, pois esta \u00e9 a pr\u00f3pria felicidade. Santa quaresma em ordem \u00e0 P\u00e1scoa do Senhor!<\/p>\n<p><em>+ Manuel, Bispo do Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MENSAGEM DO BISPO DO PORTO A l\u00f3gica da f\u00e9 e do amor A mensagem da convers\u00e3o constitui um dos n\u00facleos fundamentais do Evangelho. S\u00e3o Marcos, que foi o primeiro a p\u00f4r por escrito a Boa Nova de Jesus, diz-nos que este tema constituiu o in\u00edcio da sua prega\u00e7\u00e3o: \u201cCumpriu-se o tempo e o reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho\u201d (Mt 1, 15). Como se lembram, usamos estas mesmas palavras no rito de imposi\u00e7\u00e3o das cinzas, no come\u00e7o da quaresma. S\u00e3o Lucas, por sua vez, na conhecida par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo, sublinha os dois elementos fundamentais da convers\u00e3o: o regresso a Deus e a mudan\u00e7a no modo de se viver. De facto, no hebraico, o pr\u00f3prio termo b\u00edblico que exprime a no\u00e7\u00e3o de convers\u00e3o quer dizer literalmente \u00abandar na dire\u00e7\u00e3o oposta\u00bb. Foi o que fez esse grande Santo Agostinho. A princ\u00edpio, muito longe de Deus, viria a converter-se radicalmente. E referem-se a essa mudan\u00e7a de caminho as suas palavras muito conhecidas: \u201cTarde te amei! Tarde te amei, \u00f3 Beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova! Eis que estavas dentro de mim e eu fora de mim. Estavas comigo e eu n\u00e3o estava contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que n\u00e3o existiriam sen\u00e3o em ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a tua luz afugentou a minha cegueira. Exalaste o teu perfume e, respirando-o, suspirei por ti e te desejei. Eu te provei, te saboreei e, agora, tenho fome e sede de ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos pela tua paz!\u201d. Esta mudan\u00e7a de estilo de vida n\u00e3o \u00e9, portanto, te\u00f3rica ou somente intelectual: ela implica com a vida concreta e com as escolhas que fazemos. Implica com as nossas atitudes e comportamentos, formas de ver e de nos tornarmos presentes. Implica com o amor concretizado: na aceita\u00e7\u00e3o e resposta ao amor de Deus e na difus\u00e3o que dele fazemos, em gestos de benignidade, aos irm\u00e3os e a toda a sociedade. Na rela\u00e7\u00e3o com Deus, a prioridade deve ser concedida ao timbre de uma f\u00e9 que, cada vez mais, nos identifica e configura com Ele. Por isso, insistimos tanto na leitura orante da palavra de Deus, se poss\u00edvel em fam\u00edlia, e tamb\u00e9m na ora\u00e7\u00e3o, no sacramento da confiss\u00e3o e nos gestos de penit\u00eancia, tais como a priva\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de alguma coisa de que gostamos, a abstin\u00eancia de comidas mais requintadas e o jejum, especialmente na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa. Mas o amor de Deus \u00e9 insepar\u00e1vel do amor aos outros. Por isso, sempre esteve na mente da Igreja viver a quaresma com uma especial\u00edssima dimens\u00e3o de solidariedade fraterna. E daqui nasce a proposta de gestos de paz e de harmonia, de reconcilia\u00e7\u00e3o com os outros quando isso se imp\u00f5e, a preocupa\u00e7\u00e3o mais viva para com esse grande presente de Deus que \u00e9 o mundo material e todas as criaturas e os indispens\u00e1veis gestos de solidariedade e fraternidade. Nesta linha, escutados todos os organismos de aconselhamento diocesanos, decidi que, quer a ren\u00fancia quaresmal, quer o contributo penitencial, neste ano de 2026, ser\u00e3o repartidos em quatro partes iguais: 25% para as v\u00edtimas das recentes tempestades em Portugal; outro tanto para a Miss\u00e3o de Calumbo (Angola) onde um sacerdote portugu\u00eas, passionista, mant\u00e9m um belo projeto social de desenvolvimento de crian\u00e7as, mormente por interm\u00e9dio das \u00abSopas nutritivas\u00bb; para o projeto \u00abRenascer p\u2019ra Esperan\u00e7a\u00bb, em Chirrundzo (Mo\u00e7ambique), da Juventude Mission\u00e1ria Vicentina, que desenvolve catividades de internato e cantina social para crian\u00e7as; e o restante destina-se a dar resposta aos muitos pedidos de ajuda, provenientes do estrangeiro, que, por motivo de guerras ou de outras calamidades, nos chegam ao longo do ano. Irm\u00e3s e irm\u00e3os, na l\u00f3gica de Deus, a primazia de tudo \u00e9 a f\u00e9, entendida como confian\u00e7a e amor. Mas precisamente por isso, inerente \u00e0 f\u00e9 est\u00e1 a no\u00e7\u00e3o de convers\u00e3o, ou seja, a reorienta\u00e7\u00e3o de toda a nossa vida para Deus e sua vontade. Sem isto n\u00e3o h\u00e1 f\u00e9. E a vontade de Deus \u00e9 que todos vivamos como irm\u00e3os. S\u00e3o palavras de Jesus: \u201cQuem faz a vontade de meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us, esse \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e minha m\u00e3e\u201d (Mt 12, 50). Nesta linha, o duplo mandamento do amor \u2013o \u00abamar a Deus sobre todas as coisas e amar os outros como a n\u00f3s mesmos\u00bb- \u00e9 o \u00fanico caminho que se nos exige enquanto crentes. Caminho exclusivo. Mas caminho que, sendo t\u00e3o essencial, tantas vezes nos afastamos dele\u2026 \u00c9 altura de regressarmos a essa via de salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 altura de acelerarmos os passos para a percorrer com alegria. Ent\u00e3o, coragem! Caminhemos! Caminhemos na via de salva\u00e7\u00e3o, pois esta \u00e9 a pr\u00f3pria felicidade. 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