{"id":32082,"date":"2026-02-25T10:38:49","date_gmt":"2026-02-25T10:38:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32082"},"modified":"2026-02-25T10:38:49","modified_gmt":"2026-02-25T10:38:49","slug":"exercicios-espirituais-da-quaresma-5a-meditacao-o-esplendor-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/exercicios-espirituais-da-quaresma-5a-meditacao-o-esplendor-da-verdade\/","title":{"rendered":"Exerc\u00edcios Espirituais da Quaresma, 5\u00aa medita\u00e7\u00e3o: o esplendor da verdade"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O bispo Erik Varden faz sua quinta reflex\u00e3o nos Exerc\u00edcios Espirituais no Vaticano para o Papa Le\u00e3o XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicast\u00e9rios, concentrando-se no tema: &#8220;O esplendor da verdade&#8221;. Publicamos um resumo de sua reflex\u00e3o.<\/div>\n<div>\n<p>Bernardo quer nos manter em alerta. Afirma: \u201cEu vos advirto: ningu\u00e9m vive sobre a terra sem tenta\u00e7\u00f5es; se por acaso algu\u00e9m estiver livre delas, certamente deve esperar outra.\u201d Devemos cultivar o justo equil\u00edbrio entre a confian\u00e7a na ajuda de Deus e a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa fragilidade, temendo as tenta\u00e7\u00f5es e aceitando sua inevitabilidade, lembrando que Deus nos submete a elas porque s\u00e3o \u00fateis.<\/p>\n<p>\u00dateis em que sentido?<\/p>\n<p>Resistindo \u00e0s flechas lan\u00e7adas pelo Pai da Mentira, nosso compromisso com a verdade se fortalecer\u00e1, assim como nossa confian\u00e7a nela. Afastados da falsidade que nos enfraquece, seremos capazes de nos converter para confirmar nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Bernardo v\u00ea a ambi\u00e7\u00e3o como nega\u00e7\u00e3o da verdade. A ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma n\u00e3o muito sutil de avidez. Ao descrever esse v\u00edcio, Bernardo, sempre eloquente, supera a si mesmo. A ambi\u00e7\u00e3o, diz ele, \u00e9 \u201cum mal sutil, um veneno secreto, uma peste oculta, art\u00edfice de fraudes; m\u00e3e da hipocrisia, genitora da inveja, origem dos v\u00edcios; \u00e9 a centelha que acende os crimes, faz enferrujar as virtudes, apodrecer a santidade, cegar os cora\u00e7\u00f5es. Transforma os rem\u00e9dios em doen\u00e7as. Da medicina gera fraquezas.\u201d A ambi\u00e7\u00e3o, diz ele, nasce de uma \u201caliena\u00e7\u00e3o da mente\u201d. \u00c9 uma loucura que se manifesta quando se esquece a verdade. O fato de a ambi\u00e7\u00e3o ser uma forma de desequil\u00edbrio mental a torna rid\u00edcula em qualquer de suas manifesta\u00e7\u00f5es, mas sobretudo quando se evidencia em pessoas dedicadas, por voca\u00e7\u00e3o, ao servi\u00e7o dos outros. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a figura do sacerdote ambicioso infesta a literatura e o cinema como um motivo c\u00f4mico, embora n\u00e3o muito divertido \u2014 desde os p\u00e1rocos servis de Jane Austen at\u00e9 o \u00e1cido sacerdote cortes\u00e3o no not\u00e1vel filme\u00a0<i>Rid\u00edculo<\/i>, de Patrice Leconte.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 a verdade?\u201d<\/p>\n<p>As pessoas fazem essa pergunta com sinceridade e, muitas vezes, com boa vontade, apesar da confus\u00e3o, do medo e da pressa em que vivem. N\u00e3o podemos deix\u00e1-las sem resposta. N\u00e3o podemos desperdi\u00e7ar energias em tenta\u00e7\u00f5es banais, feitas de medo, vangl\u00f3ria e ambi\u00e7\u00e3o. Nossos melhores recursos devem servir para sustentar a Verdade substancial e essencial, que liberta de qualquer ac\u00famulo, mais ou menos cintilante, mais ou menos maligno.<\/p>\n<p>Na complexidade do mundo de hoje, \u00e9 imperativo articular o mundo \u00e0 luz de Cristo. Cristo, que \u00e9 a Verdade, n\u00e3o apenas nos protege. Ele nos renova, impaciente por revelar-se por meio de n\u00f3s a uma cria\u00e7\u00e3o cada vez mais consciente de ser escrava da futilidade.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes somos tentados a pensar que devemos acompanhar as modas do mundo. \u00c9, eu diria, um procedimento duvidoso. A Igreja \u00e9 um corpo que se move lentamente: correria o risco de se adornar fora de \u00e9poca e de se expressar com o jarg\u00e3o de ontem. Se, ao contr\u00e1rio, falar bem a sua pr\u00f3pria linguagem \u2014 a da B\u00edblia e da liturgia, a de seus pais e de suas m\u00e3es, a de seus poetas e santos, que continuam a nascer \u2014 permanecer\u00e1 capaz de enunciar verdades perenes de modo novo. Ser\u00e1 original e fresca, e poder\u00e1 hoje, como no passado, orientar a cultura.<\/p>\n<p>\u00c9 um trabalho que possui uma dimens\u00e3o intelectual crucial. Possui tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o existencial. Como disse o cardeal Schuster pouco antes de morrer: \u201cParece que as pessoas j\u00e1 n\u00e3o se deixam convencer por nossa prega\u00e7\u00e3o, mas, diante da santidade, ainda acreditam, ainda se ajoelham e ainda rezam.\u201d<\/p>\n<p>O chamado universal \u00e0 santidade, isto \u00e9, o chamado a encarnar a verdade, foi talvez a nota mais forte do Conc\u00edlio Vaticano II. Ressoou esplendidamente como um gongo em todas as suas delibera\u00e7\u00f5es. A pretens\u00e3o crist\u00e3 \u00e0 verdade torna-se convincente quando seu esplendor se manifesta de forma pessoal, por meio de um amor disposto ao sacrif\u00edcio de si na santidade, purificado das tenta\u00e7\u00f5es do compromisso.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><span style=\"font-size: 8pt;\"><em>(in Vaticano News)<\/em><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bispo Erik Varden faz sua quinta reflex\u00e3o nos Exerc\u00edcios Espirituais no Vaticano para o Papa Le\u00e3o XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicast\u00e9rios, concentrando-se no tema: &#8220;O esplendor da verdade&#8221;. Publicamos um resumo de sua reflex\u00e3o. Bernardo quer nos manter em alerta. Afirma: \u201cEu vos advirto: ningu\u00e9m vive sobre a terra sem tenta\u00e7\u00f5es; se por acaso algu\u00e9m estiver livre delas, certamente deve esperar outra.\u201d Devemos cultivar o justo equil\u00edbrio entre a confian\u00e7a na ajuda de Deus e a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa fragilidade, temendo as tenta\u00e7\u00f5es e aceitando sua inevitabilidade, lembrando que Deus nos submete a elas porque s\u00e3o \u00fateis. \u00dateis em que sentido? Resistindo \u00e0s flechas lan\u00e7adas pelo Pai da Mentira, nosso compromisso com a verdade se fortalecer\u00e1, assim como nossa confian\u00e7a nela. Afastados da falsidade que nos enfraquece, seremos capazes de nos converter para confirmar nossos irm\u00e3os. Bernardo v\u00ea a ambi\u00e7\u00e3o como nega\u00e7\u00e3o da verdade. A ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma n\u00e3o muito sutil de avidez. Ao descrever esse v\u00edcio, Bernardo, sempre eloquente, supera a si mesmo. A ambi\u00e7\u00e3o, diz ele, \u00e9 \u201cum mal sutil, um veneno secreto, uma peste oculta, art\u00edfice de fraudes; m\u00e3e da hipocrisia, genitora da inveja, origem dos v\u00edcios; \u00e9 a centelha que acende os crimes, faz enferrujar as virtudes, apodrecer a santidade, cegar os cora\u00e7\u00f5es. Transforma os rem\u00e9dios em doen\u00e7as. Da medicina gera fraquezas.\u201d A ambi\u00e7\u00e3o, diz ele, nasce de uma \u201caliena\u00e7\u00e3o da mente\u201d. \u00c9 uma loucura que se manifesta quando se esquece a verdade. O fato de a ambi\u00e7\u00e3o ser uma forma de desequil\u00edbrio mental a torna rid\u00edcula em qualquer de suas manifesta\u00e7\u00f5es, mas sobretudo quando se evidencia em pessoas dedicadas, por voca\u00e7\u00e3o, ao servi\u00e7o dos outros. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a figura do sacerdote ambicioso infesta a literatura e o cinema como um motivo c\u00f4mico, embora n\u00e3o muito divertido \u2014 desde os p\u00e1rocos servis de Jane Austen at\u00e9 o \u00e1cido sacerdote cortes\u00e3o no not\u00e1vel filme\u00a0Rid\u00edculo, de Patrice Leconte. \u201cO que \u00e9 a verdade?\u201d As pessoas fazem essa pergunta com sinceridade e, muitas vezes, com boa vontade, apesar da confus\u00e3o, do medo e da pressa em que vivem. N\u00e3o podemos deix\u00e1-las sem resposta. N\u00e3o podemos desperdi\u00e7ar energias em tenta\u00e7\u00f5es banais, feitas de medo, vangl\u00f3ria e ambi\u00e7\u00e3o. Nossos melhores recursos devem servir para sustentar a Verdade substancial e essencial, que liberta de qualquer ac\u00famulo, mais ou menos cintilante, mais ou menos maligno. Na complexidade do mundo de hoje, \u00e9 imperativo articular o mundo \u00e0 luz de Cristo. Cristo, que \u00e9 a Verdade, n\u00e3o apenas nos protege. Ele nos renova, impaciente por revelar-se por meio de n\u00f3s a uma cria\u00e7\u00e3o cada vez mais consciente de ser escrava da futilidade. \u00c0s vezes somos tentados a pensar que devemos acompanhar as modas do mundo. \u00c9, eu diria, um procedimento duvidoso. A Igreja \u00e9 um corpo que se move lentamente: correria o risco de se adornar fora de \u00e9poca e de se expressar com o jarg\u00e3o de ontem. Se, ao contr\u00e1rio, falar bem a sua pr\u00f3pria linguagem \u2014 a da B\u00edblia e da liturgia, a de seus pais e de suas m\u00e3es, a de seus poetas e santos, que continuam a nascer \u2014 permanecer\u00e1 capaz de enunciar verdades perenes de modo novo. Ser\u00e1 original e fresca, e poder\u00e1 hoje, como no passado, orientar a cultura. \u00c9 um trabalho que possui uma dimens\u00e3o intelectual crucial. Possui tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o existencial. 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