{"id":32088,"date":"2026-02-26T10:35:15","date_gmt":"2026-02-26T10:35:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32088"},"modified":"2026-02-26T10:46:29","modified_gmt":"2026-02-26T10:46:29","slug":"exercicios-espirituais-da-quaresma-7a-meditacao-gloria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/exercicios-espirituais-da-quaresma-7a-meditacao-gloria\/","title":{"rendered":"Exerc\u00edcios Espirituais da Quaresma, 7\u00aa medita\u00e7\u00e3o: gl\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Quando Jesus explicou o que significava permanecer com ele e entrar no Reino que anunciava, \u201cmuitos de seus disc\u00edpulos voltaram atr\u00e1s e n\u00e3o andavam mais com ele\u201d. N\u00e3o estavam dispostos a aceitar seus ensinamentos sobre o realismo sacramental, sobre a indissolubilidade do matrim\u00f4nio, sobre a necessidade da Cruz. Quando Cristo foi crucificado no Calv\u00e1rio, o &#8216;<i>synodos&#8217;<\/i>\u00a0que havia caminhado com ele apenas seis dias antes j\u00e1 n\u00e3o existia mais. Restaram somente dois seguidores: sua M\u00e3e e Jo\u00e3o, o Disc\u00edpulo Amado.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o fornece um relato preciso da\u00a0<i>k\u00e9nosis<\/i>\u00a0de Jesus, que se desenvolve em dois n\u00edveis: o do amor divino, espremido no lagar da Cruz; e o da trai\u00e7\u00e3o da lealdade humana, quando at\u00e9 mesmo aqueles que haviam prometido fidelidade\u00a0<i>usque ad mortem<\/i>\u00a0haviam fugido, recolhendo-se em casa para lamber suas feridas em segredo.<\/p>\n<p>E, no entanto, Jo\u00e3o insiste que \u00e9 precisamente essa cena de abandono que manifesta a gl\u00f3ria de Cristo.<\/p>\n<p>A glorifica\u00e7\u00e3o, diz Bernardo, acontece quando, terminado o nosso caminho terreno, finalmente contemplarmos aquilo que nesta vida esperamos firmemente, depositando nossa confian\u00e7a no nome de Jesus. \u201c<i>Spes in nomine, res in facie est<\/i>\u201d. N\u00e3o h\u00e1 modo de traduzir o sentido dessa f\u00f3rmula concisa e bel\u00edssima sen\u00e3o por meio de uma par\u00e1frase um pouco solene: \u201cNossa esperan\u00e7a est\u00e1 no nome do Senhor; a realidade esperada est\u00e1 em v\u00ea-lo face a face\u201d.<\/p>\n<p>Uma certa \u201cgl\u00f3ria oculta\u201d \u00e9, de todo modo, percept\u00edvel j\u00e1 agora. Agostinho gostava de dizer que aqui e agora trazemos a imagem da gl\u00f3ria em uma \u201cforma obscura\u201d, uma forma que \u00e9 encarnada e sujeita \u00e0s vicissitudes da exist\u00eancia concreta. Uma vez atravessada esta vida, a forma se revelar\u00e1 expl\u00edcita e \u201cluminosa\u201d.<\/p>\n<p>Eventuais deformidades causadas por um mau uso da liberdade ser\u00e3o ent\u00e3o reformadas, para que a forma emerja em sua beleza originalmente concebida: como \u201cforma formosa\u201d. Agostinho, t\u00e3o profundamente humano e ao mesmo tempo penetrante, sublinha que a gl\u00f3ria da imagem n\u00e3o pode ser perdida; ela est\u00e1 impressa em nosso ser. Pode, por\u00e9m, ser soterrada sob camadas de obscuridade que se acumulam e precisam ser removidas.<\/p>\n<p>A Igreja recorda \u00e0s mulheres e aos homens a gl\u00f3ria secreta que vive neles. A Igreja nos revela que a mediocridade e o desespero do presente \u2014 n\u00e3o por \u00faltimo, o meu pr\u00f3prio desespero por meus fracassos persistentes \u2014 n\u00e3o precisam ser definitivos; que o plano de Deus para n\u00f3s \u00e9 infinitamente maravilhoso; e que Deus, por meio do Corpo M\u00edstico de Cristo, nos dar\u00e1 a gra\u00e7a e a for\u00e7a de que necessitamos para alcan\u00e7\u00e1-lo, se apenas lhe pedirmos.<\/p>\n<p>A Igreja manifesta esplendores de \u201cgl\u00f3ria oculta\u201d em seus santos. Os santos s\u00e3o a prova de que a doen\u00e7a e a degrada\u00e7\u00e3o podem ser meios que a Provid\u00eancia utiliza para realizar um des\u00edgnio glorioso, conferindo for\u00e7a aos fracos e, ainda n\u00e3o satisfeita com isso, tornando-os santos resplandecentes.<\/p>\n<p>A Igreja comunica a \u201cgl\u00f3ria oculta\u201d em seus sacramentos. Todo sacerdote, todo cat\u00f3lico conhece a luz que pode irromper no confession\u00e1rio, durante uma un\u00e7\u00e3o, uma ordena\u00e7\u00e3o ou um matrim\u00f4nio. A mais espl\u00eandida \u2014 e, em certos aspectos, a mais velada \u2014 \u00e9 a gl\u00f3ria da santa Eucaristia.<\/p>\n<p>Que sacerdote n\u00e3o poderia dizer, depois de celebrar os santos mist\u00e9rios, aquilo que uma grande musicista declarou certa vez sobre a experi\u00eancia de ser instrumento de uma luminosa comunica\u00e7\u00e3o de beleza, cura e verdade: \u201ca morte n\u00e3o seria realmente uma trag\u00e9dia, porque o melhor daquilo que est\u00e1 no centro da vida humana foi visto e vivido\u201d, com o cora\u00e7\u00e3o consumido por uma gloriosa maravilha?<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(in Vaticano News)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Jesus explicou o que significava permanecer com ele e entrar no Reino que anunciava, \u201cmuitos de seus disc\u00edpulos voltaram atr\u00e1s e n\u00e3o andavam mais com ele\u201d. N\u00e3o estavam dispostos a aceitar seus ensinamentos sobre o realismo sacramental, sobre a indissolubilidade do matrim\u00f4nio, sobre a necessidade da Cruz. Quando Cristo foi crucificado no Calv\u00e1rio, o &#8216;synodos&#8217;\u00a0que havia caminhado com ele apenas seis dias antes j\u00e1 n\u00e3o existia mais. Restaram somente dois seguidores: sua M\u00e3e e Jo\u00e3o, o Disc\u00edpulo Amado. Jo\u00e3o fornece um relato preciso da\u00a0k\u00e9nosis\u00a0de Jesus, que se desenvolve em dois n\u00edveis: o do amor divino, espremido no lagar da Cruz; e o da trai\u00e7\u00e3o da lealdade humana, quando at\u00e9 mesmo aqueles que haviam prometido fidelidade\u00a0usque ad mortem\u00a0haviam fugido, recolhendo-se em casa para lamber suas feridas em segredo. E, no entanto, Jo\u00e3o insiste que \u00e9 precisamente essa cena de abandono que manifesta a gl\u00f3ria de Cristo. A glorifica\u00e7\u00e3o, diz Bernardo, acontece quando, terminado o nosso caminho terreno, finalmente contemplarmos aquilo que nesta vida esperamos firmemente, depositando nossa confian\u00e7a no nome de Jesus. \u201cSpes in nomine, res in facie est\u201d. N\u00e3o h\u00e1 modo de traduzir o sentido dessa f\u00f3rmula concisa e bel\u00edssima sen\u00e3o por meio de uma par\u00e1frase um pouco solene: \u201cNossa esperan\u00e7a est\u00e1 no nome do Senhor; a realidade esperada est\u00e1 em v\u00ea-lo face a face\u201d. Uma certa \u201cgl\u00f3ria oculta\u201d \u00e9, de todo modo, percept\u00edvel j\u00e1 agora. Agostinho gostava de dizer que aqui e agora trazemos a imagem da gl\u00f3ria em uma \u201cforma obscura\u201d, uma forma que \u00e9 encarnada e sujeita \u00e0s vicissitudes da exist\u00eancia concreta. Uma vez atravessada esta vida, a forma se revelar\u00e1 expl\u00edcita e \u201cluminosa\u201d. Eventuais deformidades causadas por um mau uso da liberdade ser\u00e3o ent\u00e3o reformadas, para que a forma emerja em sua beleza originalmente concebida: como \u201cforma formosa\u201d. Agostinho, t\u00e3o profundamente humano e ao mesmo tempo penetrante, sublinha que a gl\u00f3ria da imagem n\u00e3o pode ser perdida; ela est\u00e1 impressa em nosso ser. Pode, por\u00e9m, ser soterrada sob camadas de obscuridade que se acumulam e precisam ser removidas. A Igreja recorda \u00e0s mulheres e aos homens a gl\u00f3ria secreta que vive neles. A Igreja nos revela que a mediocridade e o desespero do presente \u2014 n\u00e3o por \u00faltimo, o meu pr\u00f3prio desespero por meus fracassos persistentes \u2014 n\u00e3o precisam ser definitivos; que o plano de Deus para n\u00f3s \u00e9 infinitamente maravilhoso; e que Deus, por meio do Corpo M\u00edstico de Cristo, nos dar\u00e1 a gra\u00e7a e a for\u00e7a de que necessitamos para alcan\u00e7\u00e1-lo, se apenas lhe pedirmos. A Igreja manifesta esplendores de \u201cgl\u00f3ria oculta\u201d em seus santos. Os santos s\u00e3o a prova de que a doen\u00e7a e a degrada\u00e7\u00e3o podem ser meios que a Provid\u00eancia utiliza para realizar um des\u00edgnio glorioso, conferindo for\u00e7a aos fracos e, ainda n\u00e3o satisfeita com isso, tornando-os santos resplandecentes. A Igreja comunica a \u201cgl\u00f3ria oculta\u201d em seus sacramentos. Todo sacerdote, todo cat\u00f3lico conhece a luz que pode irromper no confession\u00e1rio, durante uma un\u00e7\u00e3o, uma ordena\u00e7\u00e3o ou um matrim\u00f4nio. A mais espl\u00eandida \u2014 e, em certos aspectos, a mais velada \u2014 \u00e9 a gl\u00f3ria da santa Eucaristia. Que sacerdote n\u00e3o poderia dizer, depois de celebrar os santos mist\u00e9rios, aquilo que uma grande musicista declarou certa vez sobre a experi\u00eancia de ser instrumento de uma luminosa comunica\u00e7\u00e3o de beleza, cura e verdade: \u201ca morte n\u00e3o seria realmente uma trag\u00e9dia, porque o melhor daquilo que est\u00e1 no centro da vida humana foi visto e vivido\u201d, com o cora\u00e7\u00e3o consumido por uma gloriosa maravilha? 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