{"id":32118,"date":"2026-03-06T12:55:41","date_gmt":"2026-03-06T12:55:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32118"},"modified":"2026-03-06T12:55:41","modified_gmt":"2026-03-06T12:55:41","slug":"a-paz-nasce-da-coragem-de-fazer-se-pequeno-renunciando-a-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/a-paz-nasce-da-coragem-de-fazer-se-pequeno-renunciando-a-violencia\/","title":{"rendered":"A paz nasce da coragem de fazer-se pequeno, renunciando \u00e0 viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>O estrondo das guerras que inflamam o mundo chega tamb\u00e9m \u00e0 Sala Paulo VI, onde esta manh\u00e3, 6 de mar\u00e7o, o pregador da Casa Pontif\u00edcia, padre Roberto Pasolini, ofereceu na presen\u00e7a do Papa a\u00a0primeira\u00a0de suas medita\u00e7\u00f5es sobre o tema: \u201cA convers\u00e3o. Seguir o Senhor Jesus no caminho da humildade\u201d. As reflex\u00f5es, que ser\u00e3o realizadas todas as sextas-feiras at\u00e9 27 de mar\u00e7o, antes do in\u00edcio da Semana Santa, t\u00eam como tema central \u201cSe algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo, \u00e9 uma nova criatura (2Cor 5,17). A convers\u00e3o ao Evangelho segundo S\u00e3o Francisco\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEm dias que voltam a ser marcados pela dor e pela viol\u00eancia\u201d, afirma o frade capuchinho, \u201cfalar de pequenez pode parecer um discurso abstrato, quase um luxo espiritual. Na realidade, \u00e9 uma responsabilidade concreta, ligada ao destino do mundo\u201d.<\/p>\n<p><i>A paz n\u00e3o nasce apenas de acordos pol\u00edticos nem de estrat\u00e9gias diplom\u00e1ticas ou militares, mas de homens e mulheres que encontram a coragem de se tornarem pequenos: capazes de dar um passo atr\u00e1s, de renunciar \u00e0 viol\u00eancia em todas as suas formas, de n\u00e3o ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o da vingan\u00e7a e da prepot\u00eancia, de escolher o di\u00e1logo mesmo quando as circunst\u00e2ncias parecem negar essa possibilidade.<\/i><\/p>\n<h2>O despertar da imagem de Deus<\/h2>\n<p>\u201cUm trabalho exigente e di\u00e1rio\u201d, sublinha Pasolini, que diz respeito a todos aqueles que se reconhecem filhos de Deus e que sabem que \u201cesta convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u201d lhes diz respeito.\u00a0 Ao introduzir sua reflex\u00e3o, ligada \u00e0 vida de S\u00e3o Francisco, padre Pasolini o define como \u201cum homem atravessado pelo fogo do Evangelho, capaz de reacender em cada um a nostalgia de uma vida nova no Esp\u00edrito\u201d. Mas o que se entende por \u201cconvers\u00e3o\u201d? A pergunta \u00e9 um \u201cponto de partida\u201d, porque existe o risco de \u201cconstruir sobre fundamentos fr\u00e1geis\u201d. \u201cA convers\u00e3o evang\u00e9lica \u2013 afirma o pregador \u2013 \u00e9 antes de tudo uma iniciativa de Deus, \u00e0 qual o homem \u00e9 chamado a participar com toda a sua liberdade\u201d, acontece \u201cno ponto mais \u00edntimo da nossa natureza, onde a imagem de Deus impressa em n\u00f3s espera ser despertada\u201d. \u00c9 quando algo, que permaneceu em sil\u00eancio por muito tempo, volta a vibrar no homem.<\/p>\n<h2>A resposta \u00e0 gra\u00e7a<\/h2>\n<p>Francisco fala de \u201cfazer penit\u00eancia\u201d quando entra no caminho da convers\u00e3o, mas alude a uma \u201cmudan\u00e7a de sensibilidade\u201d, a olhar para os outros com miseric\u00f3rdia e \u00e0 luz do Evangelho, varrendo \u201ca amargura de uma vida cheia de muitas coisas, mas ainda vazia do seu valor essencial\u201d. Fazer penit\u00eancia como in\u00edcio de uma luta para defender o \u201csabor novo das coisas\u201d, alimentar com fidelidade a semente que Deus colocou no cora\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p><i>A convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais a tentativa de endireitar a vida com as pr\u00f3prias for\u00e7as, mas a resposta a uma gra\u00e7a que redefiniu os par\u00e2metros de nossa maneira de perceber, julgar e desejar.<\/i><\/p>\n<h2>Reconhecer o pecado<\/h2>\n<p>A convers\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 \u201cprofundidade do sulco que o pecado cavou em n\u00f3s\u201d, explica o capuchinho, mas pecado \u00e9 uma palavra que hoje parece ter desaparecido. \u201cNa consci\u00eancia comum \u2013 e \u00e0s vezes tamb\u00e9m na vida da Igreja \u2013 tudo \u00e9 explicado como fragilidade, ferida, limite, condicionamento. Quando ainda se fala de pecado, muitas vezes ele \u00e9 reduzido a um pequeno erro ou a uma fraqueza\u201d. Se nos limitarmos a isso, desaparece tamb\u00e9m \u201ca grandeza da liberdade humana e de sua responsabilidade\u201d.<\/p>\n<p><i>Se n\u00e3o existe mais a possibilidade de um mal verdadeiro, n\u00e3o podemos acreditar nem mesmo na possibilidade de um bem verdadeiro. Se o pecado desaparece, tamb\u00e9m a santidade se torna um destino abstrato e incompreens\u00edvel.<\/i><\/p>\n<p>No pecado, o homem reconhece que \u201csua liberdade \u00e9 real e que com ela pode construir e destruir: a si mesmo, aos outros, ao mundo\u201d. \u00c9 necess\u00e1ria, portanto, \u201cuma cura profunda\u201d, por isso a convers\u00e3o \u00e9 \u201cum itiner\u00e1rio exigente\u201d para recuperar a rela\u00e7\u00e3o com Deus, uma repeti\u00e7\u00e3o nos gestos da escolha de viver no amor e na liberdade, mesmo com esfor\u00e7o, que n\u00e3o \u00e9 em si \u201cest\u00e9ril\u201d, mas express\u00e3o da \u201cfidelidade de quem j\u00e1 vislumbrou o sentido e o valor do que vive\u201d.<\/p>\n<h2>O retorno \u00e0 humildade<\/h2>\n<p>S\u00e3o Francisco \u00e9 reconhecido como o santo da pobreza, mas nele \u00e9 indissol\u00favel o v\u00ednculo com a humildade. Ambas s\u00e3o caminhos que brotam do mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o; s\u00e3o os pr\u00f3prios tra\u00e7os de Deus que o homem \u00e9 convidado a viver para se assemelhar a Ele. \u201cA humildade \u2013 destaca Pasolini \u2013 \u00e9 um caminho que todo batizado \u00e9 chamado a percorrer se quiser acolher plenamente a gra\u00e7a da vida em Cristo\u201d. \u00c9 \u201cuma maneira de habitar o mundo e as rela\u00e7\u00f5es\u201d, para redimensionar \u201ca imagem inflada que temos de n\u00f3s mesmos\u201d, devolvendo a verdade. \u201c\u00c9 um dom do Esp\u00edrito antes mesmo de ser um exerc\u00edcio asc\u00e9tico\u201d.<\/p>\n<p><i>A humildade n\u00e3o empobrece o homem: ela o devolve a si mesmo. N\u00e3o o diminui: ela o devolve \u00e0 sua verdadeira grandeza. Por isso est\u00e1 t\u00e3o intimamente ligada \u00e0 convers\u00e3o. O pecado original nasce precisamente da recusa da humildade: da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos como seres humanos, finitos e dependentes de Deus. A convers\u00e3o, ent\u00e3o, s\u00f3 pode ser entendida tamb\u00e9m como um retorno \u00e0 humildade.<\/i><\/p>\n<h2>O rosto do homem novo<\/h2>\n<p>A grandeza do homem, explica o pregador, passa pela sua pequenez. O santo de Assis, ao abra\u00e7ar os mais pequenos, ao inclinar-se para eles, compreende que esse \u00e9 \u201co lugar privilegiado\u201d escolhido pelo Senhor. \u201cNeles se manifesta aquele \u2018poder\u2019 de que fala o Evangelho, o de se tornarem filhos de Deus\u201d. Um filho que n\u00e3o tem vergonha de pedir ao Pai e que experimenta \u201cuma for\u00e7a particular: a capacidade de suscitar o bem nos outros\u201d. \u201cOs pequenos, com sua fragilidade, despertam \u2013 continua Pasolini \u2013 a miseric\u00f3rdia, que \u00e9 talvez a energia mais preciosa do mundo\u201d. Uma abertura radical, portanto, que implica a hospitalidade do outro, \u201ctornar-se pequeno \u00e9 uma dimens\u00e3o essencial do ser crist\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><i>Quando escolhemos nos tornar \u2013 e n\u00e3o permanecer \u2013 pequenos porque reconhecemos a pequenez de Deus e nos sentimos acolhidos e amados por Ele, ent\u00e3o essa escolha n\u00e3o \u00e9 uma forma de regress\u00e3o ou ren\u00fancia: \u00e9 o rosto do homem novo, que o Batismo nos devolve.<\/i><\/p>\n<h2>Uma convers\u00e3o cont\u00ednua<\/h2>\n<p>O \u00faltimo passo a dar \u00e9 reconhecer que a convers\u00e3o nunca termina. Continuamos pecadores, pedimos para ser santificados pelo Esp\u00edrito. \u201cConverter-se significa recome\u00e7ar continuamente esse movimento do cora\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do qual nossa pobreza se abre \u00e0 gra\u00e7a de Deus\u201d, faz\u00ea-lo mesmo com a retic\u00eancia de diminuir nossa imagem, realizando um trabalho interior incessante que nos coloca \u201ca servi\u00e7o, de maneira livre e concreta\u201d. O frade recorda S\u00e3o Paulo quando compreende que \u201ca fraqueza n\u00e3o \u00e9 uma fase a superar, mas a pr\u00f3pria forma de sua vida em Cristo\u201d, \u201ca forma da vida batismal\u201d.<\/p>\n<p><i>Muitas vezes, por\u00e9m, pensamos que a pequenez evang\u00e9lica s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando tudo vai bem. Na realidade, acontece o contr\u00e1rio: \u00e9 precisamente nos conflitos e nas dificuldades que ela se torna mais necess\u00e1ria. Quando o instinto nos leva a nos defender ou a nos impor, \u00e9 a\u00ed que vemos se realmente aprendemos o Evangelho da cruz. A luz, de fato, mostra sua for\u00e7a n\u00e3o quando tudo est\u00e1 claro, mas quando reina a escurid\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p>A medita\u00e7\u00e3o termina com uma ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco e a invoca\u00e7\u00e3o para \u201cseguir os passos de seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estrondo das guerras que inflamam o mundo chega tamb\u00e9m \u00e0 Sala Paulo VI, onde esta manh\u00e3, 6 de mar\u00e7o, o pregador da Casa Pontif\u00edcia, padre Roberto Pasolini, ofereceu na presen\u00e7a do Papa a\u00a0primeira\u00a0de suas medita\u00e7\u00f5es sobre o tema: \u201cA convers\u00e3o. Seguir o Senhor Jesus no caminho da humildade\u201d. As reflex\u00f5es, que ser\u00e3o realizadas todas as sextas-feiras at\u00e9 27 de mar\u00e7o, antes do in\u00edcio da Semana Santa, t\u00eam como tema central \u201cSe algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo, \u00e9 uma nova criatura (2Cor 5,17). A convers\u00e3o ao Evangelho segundo S\u00e3o Francisco\u201d. \u201cEm dias que voltam a ser marcados pela dor e pela viol\u00eancia\u201d, afirma o frade capuchinho, \u201cfalar de pequenez pode parecer um discurso abstrato, quase um luxo espiritual. Na realidade, \u00e9 uma responsabilidade concreta, ligada ao destino do mundo\u201d. A paz n\u00e3o nasce apenas de acordos pol\u00edticos nem de estrat\u00e9gias diplom\u00e1ticas ou militares, mas de homens e mulheres que encontram a coragem de se tornarem pequenos: capazes de dar um passo atr\u00e1s, de renunciar \u00e0 viol\u00eancia em todas as suas formas, de n\u00e3o ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o da vingan\u00e7a e da prepot\u00eancia, de escolher o di\u00e1logo mesmo quando as circunst\u00e2ncias parecem negar essa possibilidade. O despertar da imagem de Deus \u201cUm trabalho exigente e di\u00e1rio\u201d, sublinha Pasolini, que diz respeito a todos aqueles que se reconhecem filhos de Deus e que sabem que \u201cesta convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u201d lhes diz respeito.\u00a0 Ao introduzir sua reflex\u00e3o, ligada \u00e0 vida de S\u00e3o Francisco, padre Pasolini o define como \u201cum homem atravessado pelo fogo do Evangelho, capaz de reacender em cada um a nostalgia de uma vida nova no Esp\u00edrito\u201d. Mas o que se entende por \u201cconvers\u00e3o\u201d? A pergunta \u00e9 um \u201cponto de partida\u201d, porque existe o risco de \u201cconstruir sobre fundamentos fr\u00e1geis\u201d. \u201cA convers\u00e3o evang\u00e9lica \u2013 afirma o pregador \u2013 \u00e9 antes de tudo uma iniciativa de Deus, \u00e0 qual o homem \u00e9 chamado a participar com toda a sua liberdade\u201d, acontece \u201cno ponto mais \u00edntimo da nossa natureza, onde a imagem de Deus impressa em n\u00f3s espera ser despertada\u201d. \u00c9 quando algo, que permaneceu em sil\u00eancio por muito tempo, volta a vibrar no homem. A resposta \u00e0 gra\u00e7a Francisco fala de \u201cfazer penit\u00eancia\u201d quando entra no caminho da convers\u00e3o, mas alude a uma \u201cmudan\u00e7a de sensibilidade\u201d, a olhar para os outros com miseric\u00f3rdia e \u00e0 luz do Evangelho, varrendo \u201ca amargura de uma vida cheia de muitas coisas, mas ainda vazia do seu valor essencial\u201d. Fazer penit\u00eancia como in\u00edcio de uma luta para defender o \u201csabor novo das coisas\u201d, alimentar com fidelidade a semente que Deus colocou no cora\u00e7\u00e3o de cada um. A convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais a tentativa de endireitar a vida com as pr\u00f3prias for\u00e7as, mas a resposta a uma gra\u00e7a que redefiniu os par\u00e2metros de nossa maneira de perceber, julgar e desejar. Reconhecer o pecado A convers\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 \u201cprofundidade do sulco que o pecado cavou em n\u00f3s\u201d, explica o capuchinho, mas pecado \u00e9 uma palavra que hoje parece ter desaparecido. \u201cNa consci\u00eancia comum \u2013 e \u00e0s vezes tamb\u00e9m na vida da Igreja \u2013 tudo \u00e9 explicado como fragilidade, ferida, limite, condicionamento. Quando ainda se fala de pecado, muitas vezes ele \u00e9 reduzido a um pequeno erro ou a uma fraqueza\u201d. Se nos limitarmos a isso, desaparece tamb\u00e9m \u201ca grandeza da liberdade humana e de sua responsabilidade\u201d. Se n\u00e3o existe mais a possibilidade de um mal verdadeiro, n\u00e3o podemos acreditar nem mesmo na possibilidade de um bem verdadeiro. Se o pecado desaparece, tamb\u00e9m a santidade se torna um destino abstrato e incompreens\u00edvel. No pecado, o homem reconhece que \u201csua liberdade \u00e9 real e que com ela pode construir e destruir: a si mesmo, aos outros, ao mundo\u201d. \u00c9 necess\u00e1ria, portanto, \u201cuma cura profunda\u201d, por isso a convers\u00e3o \u00e9 \u201cum itiner\u00e1rio exigente\u201d para recuperar a rela\u00e7\u00e3o com Deus, uma repeti\u00e7\u00e3o nos gestos da escolha de viver no amor e na liberdade, mesmo com esfor\u00e7o, que n\u00e3o \u00e9 em si \u201cest\u00e9ril\u201d, mas express\u00e3o da \u201cfidelidade de quem j\u00e1 vislumbrou o sentido e o valor do que vive\u201d. O retorno \u00e0 humildade S\u00e3o Francisco \u00e9 reconhecido como o santo da pobreza, mas nele \u00e9 indissol\u00favel o v\u00ednculo com a humildade. Ambas s\u00e3o caminhos que brotam do mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o; s\u00e3o os pr\u00f3prios tra\u00e7os de Deus que o homem \u00e9 convidado a viver para se assemelhar a Ele. \u201cA humildade \u2013 destaca Pasolini \u2013 \u00e9 um caminho que todo batizado \u00e9 chamado a percorrer se quiser acolher plenamente a gra\u00e7a da vida em Cristo\u201d. \u00c9 \u201cuma maneira de habitar o mundo e as rela\u00e7\u00f5es\u201d, para redimensionar \u201ca imagem inflada que temos de n\u00f3s mesmos\u201d, devolvendo a verdade. \u201c\u00c9 um dom do Esp\u00edrito antes mesmo de ser um exerc\u00edcio asc\u00e9tico\u201d. A humildade n\u00e3o empobrece o homem: ela o devolve a si mesmo. N\u00e3o o diminui: ela o devolve \u00e0 sua verdadeira grandeza. Por isso est\u00e1 t\u00e3o intimamente ligada \u00e0 convers\u00e3o. O pecado original nasce precisamente da recusa da humildade: da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos como seres humanos, finitos e dependentes de Deus. A convers\u00e3o, ent\u00e3o, s\u00f3 pode ser entendida tamb\u00e9m como um retorno \u00e0 humildade. O rosto do homem novo A grandeza do homem, explica o pregador, passa pela sua pequenez. O santo de Assis, ao abra\u00e7ar os mais pequenos, ao inclinar-se para eles, compreende que esse \u00e9 \u201co lugar privilegiado\u201d escolhido pelo Senhor. \u201cNeles se manifesta aquele \u2018poder\u2019 de que fala o Evangelho, o de se tornarem filhos de Deus\u201d. Um filho que n\u00e3o tem vergonha de pedir ao Pai e que experimenta \u201cuma for\u00e7a particular: a capacidade de suscitar o bem nos outros\u201d. \u201cOs pequenos, com sua fragilidade, despertam \u2013 continua Pasolini \u2013 a miseric\u00f3rdia, que \u00e9 talvez a energia mais preciosa do mundo\u201d. Uma abertura radical, portanto, que implica a hospitalidade do outro, \u201ctornar-se pequeno \u00e9 uma dimens\u00e3o essencial do ser crist\u00e3o\u201d. 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