{"id":32136,"date":"2026-03-10T11:26:53","date_gmt":"2026-03-10T11:26:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32136"},"modified":"2026-03-10T11:26:53","modified_gmt":"2026-03-10T11:26:53","slug":"nao-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/nao-nao\/","title":{"rendered":"N\u00e3o! N\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p>Numa \u00e9poca em que a guerra \u00e9 invocada como um destino inevit\u00e1vel, a \u00fanica resposta poss\u00edvel \u00e0s tens\u00f5es geopol\u00edticas, \u00e9 redescobrir o significado profundo da palavra\u00a0<em>&#8220;paz&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>\u00abO Papa Le\u00e3o XIII, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, lan\u00e7a um desafio radical: a paz deve ser &#8220;desarmada e desarmante&#8221;. N\u00e3o basta depor as armas materiais. Primeiro, devemos desarmar-nos. A paz deve ser acolhida. &#8220;Bem-aventurados os pacificadores&#8221;. O termo grego \u03b5\u1f30\u03c1\u03b7\u03bd\u03bf\u03c0\u03bf\u03b9\u03bf\u03af (eir\u0113nopoioi) \u00e9 extraordinariamente eloquente, dado que o verbo \u03c0\u03bf\u03b9\u03b5\u03af\u03bd (poiein) tamb\u00e9m se refere \u00e0 poesia. Os pacificadores s\u00e3o poetas sociais, artistas do tecido humano que remendam o que o \u00f3dio destr\u00f3i, demonstrando que tudo est\u00e1 interligado.\u00bb<\/p>\n<p>Chiara Giaccardi, prof. na Universidade Cat\u00f3lica do Sacro Cuore.<\/p>\n<p>Num mundo que celebra a guerra como\u00a0<em>realismo<\/em>\u00a0e ridiculariza a paz como\u00a0<em>fraqueza<\/em>, talvez seja altura de reconhecer que os verdadeiros realistas s\u00e3o precisamente estes poetas desarmados.<\/p>\n<p>Na escola, algu\u00e9m me perguntou:\u00a0<em>&#8220;Tem medo da Terceira Guerra Mundial? Tem medo que a guerra se possa alastrar aos pa\u00edses europeus?&#8221;<\/em>\u00a0Respondi que n\u00e3o podemos ficar parados. Eu, n\u00e3o consigo ficar\u00a0<em>tranquilo.<\/em><\/p>\n<p>O meu maior receio \u00e9 que nos habituemos a ver imagens de escolas destru\u00eddas, de cad\u00e1veres de homens, mulheres, idosos e crian\u00e7as, como se isso fosse normal.<\/p>\n<p>Temo que os nossos jovens, apesar de todas as reflex\u00f5es e sugest\u00f5es que lhes oferecemos em casa e na escola, acabem por se habituar a este\u00a0<em>estilo<\/em>: afirmar as suas opini\u00f5es\u00a0<em>esmagando<\/em>\u00a0a dos outros pela for\u00e7a.<\/p>\n<p>Temo que as nossas conversas se tornem vazias,\u00a0<em>\u201cporque fica bem\u201d<\/em>, mas n\u00e3o vividas! Preocupa-me que os nossos jovens possam repetir de cor que a guerra n\u00e3o \u00e9 justa, mas com a realidade que vivem diariamente, aprendam um\u00a0<em>estilo<\/em>\u00a0baseado no conflito.<\/p>\n<p>N\u00e3o! N\u00e3o!<\/p>\n<p>A paz \u00e9, antes de mais, um caminho, um la\u00e7o, um trabalho em conjunto, um acordo que mant\u00e9m unido aquilo que, de outro modo, se desintegra e se perde.<\/p>\n<p>O paradoxo do nosso tempo, em que tudo se desfaz &#8211; comunidades, di\u00e1logos, significados -, reside na ilus\u00e3o de que as armas podem remendar o que destru\u00edmos. Como se a viol\u00eancia pudesse criar\u00a0<em>pontes<\/em>\u00a0em vez de\u00a0<em>muros<\/em>,\u00a0<em>la\u00e7os<\/em>\u00a0em vez de\u00a0<em>n\u00f3s<\/em>.<\/p>\n<p>Rezemos pela paz.<\/p>\n<p>(\u00a9 iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa \u00e9poca em que a guerra \u00e9 invocada como um destino inevit\u00e1vel, a \u00fanica resposta poss\u00edvel \u00e0s tens\u00f5es geopol\u00edticas, \u00e9 redescobrir o significado profundo da palavra\u00a0&#8220;paz&#8221;. \u00abO Papa Le\u00e3o XIII, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, lan\u00e7a um desafio radical: a paz deve ser &#8220;desarmada e desarmante&#8221;. N\u00e3o basta depor as armas materiais. Primeiro, devemos desarmar-nos. A paz deve ser acolhida. &#8220;Bem-aventurados os pacificadores&#8221;. O termo grego \u03b5\u1f30\u03c1\u03b7\u03bd\u03bf\u03c0\u03bf\u03b9\u03bf\u03af (eir\u0113nopoioi) \u00e9 extraordinariamente eloquente, dado que o verbo \u03c0\u03bf\u03b9\u03b5\u03af\u03bd (poiein) tamb\u00e9m se refere \u00e0 poesia. Os pacificadores s\u00e3o poetas sociais, artistas do tecido humano que remendam o que o \u00f3dio destr\u00f3i, demonstrando que tudo est\u00e1 interligado.\u00bb Chiara Giaccardi, prof. na Universidade Cat\u00f3lica do Sacro Cuore. Num mundo que celebra a guerra como\u00a0realismo\u00a0e ridiculariza a paz como\u00a0fraqueza, talvez seja altura de reconhecer que os verdadeiros realistas s\u00e3o precisamente estes poetas desarmados. Na escola, algu\u00e9m me perguntou:\u00a0&#8220;Tem medo da Terceira Guerra Mundial? Tem medo que a guerra se possa alastrar aos pa\u00edses europeus?&#8221;\u00a0Respondi que n\u00e3o podemos ficar parados. Eu, n\u00e3o consigo ficar\u00a0tranquilo. O meu maior receio \u00e9 que nos habituemos a ver imagens de escolas destru\u00eddas, de cad\u00e1veres de homens, mulheres, idosos e crian\u00e7as, como se isso fosse normal. Temo que os nossos jovens, apesar de todas as reflex\u00f5es e sugest\u00f5es que lhes oferecemos em casa e na escola, acabem por se habituar a este\u00a0estilo: afirmar as suas opini\u00f5es\u00a0esmagando\u00a0a dos outros pela for\u00e7a. Temo que as nossas conversas se tornem vazias,\u00a0\u201cporque fica bem\u201d, mas n\u00e3o vividas! Preocupa-me que os nossos jovens possam repetir de cor que a guerra n\u00e3o \u00e9 justa, mas com a realidade que vivem diariamente, aprendam um\u00a0estilo\u00a0baseado no conflito. N\u00e3o! N\u00e3o! A paz \u00e9, antes de mais, um caminho, um la\u00e7o, um trabalho em conjunto, um acordo que mant\u00e9m unido aquilo que, de outro modo, se desintegra e se perde. 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