{"id":32165,"date":"2026-03-16T11:16:08","date_gmt":"2026-03-16T11:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32165"},"modified":"2026-03-16T11:16:08","modified_gmt":"2026-03-16T11:16:08","slug":"que-deserto-ainda-tenho-de-atravessar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/que-deserto-ainda-tenho-de-atravessar-2\/","title":{"rendered":"Que deserto ainda tenho de atravessar?"},"content":{"rendered":"<p>Aproximamo-nos da P\u00e1scoa. O sol apareceu e traz-nos tamb\u00e9m esta promessa de renascimento, de novidade, de haver condi\u00e7\u00f5es para inaugurar uma vida diferente.<\/p>\n<p>Mas, para viver o novo temos de saber honrar o \u201cvelho\u201d. Para viver momentos novos, \u00e9 preciso ter aprendido com os momentos que vieram antes, e que podem at\u00e9 nem ter sido incr\u00edveis ou bons.<\/p>\n<p>Temos a tenta\u00e7\u00e3o de viver cada dia como se pud\u00e9ssemos come\u00e7ar tudo de novo, sem olhar para tr\u00e1s. No entanto, e mesmo que sintamos que estamos a avan\u00e7ar, haver\u00e1 um momento em que seremos obrigados a olhar (e a ver!) aquilo que ficou nas nossas costas e que podemos n\u00e3o ter conseguido sentir (por ser demasiado naquele momento).<\/p>\n<p>Claro que todos os dias nos \u00e9 dada uma nova oportunidade, enquanto estivermos neste plano da vida. E isso \u00e9 incr\u00edvel. Mas os novos dias n\u00e3o trazem apenas uma p\u00e1gina em branco. Trazem consigo o que foi vivido antes. O que foi visto antes. O que n\u00e3o foi processado. O que n\u00e3o foi aceite e o que n\u00e3o foi curado.<\/p>\n<p>Somos chamados a viver a P\u00e1scoa novamente. Mas tamb\u00e9m somos chamados a enfrentar o deserto que a precede. E n\u00e3o pode haver P\u00e1scoa sem deserto. N\u00e3o pode existir a Vida sem a Morte. N\u00e3o pode haver renascimento sem haver ren\u00fancia. Seria perfeito se pud\u00e9ssemos sempre ter o melhor \u201cde todos os mundos\u201d. De todas as perspetivas. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que nos far\u00e1 crescer ou aprender.<\/p>\n<p>Antes de nos permitirmos celebrar o renascimento que se aproxima (e que a chegada da Primavera tamb\u00e9m nos traz), talvez valha a pena refletir sobre as perguntas seguintes:<\/p>\n<p>Que deserto estou a atravessar e que companhia preciso para o fazer?<\/p>\n<p>Que desafios tenho arrastado \u00e0s costas e que preciso de libertar de uma vez?<\/p>\n<p>Que pesos preciso de entregar antes de poder abra\u00e7ar a leveza que se aproxima?<\/p>\n<p>Se soubermos e nos dispusermos a responder de forma sincera e honesta, talvez nos seja mais f\u00e1cil viver este tempo de deserto. E talvez seja mais plena a viv\u00eancia de \u201cnova vida\u201d que se aproxima para cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O deserto n\u00e3o \u00e9 uma coisa m\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 uma viv\u00eancia necess\u00e1ria. \u00c9 um processo inevit\u00e1vel. Se nos permitirmos viv\u00ea-lo, talvez a luz que est\u00e1 para se reacender possa encontrar morada em n\u00f3s para sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aproximamo-nos da P\u00e1scoa. O sol apareceu e traz-nos tamb\u00e9m esta promessa de renascimento, de novidade, de haver condi\u00e7\u00f5es para inaugurar uma vida diferente. Mas, para viver o novo temos de saber honrar o \u201cvelho\u201d. Para viver momentos novos, \u00e9 preciso ter aprendido com os momentos que vieram antes, e que podem at\u00e9 nem ter sido incr\u00edveis ou bons. Temos a tenta\u00e7\u00e3o de viver cada dia como se pud\u00e9ssemos come\u00e7ar tudo de novo, sem olhar para tr\u00e1s. No entanto, e mesmo que sintamos que estamos a avan\u00e7ar, haver\u00e1 um momento em que seremos obrigados a olhar (e a ver!) aquilo que ficou nas nossas costas e que podemos n\u00e3o ter conseguido sentir (por ser demasiado naquele momento). Claro que todos os dias nos \u00e9 dada uma nova oportunidade, enquanto estivermos neste plano da vida. E isso \u00e9 incr\u00edvel. Mas os novos dias n\u00e3o trazem apenas uma p\u00e1gina em branco. Trazem consigo o que foi vivido antes. O que foi visto antes. O que n\u00e3o foi processado. O que n\u00e3o foi aceite e o que n\u00e3o foi curado. Somos chamados a viver a P\u00e1scoa novamente. Mas tamb\u00e9m somos chamados a enfrentar o deserto que a precede. E n\u00e3o pode haver P\u00e1scoa sem deserto. N\u00e3o pode existir a Vida sem a Morte. N\u00e3o pode haver renascimento sem haver ren\u00fancia. Seria perfeito se pud\u00e9ssemos sempre ter o melhor \u201cde todos os mundos\u201d. De todas as perspetivas. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que nos far\u00e1 crescer ou aprender. Antes de nos permitirmos celebrar o renascimento que se aproxima (e que a chegada da Primavera tamb\u00e9m nos traz), talvez valha a pena refletir sobre as perguntas seguintes: Que deserto estou a atravessar e que companhia preciso para o fazer? Que desafios tenho arrastado \u00e0s costas e que preciso de libertar de uma vez? Que pesos preciso de entregar antes de poder abra\u00e7ar a leveza que se aproxima? Se soubermos e nos dispusermos a responder de forma sincera e honesta, talvez nos seja mais f\u00e1cil viver este tempo de deserto. E talvez seja mais plena a viv\u00eancia de \u201cnova vida\u201d que se aproxima para cada um de n\u00f3s. O deserto n\u00e3o \u00e9 uma coisa m\u00e1. \u00c9 uma viv\u00eancia necess\u00e1ria. \u00c9 um processo inevit\u00e1vel. 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