{"id":32180,"date":"2026-03-19T11:12:47","date_gmt":"2026-03-19T11:12:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32180"},"modified":"2026-03-19T11:12:47","modified_gmt":"2026-03-19T11:12:47","slug":"reflexoes-quaresmais-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/reflexoes-quaresmais-10\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es Quaresmais"},"content":{"rendered":"<p>A Quaresma \u00e9 o tempo prop\u00edcio para uma aprendizagem sobre a realidade humana:\u00a0<em>&#8220;Tu \u00e9s p\u00f3 e ao p\u00f3 voltar\u00e1s&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de algo negativo. Antes pelo contr\u00e1rio! \u00c9\u00a0<em>Tempo<\/em>\u00a0de gratid\u00e3o e de compaix\u00e3o. Estas n\u00e3o s\u00e3o\u00a0<em>meros<\/em>\u00a0sentimentos, mas duas a\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na raiz da felicidade, como uma m\u00e3o estendida tanto para receber como para dar.<\/p>\n<p>Por isso, durante a Quaresma, o jejum \u00e9 acompanhado pela esmola e pela ora\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o formas, semelhantes. Visam recuperar a consci\u00eancia da pr\u00f3pria fragilidade e da fragilidade dos outros.<\/p>\n<p><em>\u00ab\u201dSe dissermos que n\u00e3o temos pecado, enganamo-nos a n\u00f3s mesmos e a verdade n\u00e3o est\u00e1 em n\u00f3s\u201d (1Jo 1,8). Esta \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o luminosa para as almas grandes, as almas santas; pois, estando mais pr\u00f3ximas de Deus, que \u00e9 o Sol da justi\u00e7a e santidade imaculada, apercebem-se com mais clareza das imperfei\u00e7\u00f5es que as maculam.\u00bb (<\/em><em>Beato Columba Marmion)<\/em><\/p>\n<p>Aqueles que n\u00e3o reconhecem a sua pr\u00f3pria fragilidade esquecem-se de si pr\u00f3prios e dos outros. Aqueles que a reconhecem sabem que vivem e est\u00e3o gratos por isso.<\/p>\n<p>A Quaresma \u00e9 um tempo poderoso de convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, da mente e de toda a pessoa, de desprendimento das nossas paix\u00f5es, de um verdadeiro regresso ao essencial.<\/p>\n<p>Rezamos n\u00e3o para convencer Deus a fazer algo, mas para nos convencermos de que somos seus filhos. Uma cultura que n\u00e3o nos incentiva a percebermo-nos como filhos \u2014 isto \u00e9, recetores da vida, mas apenas seus donos \u2014 n\u00e3o fomenta a gratid\u00e3o e a compaix\u00e3o, mas antes os seus opostos: o ego\u00edsmo e a indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>O cristianismo medieval teve a genialidade de procurar detalhar a gratid\u00e3o e a compaix\u00e3o em catorze\u00a0<em>obras-primas<\/em>, conhecidas como obras de miseric\u00f3rdia, sete corporais e sete espirituais: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, acolher o estrangeiro, cuidar dos doentes, visitar os presos, sepultar os mortos; aconselhar os indecisos, instruir os ignorantes, admoestar os que praticam o mal, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paci\u00eancia aqueles que nos fazem mal, orar a Deus pelos vivos e pelos mortos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se tratam de preceitos, mas sim de uma forma de exist\u00eancia que nasce do sentimento de n\u00e3o sermos donos da nossa pr\u00f3pria vida ou da vida dos outros, mas sim os seus cuidadores.<\/p>\n<p>Desta forma a caridade deixa de ser um sentimento, um dever ou um inc\u00f3modo, passando a ser um<em>\u00a0estilo de vida<\/em>: Ser Crist\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(\u00a9 iMissio)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quaresma \u00e9 o tempo prop\u00edcio para uma aprendizagem sobre a realidade humana:\u00a0&#8220;Tu \u00e9s p\u00f3 e ao p\u00f3 voltar\u00e1s&#8221;. N\u00e3o se trata de algo negativo. Antes pelo contr\u00e1rio! \u00c9\u00a0Tempo\u00a0de gratid\u00e3o e de compaix\u00e3o. Estas n\u00e3o s\u00e3o\u00a0meros\u00a0sentimentos, mas duas a\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na raiz da felicidade, como uma m\u00e3o estendida tanto para receber como para dar. Por isso, durante a Quaresma, o jejum \u00e9 acompanhado pela esmola e pela ora\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o formas, semelhantes. Visam recuperar a consci\u00eancia da pr\u00f3pria fragilidade e da fragilidade dos outros. \u00ab\u201dSe dissermos que n\u00e3o temos pecado, enganamo-nos a n\u00f3s mesmos e a verdade n\u00e3o est\u00e1 em n\u00f3s\u201d (1Jo 1,8). Esta \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o luminosa para as almas grandes, as almas santas; pois, estando mais pr\u00f3ximas de Deus, que \u00e9 o Sol da justi\u00e7a e santidade imaculada, apercebem-se com mais clareza das imperfei\u00e7\u00f5es que as maculam.\u00bb (Beato Columba Marmion) Aqueles que n\u00e3o reconhecem a sua pr\u00f3pria fragilidade esquecem-se de si pr\u00f3prios e dos outros. Aqueles que a reconhecem sabem que vivem e est\u00e3o gratos por isso. A Quaresma \u00e9 um tempo poderoso de convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, da mente e de toda a pessoa, de desprendimento das nossas paix\u00f5es, de um verdadeiro regresso ao essencial. Rezamos n\u00e3o para convencer Deus a fazer algo, mas para nos convencermos de que somos seus filhos. Uma cultura que n\u00e3o nos incentiva a percebermo-nos como filhos \u2014 isto \u00e9, recetores da vida, mas apenas seus donos \u2014 n\u00e3o fomenta a gratid\u00e3o e a compaix\u00e3o, mas antes os seus opostos: o ego\u00edsmo e a indiferen\u00e7a. O cristianismo medieval teve a genialidade de procurar detalhar a gratid\u00e3o e a compaix\u00e3o em catorze\u00a0obras-primas, conhecidas como obras de miseric\u00f3rdia, sete corporais e sete espirituais: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, acolher o estrangeiro, cuidar dos doentes, visitar os presos, sepultar os mortos; aconselhar os indecisos, instruir os ignorantes, admoestar os que praticam o mal, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paci\u00eancia aqueles que nos fazem mal, orar a Deus pelos vivos e pelos mortos. N\u00e3o se tratam de preceitos, mas sim de uma forma de exist\u00eancia que nasce do sentimento de n\u00e3o sermos donos da nossa pr\u00f3pria vida ou da vida dos outros, mas sim os seus cuidadores. Desta forma a caridade deixa de ser um sentimento, um dever ou um inc\u00f3modo, passando a ser um\u00a0estilo de vida: Ser Crist\u00e3o. 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