{"id":32229,"date":"2026-03-31T09:55:27","date_gmt":"2026-03-31T09:55:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32229"},"modified":"2026-03-31T09:55:27","modified_gmt":"2026-03-31T09:55:27","slug":"o-amor-escreve-com-um-alfabeto-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/o-amor-escreve-com-um-alfabeto-diferente\/","title":{"rendered":"O Amor escreve com um Alfabeto diferente\u2026"},"content":{"rendered":"<p>Com o Domingo de Ramos entramos na Semana Santa, os dias maiores da hist\u00f3ria e da f\u00e9. Recordo com uma certa saudade os meus dias de seminarista. Tinha tempo para o sil\u00eancio e a medita\u00e7\u00e3o&#8230; Porque nesta semana, a liturgia abranda, acompanhando-nos com serenidade, quase hora a hora, pelos \u00faltimos dias de Jesus: da entrada em Jerusal\u00e9m at\u00e9 \u00e0 corrida de Maria Madalena na manh\u00e3 de P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>\u00abAbra\u00e7ar a sua cruz significa encontrar a coragem para abra\u00e7ar todas as dificuldades do tempo presente, abandonando por momentos o nosso anseio de omnipot\u00eancia e de posse para dar espa\u00e7o \u00e0 criatividade que s\u00f3 o Esp\u00edrito \u00e9 capaz de inspirar.\u00bb (Papa Francisco, sexta-feira, 27 de mar\u00e7o de 2020.)<\/p>\n<p>O mais belo a fazer nestes dias \u00e9 permanecer junto da santidade das l\u00e1grimas, junto das infinitas cruzes do mundo onde Cristo ainda est\u00e1 crucificado. Os crist\u00e3os mant\u00eam-se pr\u00f3ximos de Deus no seu sofrimento, j\u00e1 o dizia Dietrich Bonhoeffer, pastor Luterano, te\u00f3logo e m\u00e1rtir alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Jesus sobe \u00e0 cruz para estar connosco e ser como n\u00f3s. Estar na cruz \u00e9 o que Deus, no seu amor, \u201cdeve\u201d \u00e0 humanidade crucificada. Pois o amor tem muitas obriga\u00e7\u00f5es, mas a primeira \u00e9 estar com o amado, mant\u00ea-lo dentro de si e, depois, conduzi-lo para fora da morte. A cruz \u00e9 o abismo onde um amor eterno penetra o tempo como fogo e irrompe em chamas.<\/p>\n<p>S\u00f3 a cruz acaba com toda a d\u00favida. Qualquer outro gesto teria confirmado uma falsa ideia de Deus. O amor escreve a sua hist\u00f3ria com o alfabeto das feridas, o \u00fanico que n\u00e3o engana. Da\u00ed a emo\u00e7\u00e3o, o deslumbramento.<\/p>\n<p>A Cruz n\u00e3o \u00e9 o momento de satisfa\u00e7\u00e3o para um Deus vingativo, mas a sublime revela\u00e7\u00e3o da sua justi\u00e7a, ou seja, a sua vontade de entrar em comunh\u00e3o total connosco, partilhando a vida humana at\u00e9 ao seu fim. Jesus transforma a cruz, de s\u00edmbolo da viol\u00eancia humana, num sinal de amor.<\/p>\n<p>O significado mais profundo da Encarna\u00e7\u00e3o, Paix\u00e3o e Morte de Cristo \u00e9 que Ele assume toda a finitude da cria\u00e7\u00e3o: as nossas limita\u00e7\u00f5es, a nossa ang\u00fastia, a nossa doen\u00e7a, a nossa morte e tamb\u00e9m todo o nosso pecado.<\/p>\n<p>Passados dois mil anos, tamb\u00e9m n\u00f3s sentimos, como as mulheres, como o centuri\u00e3o, como o bom ladr\u00e3o, que na Cruz reside a suprema atra\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Qualquer homem, se pudesse, desceria da cruz. Jesus, n\u00e3o. Um pag\u00e3o, um centuri\u00e3o perito na morte, foi o primeiro a compreender isto: Este era o filho de Deus.<\/p>\n<p>O que \u00e9 que ele viu? Aquele homem, perito na morte, testemunhou o mundo a transformar-se. Um mundo onde a vit\u00f3ria pertenceu sempre aos mais fortes, aos mais bem armados, aos mais implac\u00e1veis. Viu o poder supremo de Deus, do seu amor desarmado; o poder de servir, n\u00e3o de escravizar. Viu no G\u00f3lgota uma outra maneira de ser humano.<\/p>\n<p>Amar, amar at\u00e9 ao fim. A f\u00e9 crist\u00e3 assenta num ato perfeito de amor. E na P\u00e1scoa, o Ressuscitado assegura-nos que esse amor n\u00e3o se perde.<br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt;\">(\u00a9 iMissio)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o Domingo de Ramos entramos na Semana Santa, os dias maiores da hist\u00f3ria e da f\u00e9. Recordo com uma certa saudade os meus dias de seminarista. Tinha tempo para o sil\u00eancio e a medita\u00e7\u00e3o&#8230; Porque nesta semana, a liturgia abranda, acompanhando-nos com serenidade, quase hora a hora, pelos \u00faltimos dias de Jesus: da entrada em Jerusal\u00e9m at\u00e9 \u00e0 corrida de Maria Madalena na manh\u00e3 de P\u00e1scoa. \u00abAbra\u00e7ar a sua cruz significa encontrar a coragem para abra\u00e7ar todas as dificuldades do tempo presente, abandonando por momentos o nosso anseio de omnipot\u00eancia e de posse para dar espa\u00e7o \u00e0 criatividade que s\u00f3 o Esp\u00edrito \u00e9 capaz de inspirar.\u00bb (Papa Francisco, sexta-feira, 27 de mar\u00e7o de 2020.) O mais belo a fazer nestes dias \u00e9 permanecer junto da santidade das l\u00e1grimas, junto das infinitas cruzes do mundo onde Cristo ainda est\u00e1 crucificado. Os crist\u00e3os mant\u00eam-se pr\u00f3ximos de Deus no seu sofrimento, j\u00e1 o dizia Dietrich Bonhoeffer, pastor Luterano, te\u00f3logo e m\u00e1rtir alem\u00e3o. Jesus sobe \u00e0 cruz para estar connosco e ser como n\u00f3s. Estar na cruz \u00e9 o que Deus, no seu amor, \u201cdeve\u201d \u00e0 humanidade crucificada. Pois o amor tem muitas obriga\u00e7\u00f5es, mas a primeira \u00e9 estar com o amado, mant\u00ea-lo dentro de si e, depois, conduzi-lo para fora da morte. A cruz \u00e9 o abismo onde um amor eterno penetra o tempo como fogo e irrompe em chamas. S\u00f3 a cruz acaba com toda a d\u00favida. Qualquer outro gesto teria confirmado uma falsa ideia de Deus. O amor escreve a sua hist\u00f3ria com o alfabeto das feridas, o \u00fanico que n\u00e3o engana. Da\u00ed a emo\u00e7\u00e3o, o deslumbramento. A Cruz n\u00e3o \u00e9 o momento de satisfa\u00e7\u00e3o para um Deus vingativo, mas a sublime revela\u00e7\u00e3o da sua justi\u00e7a, ou seja, a sua vontade de entrar em comunh\u00e3o total connosco, partilhando a vida humana at\u00e9 ao seu fim. Jesus transforma a cruz, de s\u00edmbolo da viol\u00eancia humana, num sinal de amor. 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