{"id":32289,"date":"2026-04-17T09:05:57","date_gmt":"2026-04-17T09:05:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32289"},"modified":"2026-04-17T09:05:57","modified_gmt":"2026-04-17T09:05:57","slug":"papa-a-paz-deve-prevalecer-sobre-os-senhores-da-guerra-que-usam-o-nome-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/papa-a-paz-deve-prevalecer-sobre-os-senhores-da-guerra-que-usam-o-nome-de-deus\/","title":{"rendered":"Papa: a paz deve prevalecer sobre os &#8220;senhores da guerra&#8221; que usam o nome de Deus"},"content":{"rendered":"<p>Um dos eventos de maior expectativa para a povo de Camar\u00f5es, que recebeu o Papa Le\u00e3o XIV para um Encontro pela Paz em Bamenda, regi\u00e3o angl\u00f3fona que h\u00e1 uma d\u00e9cada vive uma crise marcada por tens\u00f5es separatistas, viol\u00eancia e deslocamentos, foi promovido nesta quinta-feira (16\/04). De fato, fala-se de 500 mil os refugiados e requerentes de asilo em pa\u00edses vizinhos como Sud\u00e3o e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Um lugar de insistente tens\u00e3o e sofrimento devido \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e tribal que viu as fac\u00e7\u00f5es separatistas locais anunciarem uma tr\u00e9gua baseada na &#8220;responsabilidade, modera\u00e7\u00e3o e respeito pel dignidade humana&#8221; para a realiza\u00e7\u00e3o da agenda do Papa em Bamenda.<\/p>\n<h2>A luz do mundo em meio \u00e0 terra ensanguentada<\/h2>\n<p>A Catedral de S\u00e3o Jos\u00e9, sede da arquidiocese local, foi o local destinado ao Encontro pela Paz que reuniu chefes tradicionais, representantes da Igreja protestante e tamb\u00e9m membros isl\u00e2micos, al\u00e9m da comunidade cat\u00f3lica de consagrados e leigos. Ap\u00f3s cantos e testemunhos locais, inclusive de uma consagrada que foi sequestrada e de uma fam\u00edlia de deslocados internos, o Papa refletiu sobre as hist\u00f3rias de dor contadas em primeira pessoa que refletem o que \u00e9 vivido por uma terra &#8220;atormetada&#8221;, &#8220;ensanguentada&#8221;, &#8220;ultrajada&#8221;. Apesar de tantas prova\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos, por\u00e9m, o Pont\u00edfice reconheceu o quanto foi feito para manter &#8220;caminhos do bem&#8221;, demonstrando &#8220;a consci\u00eancia de que Deus nunca nos abandonou! N\u2019Ele, na sua paz, podemos sempre recome\u00e7ar!&#8221;.<\/p>\n<p>Le\u00e3o XIV disse que, sim, \u00e9 ele quem est\u00e1 &#8220;aqui para anunciar a paz, mas constato de imediato que s\u00e3o voc\u00eas que a anunciam a mim e ao mundo inteiro&#8221;. Basta perceber que &#8220;a crise que abalou estes territ\u00f3rios dos Camar\u00f5es aproximou mais do que nunca as comunidades crist\u00e3s e mu\u00e7ulmanas&#8221;, num Movimento pela Paz para procurar mediar entre as partes advers\u00e1rias:<\/p>\n<p><i>&#8220;Quanto gostaria que assim acontecesse em tantos lugares do mundo!\u00a0O seu testemunho, o seu trabalho pela paz podem servir de exemplo para o mundo inteiro. Jesus nos disse:\u00a0Bem-aventurados os construtores da paz! Por\u00e9m, ai daqueles que submetem as religi\u00f5es e o pr\u00f3prio nome de Deus aos seus objetivos militares, econ\u00f4micos e pol\u00edticos, arrastando o que \u00e9 santo para o que h\u00e1 de mais sujo e tenebroso. Sim, minhas queridas irm\u00e3s e irm\u00e3os, v\u00f3s que tendes fome e sede de justi\u00e7a, v\u00f3s, os pobres, os misericordiosos, os mansos e os puros de cora\u00e7\u00e3o, v\u00f3s que chorastes, v\u00f3s sois a luz do mundo! (cf. Mt 5, 3-14).&#8221;<\/i><\/p>\n<h2>Basta um instante para destruir e uma vida inteira para reconstruir<\/h2>\n<p>O Papa, ent\u00e3o, encorajou Bamenda a continuar sendo &#8220;o sal que d\u00e1 sabor a esta terra&#8221;, valorizando o que aproximou todos na hora da dor. como fazem &#8220;todos aqueles \u2013 em particular as mulheres, leigas e religiosas \u2013 que cuidam das pessoas traumatizadas pela viol\u00eancia. \u00c9 um trabalho imenso, invis\u00edvel, quotidiano e exposto a perigos&#8221;, como recordou a pr\u00f3pria Irm\u00e3 Carine Tangiri Mangu em testemunho ao Papa, sequestrada por tr\u00eas dias em novembro do ano passsado:<\/p>\n<p><i>&#8220;Os senhores da guerra fingem n\u00e3o saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes n\u00e3o basta uma vida inteira para reconstruir. Fingem n\u00e3o ver que s\u00e3o necess\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares para matar e devastar, mas n\u00e3o se encontram os recursos necess\u00e1rios para curar, educar e reerguer. Quem saqueia os recursos da terra de voc\u00eas, geralmente investe grande parte dos lucros em armas, numa espiral de desestabiliza\u00e7\u00e3o e morte sem fim. \u00c9 um mundo ao contr\u00e1rio, uma subvers\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de Deus.&#8221;<\/i><\/p>\n<h2>Sirvamos juntos a paz!<\/h2>\n<p>Le\u00e3o XIV agradeceu \u00e0 miss\u00e3o de tantas pessoas que decidiram &#8220;estar com os outros e ser para os outros&#8221;, remetendo \u00e0s palavras do Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<i>Evangelii gaudium<\/i>, que exortou a &#8220;caminhar juntos, cada um na sua voca\u00e7\u00e3o&#8221;, come\u00e7ando pelo trabalho local &#8220;para chegar a amar o pr\u00f3ximo, seja quem for\u00a0e onde quer que esteja. \u00c9 a revolu\u00e7\u00e3o silenciosa da qual voc\u00eas s\u00e3o testemunhas!&#8221;, disse Le\u00e3o XIV. &#8220;Sigamos em frente sem nos cansarmos, com coragem e, acima de tudo, juntos, sempre juntos!&#8221;, encorajou o Pont\u00edfice, &#8220;sirvamos juntos a paz!&#8221;:<\/p>\n<p><i>&#8220;O mundo \u00e9 destru\u00eddo por poucos dominadores e \u00e9 mantido de p\u00e9 por uma mir\u00edade de irm\u00e3os e irm\u00e3s solid\u00e1rios! S\u00e3o a descend\u00eancia de Abra\u00e3o, incont\u00e1vel como as estrelas do c\u00e9u e os gr\u00e3os de areia na praia do mar. Olhemo-nos nos olhos: somos j\u00e1 este povo imenso! A paz n\u00e3o \u00e9 algo a inventar: \u00e9 algo a acolher, acolhendo o pr\u00f3ximo como nosso irm\u00e3o e como nossa irm\u00e3. Ningu\u00e9m escolhe os seus irm\u00e3os e irm\u00e3s: devemos apenas acolher-nos uns aos outros! Somos uma \u00fanica fam\u00edlia e habitamos a mesma casa, este maravilhoso planeta de que as culturas antigas cuidaram durante mil\u00eanios.&#8221;<\/i><\/p>\n<h2>Que a paz de Deus reine nesta terra<\/h2>\n<p>Ao final do Encontro pela Paz, o Papa se dirigiu para a frente da Catedral de S\u00e3o Jos\u00e9. Com uma pomba branca em m\u00e3os, assim como faziam outras sete pessoas representantes da comunidade local, Le\u00e3o XIV falou algumas palavras improvisadas antes de solt\u00e1-la:<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cMeus queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, hoje o Senhor escolheu todos n\u00f3s para sermos os pacificadores que trazem a paz a esta terra. Rezemos todos juntos ao Senhor para que a paz reine verdadeiramente entre n\u00f3s; para que, ao soltarmos estas pombas brancas, s\u00edmbolo da paz, a presen\u00e7a de Deus esteja sobre todos n\u00f3s, sobre esta terra, e nos mantenha todos unidos na sua paz. Louvado seja o Senhor.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos eventos de maior expectativa para a povo de Camar\u00f5es, que recebeu o Papa Le\u00e3o XIV para um Encontro pela Paz em Bamenda, regi\u00e3o angl\u00f3fona que h\u00e1 uma d\u00e9cada vive uma crise marcada por tens\u00f5es separatistas, viol\u00eancia e deslocamentos, foi promovido nesta quinta-feira (16\/04). De fato, fala-se de 500 mil os refugiados e requerentes de asilo em pa\u00edses vizinhos como Sud\u00e3o e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Um lugar de insistente tens\u00e3o e sofrimento devido \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e tribal que viu as fac\u00e7\u00f5es separatistas locais anunciarem uma tr\u00e9gua baseada na &#8220;responsabilidade, modera\u00e7\u00e3o e respeito pel dignidade humana&#8221; para a realiza\u00e7\u00e3o da agenda do Papa em Bamenda. A luz do mundo em meio \u00e0 terra ensanguentada A Catedral de S\u00e3o Jos\u00e9, sede da arquidiocese local, foi o local destinado ao Encontro pela Paz que reuniu chefes tradicionais, representantes da Igreja protestante e tamb\u00e9m membros isl\u00e2micos, al\u00e9m da comunidade cat\u00f3lica de consagrados e leigos. Ap\u00f3s cantos e testemunhos locais, inclusive de uma consagrada que foi sequestrada e de uma fam\u00edlia de deslocados internos, o Papa refletiu sobre as hist\u00f3rias de dor contadas em primeira pessoa que refletem o que \u00e9 vivido por uma terra &#8220;atormetada&#8221;, &#8220;ensanguentada&#8221;, &#8220;ultrajada&#8221;. Apesar de tantas prova\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos, por\u00e9m, o Pont\u00edfice reconheceu o quanto foi feito para manter &#8220;caminhos do bem&#8221;, demonstrando &#8220;a consci\u00eancia de que Deus nunca nos abandonou! N\u2019Ele, na sua paz, podemos sempre recome\u00e7ar!&#8221;. Le\u00e3o XIV disse que, sim, \u00e9 ele quem est\u00e1 &#8220;aqui para anunciar a paz, mas constato de imediato que s\u00e3o voc\u00eas que a anunciam a mim e ao mundo inteiro&#8221;. Basta perceber que &#8220;a crise que abalou estes territ\u00f3rios dos Camar\u00f5es aproximou mais do que nunca as comunidades crist\u00e3s e mu\u00e7ulmanas&#8221;, num Movimento pela Paz para procurar mediar entre as partes advers\u00e1rias: &#8220;Quanto gostaria que assim acontecesse em tantos lugares do mundo!\u00a0O seu testemunho, o seu trabalho pela paz podem servir de exemplo para o mundo inteiro. Jesus nos disse:\u00a0Bem-aventurados os construtores da paz! Por\u00e9m, ai daqueles que submetem as religi\u00f5es e o pr\u00f3prio nome de Deus aos seus objetivos militares, econ\u00f4micos e pol\u00edticos, arrastando o que \u00e9 santo para o que h\u00e1 de mais sujo e tenebroso. Sim, minhas queridas irm\u00e3s e irm\u00e3os, v\u00f3s que tendes fome e sede de justi\u00e7a, v\u00f3s, os pobres, os misericordiosos, os mansos e os puros de cora\u00e7\u00e3o, v\u00f3s que chorastes, v\u00f3s sois a luz do mundo! (cf. Mt 5, 3-14).&#8221; Basta um instante para destruir e uma vida inteira para reconstruir O Papa, ent\u00e3o, encorajou Bamenda a continuar sendo &#8220;o sal que d\u00e1 sabor a esta terra&#8221;, valorizando o que aproximou todos na hora da dor. como fazem &#8220;todos aqueles \u2013 em particular as mulheres, leigas e religiosas \u2013 que cuidam das pessoas traumatizadas pela viol\u00eancia. \u00c9 um trabalho imenso, invis\u00edvel, quotidiano e exposto a perigos&#8221;, como recordou a pr\u00f3pria Irm\u00e3 Carine Tangiri Mangu em testemunho ao Papa, sequestrada por tr\u00eas dias em novembro do ano passsado: &#8220;Os senhores da guerra fingem n\u00e3o saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes n\u00e3o basta uma vida inteira para reconstruir. Fingem n\u00e3o ver que s\u00e3o necess\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares para matar e devastar, mas n\u00e3o se encontram os recursos necess\u00e1rios para curar, educar e reerguer. Quem saqueia os recursos da terra de voc\u00eas, geralmente investe grande parte dos lucros em armas, numa espiral de desestabiliza\u00e7\u00e3o e morte sem fim. \u00c9 um mundo ao contr\u00e1rio, uma subvers\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de Deus.&#8221; Sirvamos juntos a paz! Le\u00e3o XIV agradeceu \u00e0 miss\u00e3o de tantas pessoas que decidiram &#8220;estar com os outros e ser para os outros&#8221;, remetendo \u00e0s palavras do Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0Evangelii gaudium, que exortou a &#8220;caminhar juntos, cada um na sua voca\u00e7\u00e3o&#8221;, come\u00e7ando pelo trabalho local &#8220;para chegar a amar o pr\u00f3ximo, seja quem for\u00a0e onde quer que esteja. \u00c9 a revolu\u00e7\u00e3o silenciosa da qual voc\u00eas s\u00e3o testemunhas!&#8221;, disse Le\u00e3o XIV. &#8220;Sigamos em frente sem nos cansarmos, com coragem e, acima de tudo, juntos, sempre juntos!&#8221;, encorajou o Pont\u00edfice, &#8220;sirvamos juntos a paz!&#8221;: &#8220;O mundo \u00e9 destru\u00eddo por poucos dominadores e \u00e9 mantido de p\u00e9 por uma mir\u00edade de irm\u00e3os e irm\u00e3s solid\u00e1rios! S\u00e3o a descend\u00eancia de Abra\u00e3o, incont\u00e1vel como as estrelas do c\u00e9u e os gr\u00e3os de areia na praia do mar. Olhemo-nos nos olhos: somos j\u00e1 este povo imenso! A paz n\u00e3o \u00e9 algo a inventar: \u00e9 algo a acolher, acolhendo o pr\u00f3ximo como nosso irm\u00e3o e como nossa irm\u00e3. Ningu\u00e9m escolhe os seus irm\u00e3os e irm\u00e3s: devemos apenas acolher-nos uns aos outros! Somos uma \u00fanica fam\u00edlia e habitamos a mesma casa, este maravilhoso planeta de que as culturas antigas cuidaram durante mil\u00eanios.&#8221; Que a paz de Deus reine nesta terra Ao final do Encontro pela Paz, o Papa se dirigiu para a frente da Catedral de S\u00e3o Jos\u00e9. 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